As fronteiras da ação policial
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12 Fev 2012
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A greve na Bahia e o despejo no Pinheirinho expressam as imperfeições da ordem e o desprezo elitista pelo Brasil da margem JOSÉ DE SOUZA MARTINS A greve da Polícia Militar da Bahia ocorre na mesma conjuntura da intervenção da Polícia Militar de São Paulo no despejo dos ocupantes do Pinheirinho, em São José dos Campos. As motivações são opostas e os silêncios também. Mas os sujeitos não diferem. Na greve da Bahia, a PM priva a sociedade da segurança da ordem e, por meio da coação, força o governo petista a atender suas pressões. A PM de São Paulo, para cumprir ordem judicial e impor o primado da lei e da ordem, viu-se instrumento do que parecia e é uma injustiça praticada em nome do direito. Apesar do fato de que as duas ocorrências se deem em territórios de governos de partidos antagônicos, elas oferecem a oportunidade de um exame das questões além do limitado horizonte do partidário. O país tem sido refém de um pendularismo ideológico que dificulta a compreensão de anomalias políticas, como essas. É que são elas expressões das estruturas profundas de uma sociedade carregada de heranças do pretérito e do atraso pré-político. A história não é petista nem tucana. A greve da Bahia violou os direitos humanos da população baiana ao pô-la em situação de risco, concretizado nos decorrentes assassinatos e saques. E na violência generalizada do terror do amotinamento dos agentes de uma instituição essencial à manutenção da ordem. Encerrar a greve, como se os mortos vitimados pela omissão da PM baiana fossem apenas produtos defeituosos e descartáveis da linha de produção de uma fábrica, seria confissão de criminoso desprezo pela vida do outro. Em princípio, cúmplice de homicídio, mesmo decorrente de uma greve, tem seu crime capitulado no Código Penal, e não na legislação trabalhista. A greve na Bahia desandou, ainda, para o deboche, que lhe revelou o sentido último, ao aliciar a simpatia do general comandante da operação de imposição da lei, subornando-lhe as lágrimas com um bolo de aniversário. Às pressas, a presidente da República desenterra projeto de regulamentação do direito de greve no serviço público, o que abrange as polícias. É medida que se torna urgente. Quando a liberalidade da lei é fator de abuso, violência e anulação das próprias condições de afirmação do direito, a regulação torna-se necessária. A greve é historicamente a indicação de um limite, não um direito de abuso. É significativo que o atual governador, que foi um dia experimentado líder sindical, tivesse sido surpreendido, em visita a Cuba, por uma greve que correu fora dos canais sindicais de convenção e fora das expectativas da reivindicação negociável. Crianças e mães e o bolo do general são indicativos de reclamo pautado longe da racionalidade própria das relações de trabalho. Toda a população do Estado foi feita refém de uma chantagem. A reivindicação salarial justa deixou de sê-lo quando veiculada por meio de técnicas de intimidação e de extorsão. As mudanças que vem ocorrendo no País no último meio século indicam claramente que o eixo da reivindicação de classe foi deslocado pela própria dinâmica da economia moderna e, sobretudo, pela dinâmica da sociedade. A sociedade se fragmentou e já não há fatores que deem unidade, visibilidade e eficácia política ao pressuposto da classe social como agente das demandas sociais. Hoje, as entidades e movimentos de reivindicação, mesmo os profissionais, estão mutilados pela interveniência de subjacentes demandas estranhas à situação de classe, como as raciais, religiosas e corporativas. Os grupos desfavorecidos falam como grupos de interesse que expressam demandas informadas pela rusticidade das ideias da economia moral, como fazem os PMs da Bahia e como faz o MST, arrastando para o cenário de seus conflitos mulheres e crianças, aquém do sindicato e do partido e, portanto, aquém do neoliberalismo de negociação que os preside. Ou seja, a família como sujeito pré-político de carências. O que o historiador inglês E. P. Thompson chamou de economia moral retorna do fundo dos tempos, dando nova e diferente entonação às lutas sociais. Esse é o ponto que junta os problemas impostos aos respectivos governos pelas PMs na Bahia e em São Paulo. Numa entrevista infeliz a Débora Bergamasco, a secretária da Justiça de São Paulo alinhavou argumentos de radical legalismo para justificar a ordem judicial do despejo no Pinheirinho e o emprego da PM para executá-la. O país da bem-vinda Constituição liberalizante de 1988 omitiu-se em relação a questões essenciais, como a dos limites morais na execução da lei. A própria ditadura militar, no governo Costa e Silva, em face da violência dos despejos de posseiros na Amazônia, baixara ato complementar instituindo a audiência prévia do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária na decretação de despejos pela Justiça, antepondo o primado social da reforma agrária às formalidades da lei, dada a possibilidade da desapropriação e da regularização fundiária. O caso da Bahia e o caso de Pinheirinho expressam as imperfeições da ordem e o desprezo elitista pelo Brasil da margem. JOSÉ DE SOUZA MARTINS É SOCIÓLOGO, PROFESSOR EMÉRITO DA FACULDADE DE FILOSOFIA DA USP E AUTOR, ENTRE OUTROS, DE A POLÍTICA DO BRASIL LÚMPEN E MÍSTICO (CONTEXTO, 2011) | ||
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Brasil. PM do Pinheirinho ao Pelourinho.
Polícia Militar.
PM tem de se fazer respeitar
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12 Fev 2012
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| Visão do Correio A revelação, em gravações autorizadas pela Justiça, de conversas telefônicas em que lideranças da Polícia Militar articulam a disseminação para outros estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro, do movimento paredista iniciado na Bahia é a confirmação do que já se previa: o pior está por vir. Mais grave é que o país está a uma semana do carnaval, quando haverá grandes aglomerações nas ruas e os índices de criminalidade, mesmo com a segurança a postos, costumam ser elevados. Ou seja, a menos que o Estado assuma o controle da situação, o que não se vislumbra, o quadro tende a se tornar explosivo. Afinal, a ilegalidade campeia. Primeiro, o artigo 142 da Constituição Federal, no inciso IX, proíbe aos militares o direito à greve e à sindicalização. Pelo menos dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello, já o afirmaram com todas as letras. Também o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), João Oreste Dalazen, é taxativo: "É inconcebível greve de um poder armado, que deixa toda a população desprotegida, desamparada e refém dos grevistas". E não é apenas nessa grave questão que os PMs se opõem à lei. Afora estarem impedidos por preceitos constitucionais, descumprem o limite mínimo de 30% a ser mantido no trabalho em caso de serviços essenciais. Ao deixar a população desamparada, a polícia contribui para a rápida multiplicação dos números de assaltos e assassinatos. Mais: afronta um poder constituído, ao invadir a Assembleia Legislativa da Bahia. Não bastasse, confronta o Exército, usa mulheres e crianças como escudo e pratica vandalismo, chegando ao cúmulo de vestir capuz, como só fazem os bandidos, para parar ônibus. Em áudio gravado, o ex-PM Marco Prisco, um dos líderes do movimento, ordena a um interlocutor não identificado: "Desce toda a tropa pra cá, meu amigo. Caesg (Companhia Independente de Policiamento Especializado) e você. Desce todo mundo para Salvador, meu irmão. Tou lhe pedindo pelo amor de Deus, desce todo mundo para cá". A negativa é aterradora, pelo tipo de atividade que ocupava a pessoa do outro lado da linha: "Eu vou queimar viatura... Eu vou queimar duas carretas agora na Rio-Bahia, que não vai dar tempo". É inevitável a comparação do diálogo acima com comunicações entre presidiários paulistas que, em maio de 2006, armaram mais de 250 ataques na capital e no interior, disseminando rebeliões e propagando o pânico, numa das maiores ondas de violência do país. Agora não são presos atrás das grades que desafiam o Estado. São policiais pagos pelo Estado. Nada justifica tal tipo de comportamento, bastante mais próximo de motins do que de reivindicações salariais, ainda que essas sejam justas. Para esse tipo de crime, o Código Penal Militar prevê de oito a 20 anos de prisão. Que não haja condescendência. Estancar a greve sem punir os que traíram a confiança da sociedade é alimentar o monstro. Cabe aos governos estaduais assumir o comando e ir até o fim na investigação das ocorrências. Ao federal, resta estabelecer política nacional de segurança pública capaz de prevenir e evitar a repetição dos lamentáveis episódios. Juntos, um e outro devem cuidar do profissionalismo das PMs, com treinamento e salários decentes. Expurgada dos maus elementos, a instituição merece todo respeito. | ||
Brasil. Combate à greve chega ao conselho político.
| Correio Braziliense. | ||||||||||
| Na
primeira reunião com aliados, a presidente Dilma Rousseff vai tratar da
crise deflagrada pelos policiais baianos. A intenção é manter a firmeza
mesmo com o fim do movimento. Paulo de Tarso Lyra Edson Luiz O primeiro conselho político do ano, marcado para a próxima terça-feira, irá discutir a crise na segurança pública deflagrada a partir da greve dos policiais militares da Bahia. A presidente Dilma Rousseff vai debater com os presidentes e líderes de partidos da base aliada propostas para que essa situação não se repita pelo país. Além de aproveitar o episódio para dar uma "nova cara" ao conceito de segurança pública, o governo vai lembrar que o problema é muito mais grave do que uma simples questão salarial, englobada na PEC 300. "Temos que discutir o país sob a nova ótica em que estamos vivendo agora", defendeu o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA). A PEC 300, que ainda precisa ser votada em segundo turno no Congresso, propõe um piso unificado para bombeiros e policiais militares. Durante a paralisação na Bahia, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça mostraram integrantes do comando da greve baiana e fluminense dialogando com parlamentares federais sobre a viabilidade de se votar a proposta já na próxima semana. "Vamos imaginar se aprovamos a proposta. Vai ser criado um fundo federal para repassar os recursos? Digamos R$ 10 bilhões? Vai tirar de onde"? questionou Walter Pinheiro. Os policiais baianos decidiram na noite de ontem encerrar a greve. Mas Pinheiro contou ao Correio que Jaques Wagner solicitou que a Força Nacional de Segurança permaneça no estado até o carnaval para garantir a tranquilidade dos turistas e foliões. A mesma estratégia — de deixar claro que não serão tolerados abusos por parte de policiais e bombeiros — será utilizada no Rio. Apesar de o governador Sérgio Cabral ter afirmado que não precisa da ajuda federal para conter a paralisação dos profissionais de segurança pública, pelo menos 14 mil homens das Forças Armadas estão prontos para serem enviados ao estado caso seja necessário, especialmente durante os dias de folia. Disponíveis. O Ministério da Justiça também tem um efetivo de policiais da Força Nacional e pode deslocar de imediato 350 militares. Fontes da pasta, no entanto, ressaltam que a corporação não está de prontidão, mas "disponível" para agir em caso de necessidade. Ontem, o comandante do Exército, Enzo Peri, reuniu-se com o ministro da Defesa, Celso Amorim, para discutir a crise. Entre parlamentes, a paralisação das polícias fez crescer o debate de que não é possível depositar apenas na PEC 300 a esperança para resolver os problemas com as corporações. "A votação parou não porque os parlamentares estão insensíveis às reivindicações, mas porque os governadores pressionaram suas bancadas a interromper o processo", avalia Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara. Ele lembra os cálculos apresentados pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), mostrando que precisaria de pelo menos R$ 1 bilhão a mais para cobrir essa conta. "Em um cenário de crise financeira internacional se agravando, seria uma loucura pensarmos nisso agora." Para o senador petista Walter Pinheiro, é preciso retomar debates estruturantes, que, por descaso ou falta de tempo hábil, acabam sendo deixados de lado. Um deles é a regulamentação do direito de greve no funcionalismo e entre os militares. "Legalmente, eles não podem fazer greve. Poderão fazer daqui por diante? Vamos querer debater um novo estatuto para bombeiros, policiais militares e civis? Se não pensarmos nisso, a situação vai virar uma bola de neve", ponderou o líder petista. Impeachment Um vídeo divulgado no site do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro mostrou ontem que as reivindicações da corporação têm um tom político. Gravado pelos próprios militares, o vídeo mostra uma assembleia da categoria realizada em 30 de setembro de 2011, comandada pelo cabo Benevenuto Daciolo. De microfone em punho, ele afirma: "Se amanhã, o governador vier nos propor colocar R$ 4 mil, o que nós vamos dizer?" indagou. Para, em seguida, comandar os gritos do grupo: "Fora Cabral, fora Cabral". Os bombeiros reivindicam um piso salarial de R$ 3,5 mil. Fonte: http://www.exercito.gov.br/web/imprensa/resenha | ||||||||||
sábado, 11 de fevereiro de 2012
INSTRUÇÕES PARA TODA A VIDA.
Algumas vezes a gente revirando nosso computador, encontramos arquivos antigos, recebidos não se recorda de quem, nem quando. E encontramos verdadeiras perolas, esta eu encontrei tem mais de três anos e ainda aqui guardada, resolvi compartilhar, infelizmente não tenho o nome do autor(a).
INSTRUÇÕES PARA TODA A VIDA
1. Leve em consideração que grandes amores e conquistas envolvem grande risco.
2. Quando você perde, não perca a lição.
3. Siga os três R's:
• Respeito a si mesmo
• Respeito aos outros
• Responsabilidade por todas suas ações
4. Lembre-se que não conseguir o que você quer é algumas vezes um grande lance de sorte.
5. Aprenda as regras de maneira a saber quebrá-las da maneira mais apropriada.
6. Não deixe uma disputa por questões menores ferir um grande amigo.
7. Quando você perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo.
8. Passe algum tempo sozinho todos os dias.
9. Abra seus braços para mudanças, sem abrir mão de seus valores.
10. Lembre-se que o silêncio é algumas vezes a melhor resposta.
11. Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.
12. Uma atmosfera de amor em sua casa é o fundamento para sua vida.
13. Em discordâncias com entes queridos, trate apenas da situação corrente. Não levante questões passadas.
14. Compartilhe o seu conhecimento. Esta é uma maneira de alcançar a imortalidade.
15. Seja gentil com a terra.
16. Uma vez por ano, vá a algum lugar que você nunca esteve antes.
17. Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor mútuo excede o amor que cada um precisa do outro.
18. Julgue o seu sucesso por aquilo que você teve que abrir mão para consegui-lo.
19. Entregue-se total e irrestritamente ao amor e a cozinha.
1. Leve em consideração que grandes amores e conquistas envolvem grande risco.
2. Quando você perde, não perca a lição.
3. Siga os três R's:
• Respeito a si mesmo
• Respeito aos outros
• Responsabilidade por todas suas ações
4. Lembre-se que não conseguir o que você quer é algumas vezes um grande lance de sorte.
5. Aprenda as regras de maneira a saber quebrá-las da maneira mais apropriada.
6. Não deixe uma disputa por questões menores ferir um grande amigo.
7. Quando você perceber que cometeu um erro, tome providências imediatas para corrigi-lo.
8. Passe algum tempo sozinho todos os dias.
9. Abra seus braços para mudanças, sem abrir mão de seus valores.
10. Lembre-se que o silêncio é algumas vezes a melhor resposta.
11. Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e pensar no passado, poderá obter prazer uma segunda vez.
12. Uma atmosfera de amor em sua casa é o fundamento para sua vida.
13. Em discordâncias com entes queridos, trate apenas da situação corrente. Não levante questões passadas.
14. Compartilhe o seu conhecimento. Esta é uma maneira de alcançar a imortalidade.
15. Seja gentil com a terra.
16. Uma vez por ano, vá a algum lugar que você nunca esteve antes.
17. Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor mútuo excede o amor que cada um precisa do outro.
18. Julgue o seu sucesso por aquilo que você teve que abrir mão para consegui-lo.
19. Entregue-se total e irrestritamente ao amor e a cozinha.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Facebook: como lucrar com uma máquina de espionagem
| Escrito por Rodrigo de Oliveira Andrade |
| Sexta, 10 de Fevereiro de 2012 |
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Na última semana, o Facebook oficializou sua intenção de ir a público ao entregar à Comissão de Valores Imobiliários (Securities and Exchange Commission) dos Estados Unidos seu pedido para oferta pública inicial. De acordo com texto publicado pela NewScientist, a expectativa é que a empresa de Mark Zuckerberg fature, a curto prazo, a bagatela de US$ 5 bilhões. No entanto, calcula-se que quando o processo tiver sido concluído o Facebook valha até US$ 100 bilhões (R$ 172 bilhões). Junto ao pedido também foi enviado um documento (disponível aqui), o qual me chamou a atenção por divulgar algumas das marcas alcançadas pela rede social nos últimos anos, a saber: o Facebook possuía até dezembro do ano passado 845 milhões de usuários, sendo que 483 milhões, isto é, mais da metade, o acessavam todos os dias, gerando, com isso, 2,7 bilhões de “likes” e comentários – provavelmente sobre as cerca de 250 milhões de fotos que, diariamente, são enviadas ao site de relacionamento. Segundo o jornalista Jacob Aron, tais números (e outros também) fizeram com que o Facebook tivesse lucro de US$ 1 bilhão em 2011 e uma receita de US$ 3,7 bilhões, tornando-se, assim, mais rentável que o Google quando, em 2004, foi a público com sua oferta pública inicial (Initial Public Offering). Agora, mais importante do que discutir o futuro da rede social é discutir o que faz do Facebook algo tão valioso e rentável a ponto de permitir que seu fundador receba um salário de quase US$ 500 mil, como atesta texto publicado esta semana pelo Observatório da Imprensa. Em entrevista ao Russia Today em maio de 2011, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, já afirmava ser o Facebook a “mais espantosa máquina de espionagem já inventada”. Isso porque, para Assange, as redes sociais são capazes de fornecer aos serviços de inteligência estadunidenses amplas bases de dados sobre os cidadãos que delas fazem uso, o que inclui suas relações, nomes de seus contatos, seus endereços etc. Os protestos que assolaram as ruas da Inglaterra, principalmente as do bairro de Tottenham, no ano passado ilustram bem tal afirmação, visto que a polícia local (Scotland Yard) utilizou-se de páginas como as do Twitter, Facebook e Youtube para localizar possíveis “perturbadores da ordem pública” (o vídeo com a entrevista de Assange encontra-se disponível aqui). Para além da Teoria da Conspiração, contudo, o fato é que o negócio do Facebook é a venda de espaços publicitários. Para se ter uma idéia, de acordo com Lori Andrews, em texto publicado pelo jornal The New York Times, apenas em 2011, o site de relacionamento arrecadou US$ 3,2 bilhões com anúncios publicitários, ou seja, 85% de sua receita total. O curioso, porém, é que cada anúncio postado pelo Facebook é direcionado aos usuários de acordo as informações que os próprios fornecem ao site. Em outras palavras, significa dizer que, ao mudar seu status de relacionamento, compartilhar um link de um filme ou de uma peça teatral, comentar a foto de um amigo ou “curtir” um comentário qualquer, você está fornecendo ao Facebook informações que definem seus gostos e preferências. A partir daí, afirma Andrews, “os anunciantes escolhem palavras-chave ou detalhes – como o status de relações, a localidade, as atividades, os livros preferidos e o emprego – e o Facebook publica os anúncios, dirigindo-os ao subconjunto de seus milhares de usuários”. Logo, quem utiliza as redes sociais, além de trabalhar de graça para as agências de inteligência dos Estados Unidos, como podemos concluir com base nas declarações de Assange, está contribuindo para que seu tempo e trabalho, gastos lendo, publicando, comentando e compartilhando conteúdos, se materializem no valor de mercado da empresa, no caso o Facebook. De acordo com Rafael Evangelista, doutor em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), essa é uma característica de um fenômeno chamado Web 2.0. Afinal, indaga o pesquisador, será que interagir e colaborar em espaços proprietários não significa trabalhar sem ser pago? Segundo Evangelista, o termo Web 2.0 engloba o que seria a segunda geração da internet, a qual possui uma gama de serviços que promovem as comunidades virtuais, a interatividade e o conteúdo construído pelo grande público. Entretanto, a questão apresentada pelo pesquisador é que esses sites, construídos coletivamente, ganharam um alto valor de mercado e hoje são objeto de negociação em bolsas de valores. O Facebook é constituído, majoritariamente, pelo compartilhamento de informações. Esse é seu único e principal atrativo. O problema nesse caso é que a rede social não detém os direitos autorais acerca desses conteúdos, os quais, na maioria dos casos, resumem-se a imagens, vídeos e links externos. Estes, por sua vez, são lidos, debatidos e, novamente, compartilhados por todos no site. Mesmo os fóruns de discussões são construídos a partir das reflexões dos usuários. Impossível, assim, não relacionar tal fenômeno ao conceito de mais-valia, adaptado, aqui, por Evangelista para Mais-Valia 2.0. Desenvolvida por Karl Marx, o conceito de mais-valia, grosso modo, representa a diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador. Trata-se do excedente produzido pelo trabalhador referente ao necessário para que ele mantenha seus meios de subsistência. Pois ao possibilitar que seus usuários compartilhem conteúdos produzidos por terceiros, obtendo de quebra informações valiosas sobre seus gostos – os quais possibilitam ao site mapear seus interesses e, com isso, criar mecanismos, ancorados em banco de dados, que permitem aperfeiçoar o direcionamento das mensagens publicitárias, fazendo com que o site arrecade valores com anúncios publicitários superiores aos divulgados –, o Facebook está gerando lucro tendo como matéria-prima o tempo e o talento intelectual de seus usuários, afirma Evangelista. Neste contexto, a Mais-Valia 2.0 configura-se, portanto, a partir da não divisão dos lucros do Facebook com seus reais funcionários. O acesso gratuito à rede social, condição que por vezes acaba por atrair mais usuários, pode ser considerada, pois, uma ilusão, visto que quem usa o Facebook não tem acesso 100% livre ao site, no sentido de poder acessar seus códigos e até mesmo modificá-lo, característica esta corriqueira no dia-a-dia de usuários de softwares livres. Pelo contrário, a maioria das modificações feitas por Zuckerberg até hoje foram impostas, algumas delas, inclusive, esbarram em questões delicadas, tais como até que ponto a privacidade dos usuários pode ser violada pela rede social. O acesso gratuito ao Facebook poderia ser comparado, então, ao valor da força de trabalho, isto é, ao valor dos meios de subsistência indispensáveis à reprodução da classe trabalhadora – leia-se aqui usuários. Essa seria a única compensação aos milhares de usuários do Facebook por alimentarem, diariamente, o site. Em suma, tudo indica, no entanto, que Mark Zuckerberg se tornará a nona pessoa mais rica do mundo ainda este ano. Rodrigo Oliveira Andrade é jornalista. Fonte:http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6806:social100212&catid=71:social&Itemid=180 |
A Boeing está oferecendo vender o caça F-18 ao Brasil com o preço de 2009.
Boeing congela preço em briga por caças ao Brasil
Empresa norte-americana está oferecendo jatos 12% mais baratos para a Força Aérea Brasileira, segundo fontes
A Boeing congelou o preço de sua oferta para um contrato multibilionário de jatos com a Força Aérea Brasileira (FAB), disseram fontes próximas ao assunto à Reuters, enquanto a corrida global se torna mais competitiva para vender equipamentos bélicos a potências emergentes.
A Boeing está oferecendo vender o caça F-18 ao Brasil pelo mesmo preço por avião que o oferecido durante uma rodada de ofertas em 2009, disseram as fontes, que pediram anonimato.
As fontes não quiseram divulgar a quantia em dólares da oferta, que inclui o custo do avião e também da manutenção futura e da substituição de peças. Mas a oferta significa, essencialmente, que a Boeing assumiria o custo da inflação dos últimos dois anos, enquanto os aviões sairiam 12% mais baratos para o Brasil em termos reais comparado a 2009.
"É uma medida incomum... Isso mostra quanto valor está sendo posto em cima desse contrato", disse uma das fontes. A Boeing compete com a francesa Dassault e a sueca Saab pelo acordo com o Brasil, que deve valer mais de US$ 4 bilhões ao longo do tempo. O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse à Reuters em janeiro esperar que o governo tome uma decisão no primeiro semestre de 2012.
A oferta da Boeing ilustra a agressividade com que os Estados Unidos e as empresas de defesa europeias estão buscando acordos com países em desenvolvimento, enquanto seus mercados secam em casa devido a cortes orçamentários. Empresas também disputam contratos nos Emirados Árabes, no Catar e na Coreia do Sul.
Na semana passada, a Dassault entrou em negociações exclusivas para vender seu Rafaleà Índia, que pode resultar na primeira encomenda externa do jato. O acordo pode fazer do Rafale uma opção mais viável no processo de oferta brasileiro, pois uma linha já estabelecida de produção permitiria que a Dassault oferecesse preços mais estáveis ao longo do tempo e reduzisse o risco de disparada de custos.
O acordo brasileiro será decidido por critérios que vão além dos preços. Embora acredite-se que o F-18 seja mais barato que o Rafale, Amorim disse que o Brasil baseará sua escolha priorizando a generosidade das empresas em partilhar tecnologia. O Brasil espera que o conhecimento ajude o país a construir uma indústria nacional de defesa, liderada pela Embraer, que está voltando às raízes ao investir no segmento de defesa.
A presidente Dilma Rousseff também vê o acordo como uma decisão importante no alinhamento estratégico do Brasil durante as próximas décadas, segundo autoridades do governo. Os aviões serão usados para ajudar a vigiar a costa brasileira, proteger os recém-descobertos campos de petróleo no pré-sal e projetar um poder maior conforme a economia do país escala para a elite mundial.
Um porta-voz do governo não respondeu a um pedido de comentário. A porta-voz da Boeing, Marcia Costley, disse: "Nós estamos em uma competição e não podemos comentar sobre as especificidades da nossa oferta, mas o que eu posso dizer é que a Boeing pode garantir um preço que tende para baixo, porque nós temos uma linha de produção ativa e podemos alavancar economias de escala".
Posted 6 hours ago by Michel Medeiros
Fonte: http://codinomeinformante.blogspot.com/2012/02/boeing-congela-preco-em-briga-por-cacas.html
Fonte: http://codinomeinformante.blogspot.com/2012/02/boeing-congela-preco-em-briga-por-cacas.html
Rio de Janeiro. Número de policiais militares presos ou punidos já passa de 150.
Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil.
Rio de Janeiro - Já chega a 159 o número de policiais presos ou punidos
administrativamente no estado do Rio desde a decretação de greve da
área de segurança pública, que também envolve bombeiros e policiais
civis.
O comando da PM divulgou nota no início da noite de hoje (10)
informando que a Justiça decretou a prisão preventiva de 11 militares da
corporação, por conclamar ou incitar a paralisação, dos quais nove
mandados já foram cumpridos.
Outras medidas punitivas foram adotadas, incluindo a instauração de
processos administrativos disciplinares contra 14 policiais, sete
autuações em flagrante por crimes de desobediência e a instauração de
129 inquéritos policiais militares (IPM) contra PMs do Batalhão de Volta
Redonda.
Na mesma nota, o comando da PM reiterou que considera normal a situação em todo o estado do Rio de Janeiro.
Edição: Vinicius Doria
Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-02-10/numero-de-policiais-militares-presos-ou-punidos-ja-passa-de-150-no-rio
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