sábado, 18 de maio de 2013

Navio russo atrai atenção na Feira da Indústria de Defesa em Istambul.

15/05/2013 Sergêi Ptitchkin, Rossiyskaia Gazeta.

Concebidos como porta-mísseis de ataque para romper a defesa organizada por uma força-tarefa de porta-aviões e afundar porta-aviões, os navios do Projeto 1239 (no momento, são apenas dois) constituíram um verdadeiro avanço na construção naval.  


Navio russo atrai atenção na Feira da Indústria de Defesa em Istambul
Pela primeira vez no mundo, os engenheiros navais russos conseguiram instalar oito mísseis antinavio pesados ​​em um hovercraft Foto: RIA Nóvosti.



O hovercraft porta-mísseis russo do Projeto 1239 Bora, da Frota do Mar Negro, foi o centro da atenção dos especialistas reunidos na Feira Internacional da Indústria de Defesa (IDEF-2013), realizada na semana passada, em Istambul, na Turquia.

Concebidos como porta-mísseis de ataque para romper a defesa organizada por uma força-tarefa de porta-aviões e afundar porta-aviões, os navios do Projeto 1239 (no momento, são apenas dois) constituíram um verdadeiro avanço na construção naval.

Pela primeira vez no mundo, os engenheiros navais russos conseguiram instalar oito mísseis antinavio pesados ​​em um hovercraft, o que era anteriormente considerado impossível. 

Os hovercrafts são normalmente barcos pequenos e pouco estáveis, podendo virar em consequência de um tiro de míssil.

No entanto, um grupo de engenheiros do Сentro de Desenvolvimento em Tecnologias Navais Almaz, em São Petersburgo, chefiado por Valerian Korolkov, elaborou um projeto de navio híbrido de catamarã e hovercraft.

O hovercraft porta-mísseis Bora representa uma embarcação com dois cascos estreitos feitos de uma liga especial de alumínio e unidos por uma plataforma de cerca de 64 metros de comprimento e 17,2 metros de largura. O efeito colchão de ar surge quando, na frente do navio, desce uma tela flexível, e o ar é impelido por um ventilador entre os cascos.

O hovercraft do projeto 1239 tem qualidades únicas. Por um lado, é um catamarã estável, capaz de se mover a uma velocidade de até 20 nós. Por outro, um hovercraft veloz capaz de desenvolver uma velocidade de mais de 50 nós.

Com um deslocamento de 1.050 toneladas, o navio possui unidades de propulsão com uma potência total de 56 mil cavalos: dois motores a diesel, cada qual com 10 mil cavalos de potência, para operar em regime de catamarã e dois motores de turbina a gás, com uma potência total de 36 mil cavalos, para operar em regime de hovercraft.

Isso permite ao navio permanecer em marcha em qualquer situação. Além disso, ele pode se deslocar com os motores desligados e com um vento contrário de 7 m/s a uma velocidade de 3 nós. A propulsão é assegurada pelo fluxo de ar direcionado pelos ventiladores do colchão de ar à popa.

Armamento - Os principais armamentos do navio são oito mísseis antinavios supersônicos Mosquito, distribuídos em grupos de quatro a bombordo e estibordo, além de um sistema de mísseis antiaéreos Osa-Ma e dois canhões de seis canos automáticos AK-6-30M de 30 mm. Na proa, o navio possui um canhão automático AK-176 de 76,2 milímetros.

Os oito mísseis disparados em salva podem destruir qualquer navio de guerra moderno, inclusive um porta-aviões nuclear. Além disso, o navio se torna praticamente invulnerável quando se desloca sobre um colchão de ar.

Os mísseis antinavios autoguiados em serviço da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não podem manter na mira um alvo em movimento a uma velocidade de cerca de 90 km/h.

Na época soviética, o governo do país mandou criar flotilhas de hovercrafts em cada uma das frotas da Marinha. Desde então, porém, conseguiu-se construir apenas dois navios, o Bora e o Samum, que foram incorporados à Frota do Mar Negro e que, de acordo com especialistas militares ocidentais, alteraram a relação de forças no Mar Negro.

Após o colapso da União Soviética e a retirada do serviço de muitos navios da Frota do Mar Negro no início dos anos 1990, a Turquia havia se tornado objetivamente mais forte nestas águas.

No entanto, em 2002, com o advento do hovercraft Samum, a situação no Mar Negro mudou, o que explica porque o Bora tenha despertado interesse tão grande nos especialistas reunidos em Istambul.

Publicado originalmente em russo pela Rossiyskaia Gazeta

Matéria Lincada de: http://gazetarussa.com.br/ciencia/2013/05/15/navio_russo_atrai_atencao_na_feira_da_industria_de_defesa_em_istambul_19227.html

China poderia ter testado um novo míssil anti-satélite



 
A China poderia ter realizado um teste com um novo míssil anti-satélite lançado ao espaço desde a superfície terrestre camuflado de um foguete de exploração espacial, informou ontem (14) o jornal americano The Washington Free Beacon.

O teste foi realizado no último dia 13 de maio no Xichang Satellite Launch Center (XSLC) e o artefato provado foi identificado oficias americanos com o novo míssil anti-satélite Dong Ning-2 (DN-2).

No entanto, em uma coletiva de imprensa regular, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hong Lei, não confirmou nem desmentiu o possível lançamento, mas destacou que seu país se opõe a militarização e o inicio de uma corredia armamentista ao espaço.

O suposto teste foi realizado somente uma semana depois do Pentágono apresentar um relatório anual sobre o avançado dos militares chineses no desenvolvimento de armas anti-satélite.

Uma fonte oficial próxima a inteligência americana, disse ao jornal que, sendo um míssil de ataque na órbita, o DN-2 poderia ser usado contra os EUA. Outra fonte afirma que o míssil foi dissimulado de uma sonda espacial de exploração cientifica.

"Não é somente uma ameaça para os satélites espaciais dos EUA, mas também para todos os elementos essenciais da infraestrutura eletrônica global, considera Rick Fisher, pesquisador do International Assessment and Strategy Center. "De fato, frente tal ameaça, os EUA não tem outra opção que não desenvolver capacidades  simétricas para dissuadir os ataques chineses", admite o especialista.

O primeiro teste exitoso de um míssil desse tipo foi realizado pela China em 2007. Na ocasião, um satélite meteorológico chinês foi destruido.
 

Internet. UE pode abrir caminho para leis mais severas de proteção de dados.



 
O esforço na Europa para adoção da lei de proteção de dados mais forte do mundo atraiu a atenção de dezenas de lobistas de empresas de tecnologia e propaganda americanas.

Facebook, Apple, Google, Amazon e IBM, individualmente e por meio de grupos setoriais, estão buscando participar ativamente de um processo legislativo que poderia dar a meio bilhão de consumidores o direito de reter detalhes pessoais básicos ao usarem a internet, colocando uma trava no modelo financeiro adotado por essas empresas.

Na segunda-feira, seus pares europeus compareceram em peso a uma conferência em Berlim para discutir a lei potencial, que deverá ser votada no ano que vem. Representantes da gigante aeroespacial EADS, da BMW, Daimler e Rovio Entertainment, a criadora de aplicativos móveis como Angry Birds, encheram um salão de hotel e tentaram determinar como as novas regras os afetariam.

Até mesmo empresas de fora do setor de tecnologia, como o UBS, o banco suíço, estavam entre os 70 participantes no Pullman Hotel Scheizerhof, perto do parque central Tiergarten, já que as novas regulamentações deverão afetar virtualmente todo tipo de empresa.

O esforço para criar novas proteções rígidas de privacidade online na Europa é motivado pelo desejo de frear o uso de dados por empresas de redes sociais como Google e Facebook, disse Ian Walden, um professor de lei de comunicação e informação da Universidade de Londres e um orador na conferência.

"Mas o problema é que essa proposta criará toda uma nova camada de regulamentação para a grande maioria das empresas que não têm nada a ver com redes sociais", ele disse. "Elas verão seu ônus de cumprimento crescer enormemente, mas muito pouco benefício."

As medidas proibiriam o uso de várias práticas padrão de rastreamento e elaboração de perfil online que as empresas usam para produzir propaganda direcionada, a menos que os consumidores deem seu consentimento explícito. 
 
A lei também daria aos consumidores europeus um novo direito fundamental: portabilidade de dados, ou o direito de transferir facilmente as postagens, fotos e vídeos de um indivíduo de um site de serviço online para outro.

As medidas, assim como a criação de um regulador de privacidade de dados para toda a UE, foram originalmente propostas no ano passado por Viviane Reding, a Comissária de Justiça europeia.

Elas estão contidas no projeto de lei apresentado por Jan Philipp Albrecht, um membro do Parlamento Europeu por Hanover. Mas o destino do projeto de lei, que visa revisar um estatuto de 18 anos, permanece incerto.

O comitê parlamentar para o projeto está tendo dificuldade para analisar as mais de três mil emendas à proposta e já adiou a votação do final deste mês para junho. Os negociadores na câmara alta do Parlamento não se entendem a respeito de conceitos básicos, como a exigência de que as empresas obtenham consentimento antes de coletarem dados na internet e as penas propostas para os infratores, que poderiam chegar a até 2% das vendas anuais de uma empresa.

"Eu acho que, a esta altura, haverá novas regras, elas serão uniformes e elevarão o nível da proteção de dados em relação ao que temos agora", disse Thomas Lehnert, diretor de proteção de dados da EADS alemã, que participou da conferência.

A EADS, que emprega oito funcionários de proteção de dados em tempo integral em 17 países, poderá ter que contratar mais em quase todas as suas jurisdições, ele disse. "Eu acho que estamos falando em multiplicar o número que temos agora."

O interesse americano nas deliberações europeias permanece significativo. Aproximadamente um terço dos representantes de proteção de dados presentes na conferência era de empresas americanas. Exxon Mobil, Amway e Procter & Gamble estavam presentes, assim como escritórios internacionais de advocacia como Hogan Lovells, Taylor Wessing e Latham & Watkins.

Outros países também estão observando. Legisladores da África do Sul estão nos estágios finais de conclusão de um esforço de seis anos para criação das primeiras leis de proteção de dados abrangentes do país, que serão adaptadas segundo as novas regras da UE, disse Robby Coelho, um advogado da Webber Wentzel, um escritório de advocacia em Johannesburgo.

"A África do Sul deseja ter padrões de proteção de dados reconhecidos internacionalmente para atrair empresas ao país", disse Coelho.

Igualmente no Oriente Médio, os supervisores das zonas de livre comércio internacionais no Qatar e em Dubai planejam adotar leis de proteção de dados que espelhem as regras europeias, disse Justin Cornish, um advogado da Latham & Watkins em Dubai, que também esteve presente na conferência em Berlim.

"Há uma expectativa de que as leis de proteção de dados de todo o mundo ficarão mais rígidas, e a Europa está abrindo o caminho", disse Cornish.
 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Chega ao Rio os Blindados Gepard de 35 mm da KMW, para a Copa das Confederações.


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Tahiane Stochero
Chegaram ao Brasil nesta quinta-feira (16) oito carros do tipo Gepard que integram o sistema de artilharia antiaérea alemão comprado pelo Brasil para a segurança da abertura e do encerramento da Copa das Confederações, nos dia 15 e 30 de junho, respectivamente.


Os veículos são capazes de abater mísseis, aviões, helicópteros ou drones (aviões não tripulados) suspeitos a até 15 km de distância, com alcance de 3 km de altitude.


Segundo o general Marcio Roland Heise, coordenador do projeto de compra das armas, os canhões ainda estão em processo de desembaraço alfandegário junto à Receita Federal. Assim que liberados, os veículos serão levados ao Parque Regional de Manutenção do Exército, no Rio de Janeiro. A previsão é que isso ocorra na terça-feira (21).


O Brasil comprou 34 carros de combate Gepard ao preço de 30 milhões de euros (cerca de R$ 78,4 milhões).


Os blindados foram despachados de navio da Alemanha, em caráter emergencial, para que chegassem a tempo da abertura da Copa das Confederações, que acontece em Brasília, no dia 15 de junho, com a partida entre Brasil e Japão.


Quatro carros serão levados para Brasília e os outros quatro ficarão no Rio de Janeiro, para a partida de encerramento da competição, no dia 30 de junho. 

Os veículos não ficarão à vista do público, mas estarão posicionados perto dos estádios, em pontos estratégicos.


Em 11 de maio, o G1 divulgou com exclusividade a compra das armas para garantir a proteção dos grandes eventos. Os carros comprados do Exército da Alemanha sofreram uma remodelação, tendo sido “recuperados” em 2010, recebendo novas tecnologias para operar até 2030.


Além do sistema antiaéreo, o Brasil comprou cerca de 600 mil munições para os Gepard e três carros reservas, que serão desmontados e servirão para peças de reposição. O valor inicial do contrato não inclui esse complemento nem treinamentos e suporte técnico.


“As armas serão recebidas e incorporadas ao inventário do Exército. Além disso, faremos testes de tiro com cada um deles, para verificar o funcionamento”, afirmou o general Marcio Roland Heise ao G1.


Os blindados Gepard 1A2 pesam 47,5 toneladas, têm 3,7 metros de altura, 3,4 de largura e até 7,7 metros de comprimento. São equipados com dois canhões Oerlikon de 35 mm, que trabalham em conjunto um sistema de radares com campo de visão de até 15 km de raio. A fabricante informa que eles atingem alvos até 5,5 km de altura, mas, no Brasil, serão usados a baixa altitude (até 3 km).

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Visita do Papa - A previsão inicial do general Marcio era que os carros sejam usados na Jornada Mundial da Juventude, que deve reunir mais de 2 milhões de pessoas no Rio em julho durante a visita do Papa Francisco ao país.


Mas, segundo o general Guido Amin Naves, comandante da Brigada de Artilharia Antiaérea, ainda não foi decidido se o material será empregado ou não. O evento em que o sistema antiaéreo pode ser usado é a missa de encerramento, em Guaratiba, no Rio, em 28 de julho.


“Assim que os carros estiverem operando, faremos um treinamento inicial. Os blindados que já estarão no Rio para a final da Copa das Confederações poderão ser empregados para a visita do Papa, mas isso ainda está em fase de definição. 

Ainda não recebi nenhuma ordem de serviço sobre isso do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra)”, afirma o general Amim.

Usados e reformulados - A negociação entre os Exércitos do Brasil e da Alemanha ocorreu através da empresa Krauss-Maffei Wegmann (KMW), fabricante dos veículos “Os carros foram reformulados, receberam novo sistema de radares e computadores, canhões de 35 mm e tecnologia de guiamento, que seguem o alvo mesmo se ele desviar. 

O Exército alemão iria usar os blindados, mas a Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] mudou algumas diretrizes em relação à defesa antiaérea e eles tiveram que deixá-los de lado”, afirmou o general Marcio Roland Heise.


A implantação do Gepard pelo Exército busca suprir uma carência de proteção para as duas brigadas do país que abrigam blindados, localizadas em Ponta Grossa (PR) e em Santa Maria (RS), e também de garantir a segurança de estruturas estratégicas, como usinas hidrelétricas, essenciais para o caso de uma eventual guerra.

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Intenção de compra. Em fevereiro, o vice-presidente, Michel Temer, assinou uma intenção de compra para adquirir um sistema de artilharia antiaérea da Rússia que tem capacidade de atingir alvos a médio alcance – até 15 km de altitude. 

O Brasil não tem atualmente esta tecnologia, que é uma exigência da Fifa para a Copa do Mundo. Em 2012, G1 mostrou a situação do sucateamento do Exército, que possui armas antiaéreas da década de 70, classificados pelo general Heise na época como “defasados tecnologicamente”.

FONTE: G1

Matéria Lincada de: http://www.forte.jor.br/2013/05/17/chega-ao-rio-artilharia-antimissil-para-copa-das-confederacoes/

Continue Lendo aqui:  1 - http://maranauta.blogspot.com.br/2011/10/governo-alemao-oferece-o-exercito.html

2 - http://maranauta.blogspot.com.br/2013/03/formalizado-contrato-de-compra-de.html

Delegada tem cordão arrancado do pescoço por assaltante em Imperatriz

Os assaltantes em Imperatriz não estão dando mole nem mesmo para a policia, no inicio da noite de ontem uma Delegada de Imperatriz teve o cordão arrancado do pescoço por um assaltante que estava realizando um assalto á um Supermecado de frutas localizado na esquina da Avenida Pedro Neiva de Santana e Rua Duque de Caxias, Bairro Vila Lobão.

 

O assaltante tinha acabado de assaltar o caixa do Supermecado quando a Delegada de Imperatriz estava entrando, ele de arma em punho avançou contra o pescoço da autoridade policial e puxou o cordão, depois do assalto ele fugiu em uma moto sentido Vila Lobão.

 
Pelo segundo dia seguido a loja City Lar foi assaltada, o outro assalto aconteceu as 19:00 horas na de quinta feira Loja da Avenida Getulio Vargas, o assaltante foi ate o caixa e levou a quantia de R$ 700,00 reais e um Bot Book, este foi o segundo assalto seguido a lojas do Grupo City Lar em Imperatriz, até a meia noite de ontem nenhum dos assaltantes tinha sido preso pela policia.

Bope explode suposta bomba encontrada em shopping da Zona Norte.


Tiago Medeiros,
Policiais militares do esquadrão anti bombas do Bope explodiram mais um artefato, na noite dessa quinta-feira, contendo uma suposta bomba. 

A caixa foi encontrada por um segurança no estacionamento de um shopping da Zona Norte, e por ser semelhante a um explosivo, ele levou a caixa para os fundos do shopping e acionou a polícia.

Suspeitando que tivesse explosivo na caixa, os policiais militares detonaram o artefato, em uma área deserta, próximo dali.

Este é o terceiro registro de suposta bomba deixada em shoppings da capital, em um período de menos de seis meses.

Matéria Lincada de: http://nominuto.com/blogs-e-colunas/bope-explode-suposta-bomba-encontrada-em-shopping-da-zona-norte/1294/

Ciganos no Brasil

Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
Bandeira do Povo Cigano

Roupas coloridas, tendas alegres e olhares atentos ao destino alheio. A maneira como o povo cigano se relaciona com a história brasileira o coloca na condição de agente e vítima das impressões que governantes, policiais e toda a sociedade criam sobre homens que tinham suas vidas alteradas pelo deslumbramento que causavam. [...]

Dos debates acadêmicos às conversas informais, os ciganos são retratados a partir de sentimentos que oscilam entre o fascínio que suas tradições exercem e os temores alimentados por estigmas e superstições atrelados ao seu estilo livre

[...] Perseguidos ou incorporados à nossa hierarquia social, os ciganos são mais do que leitores do futuro, podendo ser considerados também escritores do nosso passado. [...]
(Dossiê Medo e Sedução, Revista de História, Biblioteca Nacional, n. 14, 2006, p. 15.)

Originários provavelmente da Índia, os ciganos chegaram ao Brasil na segunda metade do século XVI, expulsos de Portugal como degredados. 

É provável que os primeiros ciganos degredados de Portugal tenham chegado ao Brasil nas décadas de 1560 e 1570. Há registros de ciganos acusados e condenados a cumprir pena no Reino que, por motivos pessoais, solicitaram a comutação da pena pelo degredo, sendo então enviados para a Colônia. 

Por não conseguir êxito na integração dos ciganos à sociedade portuguesa, além da necessidade de povoar os territórios de além-mar, Portugal enviou vários indivíduos e suas famílias, primeiro para a África e depois para o Brasil. Esperava-se que os ciganos ajudassem a povoar áreas dos sertões nordestinos, ocupadas por índios. Apesar de serem considerados perigosos, o Reino preferia os ciganos aos indígenas.

A primeira lei portuguesa a impor o degredo data de 28 de agosto de 1592. Os homens deveriam se integrar à sociedade ou abandonar o Reino, em no máximo quatro meses, do contrário ficavam sujeitos à pena de morte e suas mulheres seriam degredadas de forma perpétua para o Brasil. 

Um decreto de 18 de janeiro de 1677 impôs o degredo de ciganos para a Bahia ou para as capitanias do Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio de Janeiro, entre outras. Também o deportação entre colônias foi imposta a ciganos infratores por diversas vezes e sob vários pretextos. Houve ainda tentativas de separar homens e mulheres, com o objetivo da extinção dos ciganos como povo.

Não se tem conhecimento de documentação que contenha informações sobre a quantidade de ciganos deportados para o Brasil na época, nem para quais destinos ou por quais motivos, principalmente a partir de 1718, quando aumentou a  deportação de ciganos na política portuguesa.

Pereira da Costa, na sua obra Anais pernambucanos, traz informações sobre os  ciganos em Pernambuco no ano de 1718: 

[...] Os ciganos andavam em bandos mais ou menos numerosos, e aqueles que não se entregavam à pilhagem, e a certos negócios, como a compra e venda de cavalos, nos quais os indivíduos pouco experientes sempre saíam logrados, eram geralmente caldeireiros ambulantes e onde quer que chegassem, levantavam as suas tendas, e saíam à procura de trabalho que consistia, especialmente, no conserto de objetos de latão e cobre. As mulheres, porém, importunas, astutas e minimamente loquazes, saíam a esmolar, e liam a buena dicha pelas linhas das mãos, predizendo a boa ou má-sorte do indivíduo, mediante uma remuneração qualquer. [...]

[...] Os ciganos diziam-se cristãos, mas batizavam os filhos várias vezes, como um laço armado aos obséquios e proteção dos compadres; e tinham a sua Germânia ou gíria particular a que o vulgo dava o nome de geringonça.

Documentos históricos comprovam que houve um grande crescimento populacional e econômico da comunidade cigana na Bahia. Salvador, a primeira capital colonial brasileira, tornou-se a cidade mais importante para os ciganos no Brasil.

Da Bahia, muitos deles foram em direção a Minas Gerais, causando desconforto para as autoridades da época, que tentaram de várias maneiras impedir a presença deles na região por ser considerado um povo desobediente e malcriado

Existem notícias de ciganos em São Paulo, no ano de 1726, quando foram solicitadas providências às autoridades para sua expulsão, dentro de 24 horas, sob pena de serem presos, uma vez que era um povo afeito a jogos e outras perturbações. Em 1760, os vereadores paulistas resolveram expulsar um bando de ciganos composto de homens, mulheres e filhos, por causa de queixas da população, também num prazo máximo de 24 horas.

Há ciganos nos quatro cantos do território brasileiro desde os primórdios de sua história.

No século XIX, um grupo de ciganos acompanhou D. João VI na sua vinda para o Rio de Janeiro, em 1808. Eram artistas de teatro que vinham com a missão de distrair a Corte Portuguesa.

A partir da Primeira Guerra Mundial, 1914 a 1918, houve um grande número de famílias ciganas que imigraram para o Brasil, oriundos principalmente, de países do Leste Europeu. Ao chegar, eles se dedicaram ao comércio de burros, cavalos, ao artesanato de cobre, às atividades circenses, viviam em barracas e praticavam o nomadismo. Hoje, poucos ciganos ainda são nômades no Brasil. 

De acordo com dados do Censo 2010 do IBGE, existem no País cerca de 800 mil ciganos. Pela primeira vez foram mapeados oficialmente os acampamentos ciganos no País. A pesquisa do IBGE encontrou assentamentos em 291 cidades brasileiras, concentradas, principalmente, no litoral das Regiões Sul, Sudeste e Nordeste, destacando-se o estado da Bahia, com o maior número de grupos. Vivem em tendas de lona, que são geralmente montadas em terrenos baldios.

Em São Paulo, há informações sobre acampamentos em 25 municípios, entre os quais a capital, Sorocaba e Campinas. A maioria dos ciganos vive do comércio e as mulheres se dedicam a leitura de mão. Grande parte da população cigana vive em casas e não praticam mais o nomadismo.
Não foram encontrados acampamentos nos estados do Amapá, Roraima, Amazonas, Rondônia e Acre.
De uma maneira geral, há uma taxa muito alta de analfabetismo entre eles, além de não estarem incluídos em programas governamentais de assistência social à saúde ou educação. 

Hoje, existem dois grandes grupos de ciganos no País: 

o Calon, oriundo de Portugal, que fala o dialeto caló, é tradicionalmente nômade, ligado ao comércio de cavalos, carros, correntes e artefatos imitando ouro. As mulheres praticam a quiromancia em praças públicas, exibem dentes de ouro e pintas (sinais) no rosto;

o Rom, vindos principalmente do Leste Europeu e que falam a língua romance (romani). No Brasil, encontram-se ciganos dos seguintes subgrupos Rom: Kalderash que se dizem “puros”, alguns ainda nômades, trabalhando no comércio de carros e as mulheres na quiromancia e cartomancia; Macwaia ou Matchuai, vindos basicamente da Sérvia (antiga Iugoslávia), vivem sedentários em grandes cidades, não se identificam com o vestuário cigano e, na sua maioria, sobrevivem de atividades da arte advinhatória; Horahane, de origem turca ou árabe, com atividades semelhantes aos Matchuaias. Vivem principalmente no Rio de Janeiro e só poucos ainda são nômades; Lovaria, um grupo de poucas pessoas que se dedica ao comércio e à criação de cavalos e é basicamente sedentário; e os Rudari, também em número reduzido, dedicados ao artesanato de ouro e madeira, sedentários e que também vivem basicamente no Rio de Janeiro.

No sertão da Paraíba, numa área menos nobre de Sousa, município localizado a 420 quilômetros de João Pessoa, há uma comunidade de ciganos do ramo dos Calons que, por questões de sobrevivência, deixou de lado o nomadismo e fincou raízes no local há mais de 25 anos. Apesar da falta de informações oficiais sobre a quantidade de habitantes, é composta por cerca de duzentas famílias e considerada a maior comunidade cigana do Brasil. Eles moram em casas simples, de alvenaria ou taipa, e vivem em condições muito precárias. Não têm acesso aos serviços públicos básicos e enfrentam problemas comuns às comunidades carentes como o desemprego e o alcoolismo. 

As primeiras discussões sobre a inclusão dos ciganos aos direitos sociais só começaram no País a partir de 2002. Pela Constituição Federal de 1988, a etnia cigana foi incluída na classificação de minorias étnicas. 

Atualmente, foram concretizadas algumas ações governamentais a nível nacional:  a instituição do Dia Nacional do Cigano, comemorado em 24 de maio, em homenagem à sua padroeira, Santa Sara Kali; a criação do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e a publicação de uma cartilha de direitos da cidadania cigana. Existem também algumas ações pontuais e regionalizadas, fruto de articulações com outros segmentos da sociedade civil organizada.

Para o povo cigano é muito importante o sentimento de pertencer a um grupo, a um clã ou tribo e o cumprimento do código da etnia. Os seus dialetos (romani, sinto, caló entre outros) são ágrafos, ou seja, não possuem escrita e o nomadismo, reconhecido como uma referência da identidade cigana, em muitos casos, lhes foi imposto devido às constantes perseguições, preconceitos e hostilidade de que foram e continuam sendo vítimas.

Recife, 23 de agosto de 2012.

FONTES CONSULTADAS:

BARROS, Carlos Juliano. Uma vila cigana no sertão paraibano: descendentes de nômades, eles se fixaram no Nordeste e enfrentam pobreza e preconceito. Problemas Brasileiros, São Paulo, ano 47, n. 397, p. 58-62, jan./fev. 2010.

BUENO, Virginia R. S. A globalização e o espaço do cidadão: espaço global, mundo fragmentado. Travessia: Revista do Migrante, São Paulo, ano 10, n. 27, p. 15-21, jan./abr. 1997.

COSTA, Elisa Maria Lopes da. Ciganos em terras brasileiras. Revista de História, Rio de Janeiro, ano 2, n. 14, p. 16-19, nov. 2006.

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais pernambucanos. Recife: Arquivo Público estadual, 1953. V. 5, p. 299-303.

DERLON, Pierre. Tradições ocultas dos ciganos. São Paulo: DIFEL, 1975. 238 p. 

MOONEN, Frans. As minorias ciganas e o direito: projeto de estudo interdisciplinar. João Pessoa: UFPB, MCS, 1995. 51p. (Cadernos de ciências sociais, 36).

PEREIRA, Cristina da Costa. Povo cigano. Rio de Janeiro: MEC Editora, 1986. 266 p. 

SENNA, Ronaldo. A seda esgarçada: configuração sócio-cultural dos ciganos de Utinga. Feira de Santana, BA: UEFS, 2005. 284 p. 

SOUZA, Mirian Alves de. Ciganos, Roma e Gypsies: categorias de atribuição e classificações identitárias. Travessia: Revista do Migrante, São Paulo, n. 67, p. 37-44, jul./dez. 2010.

TEIXEIRA, Rodrigo Corrêa. História dos ciganos no Brasil. Recife: Núcleo de Estudos Ciganos, 2008. 127 p. Disponível em: . Acesso em: 13 jul. 2012.

VANELLI, Marta. Nomadismo Cigano: migração dos excluídos. Cadernos do CEOM, Chapecó, SC, ano 23, n. 32, p. 257-266, jun. 2010. 

COMO CITAR ESTE TEXTO:
GASPAR, Lúcia. Ciganos no Brasil. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: . Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.
 

Matéria Lincada de: http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=914&Itemid=1