Enviado por luisnassif, dom, 17/06/2012.
Coluna Econômica - 17/06/2012
Uma das grandes discussões - suscitadas pela Conferência Rio+20 sobre
o meio ambiente - é a respeito do PIB (Produto Interno Bruto) como
indicador fundamental de desenvolvimento.
Há décadas o PIB tornou-se fetiche, sinônimo de possibilidades de
melhoria dos cidadãos, de geração de emprego, de acesso ao
desenvolvimento sustentado, principal objetivo perseguido pelas
políticas econômicas de todos os países.
Ele mede a produção de riquezas do país, tudo aquilo que é gerado pela economia de um país durante um ano.
Suas inconsistências são óbvias, mas pouco discutidas:
Na contabilidade há o conceito de depreciação. Significa que a cada
ano se desconta - como despesa - o desgaste natural de equipamentos e de
ativos físicos da companhia. O PIB ignora esses aspectos. Se um país
detona suas reservas naturais durante determinado período, seu futuro
estará irremediavelmente comprometido. Mas, enquanto dura a farra, o PIB
cresce.
Outro exemplo. Um terremoto ou tsunami destrói parte relevante de um
país. Haverá a reconstrução. Todo o trabalho de reconstrução será
tratado como crescimento, pelo PIB, mesmo que no final do processo o
país volte à mesmíssima situação pré-desastre.
O PIB não mede níveis de renda. Adota-se o PIB per capita como tal
medida - entendido o PIB total dividido pelo número de habitantes do
país. Pode-se melhorar o PIB per capita meramente deixando os ricos mais
ricos e os pobres mais pobres.
Melhor distribuição de renda leva ao fortalecimento do mercado
interno e, por consequência, da produção e do emprego internos. Maior
concentração, muitas vezes, meramente faz com que os mais ricos
transfiram seus ativos para economias com maiores oportunidades de
crescimento.
Mesmo para países já desenvolvidos, será fundamental a mudança dos critérios de crescimento.
Por exemplo, o motor atual de crescimento da economia mundial é o consumismo, muitas vezes desenfreado.
Uma das alternativas da economia verde é substituir gradativamente
essas alavancas de crescimento por outras baseadas em serviços públicos
massificados - como educação, saúde, segurança.
Substituir o PIB por indicadores de bem estar e sustentabilidade é
fundamental para as mudanças culturais necessárias, tanto para moderar o
apetite dos países ricos como para permitir o desenvolvimento dos
países pobres em bases racionais.
Os pontos centrais de um novo indicador deveriam contemplar:
1. Indicadores de segurança individual. Entram aí não apenas a
garantia de acesso à saúde, educação e segurança propriamente dita, mas a
garantia de uma aposentadoria digna como direito inalienável. Um dos
principais impulsionadores da angústia das famílias, é acumular
patrimônio visando assegurar a velhice.
2. Uma economia voltada ao bem estar dos seus cidadão exigirá
serviços cada vez mais sofisticados, grandes geradores de emprego.
Inclui-se aí a chamada economia criativa, fonte inesgotável de lazer,
afirmação da nacionalidade.
3. Indicadores claros de sustentabilidade. Bem desenvolvido,
viabilizará um novo modelo de economia agrícola, de agrovilas, de
exploração racional da diversidade.
4. Indicadores de felicidade nacional. Uma vida segura substituiu a angústia do status, da troca de carros a cada ano.
FONTE:http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/porque-substituir-o-pib-como-medida
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