terça-feira, 25 de junho de 2013

UFMA - I Jornada Internacional de Ciências Sociais. De 25 a 29 de junho de 2013.


 
Nos dias 25 a 29 de junho acontecerá na UFMA, no prédio Paulo Freire, a tão aguardada I Jornada Internacional de Ciências Sociais. 
Pesquisadores da UFMA, USA, França, Museu Nacional e de todas as outras universidades do país, estarão reunidos para debater a cerca dos temas: Sociedade, Ambiente e Governança. 

Teremos ainda exposição de fotos, mostras de filmes/documentário e venda de artesanatos, comidas típicas e uma feirinha com produtos de excelente qualidade.

Amanhã teremos o credenciamento e um debate de grande importância para os estudantes da área das ciências sociais, principalmente os interessados em antropologia. 

O Prof. Dr. Henyo Barreto estará dando uma palestra com o tema "Antropologia como profissão: Regulamentar ou não?". 

A palestra irá acontecer no Prédio Paulo Freire, a partir das 10:00 hs. 

Não fique de fora desse importantíssimo encontro. Quem ainda não fez a inscrição pode fazer ainda pelo site:http://www.jicsufma.com/, pagar o boleto e apresentar o comprovante no credenciamento que começa pela manhã do dia 25/06. 

Que todos possam tirar o máximo proveito das discussões!

Minas Gerais - Governador Anastasia nega, mas Exército já atua abertamente em Belo Horizonte.



O Exército Brasileiro vem de maneira discreta ocupando as ruas de Belo Horizonte, cerca de mil militares fazem monitoramentos de pontos estratégicos, ou seja, quase o mesmo número de integrantes da tropa da Polícia Militar destacada para fazer o policiamento das manifestações que vem ocorrendo na capital mineira.
Credito fotos:http://www.novojornal.com
Entre os pontos de patrulha do Exército estão a Avenida Presidente Carlos Luz, perto da portaria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Pampulha, a Estação São Gabriel, na Região Nordeste de Belo Horizonte, e o entorno do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Os militares são da capital, Juiz de Fora, São João Del Rei, Santos Dumont e Petrópolis.

Desmentindo o noticiado pelo Governo de Minas e confirmando a matéria do Novojornal “Exército pode assumir o comando da PMMG em Belo Horizonte”, o tenente coronel Marcus Vinicius Messeder, chefe da seção de Comunicação Social da 4ª Região Militar do Exército, informou que o envio de tropas atende a uma solicitação do governador Antonio Anastasia (PSDB).

Credito fotos:http://www.novojornal.com
Segundo o tenente-coronal, o objetivo é intensificar as medidas de segurança durante o evento esportivo para garantir que os jogos aconteçam em ambiente de paz e harmonia. “Vamos trabalhar em conjunto com a PM para garantir a tranquilidade”, afirmou o tenente-coronel.

O Alto Comando do Exército, que reúne os generais mais graduados da ativa, encontrou-se ontem para um balanço das manifestações com a área de inteligência da força e concluiu que não existe segurança e que haverá um arrefecimento daqui em diante.

A reunião foi presidida pelo comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, com a participação dos comandantes das oito regiões militares do país. Eles fizeram um balanço das suas regiões e deram subsídios para que o ministro da Defesa, Celso Amorim, repasse à presidente Dilma.
Apesar de insistir em negar o termo "prontidão", que significa aquartelamento excepcional de oficiais e soldados, o Exército diz que há "acompanhamento ininterrupto".

Os militares estão preocupados também com a Copa das Confederações e já se dizem preparados para dois novos eventos. O primeiro é o Dia Nacional de Greve, que está sendo convocado pelas redes sociais para 1º de julho. O outro é a Jornada Mundial da Juventude, que terá a presença do papa Francisco, no final daquele mês.

Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizam, a partir das 11h desta segunda-feira, um ato público contra o reitor da instituição, Clélio Campolina, questionando a presença de militares e da Força Nacional dentro do campus Pampulha durante o protesto no último sábado em Belo Horizonte.

Na manhã desta segunda-feira (24), quase 3 mil pessoas haviam confirmado presença pela página do protesto no Facebook. Eles vão se concentrar no gramado do prédio da reitoria. Segundo a descrição do evento na rede social, militares estavam no campus durante os protestos no dia 22.

“(...) a mata da UFMG serviu para ocultar militares que atacaram manifestantes com bala de borracha e seu estacionamento abrigou caminhões da Força Nacional. O Reitor Clélio Campolina fechou as portas da UFMG para os estudantes, mas as deixou aberta para a truculência dos militares”, afirmam os organizadores.

Em nota divulgada no domingo no site da UFMG, Clélio Campolina e a vice-reitora, Rocksane de Carvalho Norton, explicam que, conforme a Lei Geral da Copa, o câmpus Pampulha se encontra dentro de um perímetro de segurança de 700 metros, estabelecido pelas autoridades públicas, no entorno do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão.

Ainda segundo a nota, a presença dos policiais no campo é necessária para garantir a segurança da população universitária e do patrimônio da instituição. “Em entendimentos com os ministérios da Educação, da Justiça e da Defesa e com o governo do Estado de Minas Gerais, ficou acertado que UFMG abrigaria efetivos da Força Nacional de Segurança Pública no câmpus Pampulha. Essa decisão atende os preceitos legais antes mencionados e busca preservar a segurança pessoal e patrimonial na UFMG, que é um bem público coletivo de toda a sociedade”, diz o documento.

Segundo o coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), João Vítor Leite Rodrigues, o ato de repúdio é espontâneo e não tem organização do DCE, mas contará com a presença dos membros do diretório.

Em paralelo ao ato, ocorrerá uma reunião entre o reitor e o conselho universitário da UFMG. Rodrigues vai do encontro com a reitoria e pretende levar para a assembléia dos estudantes, à tarde, o que foi discutido no encontro. “Basicamente vamos pedir ao reitor esclarecimentos o porquê da presença da guarda nacional frequentemente no campus”, relata.

Ocorre que não apenas a Guarda Nacional esteve presente no Campus da Universidade, conforme foto tirada no momento da manifestação do último sábado uma fileira de soldados do Exército com armamento e escudo é vista saindo da mata da UFMG, onde foi derrubado a cerca de tela na manifestação anterior.

Além do pesado aparato do Exército e da Guarda Nacional a Polícia Militar de Belo Horizonte, informa que adotará "tolerância zero" nos próximos protestos. "Acabou a ação reativa que a PM estava mantendo até agora. Vamos adotar a tolerância zero nos protestos", afirmou o tenente coronel Luiz Alberto.

O protesto de sábado foi o sétimo realizado na capital e há uma série de reivindicações que inclui passe livre no transporte coletivo, melhoria na saúde e educação, pedidos para a saída do senador Renan Calheiros da Presidência do Senado e repúdio à Proposta de Emenda Constitucional 37/2011, a chamada PEC 37, que limita o poder de investigação do Ministério Público.

Segundo o advogado Thiago Coacci, que participa das manifestações, "esse foi o pior confronto entre os protestos que fizemos aqui em Belo Horizonte. A polícia veio com um aparato muito forte". O integrante da manifestação também informou que houve algumas prisões. Apesar dos atos de violência, a manifestação foi pacífica na maior parte do tempo.

Credito fotos:http://www.novojornal.com
As manifestações dos últimos dias , ganharam a solidariedade de militares da Força Aérea Brasileira. Nesta semana, dois oficiais da FAB decidiram mandar aos colegas uma foto em pleno voo, com um pequeno cartaz com a frase: “Acorda Brasil. Estamos com vocês”. Os pilotos não foram identificados porque usavam capacete e luvas, equipamentos indispensáveis nessas manobras.

 
Também não se sabe em que unidade da FAB eles servem. A foto, na qual o copiloto segura o cartaz e é fotografado pelo piloto, foi enviada aos colegas. Para pilotar aviões de caça, obrigatoriamente os dois militares são oficiais da força, tenentes, capitães ou majores, que trabalham como pilotos e servem em alguma base aérea do país.

Atualizado às 17h44m do dia 24/06/2013:

Cerca de 100 estudantes se reuniram na manhã desta segunda-feira (24) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para realizarem um ato contra a decisão da reitoria de abrigar no local as tropas de choque durante a manifestação, que reuniu mais de 60 mil pessoas nesse sábado (22).

Os estudantes se reuniram em frente à reitoria da UFMG e afixaram cartazes contra a medida. No início da tarde, às 13h, houve uma reunião do Conselho Universitário, que contou com a presença de professores, funcionários e a reitoria da Universidade, para decidir os rumos de outra grande manifestação que ocorre perto da UFMG, marcada para esta quarta (26).

O Conselho repudiou a ação do reitor, em conceder a entrada das tropas na Universidade. Já o coordenador do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, Jorge Maia, disse que o Conselho apoiou a medida no sábado e alegou que a decisão foi tomada às pressas. 

Porém, ainda segundo ele, o grupo não apóia a permanência das tropas nos próximos dias.

Está marcada para a manhã desta terça (25), uma nova reunião entre a reitoria e representantes da polícia para discutirem a questão. Os estudantes também querem que as portas da Universidade estejam abertas durante os protestos. 

Eles afirmam que se uma solução não for tomada nesta próxima reunião, eles ficarão acampados na frente da reitoria a partir desta terça e se programam para novos atos. 

As informações são do O TEMPO Online.


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Link desta matéria: http://www.novojornal.com/minas/noticia/anastasia-nega-mais-exercito-ja-atua-abertamente-em-bh-24-06-2013.html 

Rio de Janeiro. Policial do Bope morre em operação realizada em favela após manifestação.

http://imguol.com/c/noticias/2013/06/24/24jun2013---movimentacao-de-policiais-do-batalhao-de-choque-e-do-bope-na-entrada-da-comunidade-nova-holanda-no-complexo-de-favelas-da-mare-zona-norte-do-rio-de-janeiro-na-noite-desta-segunda-feira-1372129138574_1920x1080.jpg
Crédito foto; http://imguol.com/c/noticias/2013/06/24/24jun2013---movimentacao-de-policiais-do-batalhao-de-choque-e-do-bope-na-entrada-da-comunidade-nova-holanda-no-complexo-de-favelas-da-mare-zona-norte-do-rio-de-janeiro-na-noite-desta-segunda-feira-1372129138574_1920x1080.jpg
Um policial do Bope (Batalhão de Operações Especiais) morreu na noite desta segunda-feira (24) durante operação na comunidade Nova Holanda no Complexo da Maré, zona norte do Rio de Janeiro. 

A unidade foi acionada depois que criminosos promoveram uma série de arrastões pela região, enquanto ocorria uma manifestação no bairro de Bonsucesso, também na zona norte.

O segundo sargento Ednelson Jeronimo dos Santos Silva, 42, foi baleado durante a incursão do batalhão na favela e não resistiu aos ferimentos. Segundo a Polícia Militar, o policial tinha 17 anos de serviço, sendo 13 deles no Bope, e deixa mulher e dois filhos. 

O enterro será realizado nesta terça-feira (25), no Cemitério Jardim da Saudade, em Jardim Sulacap, na zona oeste da cidade. O horário do sepultamento ainda não havia sido definido na madruga desta terça.

A PM informou ainda que, até a 0h30, o Bope permanecia na comunidade Nova Holanda. Eles chegaram ao local por volta das 20h30, para tentar localizar os responsáveis pelos arrastões. 

Os policiais utilizam um veículo blindado na operação. O Batalhão de Choque e a Força Nacional de Segurança também foram chamados para reprimir os atos criminosos na avenida Brasil.

Segundo a polícia, os assaltos a pedestres e motoristas foram praticados por pequenas quadrilhas, sendo algumas formadas por menores. Houve uma tentativa de fechamento da via para que os assaltantes pudessem agir com mais facilidade, impedida pela polícia.

O UOL questionou a PM sobre o número de presos na operação, mas até a 0h55 não havia recebido nenhuma resposta. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Duas manifestantes morrem atropeladas durante protesto em Goiás; total de mortos nos atos chega a 4 em todo o país.

Duas mulheres foram atropeladas durante uma manifestação na rodovia BR-251, em Cristalina (GO), na manhã desta segunda-feira (24). De acordo com informações da PRF (Polícia Rodoviária Federal), um Fiat Uno tentou furar o bloqueio feito por cerca de 400 pessoas na estrada, e fugiu sem prestar socorro. 

No total, quatro pessoas já morreram durante os protestos das últimas semanas no país.

De acordo com a PRF, o ato, que acontece na altura do km 30 da rodovia, é pacífico, e reivindica melhorias na pavimentação da estrada e a legalização de lotes de moradia na cidade. 

A perícia foi acionada, mas ainda não chegou ao local.  Os sentidos da rodovia estão bloqueados pelo protesto, o que provoca congestionamentos no local.

A BR-251 liga Goiás à cidade mineira de Unaí (590 km de Belo Horizonte).

Mortos nos protestos

Na quinta-feira (20), Marcos Delefrate, 18, morreu ao ser atropelado durante uma manifestação em Ribeirão Preto (313 km de São Paulo). Na ocasião, outras três pessoas ficaram feridas. 

O motorista, Alexsandro Ishisato de Azevedo, 37, que dirigia uma Land Rover, fugiu sem prestar socorro. A Polícia Civil já pediu a prisão do empresário, mas outras vítimas de Alexsandro não acreditam que ele será punido.

Em Belém, a gari Cleonice Vieira de Moraes, 51, morreu na sexta-feira (21), após inalar gás lacrimogêneo disparado por policiais militares durante um ato contra o aumento da tarifa de ônibus na capital. Ela trabalhava na prefeitura, e sofreu duas paradas cardíacas. Cleonice era hipertensa.


[Terrorismo Virtual]. BOMBA! Wikileaks vaza conspiração militar que visa tomar a presidência do Brasil. [A quem interessa plantar na web falsas noticias como estas?].

BOMBA! Wikileaks vaza conspiração militar que visa tomar a presidência do Brasil


“Nos foi repassado o plano de Golpe de Estado mais sofisticado da história do Brasil. Sem armas e sem exército nas ruas! Se o gigante realmente acordou é necessário que lave logo o rosto.”


Muito se comenta que as manifestações ocorridas nos últimos dias podem rumar numa direção de violência sem controle. A tendência é que a situação se agrave até que o cenário político torne-se insustentável e sobrevenha um golpe militar com o pretexto de recolocar a nação em ordem. 

Aparentemente, a conjuntura descrita não passava de mera paranoia coletiva que, para a surpresa geral, acaba de ser tornar real e efetiva. Uma lei aprovada de última hora sobre morte e vacância do presidente e a fundação relâmpago do PMB (Partido Militar brasileiro), já davam certos sinais de um clima conspiratório rondando o país. 

Um whistleblower brasileiro, que ainda não se assumiu publicamente, vazou ao Wikileaks, organização internacional que dá publicidade a documentos extraoficiais, um arquivo de áudio que expõe a descoberta de uma conspiração militar reacionária de Direita que visa tomar o poder no Brasil. 

O áudio, ainda sendo descriptografado pela equipe de Julian Assange, detalha passo a passo a ação. Os interlocutores do diálogo conspiratório ainda não foram identificados. “Forjarão a necessidade de uma reunião emergencial entre as principais lideranças brasileiras. 

Alguns deles irão em conjunto num helicóptero rumo a um destino não revelado. Dentro da aeronave estarão Dilma, a presidente, Temer, o vice, Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara dos Deputados e Renan Calheiros, atual presidente do Senado. 

Este helicóptero sofrerá falhas mecânicas, caindo no oceano e levando a óbito todos os passageiros. Uma vez que é o atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa assumiria compulsoriamente a Presidência da República. 

Barbosa está em processo de filiação ao PMB, Partido Militar Brasileiro, que acaba de nascer! O Brasil está diante de um dos golpes mais sofisticados da história dado que nenhum tiro precisará ser disparado e nenhum soldado sequer precisará ir às ruas. 

 Não será necessário nem mesmo acionar a lei da vacância, que curiosamente acaba de ser suscitada”, afirmou Julian Assange, direto da embaixada do Equador em Londres.

Dois artigos importantíssimos e um pitaco meu sobre as manifestações, agora assumidamente fascistas e golpistas.

Os dois artigos do título foram escritos, um, pelo sociólogo Boaventura de Sousa Santos; outro, pelo codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington, e presidente da Just Foreign Policy, Mark Weisbrot.
Meu pitaco os une e acrescenta às informações contidas neles a catástrofe das Comunicações do governo Dilma, tanto por parte do Ministério das Comunicações, comandado por Paulo Bernardo, como da Secom, sob comando de Helena Chagas.

O artigo de Boaventura denuncia opções equivocadas do governo Dilma. O de Weisbrot, a mão estadunidense sobre os países que se "atreveram" (é a visão deles) a praticar uma política de parceria, mas independente dos EUA. O meu pitaco é que a condução equivocada (para usar um eufemismo) dois dois ministros, ajudou a criar o campo para as manifestações que incendeiam o país.

Mas, o que dizem os tais artigos?


Weisbrot:
Acontecimentos recentes indicam que a administração Obama intensificou sua estratégia de "mudança de regime" contra os governos latino-americanos à esquerda do centro, promovendo conflito de maneiras que não eram vistas desde o golpe militar apoiado pelos EUA na Venezuela em 2002.
(...) Está claro agora que o afastamento do presidente paraguaio Fernando Lugo, no ano passado, também teve a aprovação e o apoio do governo dos Estados Unidos.

Num trabalho investigativo brilhante para a agência Pública, a jornalista Natalia Viana mostrou que a administração Obama financiou os principais atores do chamado "golpe parlamentar" contra Lugo. Em seguida, Washington ajudou a organizar apoio internacional ao golpe.

O papel exercido pelos EUA no Paraguai é semelhante a seu papel na derrubada militar, em 2009, do presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, caso no qual Washington dominou a Organização de Estados Americanos e a utilizou para combater os esforços de governos sul-americanos que visavam restaurar a democracia.

(...) Está claro que os EUA não viram o levemente reformista Fernando Lugo como um elemento ameaçador ou radical. O problema era apenas sua proximidade excessiva com os outros governos de esquerda.

Como a administração Bush, a administração Obama não aceita que a região mudou. Seu objetivo é afastar os governos de esquerda, em parte porque tendem a ser mais independentes de Washington. Também o Brasil precisa se manter vigilante diante dessa ameaça à região.[Leia o texto na íntegra aqui]


O de Boaventura de Sousa Campos vou postar na íntregra, pois é muito rico e aberto a debates, e está publicado originalmente em espanhol, que me atrevi a passar para o português:

Com a eleição da presidente Dilma Rousseff, o Brasil queria acelerar os esforços para se tornar uma potência global. Muitas das iniciativas nessa direção vieram de trás, mas receberam um novo impulso: Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, a Rio +20 de 2012, Copa do Mundo em 2014, Jogos Olímpicos de 2016, a luta por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, papel ativo no crescente protagonismo das "economias emergentes", os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a nomeação de José Graziano da Silva como presidente da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em 2012, e Roberto Azevedo como diretor geral da Organização Mundial do Comércio em 2013, uma política agressiva de exploração de recursos naturais, tanto no Brasil como na África, especialmente em Moçambique, a construção da grande agricultura industrial, especialmente para produção de soja, biocombustíveis e pecuária.
Beneficiado por uma boa imagem pública internacionalmente granjeada pelo presidente Lula e por suas políticas de inclusão social, este Brasil desenvolvimentista se impõe ao mundo como uma potência de novo tipo, benevolente e inclusivo.  
Não poderia, portanto, ser maior a surpresa internacional ante as manifestações que na última semana levaram às ruas centenas de milhares de pessoas nas principais cidades do país. 
Se, antes, nas recentes manifestações na Turquia a leitura de "duas Turquias" foi imediata, no caso do Brasil era mais difícil reconhecer a existência de "dois Brasis". Mas ele está aí, aos olhos de todos.  
A dificuldade para reconhecê-lo reside na própria natureza do "outro Brasil", furtiva a análises simplistas. Esse Brasil é feito de três narrativas e temporalidades. 
A primeira é a narrativa da exclusão social (um dos países mais desiguais do mundo), das oligarquias latifundiárias, do caciquismo violento, das elites políticas restritas e racistas, uma narrativa que se remonta à colônia e que se reproduziu de formas mutantes até os dias de hoje. 
A segunda narrativa é a da reivindicação da democracia participativa, que se remonta aos últimos 25 anos e teve seu ponto culminante no processo Constituinte que levou à Constituição de 1988, nos pressupostos participativos sobre políticas urbanas em centenas de municípios e no impeachment do presidente Collor de Mello em 1992, na criação dos conselhos de cidadãos nas principais áreas de políticas públicas, especialmente na saúde e na educação, a diferentes níveis de ação estatal (municipal, estadual, federal).
A terceira narrativa tem apenas 10 anos de idade e trata das vastas políticas de inclusão social adotadas pelo presidente Lula da Silva, a partir de 2003, que conduziram a uma significativa redução da pobreza, à criação de uma classe média com elevada vocação consumista, ao reconhecimento da descriminação racial contra a população afrodescendente e indígena e às políticas de ação afirmativa, e ao reconhecimento de territórios e quilombolas (descendentes de escravos) e indígenas.

O que aconteceu desde que a presidenta Dilma assumiu o cargo foi a desaceleração, até mesmo a estagnação das duas últimas narrativas. E como em política não existe vazio, esse terreno baldio que deixaram foi aproveitado pela primeira e mais antiga narrativa, fortalecida sob as novas roupagens do desenvolvimento capitalista e as novas (e velhas) formas de corrupção.
As formas de democracia participativa foram cooptadas, neutralizadas no domínio das grandes infraestruturas e megaprojetos, e deixam de motivar às gerações mais jovens, órfãs de vida familiar e comunitária integradora, deslumbradas por um novo consumismo ou obcecadas por esse desejo.
As políticas de inclusão social se esgotaram e deixaram de responder às expectativas de quem se sentia merecedor de mais e melhor. A qualidade de vida urbana piorou, em nome dos eventos de prestígio internacional, que absorveram os investimentos que deviam melhorar os transportes, a educação e os serviços públicos em geral. O racismo mostrou sua persistência no tecido social e nas forças policiais. Aumentou o assassinato de líderes indígenas e camponeses, demonizados pelo poder político como "obstáculos ao crescimento", simplesmente por lutar por suas terras e formas de vida, contra o agronegócio e os megaprojetos de mineração e hidrelétricos (como Belo Monte, destinada a abastecer de energia barata a indústria extrativa).
A presidenta Dilma foi o termômetro dessa mudança insidiosa. Assumiu uma atitude de hostilidade indissimulável ante os movimentos sociais e os povos indígenas, uma mudança drástica em relação a seu antecessor. Lutou contra a corrupção, mas deixou para os aliados políticos mais conservadores as agendas que considerou menos importantes. Assim, a Comissão de Direitos Humanos, historicamente comprometida com os direitos das minorias, foi entregue a um pastor evangélico homofóbico. [Observação do Mello: essas são posições equivocadas do grande sociólogo. Em minha opinião, a comunicação errada do governo [ou a falta de comunicação, aliada à injeção de dinheiro e de incentivos à mídia corporativa que pôs o governo Dilma sob ataque, com o dinheiro do governo] não levou à população os feitos positivos e deixou correr sem resposta os ataques, nem sempre verdadeiros, que lhe foram feitos. E quanto à escolha de Marco Feliciano, foi uma decisão da Câmara dos Deputados, não da presidenta].
As atuais manifestações revelam que, longe de ter sido o país que despertou, foi a presidenta que o fez. Com os olhos postos na experiência internacional e também nas eleições presidenciais de 2014, a presidenta Dilma deixou claro que as respostas repressivas só agudizam os conflitos e isolam os governos. Nesse sentido, os prefeitos de nove capitais já decidiram baixar os preços dos transportes. É apenas um começo.

Para que seja consistente, é necessário que as duas narrativas (democracia participativa e inclusão social intercultural) retomem o dinamismo que já tiveram.

Se for assim, o Brasil mostrará ao mundo que só vale a pena pagar o preço do progresso aprofundando a democracia, redistribuindo a riqueza gerada e reconhecendo a diferença cultural e política daqueles que consideram que o progresso sem dignidade é retrocesso.
Os dois artigos são belos pontos de partida para debates sobre o momento atual do país. Mas, continuo a bater na tecla de que a maior guerra existente no mundo hoje é a da Comunicação. Nesse quesito, o governo da presidenta Dilma é um desastre. Ela já está pagando agora o preço disso. Espero que nós, a Nação, não venhamos a pagá-lo com um golpe há tanto tempo anunciado.