quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A redistribuição de renda


O governo Lula, durante os oito anos de seu mandato, instituiu um processo estatal de redistribuição de renda que foi fundamental para retirar da pobreza e da miséria uma parcela importante da população e, ao mesmo tempo, induzir o crescimento econômico.
É verdade que essa política foi implementada apesar, e contra, a política monetária de juros altos do Banco Central. E ela só foi possível porque, entre 2002 e 2008, o governo e a economia brasileira se viram diante de uma situação internacional muito favorável.

Especialmente em virtude da emergência da China e de sua entrada no mercado internacional, os preços dos produtos industriais sofreram uma redução consistente e os preços das commodities agrícolas e minerais apresentaram ganhos substanciais, reduzindo a inflação mundial e produzindo importantes saldos comerciais para nosso país.
Por outro lado, a política de redistribuição da renda descolada de uma política industrial consistente tinha limites visíveis, mesmo que não ocorresse a crise de 2008. Em algum momento, a elevação do consumo das camadas beneficiadas pela redistribuição da renda tendia a se confrontar com uma oferta inferior de bens de consumo, causando pressões inflacionárias.
Essa situação contraditória era ainda mais evidente e perigosa se tivéssemos em conta, além do desenvolvimento lento do setor industrial de bens de capital e de bens consumo de massa, o avanço rápido do agronegócio, eminentemente exportador, sobre a produção de alimentos da agricultura familiar, reduzindo ainda mais a já pequena escala produtiva deste setor. Qualquer variação climática poderia diminuir drasticamente a oferta de alimentos, encarecendo preços e fazendo os índices inflacionários saltarem além do suportável.
Foi mais ou menos isso que ocorreu no final de 2010 e, em certa medida, continua ocorrendo em 2011. Por isso, se considerarmos os novos cenários internacionais de crise sistêmica, a tendência é que as pressões para frear os programas estatais de redistribuição de renda se tornem cada vez mais intensos, apesar de Dilma haver reiterado sua disposição de liquidar com a miséria no país.

Se olharmos bem, todos os movimentos políticos ocorridos desde a posse da presidenta tem, como fulcro, impedir a continuidade e expansão das políticas de redistribuição de renda e garantir que os capitais, em especial os financeiros, continuem expandindo seus lucros, apesar das crises. De qualquer modo, a nova situação internacional e seus reflexos na situação nacional colocam o governo Dilma diante de desafios novos, se quiser levar adiante a redistribuição de renda e a luta contra a miséria.
É bastante provável que o governo Dilma se veja obrigado a mudar a política de redistribuição estatal de renda do governo Lula, baseada fundamentalmente no fornecimento de fundos governamentais para a população de baixa ou nenhuma renda, numa política de redistribuição de renda que contemple fundamentalmente o assentamento massivo de lavradores sem-terra, para elevar a produção de alimentos e baratear seus preços, e o apoio à luta dos trabalhadores por salários mais justos, tendo em conta os altos lucros capitalistas.
Para enfrentar essa situação não basta anistiar as dívidas dos pequenos agricultores no Pronaf [Programa Nacional de Agricultura Familiar] e acelerar o assentamento de 80 mil famílias acampadas. É necessário executar uma plano acelerado de assentamento dos 2 a 3 milhões de lavradores sem-terra nos 90 a 100 milhões de hectares de terras improdutivas.
Isso pode ser realizado com mais agilidade se o governo aproveitar a experiência histórica de ocupação das fronteiras agrícolas por posseiros. O governo pode substituir o fornecimento indispensável para que os lavradores realizem o cultivo, os tratos culturais e a colheita, em geral realizado pelos comerciantes, com um alto custo, pelo fornecimento através da Conab. E pode, também substituir a compra das safras pelos atravessadores pela compra das safras através da própria Conab.
Em ambos os casos, qualquer pessoa afeita ao comércio nessa área pode comprovar que os lavradores podem ter uma economia de 30% a 50% em seus custos, o que significará, em conseqüência, uma redução considerável nos custos dos alimentos. Portanto, por um lado poderemos ter um aumento do poder aquisitivo de mais 2 a 3 milhões de famílias. Por outro, teremos uma elevação da oferta, com preços rebaixados.
Se, além disso, o governo acelerar os atuais programas estruturantes de distribuição de renda e desenvolvimento no meio rural, garantindo a produção das economias agrícolas familiares, o país pode reduzir substancialmente as pressões inflacionárias e ter um ambiente mais favorável para modificar a política monetarista de altos juros do Banco Central.
O apoio à luta dos trabalhadores por salários mais justos, por seu turno, não pode significar ações diretas do governo nesse sentido. Afinal, isso não faz parte das atribuições governamentais. Mas tal apoio pode se dar, simbolicamente e em respeito à Constituição, pela manutenção e ampliação da política de impedir que as lutas e os movimentos dos trabalhadores sejam criminalizados, e de tratar com respeito e com diálogo as lutas dos trabalhadores dos serviços públicos.
É evidente que essas mudanças não implicam em liquidar com os programas estatais de redistribuição de renda já em curso. Implicam, tão somente, em lhes dar uma base econômica e social mais consistente, garantindo que o aumento da demanda, principalmente de alimentos, seja fortemente apoiado pelo aumento da oferta. Isso tudo, é lógico, sem descurar dos investimentos necessários para o desenvolvimento industrial e para a reestruturação da educação e da saúde como áreas estratégicas para o desenvolvimento.
Para ter consistência e continuidade, a redistribuição de renda e, portanto, o aumento do poder aquisitivo dos mais pobres, não podem ser atropelados por uma oferta insuficiente.

Por Wladimir Pomar (09/08/11).  http://pagina13.org.br/?p=9372

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Vereador Nato apresenta Projeto de Lei implantando o "Toque de Acolher" em São Luís.




O Vereador Nato, protocolou na Câmara de Vereadores de São Luís o  Projeto de Lei n° 157 de 2011, tratando da implantação do “Toque de Acolher” a Crianças e Adolescentes, para coibir a sua permanência em lugares inapropriados dentro do perímetro do Município de São Luís.  
O Vereador diz que resolveu apresentar o referido Projeto de Lei tomando como base as estatísticas apresentadas nas cidades onde o referido Projeto  Toque de Acolher está em plena vigência, 
Citando matéria da Folha de São Paulo, onde consta que levantamento feito com juízes, delegados e conselheiros de 30 municípios que adotaram a medida mostrou que, em 29 deles, ela surtiu efeitos positivos, a exceção foi Sapé (PB).  
Em Santo Estevão (BA), onde foi implantada em 2009, as ocorrências envolvendo uso de drogas por menores de 18 anos caíram 71%. 
 Antes da adoção da medida, em 2009, eram registrados cerca de 40 casos de adolescentes envolvidos em brigas, furtos ou vandalismo por semana. Depois, as ocorrências caíram pela metade. Ao menos 60 municípios, de 17 Estados, já adotaram o toque de acolher. As medidas são, em geral, instituídas por juízes. Na Cidade de Barretos no interior do Estado de São Paulo, o referido projeto de lei, já esta em plena vigência como lei municipal, e tem apresentado excelentes resultados. E em alguns casos até pela Polícia Militar. 
O Vereador Nato afirma que o Projeto de lei em  tramitação trata de um tema polemico, mas como representante da Sociedade não pode se eximir da responsabilidade de criar mecanismos que protejam o desenvolvimento seguro de nossa juventude. Citando os jornais diz que apesar dos efeitos positivos em relação à criminalidade, a medida sofre resistência de alguns educadores e promotores, que chegaram a contestá-la judicialmente. (Folha de São Paulo). Caso seja aprovado o Projeto de Lei n/ 157/2011. será mais um instrumento legal a ser usado no combate a pedofilia, ao uso do álcool, ao consumo de entorpecentes, garantindo a integridade física de nossos jovens. 

Segue abaixo o texto integral do referido Projeto de Lei:

PROJETO DE LEI Nº  157 /2011. 

Ementa: Dispõe sobre o “Toque de Acolher” a Crianças e Adolescentes de lugares que especifica do Município de São Luís e dá outras providências.   

A Câmara Municipal de São Luís D E C R E T A:

Art. 1º. Fica o Poder Executivo do Município de São Luís, através de seus órgãos competentes de proteção às Crianças e Adolescentes, obrigado a promover fiscalização de menores de 16 anos sem a presença do responsável legal ou de acompanhantes, no horário compreendido entre 23h00 até às 05h00, nas vias públicas, calçadas, praças públicas, bares, lanchonetes, restaurantes, clubes sociais, bailes, boates e demais estabelecimentos congêneres, bem como em locais públicos em geral. 
§ 1º. Para os efeitos desta Lei, considera-se responsável legal, nos termos do Código Civil Brasileiro, o pai, a mãe, o tutor, o curador ou o guardião. 
§ 2º. Consideram-se acompanhantes os demais ascendentes ou colaterais maiores de idade, até o terceiro grau, considerados os avôs, irmãos e tios, cuja comprovação do parentesco se fará documentalmente. 
§ 3º. Nas ações efetivamente empreendidas pelo Poder Público, especialmente pelos Juizados da Infância e da Juventude da Comarca de São Luís e Conselhos Tutelares, poderão ter o apoio da: Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal. e de fiscais da Prefeitura Municipal a fim de promover as medidas de acolhimento, proteção e defesa de crianças e adolescentes.
Art. 2º. A criança ou adolescente que se encontrar nos locais descritos no artigo anterior e expostos em situações de riscos, especialmente no horário supracitado, serão encaminhados, por medida de proteção, aos representantes do Ministério Público ou aos responsáveis legais, sendo estes últimos notificados nos termos do art. 4º da Lei Federal nº 8.069 (Estatuto da Criança e do Adolescente). 
§ 1º. Independentemente de horário, sendo verificado que alguma criança ou adolescente encontra-se em situação de risco, em razão do local ou horário inadequado, ou mesmo em razão da sua própria conduta, deverão os órgãos de proteção encaminhá-los aos pais ou responsáveis legais, os quais serão notificados na forma da lei. 
§ 2º. Consideram-se situações de risco para crianças e adolescentes, em atendimento às especificidades locais, dentre outras:
I - estarem em locais que incentivem a ingestão de bebidas alcoólicas ou ao consumo de drogas;
II - locais que permitam a exposição à prostituição;
III - importunação ofensiva ao pudor;
IV - exposição a som com poluição sonora de alto volume, propagado por veículos particulares, ou estabelecimentos comerciais ou residências;
V - a condução de veículo automotor ou motocicletas, por menores de 18 (dezoito) anos de idade;
VI - presença de menores nas ruas, avenidas, calçadas, praças públicas, estabelecimentos comerciais como bares, restaurantes, lanchonetes - entre outros sem responsável legal ou acompanhante, desde que a eles existente ou potencial a situação de risco, como nos casos acima;
VII - desamparo em geral; e
VIII - acompanhadas dos pais ou responsáveis legais que tenham ingerido bebida alcoólica superior ao limite de 0,2 gramas de álcool por litro de sangue. 
Art. 3º. Quando crianças ou adolescentes encontrarem-se nas circunstâncias descritas no artigo anterior e forem conduzidas pelos órgãos de proteção aos menores, a autoridade competente deverá lavrar o termo circunstanciado extraindo cópia para o Conselho Tutelar e o Juízo da Infância e Juventude da Comarca de São Luís - MA. 
Art. 4º. A medida tomada será fundamentada pela omissão dos pais ou responsável legal, nos termos do item II, do art. 98, do Estatuto da Criança e do Adolescente. 
Art. 5º. Havendo necessidade, para cumprimento total desta Lei, o Poder Executivo poderá redirecionar as atividades dos membros do Conselho Tutelar. 
Art. 6º. As despesas com a execução da presente Lei correrão por conta de dotações próprias destinadas ao Conselho Tutelar, suplementadas se necessário. 
Art. 7º. O Poder Executivo expedirá as normas regulamentares e instruções necessárias à fiel execução da presente lei, podendo, inclusive, firmar convênios e/ou parcerias com órgãos ou entidades do setor público ou privado. 
Art. 8º. Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. 
Art. 9º. Revogam-se as disposições em contrário.


Publicado por: Francisco Barros.

sábado, 13 de agosto de 2011

AUMENTO DO NÚMERO DE VEREADORES: VERDADES E FALÁCIAS.

O recesso da maioria das Casas Legislativas Municipais de nosso país terminou em 31/07/2011 e com o início das atividades legislativas surge a urgência nas discussões daqueles parlamentos que pretendem aumentar suas vagas de Vereadores. No contexto do aumento destas vagas para a próxima legislatura (2013/2016) surgem muitas falácias acerca desta matéria e diante deste fato gostaríamos de fazer algumas considerações:

1. O Princípio da anterioridade no Processo eleitoral

A nossa Carta Constitucional assim versa:

Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 4, de 1993).

Da simples leitura do texto e das reiteradas decisões de nossa corte maior o STF conclui-se sem dificuldades que o mês de setembro se constitui no limite para alterações que guardem relação com o pleito de 2012 (eleições municipais) e no caso de nossas atenções os Vereadores.

2. A Emenda constitucional 58/2009 tão debatida estabeleceu os seguintes parâmetros:

2.1. Número de Vereadores (Limite de Vereadores por habitantes)

N° de Vereadores (máximo) - Faixa populacional habitantes .

9 (nove) Até 15.000

11 (onze) Mais de 15.000 até 30.000

13 (treze) Mais de 30.000 até 50.000

15 (quinze) Mais de 50.000 até 80.000

17 (dezessete) Mais de 80.000 até 120.000

19 (dezenove) Mais de 120.000 até 160.000

21 (vinte e um) Mais de 160.000 até 300.000

23 (vinte e três) Mais de 300.000 até 450.000

25 (vinte e cinco) Mais de 450.000 até 600.000

27 (vinte e sete) Mais de 600.000 até 750.000

29 (vinte e nove) Mais de 750.000 até 900.000

31 (trinta e um) Mais de 900.000 até 1.050.000

33 (trinta e três) Mais de 1.50.000 até 1.200.000

35 (trinta e cinco) Mais de 1.200.000 a 1.350.000

37 (trinta e sete) Mais de 1.350.000 até 1.500.000

39 (trinta e nove) Mais 1.500.000 até 1.800.000

41 (quarenta e um) Mais de 1.800.000 até 2.400.000

43 (quarenta e três) Mais de 2.400.000 até 3.000.000

45 (quarenta e cinco) Mais de 3.000.000 até 4.000.000

47 (quarenta e sete) Mais de 4.0000 até 5.000.000

49 (quarenta e nove) Mais de 5.000.000 até 6.000.000

51 (cinqüenta e um) Mais de 6.000.000 até 7.000.000

53 (cinqüenta e três) Mais de 7.000.000 até 8.000.000

55 (cinqüenta e cinco) Mais de 8.000.000
 
2.2. Percentual sobre a receita do município (duodécimos) - % sobre as receitas (repasses) População habitantes.

7% (sete) Até 100.000

6 % (seis) Entre 100.000 e 300.000

5 % (cinco) Entre 300.001 e 500.000

4,5 (quatro e meio) Entre 500.001 e 3.000.000

4 (quatro) Entre 3.000.001 e 8.000.000

3,5 (três e meio) Acima de 8.000.001

3. Conclusões

FALÁCIAS

3.1 Constitui-se em falácia os argumentos de que o aumento no número de vereadores causará aumento de despesa pública. Ora, os repasses de recursos às Casas legislativas não estão atrelados ao número de edis e sim à população do município conforme demonstrado no item 2.2 acima;

3.2 Não se nos afigura razoável entender Imoral o aumento das vagas de Vereadores, pois este fato já está consentido (previsto) em nossa Constituição Federal e a Carta Magna não prevê imoralidades.

VERDADES

3.3 O aumento no número de edis não é obrigatório e sim uma prerrogativa do Poder Legislativo Municipal, porém dentro dos parâmetros constitucionais;

3.4 O prazo de setembro de 2011 para as mudanças do número de cadeiras nas Câmaras é improrrogável e, se perdido, somente poderá ser de novo restabelecido para a legislatura de 2017 a 2020.

Importante: (No intuito de colaborarmos para a ampliação da discussão e com a devida vênia, lembramos que na Resolução TSE de n. 22.556, cujo Relator foi o mInistro José Delgado, consignou-se no voto que ” a alteração do número de Vereadores, tem aplicação imediata não se sujeitando ao prazo de um ano previsto no artigo 16 da Constituição Federal. Esse dispositivo está dirigido à legislação eleitoral em si, ou seja, àquela baixada pela União no âmbito da competeência que lhe é assegurada constitucionalmente…”. Lembramos que a Resolução TSE 21.702/2004 aplicada às eleições de 2004, teve vigencia imediata, apesar de proferida dentro do ano eleitoral.  Lembramos ainda o MS n. 2.070/PR em que o Ministro Torquato Jardim, assim se pronunciou:  “(…) o numero de vereadores há de ser fixado antes de iniciado o processo eleitoral, vale dizer, antes do prazo final de realização das convenções partidarias para escolha de candiadatos (…)”.  Assim, o prazo para de alteração do numero de Vereadores deve ser o final de junho de 2012, para valer para as eleições deste mesmo ano.  SMJ. João Batista Rodrigues - Advogado/UVP).

3.5 Se os subsídios dos Vereadores já estiverem em seu conjunto alcançando o limite orçamentário, o limite dos 5% da receita municipal ou aquele dos 70% com folha de pagamento (limites previstos na Constituição Federal) ajustes terão que ser feitos, pois do contrário, problemas de natureza legal poderão atingir a gestão da Casa Legislativa Municipal ou submeter os Vereadores a subsídios em valores indesejados.

Will Ferreira Lacerda

Mestre em Gestão Pública
Técnico do TCE/PE
Professor de pós-gradução
Co-autor do livro Vereadores
Colaborador do site vereadores.net



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Resolução Política aprovada pelo Diretório Nacional do PT

DIRETÓRIO NACIONAL DO PARTIDO DOS TRABALHADORES


RESOLUÇÃO POLÍTICA

Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2011

O Brasil frente à crise atual do capitalismo: novos desafios

A crise internacional

O mundo capitalista atravessa uma crise de grandes proporções. Ela tem seu centro nos Estados Unidos e nos países europeus.

O recente impasse quanto ao teto do endividamento público dos EUA resultou em uma negociação no Congresso americano que, uma vez mais, reduz gastos por meio de cortes orçamentários sem aumento de impostos para os setores mais ricos da sociedade. A permissão para o aumento da dívida pública americana custou direitos sociais para salvar os bancos. Como nos países europeus, os cortes ampliam o desemprego e reforçam a concentração de riquezas nessas sociedades.

A crise, cujos desdobramentos ainda precisam ser mais bem conhecidos, está associada ao ideário e ao programa neoliberal que, em linhas gerais, nos últimos 40 anos construiu hegemonia preconizando a redução do papel do Estado na economia, a desregulamentação financeira, a redução de direitos sociais e reformas fiscais coerentes com essa perspectiva, voltadas a ampliar a chamada liberdade de mercado e os lucros. A conseqüência disso é o aumento do desemprego, da exclusão social e da xenofobia. O conjunto de medidas adotadas na Europa, e agora nos EUA, para salvar os bancos, aprofunda esse ideário e essa crise, e por isso, além de não trazer soluções duradouras, ainda aumenta a incerteza social e política. Além disso, tanto nos EUA quanto na Europa, a direita implementa uma política militarista, que tem como expressão mais recente o ataque da Otan contra a Líbia, tornando a defesa da paz uma bandeira cada vez mais atual.

Na Europa, setores das sociedades, particularmente a juventude, buscam reagir a esse quadro responsabilizando os partidos políticos que aderiram e/ou sustentaram esse ideário. Outros encontram no nacionalismo de extrema- direita alternativa para os graves problemas que a sociedade enfrenta.

O PT expressa sua solidariedade aos jovens, aos trabalhadores, aos migrantes e a todos os setores que combatem o neoliberalismo e repudia o nacionalismo de extrema direita, que mostrou sua verdadeira face no atentato ocorrido recentemente na Noruega. A esse respeito, o Diretório Nacional do PT reafirma a nota já divulgada pela Comissão Executiva Nacional, em solidariedade ao Partido Trabalhista da Noruega.

No Brasil, os defensores do neoliberalismo são setores da oposição, da mídia e dos setores do grande capital, especialmente o financeiro.

Outra parte do mundo, na qual se inclui o Brasil, rejeitou o neoliberalismo como perspectiva para seus povos e nações. Com vitórias históricas contra a direita, a maior parte dos governos latino-americanos – sobretudo na América do Sul - tem percorrido orientações progressistas, visando promover crescimento econômico, geração de empregos e distribuição de renda, justiça social e democracia, fortalecendo a um só tempo a soberania dessas nações e a integração latino- americana. Nesse sentido, o PT saúda a recente eleição de Ollanta Humala, como uma vitória das forças progressistas do Peru.

A experiência sul-americana, no quadro da crise atual do capitalismo, demonstra e enseja a necessidade do estabelecimento de uma nova ordem internacional e da reforma de instituições internacionais de tal sorte que os interesses e a soberania dos povos tenham prevalência em relação aos interesses do sistema financeiro internacional.

II. Brasil: construindo uma alternativa ao neoliberalismo

Desde 2003 o Brasil vem percorrendo outro caminho. Com crescimento econômico, controle da inflação, geração de empregos, distribuição de renda, ampliação do acesso e do direito a políticas sociais de qualidade ampliou-se o mercado interno de massas, com o alargamento dos espaços de participação social e da própria democracia. O programa de desenvolvimento do país levado a efeito pelo governo Lula projetou o Brasil no mundo, na medida em que se constituiu em alternativa efetiva às políticas neoliberais. As transformações empreendidas no País pelo governo Lula propiciaram, em grande medida, a vitória eleitoral de 2010, conduzida pela companheira Dilma Rousseff, a quem a população incumbiu de dar continuidade e de fazer avançar o nosso programa.

Um dos desafios foi controlar a inflação sem promover recessão. Ou seja, nada de cortar empregos, nem de reduzir gastos sociais ou tampouco deter o processo de desenvolvimento econômico sustentável.

A inflação está controlada e a economia continua a crescer e gerar empregos. Nossas políticas sociais continuam fortes e inovadoras, como é o caso do Plano Brasil sem Miséria.

Permanece como desafio nesse contexto a redução da taxa de juros e da margem de lucro dos bancos, necessária à ampliação das condições de financiamento do Estado e das políticas voltadas a fortalecer o atual projeto de desenvolvimento, e medidas cambiais ajustadas às necessidades de nosso desenvolvimento, que as últimas medidas adotadas pelo governo procuram dar conta.

Parte do processo de democratização do Estado brasileiro depende, em grande medida, da realização da Reforma Política. Por essa razão, o PT continuará se empenhando para ampliar, nos próximos meses, a campanha em favor de uma reforma que, com participação popular, possa modernizar nosso sistema político, fortalecer os partidos e aperfeiçoar e consolidar a democracia no país.

Para o PT, a perspectiva de fortalecimento da democracia é reforçada pelo compromisso com a abertura de arquivos e o direito à verdade, inseparáveis da luta pela garantia dos direitos humanos.

O PT considera fundamental, para impulsionar o crescimento e o fortalecimento da indústria nacional, o lançamento do Plano Brasil Maior que pretende realizar em dois anos investimentos da ordem de 500 bilhões por parte do BNDS até 2014. Será fundamental que o Plano contribua para agregar valor à produção das empresas brasileiras, gerar empregos, bem como assegurar o respeito aos direitos e conquistas dos trabalhadores no país. Por essa razão, a continuidade do debate com as entidades dos trabalhadores, especialmente com a Central Única dos Trabalhadores, é imprescindível.

Trata-se de fortalecer a relação do governo com os movimentos sociais na construção de políticas públicas. A agenda das reformas democráticas e populares, previstas nas diretrizes gerais do programa de governo da Presidenta Dilma, torna ainda mais necessária essa relação construtiva entre governo, partido e movimentos sociais. Ressalte-se o sucesso no esforço de construção de uma agenda comum para a reforma política com participação popular e no debate sobre o novo Código Florestal, em que a definição de pontos consensuais entre Governo, PT e Movimentos Sociais incidiu positivamente.? ?A agenda das reformas democráticas e populares, previstas nas diretrizes gerais do programa de governo da Presidente Dilma, torna ainda mais necessária essa relação construtiva entre governo, partido e movimentos sociais. Ressalte-se o sucesso no esforço de construção de uma agenda comum para a reforma política com participação popular e para o debate sobre o novo Código Florestal, em que a definição de pontos consensuais entre Governo, PT e Movimentos Sociais incidiu positivamente nas conquistas obtidas e nos embates mais duros.

Vem aí, neste segundo semestre, o debate sobre o novo marco regulatório dos meios de comunicação. Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação no país é tema relevante e um objetivo comum com os esforços de elaboração do governo Lula e os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação, que evidenciou os grandes embates entre agentes políticos, econômicos e sociais de grande peso na sociedade brasileira. Garantir e ampliar as possibilidades de livre expressão do pensamento, repudiar e impedir qualquer tipo de censura e garantir o amplo acesso da população a todos os meios – sobretudo os mais modernos, como a internet.

É preciso aprofundar as políticas públicas para a juventude num contexto em que a própria noção de cidadania cultural se redesenha num cenário de convergência tecnológica, de economia e serviços. Tais políticas devem se direcionar para a ampliação da fruição cultural e da qualidade da educação no Brasil, alargando as próprias bases democráticas.

Da mesma forma, a definição de agendas comuns entre governo, PT e movimentos sociais - observada a necessária autonomia de cada parte envolvida - é fator importante para coesionar o campo democrático e popular em torno de avanços no combate à miséria, nas reformas agrária e urbana, na reforma tributária, no combate a toda sorte de violência e discriminação de fundo sexista, racista, xenófobo ou homofóbico ainda presentes na sociedade brasileira.

O PT se prepara para as eleições municipais de 2012 com o objetivo de consolidar nosso crescimento nacional e ampliar a base política de apoio ao governo da Presidenta Dilma, o compromisso dos municípios com as políticas públicas federais e a consolidação dos avanços sociais e da participação popular dos últimos anos. Para o PT, não há projeto de desenvolvimento sem a articulação das políticas públicas federais com as políticas geradas a partir dos próprios municípios. Muitas das atuais políticas federais têm seu nascedouro no chamado modo petista de governar, um conjunto de definições construídas a partir das experiências bem sucedidas de gestão municipal e estadual que precederam a conquista do governo central. O fortalecimento do município defendido pelo PT é aquele que constrói o poder local como espaço de transformação da vida das pessoas, de qualidade de vida, de participação cidadã, em articulação com as grandes transformações sociais, políticas e econômicas de nosso projeto nacional.? ?O PT se apresentará para as eleições municipais com objetivo de ampliar as conquistas de prefeituras e vereadores. Definiremos no 4º. Congresso Extraordinário, nossa tática eleitoral, nossa política de alianças e o calendário para a escolha de nossas candidaturas para as eleições de 2012.

O Congresso do PT, que será realizado em Brasília, de 02 a 04 de setembro, também dará continuidade ao debate sobre os temas aqui indicados, visando a preparar o partido para os próximos desafios. Ele tem em sua pauta a reforma do nosso estatuto. Conclamamos todo o partido a participar e contribuir para o êxito desse Congresso do qual esperamos sair mais fortes para avançar nossa organização e continuar correspondendo às esperanças em nós depositadas pelo povo brasileiro.

O Diretório Nacional do PT manifesta, por fim, seu apoio às medidas que o Governo Dilma - dando continuidade ao que fazia o governo Lula - adota contra a corrupção.

Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2011

Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Milagre em Brasília. Um Deputado Ficha Limpa?

O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF), que foi proporcionalmente o mais bem votado do país com 266.465 votos, com 18,95% dos votos válidos do DF, estreou na Câmara dos Deputados fazendo barulho. De uma tacada só, protocolou vários ofícios na Diretoria-Gera...l da Casa. Abriu mão dos salários extras que os parlamentares recebem (14° e 15° salários), reduziu sua verba de gabinete e o número de assessores a que teria direito, de 25 para apenas 9. E tudo em caráter irrevogável, nem se ele quiser poderá voltar atrás. Além disso, reduziu em mais de 80% a cota interna do gabinete, o chamado “cotão”. Dos R$ 23.030 a que teria direito por mês, reduziu para R$ 4.600.

Segundo os ofícios, abriu mão também de toda verba indenizatória, de toda cota de passagens aéreas e do auxílio-moradia, tudo também em caráter irrevogável. Sozinho, vai economizar aos cofres públicos mais de R$ 2,3 milhões (isso mesmo R$ 2.300.000,00) nos quatro anos de mandato. Se os outros 512 deputados seguissem o seu exemplo, a economia aos cofres públicos seria superior a R$ 1,2 bilhão.

“A tese que defendo e que pratico é a de que um mandato parlamentar pode ser de qualidade custando bem menos para o contribuinte do que custa hoje. Esses gastos excessivos são um desrespeito ao contribuinte. Estou fazendo a minha parte e honrando o compromisso que assumi com meus eleitores”, afirmou Reguffe em discurso no plenário.

Mais detalhes em:

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Ney Jefferson, toma posse como o novo delegado da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário (DFDA) no Maranhão.


Tomou posse na manhã desta terça-feira (09), no auditório da Superintendência Regional do Incra no Maranhão, o novo delegado da Delegacia Federal do Desenvolvimento Agrário (DFDA) no estado, o agrônomo Ney Jefferson Pereira Teixeira.
 
O combate à pobreza no campo, o desenvolvimento rural sustentável e a importância das parcerias foram os temas anunciados por diversas autoridades durante o evento, que contou com a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Governo do Estado do Maranhão, órgãos públicos, entidades civis e sindicatos rurais.
 
Ney Jefferson assumiu o cargo destacando que o Governo Federal acredita e investe na agricultura familiar. Citou ações e programas desenvolvidos pela Delegacia no Maranhão e se comprometeu a realizar sua gestão em conjunto com outros órgãos. “Desejo realizar um trabalho coletivo articulado com Governo em suas três esferas e com representações dos agricultores familiares”, prometeu.

O coordenador nacional das Delegacias Federais do Desenvolvimento Agrário, Miltom dos Santos Resende, representando o MDA, considerou a necessidade da boa articulação política. “A integração das ações da DFDA com os parceiros é imprescindível para execução das políticas públicas voltadas para o desenvolvimento agrário”. Acrescentou que para a Delegacia enfrentar os desafios no meio rural tem como ações a implementação do Plano Safra 2011/2012, que destina R$ 16 bilhões para os agricultores familiares de todo o país e do Plano Nacional de Combate à Miséria, que pretende retirar milhões de brasileiros da pobreza extrema.

Já o superintendente do Incra no Maranhão, Luiz Alfredo Soares da Fonseca, ressaltou o trabalho da Autarquia no Estado, como construção de estradas nos assentamentos, acesso à água pelos agricultores e ações no sentido de gerar emprego e renda às famílias assentadas. Destacou o fato da DFDA e do Incra serem uma só equipe de governo. “Temos também um só propósito: mudar o quadro do Maranhão com relação à pobreza”, afirmou.

A secretária de Estado do Desenvolvimento Agrário, Conceição Andrade, também mencionou a importância das parcerias para promoção do desenvolvimento sustentável. “Sozinhos não vamos a lugar nenhum”, afirmou. E propôs oficinas de trabalho sobre as ações voltadas para o desenvolvimento sustentável, entre elas, o serviço de assistência técnica.

Perfil: Ney Jefferson é engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal do Piauí. Tem 29 anos de idade e natural de São Paulo (SP).


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Proposto a criação do PDI - Partido da Internet.

Foi lancado mais uma ideia na rede mundial de computadores trata-se da criação do Partido da Internet, leia maiores informações abaixo:


  

Partido da Internet

Facebook: http://www.facebook.com/pages/Partido-da-Internet/122273671189711

O que é?

O PDI (Partido da Internet) não possui ideologia, apenas a visão de abrir as portas da democracia para todos os cidadãos.

Os políticos eleitos pelo PDI não tomarão suas decisões com base nas suas convicções pessoais ou mesmo do partido. As decisões serão tomadas pelos cidadãos, via web.

O papel dos políticos eleitos pelo PDI deixa de ser o de representante, para se tornarem executores da vontade popular.

Transparência e Participação são palavras-chave.

Por que existe?

A democracia, como está estruturada hoje em grande parte do mundo, não é democracia de fato.

A maioria dos países utiliza uma democracia representativa onde, teoricamente, os políticos deveriam seguir políticas públicas com base no interesse dos seus eleitores. Isso, como sabemos, não acontece. Nossos políticos nos procuram apenas em época de eleição.

A democracia representativa de hoje também favorece a corrupção, uma vez que é mais fácil corromper alguns políticos ou um partido do que corromper toda a população de determinada região.

Como fazer?

Utilizando novas tecnologias, em especial a web, é possível consultar a população sobre temas locais, regionais, nacionais e até mesmo globais.

O PDI usará a web para oferecer:

- A oportunidade para a população participar de fato da política nacional

- Educação sobre o funcionamento da máquina pública

- Espaço para debate de temas em pauta nas esferas executiva e legislativa

- Transparência dos gastos públicos (e dos políticos eleitos pelo PDI)

Como você pode colaborar?

- Tecnologia: o PDI precisará de uma forte base tecnológica. A tecnologia (principalmente web) será crucial para o seu funcionamento.

- Comunicação: precisamos transformar a política em algo atrativo para a população. Precisamos 'traduzir' a complexidade atual e mostrar que a participação pode ser divertida e importante no dia-a-dia das pessoas

- Marketing: ajudando a divulgar o projeto!

- Design: PRECISAMOS DE UM LOGO! :D

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Sobre a THacker

A comunidade Transparência Hacker é um espaço para que desenvolvedores web, jornalistas, designers, gestores públicos e outros indivíduos dos mais diferentes perfis proponham e articulem ideias e projetos que utilizem a tecnologia para fins de interesse da sociedade. Trabalhamos primariamente com dados governamentais abertos, promovendo ações que evidenciam a importância desses dados e fazendo pressão para que os organismos do governo brasileiro adotem a mesma medida de liberação de dados públicos em formatos abertos. Acima de tudo, provocamos e buscamos evidenciar questões sociais e políticas através da ressignificação de informações existentes, mas que ainda são de difícil acesso para a sociedade em geral.

Mais de 40% dos alunos das universidades federais são das classes C, D e E

Amanda Cieglinski

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Cerca de 43% dos estudantes das universidades federais são das classes C, D e E. O percentual de alunos de baixa renda é maior nas instituições de ensino das regiões Norte (69%) e Nordeste (52%) e menor no Sul (33%). É o que mostra pesquisa da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que será lançada hoje (3), sobre o perfil dos estudantes das universidades federais.

Para a Andifes, o resultado do estudo, que teve como base 22 mil alunos de cursos presenciais, desmistifica a ideia de que a maioria dos estudantes das federais é de famílias ricas. Os dados mostram, entretanto, que o percentual de alunos das classes mais baixas permaneceu estável em relação a outras pesquisas feitas pela entidade em 1997 e 2003.

Segundo o presidente da Andifes, João Luiz Martins, as políticas afirmativas e a expansão das vagas nas federais mudaram consideravelmente o perfil do estudante. A associação avalia que se não houvesse as políticas afirmativas, o atendimento aos alunos de baixa renda nessas instituições teria diminuído no período.

Martins destaca que se forem considerados os estudantes com renda familiar até cinco salários mínimos (R$ 2.550), o percentual nesse grupo chega a 67%. Esse é o público que deveria ser atendido – em menor ou maior grau – por políticas de assistência estudantil. A entidade defende um aumento dos recursos para garantir a permanência do aluno de baixa renda na universidade. “Em uma família com renda até cinco salários mínimos, com três ou quatro dependentes, a fixação do estudante na universidade é um problema sério”, diz Martins, que é reitor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop).

O estudo identifica que 2,5% dos alunos moram em residência estudantil. Cerca de 15% são beneficiários de programas que custeiam total ou parcialmente a alimentação e um em cada dez recebe bolsa de permanência.

Vânia Silva, 26 anos, ex-aluna do curso de pedagogia da Universidade de Brasília (UnB), contou, ao longo de toda a graduação, com bolsas e outros tipos de auxílio. No primeiro semestre, a ajuda era de R$ 130, insuficiente para os gastos com alimentação, transporte e materiais. Ela participou de projetos de pesquisa e extensão na universidade para aumentar o benefício e conseguiu moradia na Casa do Estudante. Mas viu colegas desistirem do curso porque não tinham condições de se manter.

“Para quem quer ter um bom desempenho acadêmico, o auxílio é muito pequeno. Esse dinheiro eu deveria gastar em livros ou em viagens para participar de encontros de pesquisadores, mas usava para custear minhas necessidades básicas”, conta. Hoje, ela é aluna de pós-graduação e a bolsa que recebe continua sendo insuficiente para os objetivos que pretende alcançar. “Já tive trabalhos inscritos até em congressos internacionais, mas com essa verba não dá para bancar uma viagem”, diz.

Os reitores destacam que a inclusão dos estudantes das famílias mais pobres não é a mesma em todos os cursos. Áreas mais concorridas como medicina, direito e as engenharias ainda recebem poucos alunos com esse perfil. Cerca de 12% das matrículas nas federais são trancadas pelos alunos e, para a associação, a evasão está relacionada em grande parte à questão financeira.

“Em outras parte do mundo, a preocupação do reitor é com a qualidade do ensino e com a pesquisa. Mas aqui, além de se preocupar com um bom ensino, ele também tem que se preocupar com a questão social”, compara Álvaro Prata, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Para 2012, a Andifes reivindicou ao Ministério da Educação (MEC) que dobre os recursos destinados à assistência estudantil. A previsão é que a verba seja ampliada dos atuais R$ 413 milhões para R$ 520 milhões, segundo a entidade. “Com a política de cotas e a expansão da UnB para as cidades satélites, houve um aumento muito grande da necessidade de políticas de assistência estudantil. Mas isso é secundário para o governo e a própria administração da universidade. Muitas vezes, eles acham que têm que trabalhar para ter mais sala de aula e laboratório, mas não há o restaurante universitário”, observa a representante do Diretório Central dos Estudantes da UnB, Mel Gallo.

Edição: Graça Adjuto

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-08-03/mais-de-40-dos-alunos-das-universidades-federais-sao-das-classes-c-d-e-e

domingo, 7 de agosto de 2011

Brasil de Fato: Que os ventos da mudança varram a máfia do futebol..

EDITORIAL DO BRASIL DE FATO. Máfia do futebol.

Vingativo e extremamente ávido de riquezas e de poder, Ricardo Teixeira se comporta como um verdadeiro Capo do futebol brasileiro.

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) promoveu, no dia 30 de julho, no Rio de Janeiro (RJ), o sorteio das eliminatórias da Copa do Mundo. Foi o primeiro grande evento oficial para a competição a ser realizada de 12 junho a 13 de julho de 2014, tendo como sede doze estados brasileiros.

Até pouco tempo, predominavam os debates sobre se o Brasil deveria ou não organizar o mundial do futebol em 2014. Os defensores da candidatura brasileira recorriam ao legado de infraestrutura que a Copa deixará, o aumento do turismo no mês de sua realização e a forte exposição da imagem do país no exterior. Os contrários, de modo não menos enfático, defendiam que o país, um dos campeões mundiais em desigualdade social, deveria priorizar seus recursos financeiros para resolver os problemas sociais do seu povo antes de pretender organizar uma Copa do Mundo. Conhecedores das elites do nosso país, alertavam que a Copa, sob o domínio da máfia do futebol nacional e mundial, seria mais um extraordinário campo de corrupção e enriquecimento ilícito.

Em outubro de 2007, quando a Fifa oficializou o Brasil como sede da Copa, os que eram contra pareciam terem sido derrotados. No entanto, são crescentes e cada vez mais evidenciados os sinais de que seus alertas estavam corretos. Diante da iminência de uma crise mundial do sistema capitalista, o governo não hesita em fazer cortes orçamentários na área social, preservando os grandiosos lucros do sistema financeiro.

E o que dizer da corrupção? O próprio sorteio custou aos cofres públicos da cidade e do Estado do Rio de Janeiro 30 milhões de reais, repassados à empresa Geo Eventos, ligada à Rede Globo, que organizou o evento. Cabe repetir: gastaram 30 milhões de reais, de recursos públicos, para um evento de uma tarde. Afanaram a milionária quantia de recursos públicos e não hesitaram em negar credenciais para jornalistas da Rede Record e SBT, impedindo-os de cobrir o evento. Onde estão, nesse momento, os intransigentes defensores da liberdade e imprensa?

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que preside também o Comitê Organizador Local (COL), quer transformar o torneio mundial num evento particular, em seu benefício próprio. Não bastasse acumular os dois cargos, colocou como secretária- executiva do COL a própria filha. Capaz de cometer as maiores maldades, como ele mesmo afirma numa entrevista à revista Piauí, Teixeira apenas teme a Rede Globo, com quem fez conluio para implodir o Clube dos 13 e assegurar o direito de transmissão do campeonato brasileiro àquela emissora até 2014. Estratégia que contou com a ativa participação do S. C. Corinthians Paulista, clube que, tudo indica, terá um estádio pronto para promover a abertura da Copa.

Vingativo e extremamente ávido de riquezas e de poder – pretende presidir a Fifa em 2015 – Ricardo Teixeira se comporta como um verdadeiro Capo do futebol brasileiro. Faz bem feito a presidenta Dilma Rousseff em mantê-lo à distância. Exemplo que deveria ser seguido por seu ministro de esportes, Orlando Silva.

Certamente o presidente da CBF não teria tantas facilidades para chafurdar pela lama se o mesmo não ocorresse com quem comanda o futebol mundial. O atual presidente da Fifa, o suíço Joseph Blatter, foi reeleito para seu quarto mandato, numa eleição chamada de farsa pelo Primeiro Ministro inglês, David Cameron.

São tantas acusações e suspeitas de corrupção que as principais patrocinadoras da entidade, Visa, Coca-Cola e Adidas começam a temer vincular suas imagens à entidade máxima do futebol. Temerosas da opinião pública internacional, essas mesmas empresas não temem o conluio com a Fifa para impor exigências aos países em que são promovidos os diversos torneios mundiais de futebol masculino e feminino.

Tendo o evento da Copa como fonte de recursos, a máfia do futebol mundial busca impor, aos países-sedes da Copa, regras, exigências, privilégios e benefícios que lhe assegurem lucros fabulosos para si e para suas empresas patrocinadoras. Entre 2007 e 2010, a Fifa obteve um lucro de US$ 631 milhões e acumula US$ 1,2 bilhão em reservas financeiras. O valor é superior ao PIB de 19 países. Feito extraordinário se for levado em conta que em 1999 a mesma entidade amargava uma dívida de US$ 42 milhões. A Copa da África do Sul, em 2010, foi responsável pela maior porcentagem dessa riqueza acumulada. Foi mais lucrativa que a da Alemanha de 2006, uma vez que este país resistiu fazer uma Copa à moda Fifa.

Cabe cobrar do governo medidas e iniciativas políticas que garantam que a Copa a ser realizada em nosso país seja do povo brasileiro, e não das aves de rapina que dominam o futebol nacional e comandam a Fifa. Algumas iniciativas para que acabe esse reinado de corrupção e impunidade começam a aparecer. A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas rejeitou, em julho, a proposta de concessão do título de “Cidadão Amazonense” a Ricardo Teixeira. Nas palavras do deputado Marcelo Ramos (PSB), o dirigente apenas “merece receber uma medalha do Presídio do Puraquequara”.

No Rio de Janeiro surgiu a Frente Nacional dos Torcedores (FNT) com a bandeira de luta “Fora Ricardo Teixeira da CBF”. Promoveram uma manifestação pelo Twitter, uma marcha pelas ruas cariocas no sábado e agora pressionam os deputados federais para instalar uma CPI para investigar a CBF e o COL.

No futebol mundial também há reações que se opõe ao lamaçal da Fifa. O próprio Blatter para assegurar sua reeleição, precisou comprometer-se “em trazer novamente a Fifa a navegar por águas transparentes”. Difícil é engolir sua proposta de criar um Comitê de Soluções, com participação de Henry Kissinger, ex-Secretário de Estado americano – o mesmo que incentivou as ditaduras militares na América Latina, a partir da metade do século passado, e tem receio de ser preso se visitar alguns países europeus.

Mas, para mudanças na Fifa, a notícia mais alentadora vem da Associação Europeia de Clubes, que se propõe a fazer uma revolução contra as pessoas corruptas que governam o futebol. O presidente da Associação, o ex-jogador e atual diretor do Bayern de Munique, Karl-Heins Rummenigge, se propõe a lutar contra o “processo diário de corrupção na Fifa”.

Que os ventos das mudanças soprem cada vez mais fortes.

Publicado em 03/08/2011. sugestão do Igor Felippe.

http://www.viomundo.com.br/denuncias/brasil-de-fato-a-mafia-do-futebol.html

Prefeito de Duque Bacelar reclama da qualidade da agua oferecida pela CAEMA

Durante a solenidade de criação do CILEM ( Consorcio Público Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável do Leste Maranhense), o Prefeito do Municipio de Duque Bacelar, Flávio Furtado, defendo calorosamente a Criação do referido consorcio, além de pedir encarecidamente o asfaltamento da Rodovia MA 123.

Pedindo a atencao de todos trouxe ao conhecimento do Vice-governador Washington Luiz, a situação de dificuldades por que passa sua população em relação a um dos itens básicos para a garantia da sobrevivencia humana que é a falta de qualidade na agua potável servida pela CAEMA.

Reclamando do abastecimento irregular e entregando ao Sr. Washington Luiz, uma “garrafa pet” cheia de agua distribuida pela caema, que na verdade mais parecia ter saido de um barreiro, agua de cor amarelada, segundo o Prefeito Flávio Furtado esta é a qualidade da agua servida diariamente a população de Duque Bacelar e por não ter mais a quem apelar.

Com este gesto extremo, entregava esta garrafa de agua barrenta para que o Vice-governador se sensibilizasse, e levasse a mesma e mostrasse para a Diretoria da CAEMA, quem sabe ele “tomando conhecimento”, e com o Vice-governador intercedendo junto a este Òrgão, acorra uma melhora na qualidade da agua a servida a população de Duque Bacelar.

Texto postado por: Francisco Barros.