Rio - O pedido de
baixa da primeira oficial aviadora da FAB, está sendo entendido como
mais uma derrota dos soldos militares para os vencimentos pagos pelo
governo a servidores civis.
Supertreinada, ex-aluna do Colégio
Militar de Salvador, tenente Fabrícia Souza Aguiar Oliveira passou em
concurso para Controladoria Geral da União.
No novo emprego vai
ganhar como salário inicial R$12.960, quase o dobro do que recebe hoje
ou valor muito próximo ao que ganharia no topo da carreira.“Passa a impressão de
desilusão total com a aviação”, avalia uma fonte, repetindo o que a
Coluna ouviu durante a semana.
Como desilusão entende-se baixos
vencimentos somados a indefinições sobre o reaparelhamento (a compra de novos caças da FAB não tem data para ser concluída). Nem o reajuste de 9,2% previsto para março tem animado a tropa.
Hoje, acordei com uma ressaca de nossa terça feira de carnaval. Com a preocupação adicional de três resenhas de questões agrárias, euma prova que farei amanhã. Porém com uma persistente nostalgia... lembrando das músicas e malandragens de Bezerra da Silva, resolvi parar com tudo para homenagear este herói do nosso povo Brasileiro... Bezerra da Silva Vive.
O curioso desta data é que Bezerra se auto-intitulava "bom malandro",
por isso quando morresse, queria que não fosse numa sexta-feira ou
feriado, para não atrapalhar a praia dos amigos.
E morreu numa
segunda-feira - ou seja, depois do fim-de-semana e no dia 17 de janeiro,
o primeiro mês do ano. Se foi o rei do SAMBA deixando todos abalados
pela sua morte.
Um fato curioso lembrado pelo sambista e amigo Dicró foi que a morte de Bezerra da Silva se deu no dia 17/1, uma verdadeira sátira ao 171 tão aclamado em suas músicas.(http://pt.wikipedia.org/wiki/Bezerra_da_Silva)....
A sabedoria do sambista mais respeitado e admirado do País.
TEXTO PUBLICADO EM O MALACO #1 - Fevereiro de 2001.
É difícil entrevistar Bezera da Silva
e não indagá-lo sobre a diferença entre um malandro e um mané. Chavões à
parte, O Malaco foi buscar numa peculiaridade das músicas que ele canta
o ponto central da conversa: a falta da palavra “amor” nas letras. E aí
o intérprete mais longevo do samba deita e rola.”Se o amor é tudo isso
que eles falam, então na Terra ele não mora”, define. Emendando um
assunto atrás do outro, Bezerra opina sobre encrencas com a polícia,
jornalistas, samba, favela e, óbvio, malandragem.
A palavra AMOR. Que Bezerra não soletra.
“O
problema não é a palavra. Eu sempre procurei ouvir as minhas opiniões e
as dos outros, vivendo dentro de uma realidade. Então, eu tive
prestando a atenção nessa palavra, A-M-O-R, eu procurei saber o que era,
não falando dos compositores do mundo artístico, que esse é um tema
manjado, cansado, fica cansativo.
Você vê a maioria das composições é
“meu amor, eu te amo”, não sai disso, é uma coisa de novela. Quanto à
palavra amor, eu procurei saber, e de acordo com a definição, isso não pode
existir aqui na Terra.
Segundo a definição, ‘o amor não tem sexo, o
amor é puro, é sublime, eterno, divino, puro, lindo, perfeito, sem
defeito…’. Se o amor é isso tudo, então aqui na Terra ele não mora,
bicho, de maneira nenhuma.
Inclusive tem frases como ‘fazer amor’, eu queria saber onde fica
essa fábrica. Se você for observar, ‘amai-vos uns aos outros’ não
existe. Eu tive vendo o nono mandamento da lei de Deus, ‘não cobiçar a
mulher do próximo’, ninguém passa nessa, só viado (risos generalizados). Aparece uma mulher boa pra caralho, ah… pecou, já foi pro inferno. Entendeu bem?
Mas esse tema começou uma vez lá na Rádio Globo: ‘o Bezerra da Silva
não canta o amor’, isso não tem nada a ver com o gênero, entendeu. Eu
não acredito nessa história. De vez em quando eles dizem ‘você diz que
não tem amor’, então fica com o teu pra lá que tá tudo bem, agora, não
vai querer me levar pra grupo que eu não sou nenhum otário, porra,
entendeu. Quer dizer, a mulher te ama, daqui a pouco te bota um chifre,
que porra de amor? É de boi? Porra, cara, entendeu? (risos) Cadê o amor no sistema capitalista? Que amor que tem? Se botou ‘nosso amor’ na música, já não serve.
Existe também um termo, uma frase bem marcante ‘o amor é eterno’. Eu
não sei dizer o que é eterno. É claro, todo mundo sabe o quê que é, mas
daqui a pouco você amava uma mulher, era gamado mas já largou ela, então
etcetera e vai pra casa do cacete. Vida a dois é um problema sério,
como acontece depois que casou e descobre o defeito da mulher, depois
separa, isso aí é um agá, tá havendo aí um negócio de caô caô do cacete,
pra engrupir, pra levar a rapaziada pra grupo, morô?
Se amanhã você for namorar uma moça, ou vice-versa, se alguém for
namorar a sua irmã, se ela quer o fulano, a primeira preocupação dos
pais é saber onde você trabalha, se tem condições financeiras de
sustentar a filha dele, então o amor vai pra casa do cacete. Primeiro
ele vai ver o vil metal. Esse amor é foda né, bicho, não dá pra eu
entender. Então como não gosto de agá, meu negócio é na dura, é zero a
zero.”
Drogas, Polícia…
“Eu
sou um cara realista e não se trata de malandragem, sabedoria, nem
porra nenhuma. Se trata que eu sou ruim de me levar pra grupo porque,
por exemplo, eu ensinei meus filhos. E você vivendo dentro de uma
realidade, você passa a sofrer pouco, você não tem mais surpresas, sabe
que maconha faz mal, que cocaína faz mal, você sabe que você vai preso,
que há repressão, mas tem a sua saúde que vai pro beleléu, então você é
um cara preparado pra vida.
Não é que eu seja, por exemplo, como essa
garotada do hip-hop, Racionais, toda essa juventude gosta de mim, porque
realmente eu sempre adorei uma coisa que chama real. Porque não há
tempo pra viver mais enganado, pra sonhar acordado, tá entendendo?
Agora, eu me dou bem, eu vivo bem. Jamais eu vou discutir com você, te
convencer.
Mas há um tempo atrás, até os anos 70, se a gente tivesse conversando
aqui, passava a polícia e ficava pedindo ‘documento, documento!!’ e
sabe o que eles queriam? Era uma carteira profissional assinada. Era a
prova de trabalho. Aí você podia ir por aqui, por ali.. Então se não
tivesse aquela carteira eles levavam você pra delegacia para
‘averiguação’. Mas isso era arbitrário. Então o policial se achava no
direito de zoar de você e convidar você pra ir à delegacia, chegar lá e
bater um boletim, ler a sua ficha penal seja lá o que for daí depois
pediam desculpa, coisa e tal, botavam você no carro e deixavam você no
mesmo lugar onde tinha sido pego.
Sabiam que você não fazia porra
nenhuma, aí botavam no xadrez 24 horas pra esperar o boletim, mostrar
que tá trabalhando, com as estatísticas e o policial que prendia mais
ganhava um prêmio. Então ele prendia os otário, né? Não matei, não
roubei, então eu não vou correr. ‘Pare, eu sou Polícia’, legal, bicho.
‘Agora sai, Bezerra da Silva, vai embora e não aparece mais aqui’. E eu
respondia: ‘tu acha que eu vim sozinho pra delegacia ou foi você que me
trouxe?’. Pergunta cretina. (risos). Minha folha penal é ‘nada consta’, mas se bobear, eles dizem que sou mal-criado, mal educado.”
Cantando para sobreviver
“Eu saí de casa com 15 anos de idade e fui lutar pela vida, trabalhar
em construção civil e coisa e tal. Quando eu não tinha onde morar eu
morava na rua, e acabei por me criar no Morro do Cantagalo. Ali eu vi de
tudo, aprendi tudo.. então é um universo próprio, né? É um diploma que
bem poucos têm. O morador do morro é um trabalhador incansável. Então,
quando você aprende o mundo com a própria vida, então ninguém agüenta
você, ninguém te leva pra grupo. Que porra de vim me falar por livro, o
caralho! Tudo bem, você vai pra escola, aprende a falar bonito, mas não
vai levar você pra grupo. Entrei em cana 21 vezes, sou campeão de
averiguação sem fazer porra nenhuma, entendeu? Todo dia quase entrando
em cana lá, não sei por quê…
Realmente existe uma mídia violenta, selvagem, desumana e tal, então
eu vivo num gênero que é marginalizado, desde os tempos que eu cheguei
do Recife, que não sou carioca, me criei no morro, aquela coisa toda,
porque esse gênero já existia, eu não inventei nada. Então quando teve a
chance, eu fui o primeiro a gravar, eu não criei nada, entendeu? Quando
eu não era nascido, o gênero já existia. E fiquei também, dei uma sorte
que não tenho concorrente, por isso que eu tô de pé até hoje. Porque se
eu cantasse esse ‘meu amor eu te amo, pá pá pá’ eu já tinha me fudido
há muito tempo, já tinha batido na trave, ido pra casa do cacete. Então
essa é a minha realidade.
Eu
canto a realidade brasileira, eu canto o dia-a-dia do compositor pobre,
porque eu não sou autor, tô cansado de dizer isso, certo?
Eu gravo para
os compositores do morro, da favela, da periferia, da Baixada
Fluminense, quer dizer, as pessoas humildes, trabalhadores de baixa
renda, então gravo pra esse pessoal.
Então eles escrevem o dia-a-dia
deles, na favela, e o gênero pegou, foi conquistando o público de todas
as idades. Já fui até fazer palestra na universidade, lá em Vitória.
Você não é obrigado a acreditar em nada, pode fazer o que você quiser.
Não tem esse negócio de amor de mãe, amor de pai, amor de porra nenhuma.
Se realmente tivesse mesmo, tem mãe que abandona filho, tem mãe que
mata o filho quando nasce, joga na lata do lixo, tal. Complicado,
então.”
Samba, partido alto ou pagode?
“Isso aí é um terreno de músico, e eu sou músico. Trabalhei na
Sinfônica da Globo oito anos, então esse negócio de partido alto, essas
coisa tudo, fica dentro de um compasso, se você é músico sabe disso.
Então não tem essa história, tem samba, entendeu, samba, dois por
quatro. Agora você pode cantar o que você quiser ali dentro, mas é dois
por quatro.
Esses subtítulos, esses rótulos que eles botam, pagode,
sambode, MPB, não sei o quê, tudo isso eu vejo como uma maneira de
querer ludibriar as pessoas, entendeu? Eu sou sambista, acabô aí. Cabô.
Agora, pagode é um termo pejorativo, apesar de ter dicionário que dá uma
interpretação, tem outro que dá outra, você fica sem saber. Pagode, se
você for abrir um diconário, é ‘templo pagão de alguns povos asiáticos’,
ou então, ‘pândega ou divertimento’, e dentro dessa informação não tem
nada a ver com dó ré mi fá sol lá si. É um negócio nosso, da nossa
cultura, da falta de educação, estupidez.
Eu já passei em lugar que te densina violão em três meses, não tô
entendendo, ou eu sou muito burro, meu professor também, porque violão
em seis meses você não aprende nem a afinar. Meu filho toca bateria
porque eu ensinei. Porque se você for pra uma escola, te ensinam a tocar
aquele rock, tum, tum, tum, daí não passa, acabou, dois por quatro não
vai tocar nunca.
O garoto não sabe, o pai não sabe, vai gastando
dinheiro, vai não sei o quê, então nós temos essa série de, problemas
sociais, de educação e cultura, e o pessoal vive enganado. ‘Onde é o seu
nariz?’ (aponta) ‘ah, é aqui no pé’ (risos). Tá
entendendo? Uma série de analfabetos se apropriaram do Brasil, dá até
pena, é doloroso. Não tenho curso superior não sou formado em porra
nenhuma e nem quero. Leio código penal, aquela coisa toda. Quer dizer,
fico olhando, observando os agás, né, os caô caô, tudo grupo, então eu
não vou cair naquela.”
Culpa da imprensa
“Uma vez tava num programa, tava brincando com os jornalistas, até
que um, famoso, disse ‘um nunca vi crioulo pobre, favelado, bem criado e
bem educado’. É mal criado porque o cara passa muita fome, mal educado
porque ele não vai pra escola. Daí veio o (Jorge) Mascarenhas e disse:
‘Não, mas acontece que educação é uma coisa de cultura. Educação é de
berço’.
E eu falei: ‘Mentira tua. Você é omisso’. Não existe educação de
berço. Ah, vá sacanear o cacete.. Será que a pessoa não sabe o que quer
dizer educação? Eu tenho dois filhos, e paguei escola pra eles porque
podia. Porque no Brasil não tem curso de graça pra ninguém, e quando tem
é agá. Não é política, é realidade.”
Décadas de Bezerra
“Fazer
sucesso é realmente difícil, mas difícil ainda é manter. Tem uns
colegas meus que acerta numa música só e acabou. O poder econômico,
dentro do rádio, atua contra o talento. É preciso que você tenha muita
ajuda de Deus, seja muito esperto.
Por exemplo, em 1979, quando o Brasil
passou a conhecer essa sigla, essa marca Bezerra da Silva, eu já tava
na área há muito tempo. Trabalhava como músico, portanto… De 69, 65 pra
cá, praticamente eu devo ter uns 34 anos de área.
Mas durante aquele
período de músico, quando eu trabalhava na Rede Globo, ninguém sabia, o
pessoal só conhece depois do sucesso. Então tudo começou em 79,
entendeu?. E eu segurei até hoje.
Mas aquela leva de colegas que veio junto, praticamente dançou todo
mundo. Janaína, Neguinho da Beija-Flor. Porque.. não é que ele não seja
bom, eles tão sendo usados. E também porque eles cantam uma coisa que é
corriqueira, e tem que gastar muito, tem muita pedra pra chegar lá. E se
você entra no gênero romântico, como eles falam, tá arrumado.
Vai ter
que encarar muita coisa, vai ter que encarar Roberto Carlos, que é
profissional, inteligente, tem máquina publicitária, tal, e uma série de
coisas, e depois o vil metal. E o público tá sempre enganado. O público
é sempre aquele último a saber. Principalmente o rádio, hoje em dia, é
na base do vil metal.
Você paga pra cantar na televisão, paga pra cantar
no rádio, paga pra não sei o quê. Então não é pra pobre. Você observa,
dá até pena. Vocês lembram daquele negócio do sapatinho (o ex-bando do
filho do Zico, Só No Sapatinho)?
Cadê? Vendeu 100 mil naquela
brincadeira. E acabou. É diferente do crioulo, do pobre, favelado,
encarar a realidade.
Porque eu fui consagrado pelo povo, e não pela
mídia.”
Entrevista: Fabrício Rodrigues/Gabriel Rocha/Romeu Martins Fotos: Fred Carvalho
Morreu. Ricardinho ou “Carioca” Foto: Divulgação/SSP
SÃO LUÍS – Morreu, na madrugada desta quarta-feira (14), Ricardo Silva,
o Ricardinho ou “Carioca”, no Hospital Carlos Macieira, em São Luís.
Ele é quem teria avisado o agiota Gláucio Alencar – preso como mandante
da morte do jornalista Décio Sá – que haveria uma trama para
assassiná-lo.
Ricardo Silva saberia de todo o esquema de agiotagem
envolvendo a quadrilha e, por isso, constava na relação de testemunhas a
serem ouvidas nas audiências do processo.
Ricardo
Silva sofreu, em janeiro deste ano, uma tentativa de assassinato na
qual chegou a ser alvejado com sete tiros. Desde então, ele estava
internado, primeiro, no hospital particular São Domingos e, depois, foi
transferido para o Hospital Carlos Macieira, estando na custódia de
homens da polícia.
Levantamento publicado no fim de semana pelo Jornal do Brasil
mostra que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira conseguiu na Justiça
o arquivamento de todos os inquéritos nos quais era acusado de crimes
como lavagem de dinheiro e recebimento de propina. As ações corriam no
Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
A única condenação, de acordo com a reportagem, ocorreu na Justiça
estadual do Rio. A decisão, no entanto, é favorável a Ricardo Teixeira,
que foi chamado de “corrupto” pelo jornalista inglês Andrew Jennings, da
BBC, e conseguiu 10 mil reais por danos morais.
A declaração do
jornalista, que levantou as primeiras suspeitas sobre o cartola – como a
de que teria recebido 15 milhões de reais de propina da agência de
marketing esportivo ISL – foi feita ao blog do deputado federal Romário
(PSB-RJ). Jennings foi condenado à revelia e, em entrevista ao Jornal do
Brasil, classificou a decisão como “absurda”.
“Não faz o menor sentido, eu nem sabia que tinha esta acusação formal contra mim”, disse.
A decisão do juiz Augusto Alves Moreira Junior, da 3ª Vara Cível do
fórum regional da Barra da Tijuca, foi publicada em 22 de novembro do
ano passado e só veio à tona após a reportagem. Cabe recurso.
Na decisão, o magistrado escreveu que “os danos morais restaram
caracterizados porque os fatos imputados pelo réu ao autor abalaram a
sua honra bem como a sua imagem perante a sociedade”. Ele considerou que
a culpa do jornalista ficou caracterizada em razão de sua ausência no
julgamento.
“Isso tudo é um absurdo. O Teixeira é um cara que fugiu do Brasil,
ele é notoriamente corrupto, renunciou todos os cargos e assumiu que
participou do esquema de corrupção. Como posso ter prejudicado a imagem
de uma pessoa assim? Como eu posso ter ofendido o caráter dele? Ele é
corrupto, já estava com a imagem suja”, disse Jennings ao JB.
Em depoimento, Josinaldo da Silva, indígena da tribo Atikum, conta
como foi sua trajetória desde o sertão pernambucano até a formatura em
um dos cursos mais concorridos do Brasil
A 85ª turma de Medicina da UnB marcou um feito
inédito: entre os novos médicos estava o primeiro a ser formado pelo
vestibular indígena. Josinaldo da Silva, representante da tribo Atikum,
no sertão pernambucano, é o símbolo de um projeto de diversidade
promovido pela UnB nos últimos dez anos.
Engajado com a causa de seu
povo, Josinaldo pretende usar o conhecimento adquirido na UnB no
programa Saúde da Família, que leva saúde diretamente às comunidades.
UnB forma primeiro médico indígena, Josinaldo Silva (Divulgação)
No depoimento concedido à UnB Agência, ele conta que sonhava em ser
médico desde que começou a trabalhar como agente de saúde, aos 22 anos,
mas a falta de opções em sua região fez com que ele estudasse
Matemática.
Foi a criação do vestibular específico para indígenas na UnB
que possibilitou a realização de um sonho. “As informações são mais
difíceis na aldeia. Um grupo de colegas veio à capital em 2005 e
descobriu as cotas”, conta. Me interessei de imediato. Com o curso de
Medicina, poderia contribuir mais com a minha aldeia”. Leia abaixo
trechos do depoimento de Josinaldo.
Chegada a Brasília
Confesso que quando passei, não acreditei. A ficha demorou um pouco a
cair. Foi no início de 2006. Vim com uma colega e aqui me reuni com um
grupo de indígenas de outros cursos. Éramos 13 cotistas ao todo: além da
Medicina, havia estudantes de Enfermagem, Nutrição, Biologia e
Farmácia. Foi muito difícil no início.
Precisamos pagar um aluguel caro,
não tínhamos referências, conhecidos, ninguém que se dispusesse a ser
fiador. Além disso, tínhamos uma bolsa de R$ 900. Todo mundo sabe que
isso é pouco para a cidade.
Nossa salvação foi a Dona Socorro, que nos
acolheu na 706 Norte e agiu como um anjo. Era paciente e compreensiva,
nos apoiava quando a bolsa atrasava e sempre negociava os pagamentos.
A Rede Globo fechou o ano de 2012 com a demissão de 243
radialistas e 42 jornalistas no Rio de Janeiro. E estas dispensas
acontecem mesmo que a emissora tenha assinado acordo no Ministério
Público do Trabalho que a obriga a contratar – entre fevereiro de 2012 e
de 2013 – 150 jornalistas e radialistas para acabar com o excesso de
horas extras – muito acima do limite legal — dos profissionais de suas
redações.
O número de dispensas foi levantado pelo Sindicato dos
Jornalistas do Município do Rio e pelo Sindicato dos Radialistas do Rio
de Janeiro, através das rescisões homologadas. As duas entidades
trabalham em conjunto e em contato com a Procuradoria do Trabalho, para
que a emissora cumpra com o acordo.
Até a metade de janeiro foram declaradas, pela empresa dos
Marinhos, cerca de cem contratações – com comprovante anexado ao
processo iniciado pelo Ministério Público. A grande maioria destes
postos de trabalho é da categoria de radialistas. Além disso, algumas
das contratações anexadas à ação civil são para vaga de contínuo.
A Rede Globo pode estar tentando driblar o acordo, porque as
contas não fecham. E, função disso os dois sindicatos estão em contato
com os promotores responsáveis pelo caso. Os jornalistas da empresa
relatam que não percebem qualquer aumento no número de funcionários nas
redações. O que aumenta sempre, dizem eles, é a carga de trabalho.
O acordo na Procuradoria do Trabalho da 1ª Região, assinado em
dezembro de 2011 e revelado pelo Sindicato dos Jornalistas na edição 36
de seu informativo impresso, remete a uma ação civil pública de 2005.
O
Ministério Público, após solicitar à Globo cópia do controle de
frequência de empregados, encontrou casos de funcionários com expediente
de 19 horas por dia, desrespeito ao intervalo mínimo entre expedientes
(11 horas) e não concessão do repouso semanal remunerado.
Fonte: Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro