sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Eleições 2012. STF declara constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa.

Débora Zampier - Repórter da Agência Brasil.
 
Brasília – O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou hoje (16) a constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, que valerá para as eleições deste ano. O placar final foi 7 votos a 4 para uma das principais inovações trazidas pela lei – a inelegibilidade a partir de decisão por órgão colegiado. No entanto, como a lei traz várias inovações, o placar não foi o mesmo para todos os pontos que acabaram mantidos pela maioria.

O resultado foi proclamado depois de quase 11 horas de julgamento entre ontem e hoje. Celso de Mello e Cezar Peluso foram os últimos ministros a votar. Eles reafirmaram posição por uma interpretação mais restrita da lei. Um dos principais pontos atacados por ambos foi a aplicação da Lei da Ficha Limpa a casos que ocorreram antes que a lei foi criada. “A lei foi feita para reger comportamentos futuros. Como ela está, é um confisco de cidadania”, disse Peluso.

Os ministros que votaram a favor da integralidade da lei foram Joaquim Barbosa, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Carlos Ayres Britto. Os outros ministros da Corte foram mais ou menos resistentes à lei de acordo com a questão levantada. Antonio Dias Toffoli, por exemplo, só foi contra a regra que dá inelegibilidade por condenação criminal de órgão colegiado, aceitando todo o resto da lei.

O julgamento de hoje dá a palavra final do STF sobre a polêmica criada assim que a Lei da Ficha Limpa entrou em vigor, em junho de 2010. O Supremo já havia debatido a norma em outras ocasiões, mas apenas em questões pontuais de cada candidato. Agora todos os pontos foram analisados com a Corte completa.

Confira os principais pontos definidos no julgamento e como os ministros se posicionaram:
 
O que o STF decidiu
Placar
Votos contra
A Lei da Ficha Limpa pode atingir fatos que ocorreram antes que ela entrasse em vigor.

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Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Cezar Peluso.
A condenação criminal por órgão colegiado é suficiente para deixar alguém inelegível por oito anos.

7x4    
Antonio Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Peluso.
Para os condenados, a inelegibilidade de oito anos deve começar a ser contada somente após o cumprimento da pena.

6x5     
Luiz Fux, Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Cezar Peluso.
A exclusão de registro profissional por órgão competente, como a OAB e o CFM, motivada por infração ético-profissional, é suficiente para deixar a pessoa inelegível.

9x2      
Gilmar Mendes e Cezar Peluso.  (Antonio Dias Toffoli e Celso de Mello entenderam que a regra é válida, mas que é preciso esgotar os recursos cabíveis).
Ficam inelegíveis políticos que tiveram contas relativas a cargo público rejeitadas.

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(Alguns ministros fizeram observações que não mudariam a ideia principal do texto).
Quem renunciar para escapar de possível cassação fica inelegível
11x0     
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Edição: Aécio Amado
 
Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-02-16/stf-declara-constitucionalidade-da-lei-da-ficha-limpa.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

UFMA: Fraude. Professor é intimado a depor.


O professor Wildoberto Gurgel, o Ayala Gurgel, foi intimado, na tarde da última segunda-feira (13), a depor na Comissão Permanente de Sindicância que investiga as denúncias de fraudes no lançamento de notas nos cursos de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
 
A intimação, assinada pela presidente da Comissão, professora Mônica Teresa Costa Sousa (veja documento acima), determina o dia 23 de fevereiro, às 15h, como data para que o professor preste o depoimento, no gabinete da Pró-Reitoria de Recursos Humanos da UFMA.

Na oitiva, Ayala Gurgel vai tratar, ainda, sobre o suposto plágio em tese de doutorado de uma professora da instituição.

FONTE:http://gilbertoleda.com.br/

Motorista é o fim da Profissão? Empresa automobilística Belaz propõe-se produzir caminhões-robôs.


© ru.wikipedia.org/ Redline / cc-by-sa 3.0
A empresa bielorrussa Belaz declara-se prestes a produzir em série caminhões basculantes não tripulados, informam fontes locais, confirmando terem sido fabricadas primeiras amostras que, conforme referem, quase não se distinguem de modelos normais. Só que a cabine não tem assento de condutor, cabendo ao controlador efetuar a direção à distância.

Convém lembrar que a Belaz se especializa em produção de maiores, quanto à dimensão, caminhões do mundo. Existem planos de proceder em breve ao fabrico de um carro com 360 toneladas de peso. 

Os caminhões bielo-russos estão a ser utilizados em várias regiões – desde as zonas transpolares aos desertos asiáticos, normalmente, em condições que o homem dificilmente pode suportar. 

Se os engenheiros resolverem o principal problema, isto é, o de transmissão da telemetria à distância, então as primeiras viaturas-robôs serão postas à venda já em finais do ano corrente, marcando assim uma autêntica reviravolta no setor de automóveis.

Fonte: http://portuguese.ruvr.ru/2012/02/15/66100878.html

Eleições 2012. Planalto longe das eleições.

Planalto longe das eleições
15 Fev 2012

Dilma avisa a aliados que não vai permitir uso da máquina administrativa e que não deve participar diretamente do pleito municipal de outubro

PAULO DE TARSO LYRA

JULIANA BRAGA

A presidente Dilma Rousseff passou dois recados à base aliada durante a primeira reunião do Conselho Político em 2012. O primeiro é que não quer saber de ministros políticos utilizando as estruturas dos ministérios para beneficiar candidatos nas eleições municipais. O segundo, de que não vai participar diretamente do pleito, nem subir em palanques onde houver mais de um candidato da base aliada do governo. Ela já tinha dado esse recado durante viagem ao Rio Grande do Sul no fim do ano passado. Mas o encontro de ontem no Palácio do Planalto tinha um público mais seleto: os líderes e presidentes de todos os partidos que compõem a base de sustentação do governo.

A cautela dupla se deve ao fato de pelo menos três ministros terem caído em 2011 sob a acusação de que seus titulares estavam aproveitando a máquina em benefício próprio: Alfredo Nascimento (Transportes), do PR; Orlando Silva (Esportes), do PCdoB; e Carlos Lupi (Trabalho), do PDT. Curiosamente, foi o próprio Lupi — em seu primeiro encontro com a presidente após a exoneração do Ministério — um dos porta-vozes desse recado presidencial ao término da reunião. "No final, ela deu o recado para todos de que as eleições não podem dividir a base aliada e que não permitirá que a máquina seja usada para beneficiar qualquer partido", relatou o ex-presidente do Trabalho.

Para o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), a decisão da presidente Dilma é fundamental para evitar a corrosão da base aliada em um ano eleitoral. "Ao afirmar que não vai se envolver em locais onde há mais de um candidato, ela impede crise antes de outubro e o choro dos derrotados que voltarem das urnas", disse ele.

Dilma também procurou amainar outra crise com os aliados. Nas últimas semanas, todos os partidos reclamaram das mudanças no segundo escalão do governo federal. As canetadas de Dilma têm sido impiedosas com a base, sem poupar ninguém. O PT perdeu a Presidência da Petrobras, o PTB foi desalojado da Conab, o PMDB viu escorrer o Dnocs e assim por diante. "Eu queria dizer a vocês que esse mix de tecnicismo e política é fundamental para a sobrevivência do governo", disse a presidente.

Depois de serem desalojados da Esplanada dos Ministérios, PDT e PR ainda aproveitaram o encontro para manter conversas sobre a possibilidade de assumirem pastas. Os pedetistas almejam voltar ao Trabalho (Leia matéria ao lado). Já o PR pressiona para retomar os Transportes. As conversas têm sido mantidas com a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Outro recado de Dilma foi para os atuais titulares dos ministérios. Ela frisou que vai cobrar o aumento na eficiência da máquina pública federal.

Com relação às expectativas para o ano Legislativo, a ministra Ideli Salvatti reforçou que pretende focar no primeiro semestre a votação de temas importantes para o governo, como a distribuição dos royalties do pré-sal, o Código Florestal e a Lei Geral da Copa. Ao término do encontro, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), brincou: "Ministro Mantega, o senhor não falou nada dos cortes no orçamento. Podemos ir felizes para o carnaval?". Mantega respondeu: "O contingenciamento está sendo preparado, mas não há um número fechado". O Correio antecipou que esse valor deve ficar entre R$ 50 bilhões e R$ 55 bilhões.

 Fonte: http://www.exercito.gov.br/web/imprensa/resenha

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Justiça? Pará. O grileiro venceu, Lúcio Flávio Pinto terá de indenizar herdeiros.

da jornalista e historiadora Rose Silveira, por e-mail
Caros,

Em solidariedade ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, encaminho-lhes a Nota ao Público que ele divulgou há pouco assumindo a decisão de não recorrer da sentença indenizatória que lhe foi imputada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará em 2006 e que agora, depois de o jornalista ter recurso especial negado pelo STJ, deverá ser executada. 

Amigos e leitores de Lúcio Flávio Pinto, que edita sozinho o Jornal Pessoal há 25 anos, decidiram apoiar a campanha de arrecadação de fundos para que Lúcio Flávio possa indenizar os herdeiros do empresário Cecílio do Rego Almeida, falecido em 2008 e que figurava no “Livro Branco” da grilagem de terras do Governo Federal. O empresário moveu ação contra Lúcio Flávio, quando este o denunciou no Jornal Pessoal. A indenização em 2006 era de R$ 8 mil, mas o valor atualizado só será conhecido quando o TJE-PA mandar executar a sentença.

Para quem quiser e puder colaborar, aqui vai a conta: Banco do Brasil, agência 3024-4, conta-poupança 22.108-2, em nome de Pedro Carlos de Faria Pinto, irmão do jornalista e administrador desse fundo.

Informações atualizadas sobre a questão podem ser acessadas na página “Pessoal do Lúcio Flávio Pinto”, no Facebook.
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NOTA AO PÚBLICO

CONTRA A INJUSTIÇA
No dia 7 o presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Ari Pargendler, decidiu negar seguimento ao recurso especial que interpus contra decisão da justiça do Pará. Nos dois graus de jurisdição (no juízo singular e no tribunal), o judiciário paraense me condenou a indenizar o empresário Cecílio do Rego Almeida por dano moral.

O dono da Construtora C. R. Almeida, uma das maiores empreiteiras do país, se disse ofendido porque o chamei de “pirata fundiário”, embora ele tenha se apossado de uma área de quase cinco milhões de hectares no vale do rio Xingu, no Pará. A justiça federal de 1ª instância anulou os registros imobiliários dessas terras, por pertencerem ao patrimônio público.

O presidente do STJ não recebeu meu recurso “em razão da deficiente formação do instrumento; falta cópia do inteiro teor do acórdão recorrido, do inteiro teor do acórdão proferido nos embargos de declaração e do comprovante de pagamento das custas do recurso especial e do porte de remessa e retorno dos autos”. Ou seja: o agravo de instrumento não foi recebido na instância superior por falhas formais na juntada dos documentos que teriam que acompanhar o recurso especial.

O despacho foi publicado no Diário Oficial eletrônico do STJ no dia 13. A partir daí eu teria prazo de 15 dias para entrar com um recurso contra o ato do ministro. Ou então através de uma ação rescisória. O artigo 458 do Código de Processo Civil a prevê nos seguintes casos:

“Se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; ofender a coisa julgada; violar literal disposição de lei; se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal, ou seja, provada na própria ação rescisória; depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável; houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa”.

Como o ministro do STJ negou seguimento ao agravo, a corte não pode apreciar o mérito do recurso especial. A única sentença de mérito foi a anterior, do Tribunal de Justiça do Estado, que confirmou minha condenação, imposta pelo juiz substituto (não o titular, portanto, que exerceu a jurisdição por um único dia) de uma das varas cíveis do fórum de Belém. Com a ação, o processo seria reapreciado.

Advogados que consultei me recomendaram esse caminho, muito trilhado em tais circunstâncias. Mas eu teria que me submeter outra vez a um tribunal no qual não tenho mais fé alguma. É certo que nele labutam magistrados e funcionários honestos, sérios e competentes. Também é fato que alguns dos magistrados que agiram de má fé contra mim já foram aposentados, com direito a um fare niente bem remunerado – e ao qual não fizeram jus.

Mas também é verdade que, na linha de frente e agindo poderosamente nos bastidores, um grupo de personagens (para não reduzi-lo a uma única figura fundamental) continua disposto a manter a condenação, alcançada a tanto custo, depois de uma resistência extensa e intensa da minha parte.

Esse grupo (e, sobretudo, esse líder) tem conseguido se impor aos demais de várias maneiras, ora pela concessão de prêmios e privilégios ora pela pressão e coação. Seu objetivo é me destruir. Tive a audácia de contrariar seus propósitos e denunciar algumas de suas manobras, como continuo a fazer, inclusive na edição do meu Jornal Pessoal que irá amanhã às ruas.

A matéria de capa denuncia a promoção ao desembargo de uma juíza, Vera Souza, que, com o concurso de uma já desembargadora, Marneide Merabet, ia possibilitar que uma quadrilha de fraudadores roubasse 2,3 bilhões de reais da agência central de Belém do Banco do Brasil.

A mesma quadrilha tentou, sem sucesso, aplicar o golpe em Maceió, Florianópolis e Brasília. Foi rechaçada pelas justiças locais. Em Belém encontrou abrigo certo. Afinal, também não foi promovida ao topo da carreira uma juíza, Maria Edwiges de Miranda Lobato, que mandou soltar o maior traficante de drogas do Norte e Nordeste do país. O ato foi revisto, mas a polícia não conseguiu mais colocar as mãos no bandido e no seu guarda-costas. Punida com mera nota de censura reservada, a magistrada logo em seguida subiu ao tribunal.

Foi esse o tribunal que teve todas as oportunidades de reformar a iníqua, imoral e ilegal sentença dada contra mim por um juiz que só atuou na vara por um dia, só mandou buscar um processo (o meu), processo esse que não estava pronto para ser sentenciado (nem todo numerado se achava), levou os autos por sua casa no fim de semana e só o devolveu na terça-feira, sem se importar com o fato de que a titular da vara (que ainda apreciava a questão) havia retornado na véspera, deixando-o sem autoridade jurisdicional sobre o feito. Para camuflar a fraude, datou sua sentença, de quatro laudas, em um processo com mais de 400 folhas, com data retroativa à sexta-feira, quatro dias antes. Mas não pôde modificar o registro do computador, que comprovou a manobra.

De posse de todos os documentos atestando os fatos, pedi à Corregedoria de Justiça a instauração de inquérito contra o juiz Amílcar Bezerra. A relatora, desembargadora Carmencim Cavalcante, acolheu meu pedido. Mas seus pares do Conselho da Magistratura o rejeitaram. Eis um caso a fortalecer as razões da Corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, contra o corporativismo, que protege os bandidos de toga.

Apelei para o tribunal, com farta documentação negando a existência do ilícito, já que a grilagem de terras não só foi provada como o próprio judiciário paraense demitira, por justa causa, os serventuários de justiça que dela foram cúmplices no cartório de Altamira. O escândalo se tornara internacional e, por serem federais partes das terras usurpadas, o interesse da União deslocou o feito para a justiça federal, que acolheu as razões do Ministério Público Federal e anulou os registros fraudulentos no cartório de Altamira, decisão ainda pendente de recurso.

O grileiro morreu em maio de 2008. Nesse momento, vários dos meus recursos, que esgotavam os instrumentos de defesa do Código de Processo Civil, estavam sendo sucessivamente rejeitados. Mas ninguém se habilitou a substituir C. R. Almeida. Nem herdeiros nem sucessores. Sua advogada continuou a funcionar no processo, embora a morte do cliente cesse a vigência do contrato com o patrono. E assim se passaram dois anos sem qualquer manifestação de interesse pela causa por parte daqueles que podiam assumir o pólo ativo da ação, mas a desertaram.

A deserção foi reconhecida pelo juiz titular da 10ª vara criminal de Belém, onde o mesmo empreiteiro propusera uma ação penal contra mim, com base na extinta Lei de Imprensa. Passado o prazo regulamentar de 60 dias (e muitos outros 60 dias, até se completarem mais de dois anos), o juiz declarou minha inimputabilidade e extinguiu o processo, mandando-o para o seu destino: o arquivo (e, no futuro, a lata de lixo da história).

Na instância superior, os desembargadores se recusavam a reconhecer o direito, a verdade e a lei. Quando a apelação estava sendo apreciada e a votação estava empatada em um voto, a desembargadora Luzia Nadja do Nascimento a desempatou contra mim, selando a sorte desse recurso.

A magistrada não se considerou constrangida pelo fato de que seu marido, o procurador de justiça Santino Nascimento, ex-chefe do Ministério Público do Estado, quando secretário de segurança pública, mandou tropa da Polícia Militar dar cobertura a uma manobra de afirmação de posse do grileiro sobre a área cobiçada. A cobertura indevida foi desfeita depois que a Polícia Federal interveio, obrigando a PM a sair do local.

Pior foi a desembargadora Maria Rita Xavier. Seu comportamento nos autos se revelou tão tendencioso que argüi sua suspeição. Ao invés de decidir de imediato sobre a exceção, ela deu sumiço à minha peça, que passei a procurar em vão. Não a despachou, não suspendeu a instrução processual e não decidiu se era ou não suspeita. Ou melhor: decidiu pelos fatos, pois continuou impávida à frente do processo.

Meus recursos continuaram a ser indeferidos ou ignorados, quando alertava a relatora e os desembargadores aos quais meus recursos foram submetidos sobre a ausência do pólo ativo da ação e de poderes para a atuação da ex-procuradora do morto, que, sem esses poderes, contra-arrazoava os recursos.

Finalmente foi dado prazo para a habilitação, não cumprido. E dado novo prazo, que, afinal, contra a letra da lei, permitiu aos herdeiros de C. R. Almeida dar andamento ao processo (e manter o desejo de ficar com as terras) para obter minha condenação. Nesse martírio não lutei contra uma parte, mas contra duas, incluindo a que devia ser arbitral.

Voltar a ela, de novo? Mas com que crença? Quando, quase 20 anos atrás, me apresentei voluntariamente em cartório, sem esperar pela citação do oficial de justiça (gesto que causou perplexidade no fórum, mas que repeti outras vezes) para me defender da primeira das 33 ações sucessivamente propostas contra mim (19 delas pelos donos do maior conglomerado de comunicação da Amazônia, afiliado à Rede Globo de Televisão), eu acreditava na justiça do meu Estado.

Continuo a crer em muitos dos seus integrantes. Mas não na estrutura de poder que nela funciona, conivente com a espoliação do patrimônio público por particulares como o voraz pirata fundiário Cecílio do Rego Almeida.

Por isso, decidi não mais recorrer. Se fui submetido a um processo político, que visa me destruir, como personagem incômodo para esses bandidos de toga e as quadrilhas de assalto ao bem coletivo do Pará, vou reagir a partir de agora politicamente, nos corretos limites da verdade e da prova dos fatos, que sempre nortearam meu jornalismo em quase meio século de existência.

Declaro nesta nota suspeito o Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que não tem condições de me proporcionar o devido processo legal, com o contraditório e a ampla defesa, que a Constituição do Brasil me confere, e decide a revelia e contra os fatos.

Se o tribunal quer minha cabeça, ofereço-a não para que a jogue fora, mas para que, a partir dela, as pessoas de bem reajam a esse cancro que há muitos anos vem minando a confiabilidade, a eficácia e a honorabilidade das instituições públicas no Pará e na Amazônia.

O efeito dessa decisão é que, finalmente, para regozijo dos meus perseguidores, deixarei de ser réu primário. Num país em que fichas de pessoas se tornam imundas pelo assalto aos cofres do erário, mas são limpas a muito poder e dinheiro, serei ficha suja por defender o que temos de mais valioso em nosso país e em nossa região.

Como já há outra ação cível – também de indenização – em fase de execução, a perda da primariedade me causará imensos transtornos. Mas, como no poema hindu, se alguém tem que queimar para que se rompam as chamas, que eu me queime.

Não pretendo o papel de herói (pobre do país que precisa dele, disse Bertolt Brecht pela boca de Galileu Galilei). Sou apenas um jornalista. Por isso, preciso, mais do que nunca, do apoio das pessoas de bem. Primeiro para divulgar essas iniqüidades, que cerceiam o livre direito de informar e ser informado, facilitando o trabalho dos que manipulam a opinião pública conforme seus interesses escusos.

Em segundo lugar, para arcar com o custo da indenização. Infelizmente, no Pará, chamar o grileiro de grileiro é crime, passível de punição. Se o guardião da lei é conivente, temos que apelar para o samba no qual Chico Buarque grita: chame o ladrão, chame o ladrão.

Quem quiser me ajudar pode depositar qualquer quantia na conta 22.108-2 da agência 3024-4 do Banco do Brasil, em nome do meu querido irmão Pedro Carlos de Faria Pinto, que é administrador de empresas e fiscal tributário, e assim administrará esse fundo. Essa conta estava em vias de fechamento, mas agora servirá para que se arque com esse constrangedor ônus de indenizar quem nos pilha e nos empobrece, graças à justiça.

Farei outros comunicados conforme as necessidades da campanha que ora se inicia. Espero contar com sugestões, opiniões e avaliações de todos que a ela se incorporarem. Convido-os a esta tarefa difícil e desgastante de não se acomodar na busca de um mundo melhor para todos nós.

Belém (PA), 14 de fevereiro de 2012.

LÚCIO FLÁVIO PINTO

Editor do Jornal Pessoa

Fonte: http://www.viomundo.com.br/politica/o-grileiro-venceu-lucio-flavio-pinto-tera-de-indenizar-herdeiros.html

OEA repudia morte de jornalista no Rio, um dos dois que foram mortos em apenas quatro dias

Alex Rodrigues - Repórter Agência Brasil.
 
Brasília - Entidade autônoma de proteção e promoção dos direitos humanos nas Américas, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), condenou o assassinato do jornalista Mario Randolfo Marques Lopes e da mulher dele, Maria Aparecida Guimarães.

Lopes, de 50 anos, e Maria Aparecida, foram executados na madrugada da última quinta-feira (9), após serem levados da casa dela, no município de Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, por homens armados. Os corpos foram encontrados horas depois. Lopes era editor do site Vassouras Na Net, com sede na cidade de Vassouras (RJ). O jornalista se tornou conhecido ao criticar e denunciar supostas irregularidades as quais atribuía a servidores públicos da região. Segundo a comissão, Lopes já havia sofrido um primeiro ataque em julho de 2011, ocasião em que foi alvo de disparos de arma de fogo.

Na nota divulgada na noite de ontem (13), a Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH pede a autoridades brasileiras investigações “rápidas e diligentes”, a fim de esclarecer o motivo do crime, identificar e punir adequadamente os responsáveis, além de compensar de maneira justa os parentes das vítimas.

A entidade destaca que, de acordo com a Declaração de Princípios sobre a Liberdade de Expressão da CIDH, o assassinato, sequestro, a intimidação, ameaça aos comunicadores sociais e a destruição material dos meios de comunicação constituem violações aos direitos fundamentais das pessoas, como a liberdade de expressão.

A cobrança de medidas que possam prevenir casos semelhantes foi divulgada horas após a morte de outro jornalista, o segundo a ser morto em apenas quatro dias no Brasil. Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, de 51 anos, foi atacado por volta das 23h30 de domingo (12), em uma movimentada avenida do centro de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, a 326 quilômetros da capital Campo Grande, e separada por apenas uma rua do município paraguaio de Pedro Juan Caballero.

Conhecido como Paulo Rocaro, o jornalista foi ferido por dois motociclistas que dispararam 12 tiros contra o carro dele e fugiram sem levar nada. Atingido por ao menos cinco tiros, o jornalista não resistiu aos ferimentos e morreu por volta das 5h30 de ontem (13).

Além de fundador do site Mercosulnews, Rocaro era editor-chefe do Jornal da Praça, onde trabalhava há quase 30 anos. Documentos da Vara do Trabalho de Ponta Porã e da Justiça Federal, mostram que, pelo menos até recentemente, Fahd Jamil estava entre os acionistas do jornal. Conhecido como o Rei da Fronteira, em 2005, Jamil foi condenado a 20 anos de prisão por tráfico internacional de drogas. Desde então, ele está foragido, embora tenha sido inocentado da acusação em 2009. Em 2007, a 3ª Vara Federal Criminal de Campo Grande o condenou a 12 anos e seis meses de prisão por sonegação fiscal, pena depois revista para dez anos e seis meses.

O morte de Rocaro está sendo apurada pela 1ª Delegacia Policial de Ponta Porã. Ontem (13), o delegado Clemir Vieira Júnior disse à Agência Brasil que o crime tem características de ter sido encomendado, mas que, inicialmente, não via ligação com o fato de o jornal em que Rocaro trabalhava já ter pertencido a Jamil. Ainda assim, diz que nenhuma hipótese será descartada.

Rocaro também publicou três livros. Entre eles, um sobre a história do sindicalismo rural na área de fronteira com o Paraguai e outro, o de maior repercussão, A Tempestade, com denúncias sobre a atuação de grupos de extermínio na região. A polícia também não descarta a hipótese de o atentado estar relacionado à publicação.

Desde ontem, a reportagem tenta ouvir os responsáveis pelo site Mercosulnews e pelo Jornal da Praça, mas não houve retorno. A família de Rocaro preferiu não comentar o caso.

Edição: Talita Cavalcante

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-02-14/oea-repudia-morte-de-jornalista-no-rio-um-dos-dois-que-foram-mortos-em-apenas-quatro-dias

Políticos manifestam pesar pela morte do filho de Flávio Dino.

“Todo o PCdoB está comovido, sofrendo e indignado junto com Flávio Dino pela dor da perda de seu filho”, disse o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, sobre a morte do filho de 13 anos, Marcelo Dino, vítima de uma crise de asma. Os deputados se revezaram no microfone do Plenário da Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (14), para prestarem solidariedade e apoio ao ex-deputado e atual presidente da Embratur, Flávio Dino.

Segundo os parlamentares, o episódio, além a dor que provoca na família, incomoda a sociedade pelos questionamentos que gera sobre o atendimento médico na capital federal.O deputado João Ananias (PCdoB-CE), que é médico, questionou porque não foi evitado o óbito da criança. Segundo ele, além da dor imensa que causa à família, o fato incomoda a sociedade.
 
“Quero também manifestar minha inquietação e meu repúdio a fatos que vêm se repetindo em hospitais desta Capital, inclusive nos mesmos hospitais. Há menos de um mês morreu um funcionário do Ministério da Fazenda e agora um garoto de 13 anos, que dormiu na UTI por causa de uma crise de asma, no outro dia pela manhã tomou uma medicação, de repente começou a sentir-se mal e não foi socorrido. Não impediram que essa criança fosse a óbito?”, indagou Ananias.

Daniel Almeida (PCdoB-BA) também questionou o fato. “Um fato que exige explicação, é preciso investigar se houve erro”, disse, acrescentando que “o erro não repara a dor que queremos manifestar nesse momento. É difícil imaginar a dor que sente um pai ao perder um filho de 13 anos”.

O deputado Danilo Fortes (PMDB-CE) disse que já conhece as dificuldades de atendimento médico pediátrico na Capital Federal. E que a Câmara precisa se manifestar sobre o atendimento de saúde em Brasília. “Eu também tenho filho criança aqui em Brasília, e uma vez, num final de semana, precisei me socorrer de uma pediatria e vi o sofrimento que é para uma família poder ter um tratamento digno para uma criança na Capital da República”.

O presidente da Comissão de Turismo, deputado Jonas Donizete (PSB-SP) transmitiu as condolências ao Presidente da Embratur, Flávio Dino, que já foi deputado nesta Casa. Hoje Flávio Dino vive um dia muito duro: perdeu seu filho de 13 anos, Marcelo Dino, que, diante de uma crise de asma, foi levado ao hospital, mas não sobreviveu.

Os deputados José Airton (PT-CE), Dr. Aluízio (PV-RJ), Costa Ferreira (PSC-MA), entre vários outros, de todos os partidos, manifestaram solidariedade e apoio ao ex-deputado. “Toda a Casa se solidariza com a dor de Flávio Dino que ele carregará por toda a sua vida”, disse o deputado Dr. Aluízio. 
Fonte:http://erisantoscastro.blogspot.com/2012/02/parlamentares-se-revezam-ao-microfone.html