Por: SECMA
Pode-se se dizer que a bibliotecária Rosa Maria
Ferreira Lima respira e transpira a Biblioteca Pública Benedito Leite
(BPBL). Rosinha – como é chamada carinhosamente – trabalha há 30 anos
naquele espaço literário e cultural, tornando-se referência quanto o
assunto é biblioteconomia.
Bibliotecária, especialista em Gestão de Bibliotecas e Centros de
Informação Documentária pela UNB (Brasília), foi diretora geral da BPBL
no período de 1993 a 2003, quando implantou o Programa Nacional de
Incentivo à Leitura (PROLER) no Estado do Maranhão.
Rosinha reassumiu desde 2009 a direção da biblioteca e a coordenação do
Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Maranhão. Nesta entrevista
ao Maranhão Agenda Cultural, ela descreve seu conhecimento, seu amor
pelos livros, pela cultura... pela biblioteca pública.
Maranhão Agenda Cultural - Qual a importância da biblioteca para a população?
Rosa Maria Ferreira Lima - A BPBL é uma das
Instituições culturais seculares (184 anos) mais importantes do Brasil,
por tratar-se de um equipamento que preserva e difunde um patrimônio,
que é o seu acervo valiosíssimo, não só pela quantidade, mas
fundamentalmente pela qualidade da informação e dos serviços que ela
disponibiliza à população.
Criada por iniciativa do Presidente da Província Cândido José de Araújo
Viana, tendo como origem uma subscrição popular e voluntária, sua
história registra um comprometimento com os anseios populares, tanto por
democratizar o acesso ao conhecimento, como por ser a maior guardiã da
memória cultural do nosso Estado.
Ponto de encontro de pesquisadores, jornalistas, bibliotecários,
professores, escritores e intelectuais militantes que têm acesso aos
livros e outros materiais de leitura, para desenvolver seus trabalhos,
desempenha assim um papel de grande relevância no desenvolvimento da
cultura do Maranhão. Se mergulharmos em seu passado, veremos que o seu
significado torna-se ainda maior ao sabermos que nela foram proferidas
as famosas Conferências da Universidade Popular do Maranhão e fundadas a
Oficina dos Novos, a Sociedade Cívica das Datas Nacionais e a Academia
Maranhense de Letras. Portanto, uma biblioteca é um bem cultural
público, um espaço social indispensável para a formação de leitores
críticos e a construção da democracia.
MAC - Quais as ações culturais e educativas que a BPBL desenvolve no decorrer do ano?
Rosa Lima - Com um acervo precioso, estimado em 150 mil
obras, compreendendo livros para crianças, jovens e adultos, obras
raras, jornais e revistas sobre as diversas áreas do conhecimento
humano, registrados em variados tipos de suportes como CD’s, DVD’s,
microfilmes, fotografias, etc.
A Biblioteca Pública, ao fechar sua sede para reforma, transferiu sua
administração, acervo e serviços para um prédio na Rua do Egito, onde
funcionou não em sua plenitude, mas atendeu 70% de sua demanda. Devido à
falta de espaço, parte do seu acervo e móveis foram transferidos para
outros locais, acomodados cuidadosamente para não haver danificação ou
perda. Apesar de tudo, a BPBL, com sua equipe de servidores dedicados e
comprometidos, deu continuidade ao tratamento técnico e científico do
seu acervo e realizou todas as ações (programas e projetos) previstos em
seu planejamento, a exemplo de Fóruns do Livro e Leitura, Encontros do
PROLER, Seminários, Cursos, Oficinas, Palestras e Projetos de incentivo à
leitura, como o Livro na Praça e Semana do Livro Infantil, dentre
outros.
MAC - Dá para adiantar os próximos projetos?
Rosa Lima - Sua reabertura será marcada pela execução
de três grandes e importantes projetos elaborados em 2012, dentro dos
eixos do Plano Nacional do Livro, Leitura e Biblioteca - política
pública dessa área, que o Governo vem realizando no Maranhão, por meio
da Secretaria de Estado da Cultura - SECMA:
a) Projeto Biblioteca Dinâmica - que consiste na criação e dinamização
de Bibliotecas Públicas e Comunitárias, com instalação, organização,
distribuição de acervo de qualidade, supervisão e capacitação dos
gestores, realizado em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional - FBN
e Prefeituras Municipais;
b) Preservação e Modernização do Acervo Raro da Biblioteca Pública
Benedito Leite - que consiste na aquisição de equipamentos,
higienização, transcrição paleográfica e digitalização das obras raras
para disponibilização no site da Biblioteca. Com apoio da FAPEMA,
oprojeto teve início no mês de fevereiro deste ano;
c) Projeto Cidadania e Leitura - desenvolvido pelo Comitê Estadual do
PROLER, vai permitir a contratação e treinamento de formadores e 80
(oitenta) mediadores de leitura para atuarem nas bibliotecas
comunitárias e pontos de leitura durante 01 (um) ano. Este Projeto
estará lançando o Edital brevemente;
d) Projeto Vivências de Leitura numa Perspectiva Ecológica – que será
desenvolvido em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente
(SEMA), atuará na capital e no interior do Estado.
MAC - Reinaugurada a Biblioteca Pública Benedito Leite, o que os maranhenses ou visitantes podem usufruir com a nova reforma?
Rosa Lima - Essa gigantesca reforma, a mais
significativa de sua história, vai possibilitar não só aos usuários um
atendimento eficiente, como também aos servidores que nela trabalham, um
ambiente confortável, moderno e seguro. A restauração, ampliação e
modernização de todos os espaços físicos dos dois prédios vai garantir
acessibilidade a todas as pessoas com necessidades especiais. Com três
elevadores, todos os setores administrativos e de atendimento ao público
estão climatizados e equipados com tecnologia de ponta.
Acrescenta-se ainda a instalação dos setores de Direitos Autorais,
Informação Utilitária, Telecentro, Salas de Multimídia e Leitura de
Microfilmes, Laboratório de Higienização e Digitalização do Acervo, além
da Biblioteca do Bebê, uma inovação pioneira nas Bibliotecas Públicas
do Brasil, instalada na Biblioteca Infantil e Juvenil Viriato Corrêa -
que está totalmente reformada com palco e sala de projeção de filmes.
Isso sem falar no Auditório, onde funcionará o “Café com Letras” e
outros eventos, espaço que nos permite ler e visualizar a beleza da
nossa cidade e o bem - estar que essa leitura nos faz sentir e revisitar
o poeta Jorge Luís Borges: “no último andar é lá que eu quero morar”.