segunda-feira, 10 de junho de 2013

War-in-MA. São Luís - 19 (dezenove) mortes violentas registradas neste final de semana.

Até policial é morto no final de semana em São Luís.

Foi morto a tiros na noite de sábado (8), em São Luís, o policial militar Gilson Furtado de Araújo (1ª vítima). O crime ocorreu após uma discussão do policial com o dono de um estabelecimento comercial localizado no Monte Castelo.

De acordo com informações colhidas pela reportagem do GI Portal, o policial teria se dirigido ao comércio para reclamar com o dono do estabelecimento sobre uma cerveja que estaria estragada. Foi quando o comerciante se recusou a trocar a cerveja e os dois começaram a discutir.

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O policial teria sacado de uma arma e disparado contra o comerciante que revidou. Atingido por um dos tiros, o policial ainda foi levado para Socorrão I, mas não resistiu e acabou morrendo.

O crime foi registrado no Plantão Central da Beira Mar, no centro da capital maranhense.

Outros crimes - Mas, além deste, outros homicídios  ocorreram na região metropolitana de São Luís, durante o final de semana.

Entre eles:

2 - Bruno Rafael Pires dos Santos, 26 anos, vitima de arma de fogo, o crime ocorreu no Jardim São Cristóvão São Luís; 

3 - Orlando Dourado, 26 anos,  vitima de arma branca, Vila Nazaré, município de Paço do Lumiar; 

4 - Marcio Costa Santos, 28 anos, arma de fogo, bairro do Anjo da Guarda, em São Luís;

5 - Raul José de Araújo Ramos, 28 anos, arma de fogo, bairro do Filipinho, em São Luís;

6 - Alisson da C. Castro Almeida, 21 anos, arma de fogo, bairro da Liberdade, em São Luís; 

7 - Raimundo Nonato Castro Costa, 39 anos, arma de fogo, bairro do Paranã, em Paço do Lumiar.

Mais mortes: Plantões policiais também registraram mais cinco mortes nas ultimas 24 horas.


Nas últimas 24 horas os plantões de polícia registraram mais quatro mortes por ferimentos ocasionados por armas de fogo, sendo dois homicídios dolosos, um latrocínio, e um em confronto com a polícia, no Calhau. Uma pessoa morreu atropelada por uma motocicleta, na MA-201, próximo ao Maiobão.

Estatística: De acordo com os números oficiais da Secretaria de Segurança Pública (SSP), até as 11h deste domingo (9) foram registradas 19 homicídios dolosos na região metropolitana de São Luís, um número 58,3% maior que o verificado no mesmo período de 2012.

Ao longo de 2013, a SSP registrou 318 homicídios dolosos, enquanto que no ano passado aconteceram 207, um aumento de 53,62% nas estatísticas. 


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Matérias publicadas em: 



Jovens vão às ruas e nos mostram que desaprendemos a sonhar.

Por sugestão de Nilva de Souza, de fato um texto que merece leitura e reflexão, especialmente para os pragmáticos que sempre querem justificar o injustificável.

AOS QUE AINDA SABEM SONHAR.

Por Andre Borges Lopes, via Luis Nassif.

09/06/2013 – 16:04.

O fundamental não é lutar pelo direito de fumar maconha em paz na sala da sua casa. 

O fundamental não é o direito de andar vestida como uma vadia sem ser agredida por machos boçais que acham que têm esse direito porque você está “disponível”. 

O fundamental não é garantir a opção de um aborto assistido para as mulheres que foram vítimas de estupro ou que correm risco de vida. 

O fundamental não é impedir que a internação compulsória de usuários de drogas se transforme em ferramenta de uma política de higienismo social e eliminação estética do que enfeia a cidade. 

O fundamental não é lutar contra a venda da pena de morte e da redução da maioridade penal como soluções finais para a violência. 

O fundamental não é esculachar os torturadores impunes da ditadura. 

O fundamental não é garantir aos indígenas remanescentes o direito à demarcação das suas reservas de terras. 

O fundamental não é o aumento de 20 centavos num transporte público que fica a cada dia mais lotado e precário.

O fundamental é que estamos vivendo uma brutal ofensiva do pensamento conservador, que coloca em risco muitas décadas de conquistas civilizatórias da sociedade brasileira.

O fundamental é que sob o manto protetor do “crescimento com redução das desigualdades” fermenta um modelo social que reproduz – agora em escala socialmente ampliada – o que há de pior na sociedade de consumo, individualista ao extremo, competitiva, ostentatória e sem nenhum espaço para a solidariedade.

O fundamental é que a modesta redução da nossa brutal desigualdade social ainda não veio acompanhada por uma esperada redução da violência e da criminalidade, muito pelo contrário. E não há projeto nacional de combate à violência que fuja do discurso meramente repressivo ou da elegia à truculência policial.

O fundamental é que a democratização do acesso ao ensino básico e à universidade por vezes deixam de ser um instrumento de iluminação e arejamento dos indivíduos e da própria sociedade, e são reduzidos a uma promessa de escada para a ascensão social via títulos e diplomas, ao som de sertanejo universitário.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos “libertários” e “de esquerda” hoje abriram mão de disputar ideologicamente os corações e mentes dos jovens e dos novos “incluídos sociais” e se contentam em garantir a fidelidade dos seus votos nas urnas, a cada dois anos.

O fundamental é que os políticos e grandes partidos antigamente ditos “sociais-democratas” já não tem nada a oferecer à juventude além de um neo-udenismo moralista que flerta desavergonhadamente com o autoritarismo e o fascismo mais desbragados.

O fundamental é que a promessa da militância verde e ecológica vai aos poucos rendendo-se aos balcões de negócio da velha política partidária ou ao marketing politicamente correto das grandes corporações.

O fundamental é que os sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis estão entregues a um processo de burocratização, aparelhamento e defesa de interesses paroquiais que os torna refratários a uma participação dinâmica, entusiasmada e libertária.

O fundamental é que temos em São Paulo um governo estadual que é francamente conservador e repressivo, ao lado de um governo federal que é supostamente “progressista de coalizão”. 

Mas entre a causa da liberação da maconha e defesa da internação compulsória, ambos escolhem a internação. 

Entre as prostitutas e a hipocrisia, ambos ficam com a hipocrisia. 

Entre os índios e os agronegócio, ambos aliam-se aos ruralistas. 

Entre a velha imprensa embolorada e a efervescência libertária da Internet, ambos namoram com a velha mídia. 

Entre o estado laico e os votos da bancada evangélica, ambos contemporizam com o Malafaia. 

Entre Jean Willys e Feliciano, ambos ficam em cima do muro, calculando quem pode lhes render mais votos.

O fundamental é que o temor covarde em expor à luz os crimes e julgar os aqueles agentes de estado que torturaram e mataram durante da ditadura acabou conferindo legitimidade a auto-anistia imposta pelos militares, muitos dos quais hoje se orgulham publicamente dos seus crimes bárbaros – o que nos leva a crer que voltarão a cometê-los se lhes for dada nova oportunidade.

O fundamental é que vivemos numa sociedade que (para usar dois termos anacrônicos) vai ficando cada vez mais bunda-mole e careta. Assustadoramente careta na política, nos costumes e nas liberdades individuais se comparada com os sonhos libertários dos anos 1960, ou mesmo com as esperanças democráticas dos anos 1980. Vivemos uma grande ofensiva do coxismo: conservador nas ideias, conformado no dia-a-dia, revoltadinho no trânsito engarrafado e no teclado do Facebook.

O fundamental é que nenhum grupo político no poder ou fora dele tem hoje qualquer nível mínimo de interlocução com uma parte enorme da molecada – seja nas universidades ou nas periferias – que não se conforma com a falta de perspectivas minimamente interessantes dentro dessa sociedade cada vez mais bundona, careta e medíocre.

Os mesmos indignados que se esgoelam no mundo virtual clamando que a juventude e os estudantes “se levantem” contra o governo e a inação da sociedade, são os primeiros a pedir que a tropa de choque baixe a borracha nos “vagabundos” quando eles fecham a 23 de Maio e atrapalham o deslocamento dos seus SUVs rumo à happy-hour nos Jardins.

Acuados, os políticos “de esquerda” se horrorizam com as cenas de sacos de lixo pegando fogo no meio da rua e se apressam a condenar na TV os atos de “vandalismo”, pois morrem de medo que essas fogueiras causem pavor em uma classe média cada vez mais conservadora e isso possa lhes custar preciosos votos na próxima eleição.

Enquanto isso a molecada, no seu saudável inconformismo, vai para as ruas defender – FUNDAMENTALMENTE – o seu direito de sonhar com um mundo diferente. 

Um mundo onde o ensino, os trens e os ônibus sejam de qualidade e gratuitos para quem deles precisa.

Onde os cidadãos tenham autonomia de decidir sobre o que devem e o que não devem fumar ou beber. 

Onde os índios possam nos mostrar que existem outros modos de vida possíveis nesse planeta, fora da lógica do agribusiness e das safras recordes. 

Onde crenças e religião sejam assunto de foro íntimo, e não políticas de Estado. 

Onde cada um possa decidir livremente com quem prefere trepar, casar e compartilhar (ou não) a criação dos filhos. 

Onde o conceito de Democracia não se resuma à obrigação de digitar meia dúzia de números nas urnas eletrônicas a cada dois anos.

Sempre vai haver quem prefira como modelo de estudante exemplar aquele sujeito valoroso que trabalha na firma das 8 da manhã às 6 da tarde, pega sem reclamar o metrô lotado, encara mais quatro horas de aulas meia-boca numa sala cheia de alunos sonolentos em busca de um canudo de papel, volta para casa dos pais tarde da noite para jantar, dormir e sonhar com um cargo de gerente e um apartamento com varanda gourmet.

Não é meu caso. Não tenho nem sombra de dúvida de que prefiro esses inconformados que atrapalham o trânsito e jogam pedra na polícia. Ainda que eles nos pareçam filhinhos-de-papai, ingênuos em seus sonhos, utópicos em suas propostas, politicamente manobráveis em suas reivindicações, irresponsavelmente seduzidos pelos provocadores de sempre.

Desde a Antiguidade, esses jovens ingênuos e irresponsáveis são o sal da terra, a luz do sol que impede que a humanidade apodreça no bolor da mediocridade, na inércia do conformismo, na falta de sentido do consumismo ostentatório, nas milenares pilantragens travestidas de iluminação espiritual.

Esses moleques que tomam as ruas e dão a cara para bater incomodam porque quebram vidros, depredam ônibus e paralisam o trânsito. 

Mas incomodam muito mais porque nos obrigam a olhar para dentro das nossas próprias vidas e, nessa hora, descobrimos que desaprendemos a sonhar.

Leia também:








Sérgio Bruno: Ao promotor Zagallo, de colega para colega


Link Original desta Matéria: http://mariafro.com/2013/06/09/aos-que-ainda-sabem-sonhar/

domingo, 9 de junho de 2013

A Revista Playboy será fechada, ou não? É esta a decisão dos irmãos Civita a ser anunciada amanhã.

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Fechar Playboy amanhã é decisão dos irmãos Civita.

247 exclusivo: emblema do Grupo Abril, revista Playboy estará entre as publicações a serem "descontinuadas" pela editora; circula há 35 anos; lista completa sai nesta segunda-feira 10; feminina Contigo será vendida à Editora Caras; mensal masculina virou máquina de dar prejuízos; cachês milionários, como o que foi pago para a atriz Flavia Alessandra (acima), não garantiram mais vendas; circulação que já superou 1,2 milhão está abaixo dos 150 mil exemplares; público adolescente migrou para a internet na troca de ensaios estáticos por cenas mais quentes e com movimento na rede; Gianca e Titi Civita não manterão as aparências.


9 de Junho de 2013 às 15:44.


Não deixe de Lêr a Revista Não Vale - segunda edição completa

Atendendo a um pedido da ong. justica nos trilhos, venho convidar voce à.... Ler e divulgar a versão integral, em formato eletrônico, da revista "Não Vale". 

Essa segunda edição da revista é inteiramente dedicada à duplicação do sistema mina - ferrovia - porto em concessão à empresa Vale, nos estados de Pará e Maranhão. 

Artigos de jornalistas, pesquisadores acadêmicos e instituições ambientais analisam os impactos provocados às comunidades e ao meio ambiente, bem como os interesses econômicos que sustentam esse enorme empreendimento. 

Texto integral em anexo.

Câmara: Audiência Pública debaterá Lei dos Mestres dos saberes.

 

A Comissão de Cultura aprovou em reunião realizada dia 24 de abril, requerimento para realização de Audiência Pública para debater o Projeto de Lei nº 1176, de 2011 de autoria do deputado Edson Santos (PT-RJ), que “institui o Programa de Proteção e Promoção dos Mestres e Mestras dos Saberes e Fazeres das Culturas Populares”. A audiência pública será realizada na próxima terça-feira (11), às 14h, em Plenário da Câmara dos Deputados.

O texto em tramitação define como mestre da cultura a pessoa cuja vida ou obra foi dedicada ao desenvolvimento da cultura tradicional e à transmissão desses saberes. O Conselho Nacional de Política Cultural será o órgão responsável por analisar os pedidos de concessão do título, que só será garantido a quem atender aos seguintes requisitos: comprovar, por depoimentos e documentação, a existência do saber relevante ou do fazer popular tradicional representado pela pessoa ao longo da história; deter a memória indispensável à transmissão do saber ou fazer; atuar no Brasil há pelo menos dez anos.

O PL propõe a certificação como “mestres de saberes e fazeres das culturas populares” e a garantia de bolsas temporárias.

A certificação é de caráter vitalício e pode ser considerada elemento de pontuação diferenciada no caso de seleção de editais públicos e/ou outras formas de acesso ao fomento do Estado.

Já em relação à bolsa, seu objetivo é permitir que o mestre, além de transmitir seus saberes, possa aproximar-se do universo das políticas públicas, podendo atuar também como mediador entre as comunidades e o Estado. A proposta é que ela seja temporária, pois não deve se configurar como aposentadoria ou benefício continuado e que monetariamente, seja equivalente às bolsas de mestrado pagas pelas agências financiadoras no âmbito acadêmico, como CNPQ e Capes.

Em contrapartida, os mestres e mestras reconhecidos pelo programa deverão desenvolver atividades ensejadoras do reconhecimento, principalmente quanto à manutenção da prática e à transmissão de conhecimentos e estar disponível como uma espécie de conselheiro ad hoc do MINC e das Secretarias Estaduais e Municipais nos processos de proposição, implementação e avaliação de políticas culturais.

Foram convidadas para o debate: Célia Corsino, representante do Ministério da Cultura e Diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, Mestra Doci, representante nacional dos Griôs e Mestres, Marcelo Manzatti, Secretário Executivo da Rede das Culturas Populares e Tradicionais e Marcelo das Histórias, representante do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Fonte: Ascom do deputado Edson Santos


Matéria original em: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=11&id_noticia=215573

War-in-MA: Noite sangrenta - Policial Militar é assassinado no bairro Apeadouro, em São Luís.


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O policial militar Gilson Furtado de Araújo foi assassinado a tiros, na início da noite deste sábado (08), na Rua Armando Vieira da Silva, bairro Apeadouro. 

Pelas informações de testemunhas do crime, o militar foi atingido com cerca de oito disparos.


O autor do crime e o policial assassinado estavam eu um bar, onde o crime aconteceu. 

Gilson Furtado ainda foi levado para o Hospital Municipal Djalma Marques, o Socorrão I, mas não resistiu aos ferimentos.

Policiais arrombaram e invadiram o estabelecimento comercial, onde o crime teria acontecido, na tentativa de prender o acusado, mas ele havia fugido do local, não sendo localizado até o momento.


O PM Gilson Furtado residia no João Paulo e deixa a esposa com 3 meses de gestação. 

O autor dos disparos seria o proprietário do bar. A família do PM reside no bairro Sacavém.

Motociclista assassinado


Ainda na noite deste sábado, mais um latrocínio foi registrado na região metropolitana de São Luís.

A vítima foi identificada apenas como Raimundo Nonato, de 39 anos, que teve a moto roubada por dois homens acusados de praticar o crime. 

Brasil perde mais um filho ilustre. O criador do Programa do Álcool, José Walter Bautista Vidal, faleceu no sábado 01 de junho.

Bautista Vidal, incansável defensor dos interesses nacionais.

[*] Adriano Benayon – 05.06.2013

O criador do Programa do Álcool, José Walter Bautista Vidal, faleceu no sábado 01 de junho.
José Walter Bautista Vidal

O pesar foi grande para as centenas de milhares de brasileiros e brasileiras que o conheceram, participaram de suas palestras, leram seus livros e tiveram conhecimento de suas realizações à frente da Secretaria de Tecnologia Industrial (STI) do Ministério da Indústria e do Comércio, de 1974 a 1978, e das que levou adiante e inspirou depois disso. 

Mas, desde logo, veio à mente dos seus amigos a memória da vitalidade e do entusiasmo produtivo que caracterizou a existência de Bautista Vidal. De fato, uma das qualidades que o distinguiu, é a de lutador.  

Certamente o que seu espírito está esperando de nós é darmos prosseguimento à luta que foi sua principal razão de viver: esclarecer nossos compatriotas para que se libertem do jugo da tirania financeira, que abrange não só o cartel anglo-americano do petróleo e associados, mas também o que ele denominou a tirania videofinanceira, a que assegura a escravização por meio da desinformação e da destruição dos valores civilizatórios.

Os que estivemos juntos com Bautista Vidal - em palestras, reuniões e encontros em numerosas cidades brasileiras - sabemos que ele semeou informações científicas e técnicas e, mais que isso, despertou a chama do sentimento nacional e a compreensão de que a grandiosidade do País é incompatível com a situação a que nosso povo está sendo submetido: a de ser pretensamente governado, há decênios, por medíocres e covardes, meros executantes do que determina a oligarquia capitalista estrangeira. 

Que não se iluda quem pensar que estas palavras contêm viés ideológico. Com efeito, entre os que absorveram lições de Bautista Vidal está gente da extrema esquerda à extrema direita.  

O que tem em comum toda essa gente? Simplesmente o sentimento de nacionalidade e a percepção de que o Brasil está sendo saqueado, que não merece sê-lo e que há que abandonar a passividade: mudar esse estado de coisas. Só não compreendem a demonstração de coisas concretas e objetivas aqueles cujas sinapses interneuronais estão bloqueadas por preconceitos. 

As veementes condenações de Bautista Vidal dirigiam-se aos que se submetem às falsas verdades convencionais, veiculadas notadamente por organismos internacionais, como o Banco Mundial, a OMC e a própria CEPAL, cujas políticas Vidal desnudou em seu último livro, “A Economia dos Trópicos”. 

Bautista Vida escreveu 12 livros, entre os quais: “De Estado Servil à Nação Soberana; Civilização Solidária dos Trópicos; Soberania e Dignidade; Raízes da Sobrevivência; O Esfacelamento da Nação; A Reconquista do Brasil; Petrobrás – Um Clarão na História”, no qual ressalta a importância das ações do presidente Getúlio Vargas.

Na Secretaria de Tecnologia Industrial (STI), Bautista Vidal fundou o Programa do Álcool, graças ao qual o Brasil foi o primeiro País a dominar plenamente a tecnologia de fabricação eficiente de álcool combustível. Em determinada altura dos anos 80, praticamente todos os carros produzidos no Brasil eram movidos a etanol. 

O Programa do Álcool só não deu maiores frutos porque sofreu influências deletérias, determinadas pelo endividamento do País, causado pelo modelo dependente. Entre essas influências, a do Banco Mundial, que fez privilegiar as grandes usinas e as plantations de cana-de-açúcar. Isso difere muito do que foi idealizado pelos técnicos sob a direção de Vidal: produção descentralizada, evitando os gastos do transporte, geralmente em caminhões a diesel de petróleo, por centenas de quilômetros, da cana até as destilarias e o caminho inverso na distribuição do combustível. 

Ademais, nessa indústria, que era nacional – e que, por isso mesmo, realizou importantes desenvolvimentos tecnológicos no País - o projeto da STI abrangia também a bioquímica do etanol e a dos óleos vegetais, com enorme potencial para criar novos produtos substituidores dos obtidos através da petroquímica.  

Bautista Vidal engajou mais de 1.500 técnicos e pesquisadores e estruturou numerosos centros de pesquisa tecnológica, desmontados pelos governos entreguistas que se seguiram. A STI legou, entretanto, o modelo e as soluções adequadas, não só para a produção descentralizada de álcool - combinada com a pecuária e a agricultura - mas ainda as bases para o aproveitamento das magníficas plantas oleaginosas do País, como dendê, macaúba e pinhão manso.

Tudo isso é, até hoje, boicotado e inviabilizado pela ANP, Petrobrás, MME e demais instituições oficiais, de há muito teleguiadas pelos interesses do cartel mundial do petróleo.

Bautista Vidal não obteve êxito em sua proposta de criar a Empresa Brasileira de Agroenergia, ideia que defendeu em encontros com Lula e colaboradores do governo deste. A Petrobrás Biocombustíveis, que resultou desses esforços, não realiza coisa alguma do recomendado desde os anos 70 pela antiga STI. 

Nos anos 80 e grande parte dos anos 90, Bautista Vidal disseminou seus conhecimentos e experiências como Professor na Universidade de Brasília, no Departamento de Tecnologia e coordenador de importantes debates no  Núcleo de Estudos Estratégicos. Aí palestrou e convidou palestrantes dos mais destacados de todas as áreas de grande interesse para o País.

Suas intervenções - junto com as do grupo multidisciplinar que, durante muitos anos, participou desses debates - produziram um acervo de contribuições que teriam servido de base para o planejamento estratégico de qualquer país dotado de governos interessados no desenvolvimento nacional.  

Entre os valiosos ensinamentos que Vidal transmitia, mencionarei só um, que costumo reiterar em meus artigos, tal é a falta de entendimento, para a grande maioria das pessoas, deste fundamental conceito: a empresa produtiva, concorrendo no mercado, é o único lugar em que é possível desenvolver tecnologia.  

Consequentemente:

1) um país cuja indústria estiver em mãos de empresas transnacionais estrangeiras jamais desenvolverá tecnologia.
 
2) Se a quiser desenvolver, terá que adotar reserva de mercado. 
 
3) De pouquíssimo servem os institutos e centros de pesquisa, se empresas nacionais (de capital nacional) não operarem no mercado com condições de se manterem e desenvolverem.

É de destacar, ainda, a ação exemplar do professor Bautista Vidal como militante na defesa do patrimônio nacional saqueado com as privatizações determinadas pelas potências hegemônicas e impostas pelos governos lacaios de Collor e FHC. Com elas a União Federal gastou centenas de bilhões de reais (nada recebendo em valor líquido) para entregar patrimônios públicos de valor imensurável, avaliados, em visão de curto prazo, em dezenas de trilhões de dólares. 

Recordou-me uma das admiradoras do Professor tê-lo visto, em pé, a bordo de um caminhão, com outras figuras ilustres, como o General Antônio Carlos Andrada Serpa, manifestando contra a criminosa doação (privatização) da Cia. Vale do Rio Doce.   

Lembra, a propósito, o jornalista Beto Almeida, ter o Professor ingressado com representação na Procuradoria da Justiça Militar contra o ex-presidente FHC, acusando-o, fundamentadamente, de alienar o subsolo, território nacional, o que constitui crime dos mais graves entre os cominados pelo Código Penal Militar.

 
[*] Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.  Foi vice-presidente do Instituto do Sol, presidido por Bautista Vidal. Após e durante cinco anos suscitar projetos de energia da biomassa em várias cidades do interior do País, o Instituto foi desativado por falta de interesse do governos federal e de governos estaduais em promover esse modo democrático, econômico e ecológico de produzir energia.

Texto enviado pelo autor.

 Link original desta matéria: http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/06/bautista-vidal-incansavel-defensor-dos.html