| Autor(es): Cristina Tardáguila | |
| O Globo - 21/04/2012 | |
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Documento recomenda que o
direito autoral migre do MinC para o Ministério da Justiça Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) que investiga desde junho, no Senado, a atuação do
Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) apresenta, na próxima terça-feira,
seu relatório final.
O documento, a que O GLOBO
teve acesso, divide-se em duas partes: uma punitiva e uma propositiva. Na
primeira, a CPI determina, entre outros pontos, que a cúpula da entidade
responsável por recolher e pagar o direito autoral de todos os músicos do país
e os dirigentes das associações que a compõem sejam alvo de 21 indiciamentos.
Entre os crimes apontados
pelos senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Lindbergh Farias (PT-RJ),
presidente e relator da CPI, respectivamente, estão apropriação indébita de
valores, fraude na realização de auditoria, formação de cartel e enriquecimento
ilícito.
Na segunda parte do
relatório, que tem 350 páginas e três mil documentos anexados, a CPI apresenta
um novo projeto de lei que tira do Ministério da Cultura (MinC) e leva para o
Ministério da Justiça (MJ) todas as questões relativas à gestão dos direitos
autorais no país.
É que o órgão controlador
não pode ser economicamente menos expressivo do que o setor a ser controlado -
explica Lindbergh. - Em 2011, o orçamento empenhado do MinC foi de R$507
milhões, e o Ecad arrecadou R$541 milhões. - Além disso, é no MJ que estão a
Defesa do Consumidor, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o
combate à pirataria.
Lá tem estrutura para regular
uma atividade assim - acrescenta Randolfe. Para aumentar a transparência do
sistema, a CPI propõe a criação de uma Secretaria do Direito Autoral e de um
Conselho Nacional dos Direitos Autorais dentro do MJ. A nova estrutura
administrativa, a ser gerida de forma tripartida por representates do poder
público, titulares de direitos autorais e membros da sociedade civil, poderá
regular, mediar conflitos e fiscalizar as entidades de gestão coletiva de
direitos autorais.
A comissão sugere ainda o
surgimento de uma ouvidoria independente para tramitar reclamações do setor.
Hoje, lembram os senadores, não existe nenhuma instância pública capaz de fazer
isso. A CPI ainda quer a criação de um portal de transparência que reunirá
todas as informações referentes a receitas e despesas das entidades de de
direito autoral.
Seria algo semelhante ao que
a Controladoria Geral da União (CGU) faz com os gastos públicos hoje em dia. -
Também propomos o fim do sistema de amostragem, usado pelo Ecad para fazer suas
cobranças e repasses - destaca Randolfe. - Propomos que todas as rádios e TVs
do país divulguem trimestralmente em suas páginas as músicas que realmente
usaram. - Segundo o novo projeto, quem fixa o preço do direito autoral é o
autor e sua associação - ressalta Lindbergh. - A exemplo do que acontece nos
Estados Unidos, se houver divergência entre o usuário e a associação, o MJ vai
homologar o preço final.
O Ecad deverá ser apenas uma
secretaria executiva dos titulares de direitos autorais. Quem manda é o autor.
Hoje, o valor cobrado é fixado pelo Ecad (após aprovação de sua assembléia) e
só pode ser questionado judicialmente. O projeto de lei também promete mudar a
estrutura da gestão do direito autoral no Brasil.
Atualmente, as associações
misturam compositores, cantores, produtores. A CPI quer que elas se dividiam
por categoria. E, para poder funcionar, a associação deverá vencer licitação
feita pelo MJ a cada cinco anos. No texto final, a CPI também pede ao Cade que
"promova o rápido julgamento" e "a efetiva condenação" do
Ecad e das associações por "infração da ordem econômica".
Desde agosto, o órgão
investiga a estrutura por práticas de cartel. Ecad rebate Procurador, o Ecad
rebateu as acusações que embasam os 21 indiciamentos propostos pela CPI do
Senado. Com relação à suposta apropriação indébita de 2004, lembra que seu
regulamento "prevê que ao final de cinco anos, caso os créditos retidos
não sejam identificados, a assembléia geral pode decidir seu destino".
Sobre fraude em auditoria, diz que, em 2009, contratou a BDO Trevisan mas que,
diante da lista de documentos que lhe "pareceram desnecessários"
apresentada pela empresa, decidiu distratá-la em favor da Martinelli Auditores.
Sobre o suposto
enriquecimento ilícito de seus administradores, o Ecad informa que seu Programa
de Participação nos Resultados "foi criado por uma empresa especializada e
é auditado constantemente por empresas de auditoria externa". E, quanto à
suposta prática de cartel, destaca que o Ministério Público emitiu parecer
"manifestando-se pelo arquivamento do processo por inaplicabilidade do
direito concorrencial".
Sobre o novo projeto de lei,
o Ecad diz não ser "contrário a qualquer supervisão, desde que seja
técnica, sem viés político, dentro dos limites constitucionais, e que preserve
o direito do autor de fixar o preço pela utilização de sua obra". O
relatório final será votado na quinta-feira e apresentado à Procuradoria Geral
da República, à Casa Civil e ao Ministério da Justiça.
Para o mesmo dia, está
previsto um ato da Frente Parlamentar de Cultura em apoio ao documento no salão
nobre da Câmara. Conclusões do documento Cria um projeto de lei propondo que:
Questões relativas à gestão dos direitos autorais saiam do âmbito do Ministério
da Cultura (MinC) e passem para o Ministério da Justiça (MJ); Uma estrutura
administrativa dentro do MJ regule, medie conflitos e fiscalize entidades
gestoras; Um portal de transparência seja criado para divulgar receitas e
despesas do Ecad e das associações, que hoje misturam compositores, intérpretes
e produtores; As associações passem a ser divididas por categoria.
Recomenda ao Ministério
Público do Rio que: Investigue o Ecad por fraude em seu sistema de auditoria,
apropriação indébita de valores e infração da ordem econômica; Indicie
dirigentes do Ecad e de associações do setor por fraude em auditoria,
apropriação indébita e enriquecimento ilícito; Acelere a investigação do caso
do laranja Milton Coutinho, que tramita na Delegacia de Repressão de Crimes
contra Propriedade Intelectual; Mova ação civil pública para que o Ecad
restitua o crédito retido (valor recolhido, mas não distribuído) que teria sido
usado em 2004 para cobrir o déficit em suas contas.
Outras indicações: O
Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) deve promover
"rápido julgamento" e a "efetiva condenação" do Ecad e de
suas associações por infração da ordem econômica; A Casa Civil deve mandar ao
Congresso, com "urgência constitucional", o anteprojeto de lei de
direito autoral que o MinC lhe repassou em 2011.
FONTE:
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias /2012/4
/21/cpi-do-ecad-relatorio-final-sugere-21-indiciamentos-e-propoe-nova-lei/?searchterm=
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sábado, 21 de abril de 2012
CPI do Ecad: relatório final sugere 21 indiciamentos e propõe nova lei.
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