quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Haiti - Elas levam a paz.

As mulheres do Exército Brasileiro que fazem parte da missão de paz no Haiti passam meses confinadas em contêineres longe da família e dos amigos, tomam banho de água fria e vestem coletes à prova de balas de 12 quilos sob o calor de 40 graus. 
 
Realizam esse trabalho para amenizar a dor e o sofrimento das crianças e das mulheres de um dos países mais pobres do mundo.

Os meninos no Haiti não choram. Se você fosse uma médica do Exército Brasileiro que passou seis meses atendendo crianças de um orfanato haitiano, voltaria para casa com essa impressão. Quando a pediatra carioca Daniela Tarta, 29 anos, foi tratar um abscesso do tamanho de uma noz na cabeça do pequeno Djevil, de 6, ele apenas fechou os olhos e mordeu os lábios enquanto ela espremia a ferida em seu couro cabeludo, sem anestesia. Durante toda a operação, que durou dez minutos, Djevil, com os olhos fechados, não pediu para a médica parar. Nenhuma lágrima escorreu pelo rosto. Com um curativo na cabeça, o menino se levantou da cadeira, inexpressivo, e sentou com outras crianças que cantavam sorridentes em um coral. Transtornado pela dor, não cantou. Apenas balançou as pernas no ritmo da música, arrastando os cadarços permanentemente desamarrados no chão de cimento. Ninguém prestou atenção nos cadarços desamarrados de Djevil. Nem na sua dor. Os pais dele morreram soterrados no terremoto que abalou a capital do país, Porto Príncipe, em janeiro do ano passado. O irmão mais velho sobreviveu, mas sumiu. Hoje, ele vive com mais 51 crianças em um orfanato em Croix-des-Bouquet, um bairro pobre de Porto Príncipe, mantido por um pastor haitiano e sua família, que, graças a doações do Exército brasileiro, passou a ter água encanada e um gerador de energia elétrica no início do ano. Os dólares doados por brasileiros garantem que haja comida no prato dessas crianças todos os dias.


“Esses meninos possuem uma capacidade impressionante de suportar a dor. Eles não têm para quem reclamar do sofrimento”, diz a pediatra Daniela. A carioca entrou para o Exército há três anos e serviu no Haiti em 2011. Durante a maior parte do tempo, trabalhou confinada no batalhão brasileiro, atendendo os militares que, assim como ela, fazem parte da Missão das Organizações das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, a Minustah, liderada pelo Brasil (leia o quadro no fim da matéria). Pelo menos uma vez por mês ela costumava sair da base militar para atender à população nas ações sociais do Exército ou como voluntária, no orfanato onde vive Djevil. “Uma vez, fui costurar um corte no queixo de um menino. Dei uma anestesia local, mas, quando comecei a dar os pontos, ele dormiu. Fiquei impressionada.” No dia em que Marie Claire visitou o orfanato, Daniela deu uma injeção intramuscular — bastante dolorida — em uma criança de 4 anos, que também não chorou.


A capacidade das crianças haitianas de suportar a dor ajuda as brasileiras a relativizar as próprias privações. Qualquer militar do Brasil em missão no Haiti passa seis meses confinado, longe da família e dos amigos. Por ter escolhido viver no país mais pobre das Américas e um dos mais pobres do mundo durante esse tempo, a pediatra Daniela perdeu o namorado. Ele também é militar e os dois decidiram juntos se candidatar à missão depois do terremoto, quando a assistência médica se tornou ainda mais urgente no país. “Fiquei sensibilizada e achei que poderia ser uma experiência pessoal e profissional importante”, diz Daniela. A convocação dela saiu antes da dele. “Fiquei dividida, mas era uma oportunidade única”. O namorado se sentiu preterido. Ficou enciumado e terminou a relação. Daniela também acredita que o parceiro tem de vibrar com o seu sucesso profissional. “Realizei um sonho. No Haiti, a escassez é tão grande que um atendimento médico simples faz muita diferença na vida das pessoas.”


A presença de mulheres nas forças de paz vem sendo incentivada pela Organização das Nações Unidas (ONU) no mundo todo. No ano passado, o secretário-geral, o coreano Ban Ki-moon, reiterou a importância da presença feminina nessas tropas porque “elas ajudam a relaxar tensões, servem de exemplo para sociedades onde o machismo é extremo (caso do Haiti) e ainda conseguem diminuir e combater a violência sexual”, já que denúncias de abusos cometidos por soldados da ONU são frequentes. As militares brasileiras começaram a desembarcar no Haiti em 2007, três anos depois da chegada da Minustah no país, quando a segurança já estava controlada. Desde então, ocupam principalmente postos de apoio às tropas: são médicas, dentistas e tradutoras do próprio Exército.


Embora a presença delas seja crescente, ainda são minoria nos batalhões que atuam no Haiti. Em agosto, quando Marie Claire visitou Porto Príncipe, eram apenas 15 entre 2.200. Elas levam uma vida sem conforto. Dormem em beliches, dentro de contêineres de lata brancos, com a sigla imponente das Nações Unidas pintada em preto do lado de fora. O chão é coberto por uma lona. Os alojamentos, apesar de simples, têm ar-condicionado e internet sem fio. Os chuveiros, também instalados dentro de contêineres, não têm água quente. Por causa do surto de cólera que atingiu o país no ano passado, a água que abastece os batalhões tem alta concentração de cloro. Irrita peles sensíveis e deixa os fios de cabelo secos. De qualquer forma, a vida delas é confortável num país onde cerca de 300 mil pessoas vivem em barracas nos campos de refugiados, depois de terem perdido a casa no terremoto. A população do país é de 10 milhões e de Porto Príncipe, 3 milhões. Mesmo casas de alvenaria da capital haitiana não têm energia elétrica nem água encanada. Não é difícil encontrar mulheres e crianças nuas nas ruas. Elas tomam banhos em poças de água, nos rios enlameados e até mesmo nos esgotos.


Durante o expediente, as militares vestem farda. Não podem pintar as unhas de vermelho nem cores escuras e, se têm os cabelos compridos, devem amarrá-los em um coque. Nos momentos de descanso, não podem usar decotes, saias nem shorts curtos. Quando saem da base, costumam vestir um colete à prova de balas de 12 quilos sobre a farda, capacete azul — símbolo das forças de paz da ONU —, cotoveleiras e joelheiras. Elas vestem o conjunto, apelidado de “tudão”, sob o calor de 40 graus.


As haitianas também suportam muito peso. É comum vê-las buscando água em poços artesianos espalhados por Porto Príncipe. Elas caminham pelas ruas empoeiradas e imundas — não há coleta organizada de lixo — com a lata de água equilibrada na cabeça, o corpo esguio, as mãos livres. A cadência do quadril garante que o balde chegue cheio em casa. Crianças, mesmo as que estão aprendendo a andar, carregam garrafas d’água nas mãos, ajudando suas mães.


Na cultura haitiana, as mulheres e crianças são menos importantes do que os homens. Quando uma família tem pouca comida, o primeiro a comer é o pai, depois a mãe, o filho mais velho. O caçula é o último. O estupro só virou crime no país em 2005. As agressões feitas por maridos ciumentos são, muitas vezes, tomadas como demonstrações de amor. Funcionários da precária delegacia da mulher de Porto Príncipe, em Bel Air, um dos bairros mais pobres da capital, dizem receber cerca de cinco reclamações diárias de mulheres que apanham dos companheiros. A delegacia funciona em uma barraca dentro do Forte Nacional, ocupado pelas tropas brasileiras. A mesa do delegado fica embaixo de uma árvore. Hostis, os policiais bufavam durante a entrevista e não responderam sobre a frequencia com que esse tipo de violência é punido.


Pedradas e garrafadas são as agressões mais comuns contra mulheres. Em uma ação do Exército, a dentista gaúcha Ana Anhalt, 39 anos, atendeu uma mulher que foi apedrejada pelo marido. “Era uma menina de uns 20 anos. Os lábios estavam cortados e ela perdeu os dentes da frente. Chorava muito.”


Os militares brasileiros só andam escoltados pela cidade. Por conta da proteção das espingardas calibre 12 dos soldados, carregadas de balas de borracha, as brasileiras não estão tão sujeitas à violência. “Mas um dia eu estava participando de uma corrida de rua e um menino de uns 10 anos passou a mão na minha bunda. Isso mostra como eles veem as mulheres”, afirma Ana. Dentro da base, o namoro entre militares é proibido. “Os homens do Exército sempre nos respeitaram. Nunca tivemos problemas de assédio”, diz a dentista.


Ela conta que a presença das mulheres na tropa era motivo de preocupação do seu chefe. “Não podíamos conversar por muito tempo com um homem que o subcomandante achava que estávamos tendo alguma coisa”, afirma. “Nunca aconteceu nada. Éramos poucas e estávamos em evidência o tempo todo.” Num ambiente predominantemente masculino, onde a novela foi substituída pelas lutas de vale-tudo na televisão, as mulheres não passam despercebidas.


A obstetra fluminense Daniella Gil, 35 anos, voltou do Haiti no ano passado. Ela chegou a Porto Príncipe em maio de 2009. A volta para o Brasil estava prevista para o fim de janeiro de 2010. No dia 12 de dezembro daquele ano, às 17 horas, ela estava digitando planilhas no computador do ambulatório quando ouviu um estrondo e sentiu o contêiner onde estava tremer. Seringas, remédios, gazes e saquinhos de soro caíram no chão. “Achei que um caminhão tivesse batido no contêiner. Não imaginei que fosse grave.” Na sequência, começou a ouvir os gritos de desespero que vinham de fora da base militar. Pedidos de socorro, uivos de dor, choro. Ela correu para o pátio onde os militares se reuniram. “Foi quando soube que aquilo era um terremoto. Fiquei perplexa, um pouco assustada, mas não tinha a dimensão da tragédia.”


Enquanto os militares brasileiros se reuniam no pátio para coordenar um plano de ação, centenas de haitianos machucados entraram na base em busca de ajuda. “Os negros estavam brancos por causa da poeira e do cal. Pais chegavam com filhos mortos nos braços. Quando dei a notícia ao pai de uma menina de 4 anos que a filha dele não podia ser reanimada, começou a gritar que ia nos matar. Logo, caiu em si e em prantos. Não tive tempo de deixar a emoção extravasar. Havia muita gente machucada precisando de atendimento. Foi assim durante toda a noite. Até hoje lembro o desespero de um policial haitiano que trabalhava conosco e que perdeu a famí¬lia toda naquele momento.”


Algumas horas depois do terremoto, chegou à base militar uma grávida prestes a parir. O pai da criança era um pastor que morava nas redondezas do batalhão. A obstetra fez o parto em meio à confusão. Nasceu uma menina. Os pais decidiram dar o nome do bebê de Daniella, em agradecimento à médica. Naquela mesma noite, a médica Daniella fez mais dois partos. Outra recém-nascida ganhou o seu nome. “Passei a noite trabalhando, a terra ainda tremia. Dormi algumas horas pela manhã, acordei e voltei a atender. Durante os três dias que se seguiram ao terremoto, só dei umas cochiladas.”


Num momento de descanso, Daniella mandou um e-mail para amigos e parentes contando os detalhes do que estava vivendo (leia o texto). O e-mail caiu nas mãos de uma professora de medicina do Rio Grande do Sul, que leu o texto para os alunos na sala de aula, como um exemplo da causa maior da medicina. Daniella ficou um mês além do previsto no Haiti. “Quando voltei, fiquei semanas calada, introspectiva, tentando entender o que vivi. Até hoje me emociono quando lembro da solidariedade de militares e civis que nunca tiveram nenhum preparo para lidar com feridos ou mortos e nos ajudaram porque éramos poucos médicos diante da catástrofe.” Quando soube que Marie Claire iria ao Haiti, Daniella mandou um presente para a sua pequena xará, a menina de quem fez o parto no dia do terremoto. Como no Haiti muitas ruas não têm nome e muitas pessoas não têm RG, não conseguimos localizar a Daniella hatiana.
 
http://codinomeinformante.blogspot.com/2011/11/elas-levam-paz.html 

"Melhor em Casa" e "SOS Emergências" representam mudança de atitude em relação à saúde pública, diz presidenta em pronunciamento

Em pronunciamento transmitido hoje (8) em rede nacional de rádio e televisão, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que os programas Melhor em Casa e SOS Emergências representam uma nova atitude do governo federal, estados e municípios em favor de uma saúde pública de mais qualidade no Brasil. Ao propor um pacto republicano para melhorar a gestão e qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), a presidenta afirmou que, da parte do governo federal, essa parceria significa uma lição de humildade e coragem. 
 
“Humildade para reconhecer que a situação da saúde pública não está boa e precisa melhorar. Coragem, porque estamos atraindo para nós a responsabilidade de liderar esse processo”, disse a presidenta.
Segundo ela, os dois programas são importantes e de implantação complexa, que demanda tempo, dedicação e recursos. O Melhor em Casa, explicou Dilma Rousseff no pronunciamento, vai ampliar o atendimento domiciliar às pessoas com necessidade de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação pós-cirúrgica, por exemplo. Elas terão assistência multiprofissional gratuita em seus lares, com cuidados mais próximos da família.

Já o SOS Emergências prevê medidas para melhorar a gestão e o atendimento nas emergências de 11 grandes hospitais do SUS, mas a meta é alcançar, até 2014, os prontos-socorros de 40 hospitais.
“Não vão resolver da noite para o dia todos os problemas do atendimento médico, mas irão contribuir para dar um tratamento mais digno e mais humano aos usuários da rede pública de saúde.”
A presidenta Dilma acrescentou ainda que, por meio do SOS Emergências, o governo pretende intervir de forma gradativa, porém decisiva onde muitos governos evitam assumir a responsabilidade direta: a emergência dos grandes hospitais públicos.
“Já ouvi de algumas pessoas que seria como enxugar gelo, pois se trata um esforço de 24 horas por dia que pode ser prejudicado por um único erro. Para nós é mesmo necessário um esforço de 24 horas e cada erro será mais um motivo de superação”, disse. “A orientação clara é fazer mais com o que temos e não ficarmos de braços cruzados esperando que os recursos caiam do céu.”
  Materia copiada: http://blog.planalto.gov.br/melhor-em-casa-e-sos-emergencias-representam-mudanca-de-atitude-em-relacao-a-saude-publica-diz-presidenta-em-pronunciamento/

MIDIA. Queda do ministro serve de alerta

Queda do ministro serve de alerta 



Como o império Murdoch, hoje investigado por seus subornos e escutas ilegais, a mídia nativa é criminosa, mafiosa, sádica e abjeta. Ela manipula informações e deforma comportamentos.

 


- Por Altamiro Borges

O lamentável episódio da queda do ministro Orlando Silva deveria servir de alerta às forças democráticas da sociedade brasileira – que lutaram contra as torturas e assassinatos na ditadura militar e que, hoje, precisam encarar como estratégica a luta contra a ditadura midiática, em defesa da verdadeira liberdade de expressão e da efetiva ampliação da democracia no Brasil.


A mídia hegemônica hoje tem um poder tão descomunal que ela “investiga”, sempre de forma seletiva (blindando seus capachos); tortura (seviciando, inclusive, as famílias das vítimas); usa testemunhas “bandidas” (como um policial preso por corrupção, enriquecimento ilícito e suspeito de assassinato); julga (sem dar espaço aos “acusados”); condena (como nos tribunais nazistas); e fuzila!


Um pragmatismo covarde e suicida


Ninguém está imune ao poder ditatorial da mídia, controlada por sete famílias – Marinho (Globo), Macedo (Record), Saad (Band), Abravanel (SBT), Civita (Abril), Frias (Folha) e Mesquita (Estadão). Como o império Murdoch, hoje investigado por seus subornos e escutas ilegais, a mídia nativa é criminosa, mafiosa, sádica e abjeta. Ela manipula informações e deforma comportamentos.


Não dá mais para aceitar passivamente seu poder altamente concentrado, que, como disse o governador Tarso Genro – pena que não tenha agido com esta visão quando ministro da Justiça –, ruma para um “fascismo pós-moderno”. Essa ditadura amedronta e acovarda políticos sem vértebra, pauta a agenda política, difunde os dogmas do “deus-mercado” e criminaliza as lutas sociais.


Três desafios diante da ditadura midiática


Esta ditadura é cruel, sem qualquer escrúpulo ou compaixão. Ela utiliza seus jagunços bem pagos, sob o invólucro de “colunista” e “comentaristas”, para fazer o trabalho sujo. Muitos são agentes do “deus-mercado”, lucram com seus negócios rentistas; outros são adeptos da “massa cheirosa”, das elites arrogantes e burras. Eles fingem ser “neutros”, mas são adoradores da direita fascistóide.


Enquanto não se enfrentar esta ditadura midiática, não haverá avanços na democracia brasileira, na luta dos trabalhadores ou na superação das barbáries capitalistas. Neste enfrentamento, três desafios estão colocados:


1- Não ter qualquer ilusão com a mídia hegemônica; chega de babaquice e servilismo diante da chamada “grande imprensa”;


2- Investir em instrumentos próprios de comunicação. A luta de idéias não é “gasto”, é investimento estratégico;


3- Lutar pela regulação da mídia e por políticas públicas na comunicação, que coíbam o poder fascista do império midiático.


Chega de covardia diante dos fascistas midiáticos


O criminoso episódio da tentativa de invasão do apartamento do ex-ministro José Dirceu num hotel em Brasília parece que serviu de sinal de alerta ao PT. Em seu encontro nacional, o partido aprovou a urgência de um novo marco regulatório da comunicação. Um seminário está previsto para final de novembro. Já no caso da queda Orlando Silva, o clima é de total indignação e revolta.


Que estes trágicos casos sirvam para mostrar que, de fato, a luta pela democratização da comunicação é uma questão estratégica. Não dá mais para se acovardar diante da ditadura da mídia. O governo Dilma precisa ficar esperto. Hoje são ministros depostos; amanhã será o sangramento e a derrota da própria presidenta e do seu projeto, moderado, de mudanças no Brasil.


Superar a choradeira e a defensiva


A esquerda política e social precisa rapidamente definir um plano de ação unitário de enfrentamento à ditadura midiática. As centrais sindicais e os movimentos populares, tão criminalizados em suas lutas, precisam sair da defensiva e da choradeira. Os partidos progressistas também precisam superar seu pragmatismo acovardado. A conjuntura exige respostas altivas e corajosas!


É urgente pressionar o governo Dilma Rousseff, pautado e refém da mídia, a mudar de atitude. Do contrário, não sobrará que defenda a continuidade deste projeto, moderado, de mudanças no Brasil. A direita retornará ao poder, alavancada pela mídia! Aécio Neves, o chefe de censura em Minas Gerais, será presidente! E ACM Neto, o herói da degola de Orlando Silva, será o chefe da Casa Civil! 
 



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Estudantes denunciam “intervenção militar” no campus


Nota à imprensa do CAF (Centro Acadêmico da Filosofia) e CEUPES (Centro Universitário de Pesquisas e Estudos Sociais – Centro Acadêmico de Ciências Sociais).

Na madrugada do dia 8 de novembro de 2011, a Polícia Militar entrou novamente no campus da Universidade de São Paulo e realizou a reintegração de posse do prédio da reitoria, ocupado por estudantes desde o dia primeiro de novembro.

A operação começou com o cerco da área da reitoria e do perímetro da moradia estudantil (CRUSP). Entre quatro e cinco da manhã, os moradores acordaram com o som e as luzes dos helicópteros. A partir desse momento, aqueles que tentaram sair foram impedidos por cordões de isolamento e bombas de gás lacrimogêneo.

Em regime de exceção, os alunos foram sitiados em suas próprias moradias e tiveram seu direito de ir e vir suspenso. Alunos foram então impedidos de ir às aulas, e aqueles que trabalham sequer puderam dirigir-se ao ponto de ônibus.

Ao mesmo tempo, efetivos da PM, Tropas de Choque, GATE, GOE e Cavalaria, fortemente armados e auxiliados por helicópteros, entraram na reitoria e prenderam cerca de 70 alunos que foram deslocados para a 91a delegacia de polícia na Vila Leopoldina. Esses estudantes poderão responder por três crimes: desobediência à ordem judicial, crime ambiental e depredação do patrimônio público. Aventa-se ainda a possibilidade de enquadrá-los por formação de quadrilha.

Os procedimentos da reintegração foram feitos sem a presença de nenhuma autoridade da universidade, a despeito da formação de uma comissão de professores da Associação dos Docentes da USP (Adusp) responsável pelo acompanhamento da reintegração de posse, de modo que informações sobre danos, presença de objetos suspeitos, atos de vandalismo e abuso de poder não puderam ser averiguados.

Parte dos efetivos da tropa de choque ainda permanece em frente à reitoria. Outras unidades seguem rondando e vigiando o campus.

O número ostensivo de policiais e o uso da violência face ao número de estudantes que participavam da ocupação é desproporcional ao uso habitual de força em outras reintegrações relacionadas ao movimento estudantil, e constitui evento inédito no interior da Universidade.

Porém, é importante sublinhar que se trata de um procedimento comum da polícia em relação a movimentos sociais, revelando a incapacidade do Estado para abrir vias de reconhecimento de demandas sociais. A USP não constitui uma exceção à regra.

No âmbito da USP, esta intervenção militar assume um sentido ainda mais grave porque se soma a outras medidas repressivas, notadamente as perseguições políticas que vêm ocorrendo nos últimos anos. No momento, mais de 40 estudantes estão sendo ameaçados de expulsão definitiva da Universidade com base em um regimento disciplinar de 1972, escrito pelo ex-reitor da USP Luiz Antônio da Gama e Silva, também autor do Ato Inconstitucional Nº 5.

À luz desses acontecimentos, perguntamos: qual o real intuito de fazer tamanho uso de força policial para intermediar conflitos políticos dentro de uma instituição que tem como princípio a troca e produção de conhecimentos e o diálogo?

Materia copiada: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/reintegracao-de-posse-da-reitoria-da-usp-nota-a-imprensa.html

Perspectivas do jornalismo e as redes sociais

PLANETA DIGITAL

Perspectivas do jornalismo e as redes sociais

Por Antonio S. Silva em 08/11/2011 na edição 667

Na contemporaneidade, pensar a comunicação social é analisar a importância das redes de computadores que integram as comunidades, numa relação global. Não se trata de desclassificar ou desconsiderar a mídia tradicional, entendendo-a como sem importância para o futuro – ou o fim do jornal impresso, como alguns apregoam, ou mesmo do jornalismo como o conhecemos nos tempos atuais. Entretanto, surge um agente que vai se ampliando em diferentes países, com mais ou menos intensidade. Assim, pode-se dizer que há um grande volume de informações, impensado anteriormente, disponível para grande parte da sociedade, a qual, há bem pouco tempo, não podia acessar os meios para o conhecimento dos fatos cotidianos. Em grande proporção, o jornalismo se espalha pelos diversos veículos, tornando os cidadãos sem lugar, locais ou de todos os lugares (globalizados). Dito isso, surgem questões inevitáveis: haverá algum tipo de mudança no comportamento da sociedade? A comunicação mudará, descentralizando as hierarquias sociais?

Não há dúvida quanto à modificação global no negócio de jornalismo, pois nos principais centros econômicos, substancialmente nos Estados Unidos e países europeus, houve queda no faturamento na última década – conforme noticiado pelos próprios jornais –, e cada vez mais acessos à internet, o que implica ainda se informar também através dos tradicionais meios de comunicação, mas em grande parte sem a necessidade de pagar pela informação, sempre disponível na rede. A busca pela forma de se estabelecer no mercado passa a ser uma atividade diária das mídias comerciais, especialmente o jornal impresso, que atinge um público mais informado e com poder aquisitivo. Certamente, deverá continuar a ser atendido pela atividade jornalística, indispensável no mundo moderno, sem abrir mão da confiabilidade. Além do mais, no Brasil, como exemplo, o jornal obteve aumento de circulação nos últimos anos, mesmo considerando as novas mídias.

Participação, contestação e soluções
Resta ainda entender, no meio de tanta informação, o que implicam estas mudanças da comunicação na sociedade moderna. A rigor, a democracia está em relação com os meios e a informação. Sem dúvida, o próprio jornalista está nesta conversão, pois como os fatos não se narram, se faz necessário um mediador. Entretanto, torna-se indispensável saber qual será o seu perfil diante das novas tecnologias, que permitem a um não-jornalista propagar mensagens informativas, gerando conhecimento para outras pessoas em diversos lugares – sobremaneira, para a comunidade.

Desta forma, a relação jornalista e fontes de informação muda substancialmente, devendo ser considerado permanentemente o homem no seu cotidiano e suas necessidades enquanto agente social. Logo, vão se tornando comuns os vários movimentos que se ampliam em diversos países, como se vê hoje na região do Oriente Médio, norte da África, Europa, Estados Unidos e América Latina; nações que passam a ser agendadas pelas mídias globais.

Nesta interação entre jornalista e “pessoas comuns” em rede, amplia-se a quantidade de informação, transformando potencialmente todos em produtores de conhecimento, o que tem reflexo na política, seja partidária ou social. A visibilidade dos líderes políticos ganha o espaço público, as transações econômicas se inserem no debate em diferentes plataformas de comunicação. As denúncias vão se tornando comuns para movimentos que se propagam nos mais importantes programas noticiosos locais e internacionais. Em resumo, as novas tecnologias tornam a sociedade cada vez mais complexa em um espaço de participação, contestação e soluções.

***
[Antonio S. Silva é jornalista, mestre em Comunicação pela PUC/SP, doutorando pela UnB e professor]

Materia copiada: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_perspectivas_do_jornalismo_e_as_redes_sociais

Ministra do TST é indicada por Dilma para vaga no STF.

Diogo Alcântara 
 
Direto de Brasília.
A presidente Dilma Rousseff (PT) assinou nesta segunda-feira a indicação da ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Rosa Maria Weber Candiota da Rosa como ministra do Supremo Tribunal Federal (STF). A jurista, que tem uma carreira focada na legislação trabalhista, ocupará a cadeira vaga após a aposentadoria de Ellen Gracie, oficializada em agosto. A indicação deve ser enviada amanhã ao Senado, onde será sabatinada.

A chegada dela ao Supremo também significará que a Corte terá composição completa, com 11 ministros. A praxe do Senado é de votar favoravelmente às indicações. A jurista é natural de Porto Alegre (RS), onde graduou-se na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Inspetora do Trabalho do Ministério do Trabalho de 1975 a 1976, ela ingressou na magistratura trabalhista em 1976, como juíza substituta, e em 1981 foi promovida por merecimento ao cargo de juíza presidente.

Com diversas convocações para atuar na segunda instância desde 1986, foi promovida por merecimento em 1991 ao cargo de juíza togada do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 4ª Região, sendo presidente do Tribunal no biênio 2001-2003. Ela também deu aulas na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e em 2004 começou a atuar no Tribunal Superior do Trabalho. Em 2006, tomou posse no cargo de ministra do TST.

Presidente do TST elogia escolha
Para o presidente do TST, João Oreste Dalazen, a escolha da ministra Rosa Maria Weber foi "uma feliz indicação" da presidente Dilma Rousseff. "O Supremo ganha uma magistrada exemplar, de sólida e rica formação jurídica e humanística", disse Dalazen, que ainda classificou a ministra como "sensível, prudente e percuciente". "Ela certamente dará um excelente contributo à edificação da jurisprudência da Suprema Corte", completou.

Ministro do Trabalho apóia indicação
O ministro do STF Marco Aurélio Mello disse hoje que a escolha de Rosa Maria Weber para o Tribunal será um importante passo para fortalecer a Justiça do Trabalho. O ministro é o único integrante do STF que também veio dessa área. Ele começou a carreira como procurador do Trabalho e chegou ao Supremo em 1990, vindo do TST, mesma corte de origem da nova ministra.

"É uma satisfação porque, em primeiro lugar, não serei eu o único oriundo da Justiça do Trabalho, o que é muito bom e fortalece a Justiça do Trabalho, que é responsável pela paz social no conflito entre trabalhador e empregador", disse Marco Aurélio, ao comentar a escolha. Ele também destacou o fato de a ministra ser juíza de carreira "com folha de bons serviços prestados".

Com informações da Reuters e Agência Brasil

Matéria Copiada: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI5459462-EI306,00-Ministra+do+TST+e+indicada+por+Dilma+para+vaga+no+STF.html

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Proposta estabelece competência exclusiva para ensinar sociologia

Chico Alencar

Luiz Cruvinel
 
Alencar: o professor de sociologia não pode ser outro senão o próprio sociólogo.
 
A Câmara analisa o Projeto de Lei 1446/11, do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que estabelece a competência exclusiva para o ensino da Sociologia aos licenciados em Sociologia, Sociologia Política ou Ciências Sociais.

A proposta altera a Lei 6.888/80, que dispõe sobre a profissão de sociólogo.

Segundo o autor do projeto, como a lei não previu exclusividade para o sociólogo no ensino da disciplina, outros profissionais tem tomado esse espaço tanto no ensino médio como no superior.

“Por possuir uma formação mínima de quatro anos dedicados às Ciências Sociais, o professor mais adequado para o ensino da Sociologia não pode ser outro senão o próprio sociólogo”, afirmou Alencar. De acordo com ele, a proposta quer assegurar a qualidade das disciplinas de Sociologia.

Tramitação
A proposta será analisada conclusivamente pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Projeto de Lei de igual teor (4781/09) do ex-deputado Mario Heringer, tramitou apensado ao Projeto de Lei 4780/09. Ambos foram aprovados pela Comissão de Educação e Cultura antes de serem arquivados ao final da legislatura.


http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/204947-PROPOSTA-ESTABELECE-COMPETENCIA-EXCLUSIVA-PARA-ENSINAR-SOCIOLOGIA.html