domingo, 16 de junho de 2013

Estranhamento IV - ‘O que está em chamas em São Paulo é a visão oligárquica da cidade’.

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Créditos - Foto Brasil 247.
Para Paulo Moreira Leite, diretor da ISTOÉ em Brasília, “enquanto a parte de cima da cidade passou os últimos anos procurando transformar a definição de ciclovias em questão de alta relevância para os poderes públicos, a população debaixo estava preocupada com o preço da passagem de ônibus”


16 de Junho de 2013 às 11:06.


Estranhamentos - II: Ser gauche na vida*.

Texto de Cynara Menezes.


(não sei quem é o autor desta foto, mas acho perfeita para este artigo; reparem na camiseta do mendigo)


Publiquei este artigo em novembro de 2011, bem antes, portanto, do julgamento do mensalão. Acredito que continue válido para os dias que vivemos.


***


Ser gauche na vida


Li no jornal sobre uma entrevista de Carlos Drummond de Andrade em que ele dizia: “a esquerda, até agora, no Brasil, tem sido a parte mais errada da opinião pública, a que mais caiu em erros”. 

O poeta querido afirmava abominar a direita, mas defendia a tese de que é possível “não ser partidário da esquerda e ter um pensamento consequente, que é o pensamento socialista, que não é propriedade da esquerda”. 

Enfim: ser socialista não é propriedade da esquerda. Uau. Essa frase mexeu comigo.


O que o autor dos versos “Vai, Carlos! ser gauche na vida” quis dizer com isso? A entrevista foi dada na época da campanha das Diretas Já, em 1984. Drummond, aliás, era contra. Ele chegou a apoiar o golpe militar em 1964, depois se arrependeria ao ver que a coisa não era para o seu “paladar”. 

Ou seja, o poeta mineiro possuía um certo conservadorismo, mas detestava a direita, por um lado; por outro, desprezava a esquerda, mas admirava o socialismo. É possível?


Fica claro para mim que Drummond manifestava desagrado com o que a esquerda se tornara ao longo do tempo. Não se pode acusar a direita de haver queimado o filme da esquerda: a própria esquerda no poder se encarregou de fazer seu marketing negativo. 

Sob a égide do “socialismo”, surgiram ditaduras, se perseguiram opositores, se restringiram liberdades individuais, houve censura, tortura e corrupção. E, mais grave, não se sanaram as diferenças sociais. 

O poeta devia pensar: como estes “esquerdistas” se atrevem a usar o nome do socialismo em vão? Se vivesse hoje em dia, Drummond não pensaria diferente: a “esquerda” continua blasfemando contra o socialismo. São poucos os reais esquerdistas representando o povo dentro dos partidos ditos de esquerda. Esquerdismo no sentido de ser progressista e um pouco além.


Ser de esquerda é:

- não roubar nem deixar roubar; 

- é ser contra a exploração do homem pelo homem e de países por outros países;

- é ser a favor da igualdade entre raças e gêneros;  

- do Estado laico; 

- é ser contra o preconceito e a intolerância;  

- é ser a favor da natureza; 

- de que o povo coma bem e direito;  

- da justiça social;  

- é ser a favor de uma nova política para drogas e aborto; 

- da reforma agrária;  

- da moradia, 

- da educação e da saúde de qualidade para todos. 

Ser de esquerda é ser um defensor incorruptível da paz, da democracia e da liberdade. E ser de esquerda é, sim, dar menos importância ao dinheiro e mais à felicidade. (Que me perdoem os bons ricos, deles será o reino dos Céus.)


Vejo esta manifestação agora em Wall Street e sua interessante bandeira dos 99% que não têm nada contra o 1% que tem tudo, contra a ganância dos especuladores e dos bancos, as grandes corporações exploradoras e contra os corruptos. 

Pode ser minúsculo e ingênuo, não importa, mas é um movimento de esquerda, da verdadeira esquerda revolucionária, agora pacífica. É uma luta de Davi e Golias. Garotos com cartazes na mão contra o capitalismo, a fome, a opressão, as desigualdades, a injustiça. 

Não era isso que pregava o socialismo em seus utópicos primórdios? Mas tenho certeza que, se alguém chegar para muitos daqueles guris e chamá-los “esquerdistas”, eles irão torcer o nariz e fazer um muxoxo igual a Drummond.


A queda do muro de Berlim derrubou o socialismo naquele momento, mas se pelo menos suas concepções teóricas ainda são respeitadas, não se pode dizer a mesma coisa do esquerdismo. Hoje, o capitalismo também começa a ruir a olhos vistos, está fazendo água, não é “perfeito” como os neoliberais apregoavam.

As guerras que os países capitalistas promovem já não são suficientes para disfarçar o fracasso do sistema em si. Por uma coincidência cósmica, de novo é The Wall dando o pontapé de partida. The Wall Street. Claro que a derrubada do muro foi televisionada 24 horas por dia enquanto a ocupação de Wall Street é ignorada pela mídia. Mas quem é que esperava moleza?


Esta grande crise econômica que se avizinha deveria ser uma hora e tanto para repensar o “ser de esquerda”, no mundo e no Brasil. Se estiverem interessados, os que se dizem de esquerda, os que se sentem de esquerda e os que amam a esquerda podiam aproveitar a oportunidade para rever bandeiras, ideais, discursos, projetos e sobretudo rever a prática do que é a “esquerda”. Em vez de continuar a macular a expressão, torná-la digna de se associar ao termo “socialismo”. 

Vinte anos após o fim da União Soviética, a palavra “esquerda” segue em baixa no mundo. Entre os direitistas, tanto faz que pensem assim, mas o mais triste é que ela está em baixa mesmo entre os que são de esquerda e nem sabem disso. Como os poetas.


(artigo originalmente publicado no site de CartaCapital em 16/11/2011)

Publicado em 8 de janeiro de 2013.

Estranhamentos III - Tarifa zero, do PT de Erundina ao PT de Haddad.

A mudança do partido em relação à proposta de gratuidade nos transportes é reflexo da mudança do próprio PT, já bastante debatida em dez anos de gestão Lula-Dilma.


Por Thais Carrança


“Uma bandeira, às vezes, coloca uma utopia, mas que indica um problema que é, no caso, o peso do transporte no bolso do trabalhador.”  A declaração é do prefeito paulistano Fernando Haddad, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada em 10 de junho. 

Após justificar a ação violenta da Polícia Militar em manifestações contra o aumento das tarifas dos transportes públicos na capital, o petista declarou ser uma “utopia” o que um dia foi proposta de governo do PT, durante gestão da prefeita Luiza Erundina (1989-1992).


A mudança do partido em relação à proposta de gratuidade nos transportes é reflexo da mudança do próprio PT, já bastante debatida em dez anos de gestão Lula-Dilma. 

O PT de Erundina, com o engenheiro Lúcio Gregori à frente da Secretaria Municipal dos Transportes, defendia a universalização do acesso aos serviços públicos. Assim, a tarifa se impunha como barreira, posto que excluía (e ainda exclui) todos aqueles que não podiam pagar por ela.


A solução pensada por Gregori e sua equipe foi então retirar a responsabilidade do custeio dos ônibus municipais do usuário direto e passá-la ao contribuinte, como ocorre com os demais serviços públicos, como saúde, educação e segurança pública. 

Para isso, seria criado um Fundo de Transportes, com recursos advindos de um aumento progressivo no Imposto predial territorial urbano (IPTU), numa lógica de que “quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos, quem não tem não paga”.


(Foto Movimento Passe Livre)
Erundina governou com minoria na Câmara Municipal e isolada dentro do próprio partido, após derrotar nas prévias internas o candidato favorito Plínio de Arruda Sampaio. Assim, o projeto de lei que criaria o Fundo de Transporte para financiar a tarifa zero não chegou sequer a ser votado.


Mais de dez anos depois, em 2005, surge um novo ator político: o Movimento Passe Livre (MPL). Após algum tempo defendendo a gratuidade nos transportes apenas para estudantes, o movimento vai além, e toma para si a proposta histórica do PT, passando a defender a tarifa zero universal.


Em 2006, militantes do MPL interpelam o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante evento em Aracaju (SE). 

Ao que Lula responde: “A idade é boa por isso. Quando a gente chega a ter 60 anos de idade, atinge a maturidade. Quando governa o Brasil, a gente tem seriedade. 

A gente não pode ficar entendendo que pode chegar um grupinho de pessoas e falar: ‘eu quero cinema de graça, eu quero teatro de graça, eu quero ônibus de graça’. Eu também quero tudo de graça, mas nós temos de trabalhar.” (Folha de S. Paulo, 16/03/06).


Estava ali explícita a ideologia do novo PT, orgulhoso de sua “nova classe média”: a do abandono da luta pela universalização do acesso aos serviços públicos para todos os cidadãos, substituída pela busca por uma ampliação do acesso a serviços privados para aqueles consumidores que possam pagar por isso.


É o que identificou o economista e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em seu livro “Nova classe média?”. 

O candidato petista derrotado à prefeitura de Campinas (SP) escreveu em 2012: “O adicional de ocupados na base da pirâmide social reforçou o contingente da classe trabalhadora, equivocadamente identificada como uma nova classe média. 

Talvez não seja bem um mero equívoco conceitual, mas expressão da disputa que se instala em torno da concepção e condução das políticas públicas atuais. 

A interpretação de classe média (nova) resulta, em consequência, no apelo à reorientação das políticas públicas para a perspectiva fundamentalmente mercantil. 

Ou seja, o fortalecimento dos planos privados de saúde, educação, assistência e previdência, entre outros.”


Haddad é um político habilidoso e, apesar do equívoco ao justificar a ação violenta da PM, mostra-se aberto a dialogar com o movimento que ocupa as ruas da cidade pedindo a reversão imediata do aumento, rumo à tarifa zero. 

Nesse sentido, diz que estuda reduzir o preço das passagens dos ônibus municipais através da municipalização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que incide sobre combustíveis. No entanto, rebaixa a pauta do movimento ao declarar que o que está em discussão é “o peso do transporte no bolso do trabalhador”.


Não é. O que está em discussão é a universalização do acesso a um serviço que é direito da população, através da gratuidade para o usuário final. O PT de Haddad, o mesmo PT do Lula de 2006 em Aracaju, esqueceu-se do PT de Erundina. 

O PT da cidadania, da universalização de direitos e do serviço público está sendo enterrado pelo PT do consumo, do privilégio de quem pode pagar e do serviço mercantilizado.


Cabe ao movimento nas ruas mostrar que a tarifa zero não é uma “utopia”. É, sim, parte de um projeto de cidade para todos.


Thais Carrança é jornalista, foi militante do Movimento Passe Livre (MPL) e realizou, em 2011, o audio-documentário “Três reais é roubo!” (http://tarifazero.org/2011/06/21/tres-reais-e-roubo/ ), sobre a luta contra o aumento naquele ano.

As opiniões aqui expressas refletem exclusivamente a posição da autora e não têm nenhuma relação com o Movimento Passe Livre.

Link original desta Matéria: http://revistaforum.com.br/blog/2013/06/tarifa-zero-do-pt-de-erundina-ao-pt-de-haddad/

Estranhamentos - I: Os 20 centavos e a indignação da esquerda com o abandono de bandeiras pelo PT.


Cynara Menezes



Por que tantos jovens aderiram à campanha contra o aumento de tarifas de ônibus e não às manifestações convocadas, com o apoio maciço da mídia, contra a corrupção e os réus do mensalão? A resposta é simples: porque esse é um protesto de esquerda, com reivindicações caras à esquerda. 

A direita não está nem aí para o aumento das tarifas do transporte público, até porque ela anda de SUV. “São só 20 centavos”, foi a reação mais comum que vi deles nas redes sociais. 

Condenaram o movimento desde a primeira hora, e vão condenar ainda mais daqui para a frente, porque, em minha opinião, o aumento da tarifa em São Paulo foi apenas o detonador de uma insatisfação crescente nos últimos anos e que agora parece prestes a explodir. E que diz respeito não à direita, mas ao PT.


É uma indignação já antiga, que começou a brotar quando o PT chegou ao poder, em 2002, e passou a substituir o verbo “lutar” de suas origens por “acochambrar” – em nome da tal governabilidade, uma palavra cada vez mais suja. 

Em 2010, a esquerda brasileira se uniu em torno de Dilma Rousseff porque não queria que chegasse ao poder a corja de fundamentalistas que apoiava o outro candidato.

Mas, para nosso espanto e asco, eles estão hoje do lado do PT, influindo nos destinos da Nação. Pior ainda, junto com os ruralistas que sempre abominamos. 

Imaginem, quando poderíamos pensar que a direita ficaria feliz com o PT no poder, e a esquerda, contrariada? Parece um pesadelo.


No poder, o PT abandonou praticamente todas suas bandeiras históricas – a única que se mantém verdadeiramente de pé é a diminuição da pobreza, da desigualdade social e étnica. 

Todos aplaudimos as conquistas inegáveis neste setor. Mas a gente não quer só comida, lembram? Queremos todas as outras bandeiras de volta, também. 

Abandoná-las tem um custo eleitoral e, se o partido não resolver fazer algo a respeito, a fatura será cobrada em 2014.


As bandeiras que o PT abandonou:


– A moralidade. Não importa que seja caixa 2 ou outra coisa, o mensalão representou uma mancha num partido que se construiu em cima de um discurso ético e não para fazer “o que os outros também fazem”. Não houve mea culpa por parte do PT até hoje, e nem sequer uma reflexão conjunta sobre o ocorrido, apenas críticas à mídia e ao Supremo.


– Os direitos humanos. Este ano, o PT, ao optar pela presidência de outras comissões “mais importantes”, deixou de estar à frente de uma comissão que tradicionalmente sempre prezou, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Isso deu espaço para que se instalasse na presidência da Comissão, para horror da sociedade civilizada, um pastor fundamentalista com histórico de homofobia e racismo, Marco Feliciano. 

Esta semana, diante da selvageria da PM nas manifestações de quarta-feira em São Paulo, o governo federal, em vez de denunciar a violência policial, fazendo jus à história do PT, ofereceu “ajuda” a Geraldo Alckmin, do PSDB, contra um protesto de jovens. O prefeito petista da capital, Fernando Haddad, em lugar de se portar ao lado dos manifestantes como seria digno de um membro do partido que tem greves no DNA, se colocou ao lado do governador tucano e da truculenta polícia.


– A reforma agrária. Dilma Rousseff conseguiu ser pior que o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso em famílias assentadas: apenas 21,9 mil, o menor número desde 1995. São dados do MST (Movimento dos Sem-Terra), velho parceiro de lutas do PT, não do “PIG”. 

É o MST quem diz que o governo de Dilma é um dos piores nos últimos 20 anos em desapropriação de terras para assentamentos. Não é à toa que a líder ruralista e senadora Kátia Abreu chegou a declarar que se sente próxima à presidenta “pela concordância de ideias” e por sua “compreensão da agropecuária brasileira”. Por favor, respondam: quem, na esquerda, votou no PT esperando ver uma ruralista contente?


– Os direitos LGBTs. A bandeira da diversidade, tão cara ao PT desde os seus princípios, inexiste hoje em dia no partido, que cedeu inteiramente à pressão dos pastores evangélicos. 

Os petistas se encontram tão reféns do fundamentalismo em nome da “realpolitik” –surrealpolitik, melhor dizendo–, que o ministro da Saúde telefonou ao pastor-deputado Marco Feliciano antes de decidir suspender uma campanha pelo uso de camisinhas entre prostitutas. 

E quem vai esquecer que o governo Dilma voltou atrás em lançar uma campanha anti-homofobia nas escolas só para atender ao obscurantismo dos políticos evangélicos? O apego ao poder deixou o valente PT medroso.


– Os índios. Dilma Rousseff, ao contrário de seus antecessores, nunca recebeu no Palácio do Planalto as lideranças indígenas. Só recentemente, após um índio ser morto pela Polícia Federal no Mato Grosso do Sul é que o secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, recebeu lideranças (em um anexo do Palácio) e admitiu erros na condução da política indígena e na discussão em torno da usina de Belo Monte. 

A presidente Dilma é, até agora, a governante que menos concedeu terras a índios desde o governo FHC. Enquanto isso, no Mato Grosso do Sul, prosseguem os conflitos: na segunda-feira 12 outro índio foi morto em uma emboscada. É ou não é para um cidadão de esquerda ficar indignado?

Crédito - Foto Movimento Passe Livre

– Transporte público barato e de qualidade. Sim, o PT já acreditou nisso. Quando Luiza Erundina se tornou a primeira mulher prefeita de São Paulo, em 1988, o partido defendia a mesma tarifa zero que os meninos do MPL (Movimento Passe Livre) que estão nas ruas protestando, defendem (leia mais aqui). Por aí fica claro quem foi que mudou.


P.S.: [Estando você em São Paulo] Não deixe de ir à manifestação PACÍFICA programada para esta segunda-feira em São Paulo, às 17h, no Largo da Batata.

Irã resolveu enviar quatro mil soldados para Síria.

Irã resolveu enviar 4 mil soldados para Síria
Créditos da Foto EPA.

O governo iraniano resolveu enviar 4 mil efetivos do Corpo dos Guardiões da Revolução Islâmica para a Síria para apoiar o presidente Bashar al-Assad, comunicou hoje o britânicoThe Independent on Sunday.




Segundo este jornal, trata-se de “um primeiro dos contingentes militares” que Teerã pode enviar para a Síria.

Ainda de acordo com essa mídia, o envio da força militar para a Síria foi decidido na sexta-feira, ou seja, antes das eleições presidenciais.

São Paulo - NOTA DO PT SOBRE MANIFESTAÇÕES CONTRA O AUMENTO DE TARIFA (da EXECUTIVA MUNICIPAL DO PT de SP).

“Leia a nota oficial divulgada pela Executiva Municipal sobre as recentes manifestações na cidade de São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô:

NOTA DA EXECUTIVA MUNICIPAL DO PT

As recentes manifestações na cidade de São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô para R$3,20, lideradas por vários movimentos sociais, dentre eles o MPL Movimento do Passe Livre, trazem para pauta do dia as péssimas condições de transporte e de descaso com a mobilidade urbana na cidade de São Paulo nos últimos anos.

O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores vem, através de sua Executiva, trazer algumas considerações sobre os acontecimentos.

A defesa por um transporte público de qualidade para todos os paulistanos sempre foi uma bandeira do partido. Foram nas gestões petistas na cidade que tivemos os maiores avanços nessa área, tais como Bilhete Único (que permitiu a maior economia da história para os usuários frequentes do sistema de ônibus), corredores de ônibus, integração com os Terminais, enfim uma efetiva prioridade para um sistema público eficiente e mais barato para o usuário.

O Partido dos Trabalhadores sempre defendeu a legitimidade dos movimentos populares na luta por melhorias, seja no transporte, saúde, habitação e demais serviços públicos, de forma pacífica, democrática, com total liberdade de expressão.

Os focos localizados de violência, praticados por parte de alguns manifestantes ocorridos nos últimos três dias na cidade de São Paulo, não podem levar à criminalização da luta legítima por transporte público e de qualidade na cidade.

Repudiamos a ação truculenta e sem dialogo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que tem sido a mesma nas greves de Professores do Estado, da saúde, dos movimentos populares em geral, sob o comando das gestões do PSDB no Estado.

O Governo Democrático e Popular liderado pelo prefeito Fernando Haddad já está apresentando para população de São Paulo ações que constam em nosso Programa de Governo na área de transporte público, como Bilhete Único Mensal que começará a funcionar em novembro agora, que reduzirá custos com o transporte para muitos paulistanos, a construção de 150 km novos de corredores na cidade para ampliar a velocidade média dos ônibus, também serão licitados 11 novos terminais, nas zonas Sul, Leste e mais um na zona Norte.

Teremos, também, a ampliação das ciclovias na cidade, fazendo com que o trabalhador possa deixar o carro em casa e se dirigir a um metrô ou terminal usando a bicicleta.

Pela primeira vez nos últimos anos, o reajuste da tarifa foi muito abaixo da inflação, exigindo enorme esforço orçamentário da prefeitura, que levará a um subsidio recorde de mais de 1,2 bilhões de reais. O prefeito cumpriu o que prometeu na campanha: reajustes abaixo da inflação.

Sabemos bem, porque estamos nessa luta há décadas, que o transporte continua caro e pesa muito no bolso do trabalhador e das famílias.

É necessário discutir seriamente as formas de financiamento de uma tarifa menos onerosa para a população.

A presidente Dilma já deu o primeiro passo, desonerando o transporte público do pagamento do PIS-COFINS. Precisamos avançar mais. O Estado de São Paulo pode e deve desonerar o ICMS do diesel para o transporte público, permitindo abaixar ainda mais a tarifa. E registramos ainda que é necessária uma fonte permanente de subsídio à tarifa, oriunda daqueles que utilizam o transporte particular.

Dirigimo-nos a todos que lutam por transporte público de qualidade e com tarifas mais baixas para estabelecer uma pauta programática com objetivos de curto e médio prazo para ampliar essa luta.

A negociação de uma pauta de melhoria do transporte público e de tarifas menos impactantes aos usuários do sistema exige um desarmamento de espíritos e a busca do diálogo. 
Temos a certeza que o prefeito Haddad tem essa disposição. Da nossa parte, buscaremos, com todas as forças, criar condições para esse diálogo entre todos que lutam por uma cidade mais justa.

São Paulo, 14 de junho de 2013.

Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores

Operação Vinagre IV - São Paulo. Jânio: a PM é que incita a desordem.


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Colunista da Folha culpa o médico e governador Geraldo Alckmin pela atuação “imoral” da polícia contra as manifestações em São Paulo: “O vídeo do soldado quebrando vidros de um carro da PM, pode ficar como símbolo fiel dos acontecimentos em que um médico autoriza e avaliza o uso de armas perigosas contra pessoas em manifestação pacífica”.

16 de Junho de 2013 às 07:05

247 – O colunista da Folha Jânio de Freitas responsabiliza o governador Geraldo Alckmin, principalmente por ser médico, pela atuação imoral da PM contra os protestos em São Paulo pela revogação do reajuste das tarifas de ônibus, trens e metrô. 

Leia: 


Efeitos imorais


Geraldo Alckmin é médico, tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar.


Já na passeata de terça-feira, alguém levava um cartaz bem visível para os PMs e mostrado várias vezes na TV: "Bala de borracha cega". Não era novidade para os soldados, era um lembrete. Não só para os soldados. Também para os meios de comunicação, dos quais, que me conste, nenhum fez alguma advertência contra o uso dessa arma. E cartaz dirigido também ao governador Geraldo Alckmin.


Um caso, entre tantos. Por um centímetro ou apenas milímetros, a repórter Giuliana Vallone, que não estava nas ruas como manifestante na quinta-feira, não perdeu um olho ao ser atingida por bala de borracha. Isso, no mínimo. 

Se uma dessas "balas não letais" atingir o flácido globo ocular, perfura-o e o cérebro está ao seu alcance. O resultado provável é a morte. Outras partes do corpo são também vulneráveis e tornam a vida vulnerável às balas de borracha. 

Agora mesmo um torcedor morreu, na Argentina, atingido por bala de borracha.


Qual é a finalidade dessa arma? É ferir, com todos os riscos de consequências além disso. Armas para afugentar, dispersar, conter à distância, sem o contato corpo a corpo do cassetete, são as bomba de gás lacrimogêneo e de gás de pimenta.


Em razão do seu cargo, o governador Geraldo Alckmin é o responsável pelo uso das balas de borracha e pelos riscos que impõem à integridade e até à vida de civis desarmados. Ainda que nem sejam participantes de atos vistos pelo governador como hostis ao seu governo.


Mas Geraldo Alckmin não é só governador. É médico. Tem ciência plena do que armas como as balas de borracha podem causar. E como médico tem o dever e o compromisso de servir à integridade e à vida de todo ser humano. 

É sua, no entanto, a responsabilidade pelo porte, pela autorização de uso e, portanto, pelas consequências das armas tão perigosas. Na linguagem convencionada, a sua é a posição de mandante do que quer que ocorra. E do que tenha ocorrido e venha a ocorrer às vítimas dos tiros com balas de borracha.


É no mínimo indecente que ainda hoje, sob o que consideramos regime democrático, chamemos os gases lacrimogêneo e de pimenta, os revólveres de choque e os tiros de borracha de armas de efeito moral. Denominação adotada pelos regimes de opressão policial-militar.


A volta de manifestações na semana entrante é mais provável do que uma solução para os protestos. Perspectiva idêntica fez aparecer na manhã de quinta-feira, nesta coluna, um trecho assim: "Quem lhes dá [aos oportunistas da arruaça] a oportunidade é sempre a polícia. As bombas de gás, os tiros, os cassetetes incitam as respostas desafiadoras: é a hora dos arruaceiros". 

À noite isso se confirmava, com reconhecimento até dos que afirmavam o oposto. É o que tende a ser visto outra vez, se as ordens dos mandantes da violência inicial não as retirarem. Ou até que haja morte. Com decorrências imprevisíveis.


O vídeo, posto na internet, do soldado quebrando vidros de um carro da PM, pode ficar como símbolo fiel dos acontecimentos em que um médico autoriza e avaliza o uso de armas perigosas contra pessoas em manifestação pacífica, a PM é que incita a desordem, e tudo é imoral nesses efeitos morais ao estilo das ditaduras, disfarçadas ou não.

LEIA MAIS:


Operação Vinagre I - Prisões realizadas nesta quinta são ilegais, afirmam advogados. http://maranauta.blogspot.com.br/2013/06/operacao-vinagre-prisoes-realizadas.html

Operação Vinagre II - São Paulo. Repúdio internacional contra violência da Policia Militar contra jornalistas. http://maranauta.blogspot.com.br/2013/06/sao-paulo-repudio-internacional-contra.html

Operação Vinagre III -
São Paulo. Protestos contra aumento da passagem ganham ato de apoio em 15 países. http://maranauta.blogspot.com.br/2013/06/operacao-vinagre-iii-sao-paulo.html

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