sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mineração. Falta uma lei moderna e sustentável para o garimpo no Brasil

em 22 janeiro, 2013.

Autorizada pela Constituição Federal, a atividade de garimpo vive cercada de polêmicas: se, por um lado, contribui para o desenvolvimento econômico do País; por outro, provoca a destruição de comunidades indígenas e do meio ambiente. O Executivo prepara novo marco regulatório para o setor; na Câmara Federal, propostas buscam melhorar as condições de trabalho de garimpeiros. 

Veja a reportagem especial feita pela Agência Câmara sobre o tema.
 
O Brasil deve suas atuais fronteiras e sua extensão continental à polêmica atuação dos bandeirantes do período colonial. Até o fim do século 16, esses desbravadores estavam restritos ao litoral, onde se concentrava a produção da cana-de-açúcar. Já no século 17, a busca por minas de ouro levou vários aventureiros a entrarem na mata, rumo ao interior, ultrapassando, e muito, o meridiano de Tordesilhas, que deveria delimitar as terras portuguesas e espanholas da América do Sul.

Os historiadores contam que, de um território com menos de 3 milhões de km², que era o tamanho original definido em Tordesilhas, o Brasil passou a ter quase todos os seus 8 milhões de km² que possui hoje, já a partir do século 18. O principal ponto de partida dos bandeirantes era São Paulo. De lá, eles desbravaram Minas Gerais, onde encontraram ouro em Cataguases, Sabará e Ouro Preto, além de diamante no Arraial do Tijuco, atual Diamantina.
 
As expedições bem sucedidas levaram a uma corrida do ouro rumo a Goiás e ao atual Mato Grosso. Outra frente de desbravadores partiria do Forte do Presépio, atual Belém do Pará, rumo ao interior amazônico. 

No Amapá, esses bandeirantes de origem portuguesa enfrentaram a concorrência dos franceses, segundo o superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Antônio Feijão. “As primeiras incursões de mineração no Amapá não foram lusitanas.

Foram de cidadãos franceses que subiram o rio Cricou e, depois, o rio Cassiporé, chegando até a mina de Salamangon. Uma figura chamada Clotilde Salamangon teve concessões francesas em território brasileiro”, informa.

Nesse caminho, os desbravadores protagonizaram atos de heroísmo de um lado, e de atrocidades de outro. É difícil não associar essa expansão territorial ao extermínio de indígenas e à escravidão de negros.

Expansão do ouro - A descoberta de ouro no Brasil foi celebrada em Portugal como solução para a crise econômica da produção açucareira. Mas, na prática, boa parte do minério foi parar nos cofres britânicos, de quem os lusitanos eram dependentes militarmente, ressalta Eduardo Pini, do Instituto Jari Socioambiental e estudioso do assunto.

Várias casas de fundição foram criadas no Brasil para deixar o ouro em forma de barras e, assim, tentar conter o contrabando crescente. O ouro do Brasil, no entanto, era de aluvião (encontrado nas margens dos rios), o que facilitava a extração e o rápido esgotamento das jazidas.

Serra Pelada - Na década de 1980, uma nova corrida surgiria rumo ao Pará, onde foi aberto o maior garimpo a céu aberto do mundo: Serra Pelada. Lá, um verdadeiro formigueiro humano retirou, oficialmente, 30 toneladas de ouro. O estrago socioambiental foi imenso: vários garimpeiros morreram na extração do ouro e uma cratera gigante abriu-se em meio ao bioma amazônico. A imagem do caos correu o mundo e, durante o Governo Fernando Collor, em 1992, o garimpo gigante foi fechado. Estima-se que lá ainda existam 350 toneladas de metais preciosos.

Retomada - Existe a possibilidade de Serra Pelada ser reaberta a exploração em 2013. Só que, desta vez, o trabalho manual dará lugar a modernas máquinas. Conforme acordo assinado, a empresa canadense Colossus Minerals terá direito a atuar na região, desde que repasse parte dos lucros para a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp).

Desafios - Explorar de forma sustentável a imensa riqueza mineral já mapeada em seu subsolo, sem repetir os estragos do passado e eliminando os garimpos clandestinos é um dos desafios atuais do Brasil. O Congresso e o governo federal já apresentaram propostas com esse intuito. A ideia central é aproveitar o potencial mineral do País de forma legal para gerar emprego e renda a garimpeiros e demais trabalhadores da área.

No caso do ouro, o momento é extremamente propício para essa exploração legal. Depois de enfrentar uma crise a partir de 2008, o metal voltou a se valorizar no mercado internacional.

Agência reguladora - Estima-se que, atualmente, de 300 mil a 500 mil pessoas trabalhem em garimpos no País. A Constituição Federal (artigo 174) determina que o Poder Público deve favorecer a “organização da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteção do meio ambiente e a promoção econômico-social” dos operários. Essa é, portanto, uma das principais bases legais para a extração mineral.

Para corrigir rumos e ajustar o setor à regra constitucional, o Executivo trabalha na elaboração do novo marco regulatório da mineração, a ser enviado ao Congresso – o código em vigor é de 1967 (Decreto-Lei 227/67). Pela proposta do governo, serão criados um conselho e uma agência nacional para reforçar o papel regulador e de fiscalização do Estado. 

A criação de um ambiente de segurança jurídica para atrair investimento privado também faz parte dos planos, como explica o ex-secretário de geologia e mineração do Ministério de Minas e Energia Claudio Scliar, que participou da elaboração do texto. “O grande desafio da nova agência será manter a competitividade do mercado de minérios. Queremos que o Brasil continue sendo um país onde a pesquisa e a extração mineral sejam bem-vindas e que a agência permita fazer esse controle, a fim de que as atividades não fiquem paralisadas por anos e anos”, diz.

Impacto ambiental - Scliar acrescenta que um dos objetivos da nova legislação é reduzir o impacto ambiental da mineração. “Indiretamente, a organização do setor mineral da forma como estamos propondo vai resultar em uma extração sustentável, porque é esse controle do Estado que viabiliza que todas as atividades econômicas possam ser benfeitas legalmente”, declara.

Para a região amazônica, por exemplo, será dada ênfase ao macrozoneamento ecológico-econômico da Amazônia Legal para consolidar os diferentes usos do solo e do subsolo, tendo como base os estudos da biodiversidade e da geodiversidade local. Essas ações estão sendo articuladas pelos Ministérios de Meio Ambiente e de Minas e Energia.

Garimpos clandestinos - Na repressão aos garimpos clandestinos, o foco do marco regulatório, segundo Scliar, estará no incentivo à formalização, ou seja, na conscientização dos garimpeiros de que a mineração pode ser um vetor de desenvolvimento regional.

“Algumas situações, muitas vezes e infelizmente, se tornam questões policiais, como em terras indígenas ou invasões de áreas onde é proibida a atividade extrativa mineral, como parques nacionais. Mas há muitas outras regiões nas quais o papel do ministério era o de contribuir para a regularização, a formalização da atividade dos pequenos produtores no Brasil, entre os quais estão os garimpeiros”, comenta.

Esse esforço pela formalização da atividade pode ser vista em Lourenço, distrito do município de Calçoene, no norte do Amapá, que vive praticamente do garimpo. A extração do ouro por lá está em fase final de legalização, coordenada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão que libera a permissão de lavra garimpeira. Para consegui-la, os trabalhadores se organizaram em cooperativas, como manda a Constituição.

“Hoje, trabalhamos com 1.200 cooperados, com base em duas portarias de lavras concedidas pelo DNPM e uma área em torno de 7 mil hectares, onde os garimpeiros estão agregados. Temos uma comunidade de quase 5 mil pessoas que dependem e sobrevivem do garimpo”, informa o presidente da Cooperativa de Lourenço, Antônio Pinto.

Termo de Ajustamento de Conduta - O Ministério Público (MP) supervisiona a extração do ouro em Lourenço e determinou algumas condicionantes para o funcionamento do garimpo por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), sobretudo quanto a questões ambientais e de segurança do trabalho.

Conforme Antônio Pinto, o TAC impôs a contratação de empresa terceirizada para suprir o garimpo de alguns profissionais, como engenheiro de mina, engenheiro ambiental, técnico de segurança e técnico de mina. “Agora, estamos trabalhando e cumprindo as condicionantes do MP. Está sendo muito bom para nós, porque a gente vem cumprindo as metas, apesar de os gastos serem grandes”, declara o dirigente da cooperativa.

Garimpo em áreas indígenas - O novo marco regulatório da mineração terá de ser analisado e aprovado no Congresso Nacional antes de entrar em vigor. Enquanto isso não acontece, os parlamentares contribuem com propostas individuais para melhorar as condições socioambientais dos garimpos.

Já está pronta para votação no Plenário da Câmara uma proposta de emenda à Constituição (PEC 405/09), do deputado Cleber Verde (PRB-MA), que inclui os garimpeiros e os pequenos mineradores no Regime Geral da Previdência Social. Na prática, a PEC garante a eles o recebimento de aposentadoria no valor de um salário mínimo, independentemente de ter ou não produção comercializada, além de benefícios por acidentes do trabalho.

Outro tema analisado pela Câmara é a exploração mineral em terras indígenas. O Projeto de Lei 1610/96, do Senado, condiciona a concessão de áreas exploradas ao licenciamento ambiental e assegura a participação econômica das comunidades afetadas pela mineração. Mesmo depois de várias audiências públicas sobre o assunto com lideranças indígenas em vários estados, ainda não há consenso, ressalta o relator da matéria, deputado Edio Lopes (PMDB-RR). “Em São Gabriel da Cachoeira, onde reunimos as 12 principais etnias do estado do Amazonas, vimos uma manifestação praticamente unânime à regulamentação. 

Em Rondônia, entre os índios cinta larga, por exemplo, os que não estão participando do garimpo ilegal na mina de diamantes de Roosevelt também são favoráveis; já as lideranças que participam dessa exploração irregular são contra. E aqueles indígenas que estão muito próximos dos flashes da grande mídia e das ONGs são rigorosamente contrários à proposta”, explica.

E preocupado com o nível de contaminação das minas, o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) apresentou proposta (PL 4087/12) que determina o monitoramento semestral dos níveis de mercúrio em áreas garimpeiras.

Resíduos sólidos - Vale lembrar que várias medidas já aprovadas no Congresso também tentam assegurar a legalidade e a sustentabilidade dos garimpos. A Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81), aprovada pelos parlamentares em 1981, já obriga o Ibama a controlar o uso do mercúrio no Brasil, sobretudo nas atividades de mineração. Mais recentemente, em 2010, o Parlamento aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10), que estabelece a responsabilidade compartilhada do importador, do produtor, do comerciante e do usuário no gerenciamento e na destinação adequada do mercúrio metálico.

Congresso decidirá acordo feito com a França - Texto assinado pelos ex-presidentes Lula e Sarkozy, em 2008, prevê regras mais rígidas para a pesquisa e a lavra de ouro na fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa. Autoridades amapaenses dizem que a medida resultará no enfraquecimento da economia local e na expulsão de brasileiros que trabalham em garimpos no território francês.

Você sabia que o Brasil é a nação que tem a fronteira mais extensa com a França? Essa porta de entrada brasileira na União Europeia se estende por 730 quilômetros, no extremo norte do País, em plena região amazônica: de um lado, o estado do Amapá; do outro, o departamento ultramarino da Guiana Francesa. 

O rio Oiapoque faz a divisa natural na maior parte da fronteira e é rota do garimpo clandestino de ouro, sobretudo por parte de brasileiros que invadem o território francês. Com o intuito de tentar conter essa atividade ilegal, os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy assinaram, em 2008, um acordo bilateral sob o argumento de ampliar a proteção ambiental na região.

Para entrar em vigor, o acordo Brasil-França (Mensagem 668/09) precisa da aprovação do Congresso Nacional; o texto, no entanto, é alvo de críticas pesadas no Amapá, único estado brasileiro afetado pelo documento. O repúdio dos amapaenses vem de todos os lados, a começar pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pelas permissões de lavras garimpeiras. Superintendente do DNPM no Amapá, o geólogo Antônio Feijão avalia que o acordo terá pouca eficácia porque muitos dos brasileiros que garimpam ilegalmente na Guiana Francesa chegaram lá pela tríplice fronteira com o Suriname, país que teria regras menos rígidas na concessão de registros para os garimpeiros.

Feijão lembra ainda que, décadas atrás, o território francês incentivou a entrada de brasileiros. “A Guiana Francesa, no fim da década de 1970, estimulou os brasileiros a irem ao seu território construir a base de lançamento de foguetes de Kourou. No entanto, quando a parte mais importante da obra foi finalizada, essa mão de obra da construção civil passou a vagar por Caiena [a capital] e a na própria cidade de Kourou. Essas pessoas se refugiaram no ouro, porque, no início da década de 1980, o ouro chegou a ultrapassar 1,1 mil dólares a onça-troy [unidade de medida para metais precisoso]“, informa.

O que diz o acordo - O texto assinado por Lula e Sarkozy determina que cada país se compromete a submeter à autorização prévia as atividades de pesquisa e lavra de ouro, assim como a compra e a venda do metal e as atividades das empresas que comercializam as peneiras de garimpeiro e o mercúrio. Na repressão ao garimpo clandestino, as autoridades policiais poderão apreender, confiscar ou até mesmo destruir os materiais encontrados.

O desembargador do Tribunal de Justiça do Amapá, Gilberto Pinheiro, porém, afirma que o ato de destruição de bens apreendidos não faz parte da legislação brasileira. “Por exemplo, quando se faz a apreensão de um carro ou de um avião, não se destrói, destina-se. No caso em questão, os bens apreendidos poderiam ser destinados a uma comunidade indígena. Agora, imagine os franceses dizendo: ‘não, vocês estão obrigados a destruí-los’. Isso não faz parte da nossa lei. E depois, se esse bem patrimonial for legal? É igual pena de morte: não tem volta”, argumenta.

Como parte dessa fiscalização na fronteira ficaria a cargo do Exército brasileiro, Antônio Feijão teme que haja uma submissão das autoridades e da legislação nacional, caso o acordo seja aprovado. “A função lamentável desse documento bilateral é transformar nosso Exército em uma subpolícia da Guiana Francesa. Lamentavelmente, teremos mais uma lei para criminalizar o difícil mundo da mineração garimpeira. A França, que tem a sua Constituição embasada em igualdade, liberdade e fraternidade, traz para nós uma ditadura, uma inibição da Constituição brasileira dentro do nosso território”, sustenta.

Desemprego - E as críticas não param. O secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Amapá, José Reinaldo Picanço, lembra que o acordo abrange toda a faixa de fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, com uma largura de 150 quilômetros para dentro de cada território. No caso do Amapá, que já tem 72% de sua área protegidas por unidades de conservação ambiental, teme-se por ingerência estrangeira no pouco que resta para a autonomia administrativa do estado.

Além disso, Picanço avalia que o acordo terá graves impactos socioeconômicos, sobretudo diante da perspectiva de expulsão de milhares de brasileiros que estão irregularmente na Guiana Francesa e poderão atrapalhar as ações governamentais para a legalização de garimpos ambientalmente corretos. “Certamente, uma parcela desses garimpeiros virão para o Amapá e ocuparão a parte urbana de Oiapoque. Não há emprego suficiente e outros riscos sociais, como o aumento da violência e a reativação de garimpos inativos, virão à tona”, declara.

Principal município brasileiro da fronteira com a Guiana Francesa, Oiapoque já tem taxa de desemprego em torno de 90%, segundo o prefeito Aguinaldo Rocha. Ele rebate a motivação ambientalista que Lula e Sarkozy usaram na defesa do acordo e prevê uma situação de caos diante do que ele chama de “engessamento do município” por unidades de conservação e da possível expulsão em massa de brasileiros que estão no território vizinho.

“De 22 mil hectares, Oiapoque só tem hoje 3 mil e poucos hectares para trabalhar. Além disso, sequer conseguimos a legalização fundiária e urbana do município. Sabemos que é necessário preservar o meio ambiente, mas também temos de mostrar para o governo federal e os ambientalistas que ali moram pessoas, principalmente os ribeirinhos, que dependem do pão de cada dia nas áreas preservadas”, diz o prefeito.

Negociação - A palavra final quanto ao acordo Brasil-França caberá à Câmara dos Deputados e ao Senado, que não podem alterar o texto: devem apenas aprová-lo ou rejeitá-lo. A tendência é de aprovação, até para evitar desgaste diplomático. O relator da matéria na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP), entretanto, ainda aposta no entendimento com os governos dos dois países em busca de uma solução. “Vamos conduzir, em Brasília, reuniões de negociação política da bancada do Amapá, para ver se convencemos a presidente Dilma a retirar esse acordo da Câmara. Caso não seja possível, teremos de votá-lo. Não dá para aprovar o texto do jeito que está; não posso garantir um parecer favorável”, comenta.

Na opinião de Bala Rocha, a grande falha de Lula e Sarkozy foi terem assinado o documento sem a prévia discussão com as comunidades diretamente afetadas.

Difícil fiscalização - O garimpo é permitido pela Constituição, desde que praticado com respeito ao meio ambiente e gere emprego e renda aos garimpeiros, principalmente àqueles reunidos em cooperativas. Em tempos de crise financeira internacional, o ouro voltou a ser um refúgio seguro de muitos investidores, o que tem elevado a sua cotação no mercado e provocado novas corridas em busca do metal.

No Brasil, tanto a permissão da lavra garimpeira quanto a fiscalização da extração de ouro cabem ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), uma autarquia do Ministério de Minas e Energia. Mas para dar conta da repressão ao garimpo clandestino, o DNPM costuma realizar operações conjuntas com o Ibama, o Instituto Chico Mendes e a Polícia Federal, entre outros órgãos. As fronteiras no norte do País estão entre as áreas mais críticas.

Oficial de ligação da Polícia Federal na Guiana Francesa, Jorielson Nascimento cita a extensão territorial brasileira como um dos desafios para o combate à mineração ilegal. “Somos um país de dimensões continentais e a nossa fronteira é muito extensa. É difícil fiscalizar? É difícil, porém o governo federal e o Ministério da Justiça têm ampliado o efetivo de policiais com equipamentos, tecnologia e inteligência. É o caminho que estamos seguindo”, diz.

Amazônia - A título de exemplo, imaginem a região amazônica: uma imensa área coberta por florestas densas, repletas de rios e igarapés meandrantes, que são aqueles cheios de curva. Como fazer uma fiscalização eficaz nessas condições? O superintendente do DNPM no Amapá, Antônio Feijão, reconhece que, mesmo com a junção de esforços de vários órgãos públicos e a criação de unidades de conservação ambiental, essa fiscalização ainda é pífia.

“O Estado sempre foi um turista na Amazônia. O governo precisa, de fato, se instalar, mas não com esses pingados pelotõezinhos que agregam de 40 a 50 soldados, que mais estão para hastear o pavilhão nacional do que para defender geopoliticamente a nação”, critica. “Se você sair de Vila Brasil e caminhar pela fronteira até BV-8, você andará mais de mil quilômetros sem ter uma viva alma representando o Brasil. Há uma desertificação da sociedade nacional das fronteiras em nome do meio ambiente e dos grandes latifúndios indígenas”, completa.

Vila Brasil, citada por Feijão, é um distrito do município de Oiapoque, no Amapá, fronteira com a Guiana Francesa; e BV-8 é como era conhecida a atual cidade de Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, em Roraima. Essa região, por exemplo, está protegida por um mosaico ambiental de parques nacionais, florestas estaduais, terras indígenas e outras unidades de conservação.

O secretário de Indústria, Comércio e Mineração do Amapá, José Reinaldo Picanço, entretanto, afirma que o número de guardas florestais é pequeno e ainda não estão prontos nem mesmo os planos de manejo, que definem se determinada unidade de conservação pode ou não abrigar atividades econômicas. “Por si só, as áreas protegidas não impedem a atividade de minerária. 

É preciso ter um plano de manejo, o que não encontramos em quase nenhuma unidade de conservação do estado. Certamente, se formos pedir uma autorização para funcionamento [de garimpo] – e já existe caso dessa natureza – em uma área protegida, ela será negada pelo órgão gestor porque o plano de manejo não existe”, informa.

Sem áreas disponíveis, os estados são obrigados a engavetar os projetos de implantação de garimpos legais, ao mesmo tempo em que temem o surgimento de minas clandestinas em regiões remotas ou a reativação daquelas que já foram desativados. Estima-se que de 10 mil a 30 mil garimpeiros brasileiros atuem ilegalmente hoje em terras e rios de países vizinhos como Suriname e Guianas francesa e inglesa.

Operações do Ibama - Recentemente, o Ibama realizou várias ações de repressão ao garimpo ilegal no País, a maior parte nas regiões Norte e Centro-Oeste. A tecnologia foi uma aliada de peso: com base em satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), os fiscais detectaram, em outubro de ano passado, desmatamento em uma área de 25 hectares de garimpo clandestino em Novo Mundo, no Mato Grosso. A operação, batizada Soberania Nacional, apreendeu motores de bomba para sucção de água, escavadeiras e tratores de esteira usados para derrubar árvores e escavar a terra em busca do ouro.

Em outra operação conjunta de Ibama, Polícia Federal e Funai, foram apreendidos, em agosto, mais de R$ 1 milhão em equipamentos de um garimpo ilegal de diamantes na Reserva Indígena de Roosevelt, em Rondônia. Um mês antes, três áreas de extração de ouro também foram fechadas pelo Ibama e pela Polícia Militar do Amazonas em Apuí, às margens da Transamazônica, na divisa com o Pará, onde 50 garimpeiros atuavam clandestinamente. Além do material de garimpo, foram encontradas três espingardas, dez cartuchos calibre 16 e um circuito interno de TV.

Também em julho, a Vila Taboca, no município paraense de São Félix do Xingu, foi alvo de uma operação para desativar um garimpo ilegal de cassiterita. O Ibama encontrou por lá uma estrutura moderna de garimpagem, apreendeu equipamentos avaliados em R$ 1,3 milhão, aplicou multa de R$ 780 mil, mas não conseguiu evitar a morte do rio Pium, assoreado pelos sedimentos de mais de 100 pontos de garimpagem espalhados em cerca de 500 hectares.

Estrutura - O ex-secretário de geologia do Ministério de Minas e Energia Claudio Scliar afirma que, apesar de a estrutura de fiscalização ainda estar longe da ideal, com carência de pessoal e de equipamentos, a atuação conjunta de órgãos na repressão ao garimpo ilegal tem surtido efeito. 

Ele menciona o caso do contrabando de ouro, que ainda existe, mas nem se compara ao que ocorria em outros tempos. Na década de 1990, a Câmara chegou a pedir ao governo explicações sobre o contrabando de ouro para o Uruguai. “Naquela época, tínhamos uma situação anômala: um país vizinho nosso, ao sul, exportava uma grande quantidade de ouro sem ter minas que suportassem aquela quantidade – provavelmente, aquele metal provinha de garimpos clandestinos daqui. Hoje, felizmente, situações desse tipo não têm ocorrido mais. A Polícia Federal tem feito um trabalho importante, e o DNPM se modernizou”, sustenta.

Faltam oportunidades de trabalho legal - A ação garimpeira é cheia de contradições: contribuiu para a expansão territorial do Brasil colônia, mas às custas da destruição de várias comunidades indígenas; ajuda o equilíbrio da balança comercial brasileira, ao mesmo tempo em que danifica o meio ambiente; e tem potencial para enriquecer e adoecer os garimpeiros, só para citar alguns desses paradoxos. Defensores da atividade costumam afirmar que, apesar de reconhecidos pela Constituição Federal, os garimpeiros são “satanizados ambientalmente, injustiçados socialmente e penalizados tributariamente”.

Presidente de uma cooperativa desses trabalhadores no Amapá, Antônio Pinto, lamenta as poucas oportunidades para o garimpo legal no Brasil. De acordo com ele, a busca por emprego em países vizinhos é, muitas vezes, a única alternativa. “A classe dos garimpeiros é sofredora. São pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar e vivem em busca do ouro porque é a forma que acham mais fácil para sobreviverem. Por que o nosso governo não abre uma oportunidade para essa classe se manter dentro de seu país e ter a sua liberdade?”, questiona.

Atualmente, Pinto comanda um grupo de garimpeiros devidamente legalizados, mas ele também já desempenhou essa atividade clandestinamente aqui no Brasil e nos vizinhos Suriname e Guianas francesa e inglesa. Antônio diz não ter saudade daqueles tempos difíceis: “Certa vez, fiquei cinco dias escondido no mato, lá no Kourou [Guiana Francesa], querendo ir ao supermercado para comprar uma merenda, porém não podia ir, porque seria preso. Não quero viver de novo aquela situação. É muito sofrido para quem está lá dentro”, conta.

Riscos para a saúde - Quem vai atrás de esmeraldas, conhecidas como “ouro verde”, também vive uma via crucis. Para se chegar, por exemplo, aos veios de esmeralda dentro das rochas da Serra da Carnaíba, na Bahia, é preciso cavar buracos de até 300 metros de profundidade e, lá em baixo, suportar temperaturas escaldantes, manipular dinamite, respirar fuligem e rezar para que não ocorra nenhum desabamento.

Outro risco enfrentado pelos garimpeiros está no contato com o mercúrio – usado para separar o ouro e outros metais presentes na água fluvial, é extremamente tóxico e está associado a problemas respiratórios, digestivos e neurológicos nos trabalhadores; e à contaminação de peixes, água, ar e solo. O problema é tão sério que a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81), aprovada pelo Congresso em 1981, determinou ao Ibama a responsabilidade de controlar a importação, a produção, a comercialização e o uso do mercúrio no Brasil.

Mais um impacto ambiental da atividade garimpeira se dá na extração ilegal de ouro e outros metais preciosos em parques nacionais e terras indígenas. E se não bastassem tais problemas, o policial federal Jorielson Nascimento, que tenta combater o garimpo ilegal na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa, lista uma série de crimes que rondam as comunidades garimpeiras clandestinas: “tráfico de drogas, de armas, de pessoas, exploração sexual de crianças e adolescentes, sonegação fiscal, crimes contra a ordem tributária e o sistema financeiro”.

Legalizar para expandir - Na hora de pensar em soluções para tantos problemas, o consenso gira em torno da legalização dos garimpos. Até porque a atividade dificilmente deixará de existir e o Brasil precisa dos recursos financeiros gerados por suas riquezas minerais. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o setor de mineração responde por cerca de 4% do PIB, movimentando em torno de 70 bilhões de dólares por ano (cerca de R$ 140 bilhões).

Ex-secretário do ministério e autor do livro “Geopolítica das Minas no Brasil”, o geólogo Claudio Scliar destaca que o País é o primeiro produtor em vários bens minerais, como bauxita, rochas ornamentais, caulin; e o segundo em ferro. O especialista acrescenta que ainda há um grande potencial inexplorado: “Somos uma nação continental e existem muitas áreas que precisam ser detalhadas do ponto de vista do mapeamento geológico.”

Quanto ao ouro, o governo estima que as reservas brasileiras são de 2 mil toneladas. A produção anual, que está em torno de 60 toneladas, deve dobrar até 2017, consolidando o ouro como o segundo bem mineral em valor de exportação, atrás apenas do minério de ferro. 

É bom lembrar que essa estimativa não leva em conta a extração informal feita por 300 mil a 500 mil garimpeiros espalhados pelo País, na avaliação do próprio ministério.

Planejamento - Para melhorar a realidade nos garimpos, Manoel Perquival, um garimpeiro legalizado na Amazônia, faz um apelo para que a riqueza mineral brasileira possa ser explorada com pleno respeito à vida humana e à natureza.

Aos 60 anos de idade, ele diz estar ciente de suas responsabilidades e pede às “autoridades” que o deixem trabalhar: “Eu, como garimpeiro, reconheço que, se protegermos as nascentes, não teremos problemas com o meio ambiente. Há como recompor, reflorestar. Não existe bicho de sete cabeças; falta planejamento”. 

Com informações da Agência Câmara.

 Esta Matéria foi publicada originalmente em:

Banco do Vaticano é o principal acionista da maior indústria de armamentos do mundo.

Postado por Daniela Novais13:06:00 15/02/2013

Crédito : Reprodução.
Via Atrevete a pensarTradução do Limpinho&Cheiroso - Talvez poucas pessoas saibam que a fábrica de armas Pietro Beretta Ltda. (a maior indústria de armas no mundo) é controlada pela Holding SpA Beretta e que o acionista majoritário da Holding SpA Beretta, depois de Gussalli Ugo Beretta, é o Instituto para Obras de Religião (IOR), comumente conhecido como Banco do Vaticano, instituição privada, fundada em 1942 pelo Papa Pio 12 e com sede na Cidade do Vaticano. 
A história por trás de tudo isso é a seguinte:

Roma não foi construída em um dia, tampouco o Vaticano, e menos ainda sua opulência atual. Isso tem suas raízes no século 4 da era cristã, quando o imperador Constantino se converteu ao cristianismo e colocou à disposição do papa Silvestre I uma fortuna colossal – de fato o transformou no primeiro papa rico na história.

vaticano-armas 
 
A Igreja Católica é a única organização religiosa do mundo que tem como quartel-general um estado independente: a cidade do Vaticano. Com seus 0,44 quilômetro quadrado de superfície o Vaticano é muito menor do que muitos campos de golfe no mundo; e para percorrê-lo sem pressa não se necessita muito mais que uma hora; contar suas riquezas, contudo, levaria bastante mais tempo.

A moderna opulência do Vaticano baseia-se na generosidade de Benito Mussolini que, graças à assinatura do Tratado de Latrão entre seu governo e o Vaticano, outorgou à Igreja Católica uma série de garantias e medidas de proteção. A Santa Sé conseguiu que a reconhecessem como um estado soberano, beneficiou-se com a isenção fiscal de sua propriedade para beneficiar seus cidadãos, que não precisavam pagar os direitos aduaneiros pelo que importavam do exterior. 

Foi-lhe concedida imunidade diplomática e seus diplomatas começaram a desfrutar dos privilégios da profissão, igual assim como os diplomatas estrangeiros reconhecidos junto à Santa Sé. Mussolini prometeu introduzir o ensino da religião católica em todas as escolas do país e deixou a instituição do casamento sob a égide das leis canônicas, que não admitiam o divórcio. Os benefícios que o Vaticano recebeu foram enormes, dentre eles, os benefícios fiscais foram preponderantes.

Em 1933, o Vaticano mais uma vez demonstrou sua capacidade de estabelecer negócios lucrativos com os governos fascistas. A concordata de 1929, assinada com Mussolini, foi seguida por outra entre a Santa Sé e o 3º Reich de Hitler. O gestor Francesco Pacelli foi uma das figuras-chave do pacto com Mussolini: seu irmão, o cardeal Eugênio Pacelli, futuro papa Pio 12, foi responsável pela negociação como secretário de Estado do Vaticano, assinando um tratado com a Alemanha de Hitler. Pio 12 conhecia bem a Alemanha. 

Ele fora núncio em Berlim, durante a 1ª Guerra Mundial, e depois, como secretário de Estado de Pio 11, teve inúmeras intervenções no rumo que estava tomando a política alemã. Nesta qualidade interveio decisivamente na encíclica de Pio 11, conhecida como Mit brennender sorge (que se pode traduzir “Com preocupação ardente”). A iniciativa da encíclica partiu, ao contrário do que se acredita, dos bispos alemães, sendo o primeiro rascunho escrito em Roma pelo Cardeal Faulhaber. 

O então cardeal Pacelli, que fala alemão, deu-lhe a forma final, apresentada a Pio 11, sendo então assinada e publicada. Apesar da constante e grande pressão mundial, o papa Pio 12 sempre se negou a excomungar Hitler e Mussolini; seu pontificado foi caracterizado pela adoção de uma falsa postura de neutralidade.

 papa-cuernos

Quando os nazistas invadiram a Polônia, o papa Pio 12 se recusou a condenar a invasão; uma das maiores vantagens que obteria o Vaticano do muito lucrativo acordo que mantinha com Hitler era a confirmação de Kirchensteuer, um imposto eclesiástico; trata-se de um imposto estadual que ainda hoje os fiéis alemães devem pagar, e só podem escapar se renunciarem à sua religião. Na prática, muito poucos renunciam. Este imposto representa por si só entre 8 e 10% dos impostos totais arrecadados pelo governo alemão.

Os números do Vaticano

Vaticano10_Vista_Aerea

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália, incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis.

Beatriz Olivon - No final de fevereiro, o papa Bento 16 deixará o cargo. Assim, ele deixa de ser chefe do Estado da cidade do Vaticano, o menor Estado do mundo em tamanho e um dos menores em população. 

O Estado da cidade do Vaticano tem 0,44 quilômetro quadrado, sendo o menor estado independente do mundo, de acordo com o banco de dados do livro CIA, o World Factbook. O Vaticano tem pouco mais de 800 moradores – 836, de acordo com estimativas de julho de 2012, só há dois estados com menos habitantes. Em 2011, a força de trabalho somava 2.800 pessoas, a maior parte delas mora fora do Vaticano e está empregada na área de serviços.

Estima-se que o Vaticano seja o dono de cerca de 20% a 30% dos imóveis da Itália, incluindo igrejas, escolas, hospitais, clínicas e até hotéis. Durante a crise econômica, um antigo imposto sobre bens imóveis que tinha sido extinto retornou e a oposição pediu que ele também fosse aplicado às propriedades do Vaticano.

Crise - Assim como seus pares na Europa, o Vaticano também sentiu a crise financeira. O livro da CIA afirma que nem o Vaticano escapou das dificuldades financeiras que afetaram a Europa e, em 2012, começou a avaliar onde cortar custos para reverter o déficit no orçamento de 2011. Os rendimentos foram de US$308 milhões em 2011 enquanto os gastos foram de US$326,4 milhões.

A maioria dos gastos públicos vai para salários e outros custos com pessoal. O relatório afirma que os rendimentos e condições de vida dos trabalhadores são comparáveis aos dos que trabalham em Roma.

O Vaticano é financiado por diversas fontes, incluindo investimentos, aluguel dos imóveis e doações. Uma coleta anual nas dioceses somada a doações diretas vai para um outro fundo usado diretamente pelo papa para caridade, desastres e ajuda a igrejas em países em desenvolvimento, segundo o CIA, o World Factbook. As doações aumentaram entre 2010 e 2011, segundo a CIA.

O orçamento do Estado da cidade do Vaticano inclui a receita dos museus, correio e venda de souvenir. A receita também aumentou entre 2010 e 2011 por causa do aumento no número de horas de funcionamento dos museus e do maior número de visitantes, segundo o relatório.
 
 Esta Matéria foi publicada originalmente em:
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Aula de Direito. Reflexão...

Recebi esta historinha por email… e, bem, pelo contato que tive com diversos advogados nas últimas semanas, acho que vale divulgá-la e dela lembrar, como ao juramento de Hipócrates para @s médicos.

Uma manhã, quando nosso novo professor de “Introdução ao Direito” entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:

- Como te chamas?

- Chamo-me Juan, senhor.

- Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! – gritou o desagradável professor.

Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. 

Todos estávamos assustados e indignados, porém ninguém falou nada.

- Agora sim! – e perguntou o professor – para que servem as leis?…

Seguíamos assustados porém pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:

- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.

- Não! – respondia o professor.

- Para cumpri-las.

- Não!

- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.

- Não!!

- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!

- Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.

- Até que enfim! É isso… para que haja justiça. 

E agora, para que serve a justiça?

Todos começávamos a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. 

Porém, seguíamos respondendo:

- Para salvaguardar os direitos humanos…

- Bem, que mais? – perguntava o professor.

- Para diferenciar o certo do errado… Para premiar a quem faz o bem…

- Ok, não está mal porém… respondam a esta pergunta: 

Agi corretamente ao expulsar Juan da sala de aula?…

Todos ficamos calados, ninguém respondia.

- Quero uma resposta decidida e unânime!

- Não!! – respondemos todos a uma só voz.

- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?

- Sim!!!

- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar  quando presenciar uma injustiça. 

Todos. E não voltem a ficar calados, nunca mais!

- Vá  buscar o Juan – disse, olhando-me fixamente.

Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito: quando não defendemos nossos direitos perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

 Esta Matéria foi publicada originalmente em:

PT, 33. Uma história construida estrela por estrela.


São tantos os desafios que o Partido dos Trabalhadores enfrentará em 2013 que corremos o risco de não celebrar com a merecida importância a chegada dos nossos 33 anos, que aconteceu no domingo, dia 10 de fevereiro. 

Se, por um lado, ainda estamos eufóricos com uma vitória maiúscula nas urnas no último pleito, não podemos sucumbir à tentação da euforia e subestimar os imensos obstáculos a transpor.

A luta para transformar o Brasil num país a cada dia mais justo, fraterno e plenamente desenvolvido nunca foi fácil, e não temos a ilusão de que vá assim se tornar. Temos muitos aliados, mas também inimigos poderosos.

Em 2013, comemoramos os dez anos de governo democrático e popular na Presidência da República. Trata-se da coroação de uma política que construímos desde 1979, implementada com estrondoso sucesso pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora, a presidenta Dilma Rousseff, com o apoio da nossa base aliada. Honra-nos o fato de que até nossos críticos reconhecem os avanços que nossos governos trouxeram para o país.

Mantemos desde o início o foco em combater as desigualdades sociais. Desde que chegamos ao poder, demonstramos que é possível colocar na prática o propósito que sempre nos norteou. Milhões de brasileiros deixaram a linha da pobreza. A autoestima do povo brasileiro foi recuperada. Hoje, ele é protagonista de um novo tempo e de uma nova história.

Priorizando os mais pobres, nossos governos expandiram a economia do país, gerando mais de 18 milhões de empregos formais, aumentando significativamente a renda dos trabalhadores, gerando inclusão social e diminuindo o flagelo da miséria. A inflação foi controlada, diminuímos a relação entre a dívida e o PIB e a vulnerabilidade externa, além de passarmos de devedores para credores do FMI.

Comemoramos ainda o fato de o Brasil ter mudado de patamar no cenário internacional. Sob a liderança de Lula e Dilma, hoje somos respeitados como potência econômica e referência quando se fala sobre diminuição das desigualdades.

Quando o concerto das nações discute o futuro da África, a questão palestina e os rumos da América Latina, as vozes do operário que chegou à Presidência e da mulher que galgou o mais importante posto da República sempre ressoam mais alto. Nenhum outro mandatário brasileiro obteve tanta respeitabilidade no exterior quanto os dois.

Como se vê, os motivos para comemorar os 33 anos do PT são muitos. Destaco com especial carinho o fato de o nosso partido ter eleito a primeira mulher presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. Sob sua enérgica batuta, o país reduz juros, diminui os preços de energia, amplia o emprego, enfrenta as carências históricas na área de infraestrutura, sem deixar de lado a prioridade nos investimentos para educação e assistência social.
Rui  Falcao
 Rui Falcão - Presidente do PT.

O ano de 2013 será especial para o PT. Nele, vamos intensificar a luta pela reforma política, promovendo uma campanha de coleta de assinaturas para implementar, entre outros pontos, o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais.

Vamos também manter nossa luta pela ampliação da liberdade de expressão, focando principalmente na regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto.

Outra agenda do PT que torna 2013 um ano essencial para nós é a preparação -paralelamente às eleições diretas dos novos dirigentes partidários- do nosso quinto Congresso Nacional, marcado para fevereiro de 2014. 

Vamos debater nossos erros e acertos e focar os desafios para chegarmos a uma sociedade socialista e democrática.

Enfim, o PT completa esses 33 anos pronto para se apresentar renovado para o futuro.



                                                                RUI FALCAO

Esta Matéria foi publicada originalmente em:

Maranhão. Relatório do Ministério Público aponta irregularidades em Delegacias de Polícia em São Luís.


mi O promotor de justiça José Cláudio Almada Lima Cabral Marques, da 1º Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial, entregou para a procuradora-geral de justiça, Regina Lúcia Almeida Rocha, um relatório contendo o diagnóstico do trabalho das Delegacias de Polícia de São Luís, incluindo inquéritos que estão inconclusos. 

O relatório indica que 631 inquéritos policiais, dos anos de 2010, 2011 e 2012, de 18 delegacias distritais da capital, não foram concluídos. A maioria deles, 335, são relativos à prática de homicídio, seguidos de furto, 94, e de roubo, 80.

O levantamento foi realizado no período de agosto de 2012 a fevereiro de 2013. Ao todo, foram vistoriadas 29 delegacias, incluindo distritais e especializadas. O referido relatório será encaminhado ao Centro de Apoio Operacional do Controle Externo da Atividade Policial e à Secretaria de Estado de Segurança Pública.

Segundo José Cláudio Cabral, que coordenou os trabalhos, quase todas as delegacias da capital apresentam irregularidades, a exemplo da carência de delegados, policiais, armamentos e viaturas. Faltam também servidores, principalmente na área administrativa. 

E mais: o sistema de informática é subutilizado, porque não é oferecido treinamento adequado para os funcionários fazerem melhor uso dos recursos.

“O objetivo final deste trabalho é saber quantos casos de crimes viraram inquéritos policiais e quantos inquéritos se transformaram em processos judiciais e, por fim, em condenações”, explicou José Cláudio Cabral.

Em melhor situação estão a Delegacia do Consumidor, localizada no São Francisco, e a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), no Bairro de Fátima. Ambas funcionam de forma adequada, segundo o promotor de justiça.

A pior das especializadas, na avaliação do relatório, é a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), localizada na Praça Maria Aragão. Atualmente, a delegacia encontra-se com déficit no quadro de servidores. 

O número é insuficiente para atender a grande quantidade de demandas. O relatório verificou que aproximadamente 379 casos de violência contra crianças e adolescentes noticiados ao órgão não foram apurados.

A DPCA foi criada após acordo firmado pelo Estado do Maranhão com a Organização dos Estados Americanos (OEA), que condenou o Maranhão a implementar diversas políticas públicas na área da Infância e Juventude, em razão do caso dos meninos emasculados.

ROTATIVIDADE
Foi constatado que um dos problemas que ocasionam o acúmulo de inquéritos sem conclusão é a grande rotatividade de delegados. “Quando um delegado assume determinado distrito passa a investigar somente os inquéritos abertos durante sua gestão, esquecendo os iniciados por delegados anteriores”, completou José Cláudio Cabral.

Outra irregularidade verificada é que, por lei, inquéritos não concluídos no prazo de 30 dias devem ser remetidos à Justiça para a concessão de novo prazo. 

No entanto, este procedimento muitas vezes não é cumprido, ocasionando o arquivamento irregular de inquéritos. José Cláudio Cabral também aponta que muitos casos não são investigados. “Sendo crime, o delegado tem por obrigação apurar”, afirmou.

CRIMES
Quanto aos tipos de crimes apurados em inquéritos instaurados nas delegacias distritais, o relatório aponta que estão em maior número os relativos a homicídio, latrocínio, lesão corporal, furto, roubo, tráfico de entorpecentes, apropriação indébita, dano, extorsão e porte ilegal de armas. Já nas delegacias especializadas, a maioria é referente a homicídio, lesão corporal, ameaça, injúria, estupro, abuso sexual, estelionato, roubo e poluição sonora.

RECOMENDAÇÃO
À medida que o relatório de cada delegacia era concluído, o promotor de justiça José Cláudio Cabral expedia Recomendação a cada delegado responsável para corrigir, no prazo de 60 dias, as irregularidades encontradas. Em caso de descumprimento, o Ministério Público do Maranhão ajuizará Ação Civil Pública por ato de improbidade contra cada delegado.

INTERIOR
A procuradora-geral de justiça, Regina Lúcia de Almeida Rocha, encaminhou ofício aos promotores de justiça que atuam nas Comarcas do interior, pedindo que façam um levantamento dos inquéritos policiais que estão sem conclusão nas delegacias, relativos ao período de 2009 a 2012.

Da Assessoria do MP.


Esta Matéria foi publicada originalmente em:

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Pernambuco. Um operário morre e mais de 40 ficam feridos em acidente na Costa do Sauípe.

A estrutura de um palco no Complexo Costa do Sauípe, em Mata de São João, na Linha Verde, desabou na manhã desta quarta-feira (13).

Segundo informações da Secretaria de Saúde do Estado, o acidente deixou mais de 40 feridos, 2 em estado grave. Um homem morreu, segundo informações da Assessoria de Comunicação da Polícia.

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar deslocou quatro equipes de busca e salvamento e duas ambulâncias do Salvar para atender os operários, que trabalhavam na montagem de uma tenda de eventos.

As vítimas foram levadas para o HGC-Hospital Geral de Camaçari e para o Hospital do Subúrbio. Operários que tiveram ferimentos leves foram atendidos na Unidade de Pronto Atendimento de Monte Gordo.

O espaço estava sendo montado pelo Grupo TV1 para um evento que reuniria gerentes do Bradesco. 



Caso Décio. O mistérioso sumiço das testemunhas…

O assassinato do jornalista Décio Sá nunca foi uma mera execução patrocinada por bandidos acuados por suas publicações, como o secretário Aluísio Mendes tenta fazer crer.

E o desaparecimento misterioso de testemunhas oculares do caso – como a morte de Ricardo Silva, o Carioca, ontem – só comprova que há muito mais explicações a serem dadas no caso.

Primeiro foi o suposto assaltante e agenciador de pistoleiros Valdênio Silva.
Preso um dia depois do crime em companhia de um dos acusados, Valdênio passou quase 30 dias preso. Em conversas com o titular deste blog logo no início das investigações, Aluísio garantiu que ele prestara importante contribuição para a prisão dos envolvidos.

Um dia antes da prisão de Jhonatan Souza, Gláucio Alencar & cia, Valdênio – que já estava solto – foi dado como vítima de uma execução na Vila Pirâmide, em um crime sem testemunhas e sem suspeitos nuna esclarecido pela polícia.

Valdênio foi dado como morto, mas consta da relação de testemunhas do caso Décio.

Depois foi a vez do lavador de carros conhecido por Qualhada.

No relatório que a polícia encaminhou à Justiça, consta que partiu de Qualhada a melhor descrição das feições do matador de Décio Sá. 

Descrição que, ainda segundo a polícia, serviu de base para a elaboração do verdadeiro retrato falado de Jhonatan, que não foi divulgado pela polícia, como mostra o trecho do documento, ao lado.

Semanas depois da prisão de Jhonatan, Qualhada foi vítima de facadas em uma suposta briga na região do São Francisco.  Não foi localizado em nenhum hospital, foi dado como morto e nunca mais foi visto.

Agora é a vez de Ricardinho, o Carioca.
Nos relatórios da polícia, Carioca é apontado como o homem que avisou Gláucio Alencar de que havia uma trama para matá-lo.

Foi a partir desta revelação que a polícia montou a teia que, segundo a investigação, resultou na morte de Fábio Brasil e de Décio Sá, em abril de 2012.

Em janeiro, Carioca sofreu um atentado a bala que o levou a ficar internado por mais de 40 dias, até morrer, em um dos leitos do Hospital Carlos Macieira, sob a custódia da polícia.

São mistérios que a polícia se recusa a explicar.

E que tornam o assassinato de Décio Sá cada vez mais nebuloso…

Leia também:
Que fim levou flanelinha que fez retrato falado de assassino de Décio???
O misterioso Caso Valdênio…
Procurado

Esta Matéria foi publicada originalmente em:

A era do ativismo político via internet.

A ampla sala da Casa 14 de um conjunto residencial do Lago Sul não recebe mobília definitiva há mais de um ano. A brancura das paredes é quebrada por cartazes de manifestações e bandeiras de movimentos sociais dispostos no ambiente. As bandeiras dos movimentos Sem Terra e Sem Teto dividem espaço com um cartaz de cores verde e rosa, em que o símbolo do sexo masculino é adornado pelas palavras “homem, deixe o feminismo te libertar”. 
Em um tripé mais adiante, um banner ostenta o slogan dos jovens moradores da Casa 14: “Imaginar para revolucionar”. Eles têm entre 22 e 26 anos. Quando mudaram para o imóvel de dois pavimentos, na tranquila rua da quadra QL 28, os rapazes pretendiam passar por uma vivência política intensa. Integrantes do Brasil e Desenvolvimento (BeD), grupo político que nasceu no universo estudantil da Universidade de Brasília (UnB), sonhavam interferir na realidade política e social do Brasil. “Revolução”, dizem, “é lutar por uma nova política, mais inclusiva e participativa, mais justa e mais humana”.
Assim começa a matéria a respeito do B&D e de vários coletivos que, em todo o país, se uniram para fazer política transformadora. O texto foi publicado na edição impressa de hoje (11) no jornal Correio Braziliense, o maior da capital. Publicamos, abaixo, o texto na íntegra.

Aqui, para ler no site do jornal: Correio Braziliense

B&D - na Casa 14

 Correio Braziliense: A era do ativismo político via internet

“A internet é fundamental. É nossa principal ferramenta de articulação e participação política. Lá, postamos vídeos que suscitam discussões, publicamos artigos e nos conectamos com outras pessoas e até com outros coletivos, o que nos ajuda a montar e participar de ações mais amplas”, disse Edemilson Paraná, jornalista, mestrando em sociologia e analista de comunicação do Ministério Público da União que milita no BeD.

Entre as ações do grupo, pode-se listar desde consultorias jurídicas e logísticas gratuitas a movimentos sociais até vídeos humorísticos que usam a ironia para falar de conhecidas figuras da política nacional. “Não somos um movimento social. Somos um agrupamento de pessoas que acreditam num conjunto de pautas e defendem um modelo de sociedade. Grupos como o nosso possibilitam a oxigenação, de fora para dentro, da estrutura tradicional de representação política”, disse Paraná.

Denúncias
O sociólogo da UnB e pesquisador do mundo virtual Antônio Flávio Testa lembra o poder que esses grupos têm de interferir na agenda política, levantando debates, fomentando denúncias e até interferindo na criação de projetos de lei. “Discussões iniciadas por alguns movimentos na internet acabam desembocando em legislações e obrigando o Congresso a se posicionar sobre o assunto”, disse. Mas ele não acredita que ações pontuais consigam interferir de forma contundente nos complexos processos decisórios. “Não enquanto a população não acordar para discutir essas coisas. As pessoas não acompanham o dia a dia dos políticos. Se dá o voto, tem que acompanhar”, defendeu.

Os protestos e abaixo-assinados não foram capazes de impedir a eleição de Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência do Senado. “O Congresso não tem o direito de decidir contra o desejo da sociedade”, disse um dos diretores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Márlon Reis, pouco antes da confirmação do nome que irá comandar o Congresso nos próximos dois anos. 

Nos dias que antecederam a eleição, o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), também disse o que pensa sobre o assunto, em entrevista publicada no Correio: “Isso (o movimento na internet contra Calheiros, que ontem somava 1,34 milhão de assinaturas) pode ter efeito externo, não aqui dentro”.

Mobilização Conheça as propostas de alguns grupos da sociedade criados para acompanhar e influenciar a política.

Ocupe a Câmara 
Grupo nascido nas redes sociais depois que vereadores de Belo Horizonte tentaram aumentar o próprio salário em 61,8% no apagar das luzes de 2011. Internautas se organizaram nas redes sociais com a proposta de nunca deixar a Câmara Municipal vazia.

Brasil e Desenvolvimento (BeD) 
Reúne jovens que têm o objetivo de estimular as discussões sobre política, pautando não apenas a academia, como a imprensa e a própria atividade dos legisladores.

Transparência Hacker 
Apesar do nome, não são piratas virtuais. Os especialistas em computadores apenas trabalham com dados que são abertos. A ideia é divulgar informações governamentais que já são públicas, tornando-as mais acessíveis.

Direitos Urbanos (DU) 
Fundado no Recife, o grupo promove discussões sobre políticas que envolvem a capital pernambucana, como urbanismo e trânsito.

Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral 
Reúne 51 entidades nacionais de todo o país com foco no processo eleitoral. Foi responsável pela campanha que originou a Lei da Ficha Limpa. Hoje, trabalha com um projeto para a reforma do sistema político brasileiro.

A serviço da transparência 
Também nascido da vontade de provocar mudanças, um outro grupo, o Transparência Hacker, acredita no poder do conhecimento e trabalha coletivamente para munir a sociedade com informação. Com braços em São Paulo, Belém e Brasília, trabalha para transformar dados desconexos em textos passíveis de interpretação pelo cidadão comum. 

O grupo de Brasília reuniu, por exemplo, todas as emendas parlamentares rubricadas pelos deputados distritais em 2012 e montou um mapa geolocalizado que permite que o usuário saiba para quais ações os recursos estão sendo direcionados, possibilitando a consulta por região administrativa do Distrito Federal. O resultado está no site www.eufiscalizo.com.br. Agora, eles estão fazendo o mesmo com as emendas de 2013. O resultado está sendo publicado no emendas.crowdmap.com.

“A palavra hacker foi deturpada. Hacker é aquele que revela o que está velado, partindo do conceito de que o conhecimento pertence a toda humanidade”, disse o servidor público formado em telecomunicações e informática Dênis Lima, 37 anos. “Nós costumamos fazer hackerdays. Pegamos um dia e reunimos pessoas com conhecimentos em áreas diferentes, como contabilidade, gastos públicos, direito e informática, e criamos aplicativos em que a população consegue acessar informações, não apenas dados não processados”.

As reuniões do grupo são feitas em espaços cedidos ou até em praças de alimentação. O dinheiro para pagar os domínios dos sites e as hospedagens dos bancos de dados saem dos bolsos dos participantes. “Não é preciso ter sede. Pode-se simplesmente fazer uso das redes sociais, por exemplo”, diz Antônio Flávio Testa. (JC)

O modelo de cidade 
É nas redes sociais que o grupo recifense Direitos Urbanos (DU) se organiza, promove discussões que fomentam ações coletivas. A mais conhecida é a luta para evitar que um cartão-postal da capital pernambucana, o Cais José Estelita, hoje ocupado por armazéns há muito em desuso, dê lugar a 13 edifícios. A obra, defendem, alteraria a paisagem e impactaria o trânsito.

O DU conseguiu pautar a imprensa e chamar a atenção da sociedade recifense. “Esse fenômeno que estamos vivendo é novo e importantíssimo”, defende Raquel Rolnik, ex-diretora de Planejamento da Cidade de São Paulo. Mas ela não doura a pílula quando fala na capacidade que esses grupos têm de interferir nas relações de poder. “Esses movimentos ainda são minoritários, mas estão crescendo. 

Quando eles vão ter força suficiente para incidir na agenda política real, veremos.” (JC)

Esta Matéria foi publicada originalmente em:

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Governo redesenha pacote para ferrovias e inclui novos trechos.

O governo fez um redesenho geral do pacote de concessões de ferrovias, que foi anunciado há seis meses. Nos próximos dias, sai a versão preliminar (minuta) do primeiro edital de concessão, que passará por audiência pública e ainda poderá sofrer alterações: A construção de um trecho de cerca de 530 quilômetros entre o município de Açailândia (MA) e o porto de Vila do Conde (PA). Na prática, trata-se de um prolongamento da Ferrovia Norte-Sul, hoje operada pela Vale entre Açailândia e Palmas (TO).

Diante do ineditismo do novo modelo que será aplicado nas ferrovias - ainda pouco compreendido pelo mercado -, esse trecho funcionará como uma espécie de projeto-piloto para o ambicioso plano de concessões.

As regras usadas no lote Açailândia-Vila do Conde serão as mesmas das demais licitações. O mercado está ansioso por conhecer essas regras. Por isso, o governo optou por lançar somente um edital no primeiro momento, a fim de discutir os detalhes do novo modelo com investidores privados e ter um termômetro que indique a necessidade de futuros ajustes.

O pacote original de concessões previa 12 lotes, que somavam 10 mil quilômetros de extensão, em duas fases. Os seis primeiros lotes, com 2,6 mil quilômetros, deveriam ter seus estudos divulgados em janeiro, e os leilões estavam previstos para abril. Esse cronograma sofreu um pequeno atraso. À exceção do trecho Açailândia-Vila do Conde, o governo estuda agora a possibilidade de fazer todo o processo de forma simultânea aos seis outros lotes, que serão leiloados no segundo semestre.

A meta ainda é assinar todos os contratos até o fim de 2013, mas o desenho dos lotes a serem concedidos também vai mudar, com a inclusão de dois trechos importantes: Palmas (TO)-Anápolis (GO) e Ouro Verde (GO)-Estrela D'Oeste (SP). Eles não vão ser construídos pela iniciativa privada. Ambos já estão em estágio avançado de execução pela estatal Valec. Ao todo, acrescentam 1.535 quilômetros de trilhos ao plano original do governo, que decidiu concedê-los à iniciativa privada, porque a Valec não tem experiência na operação.

As concessões desses dois trechos - ambos na Norte-Sul - não vão ser feitas de forma isolada, mas "turbinando" outros dois lotes, que devem ficar mais atrativos. O trecho Palmas-Anápolis fará parte do lote entre Lucas do Rio Verde (MT) e Uruaçu (GO). O trecho Ouro Verde-Estrela D'Oeste será incorporado ao lote que ia de Estrela D'Oeste a Maracaju (MS).

As futuras concessionárias das linhas terão cinco anos para construir os novos trechos. Quando o uso da ferrovia para o transporte de carga atingir 70% de sua capacidade, será disparado um gatilho para a realização de obras de expansão - primeiro, com desvios ferroviários nos pontos mais críticos; depois, na medida em que esses desvios forem aumentando, com a efetiva duplicação das linhas.

Como já se sabia, a estatal Valec comprará a capacidade integral de carga das ferrovias, eliminando o risco de demanda das futuras concessionárias. Depois, revenderá no mercado o direito de passagem por essas ferrovias, por meio de oferta pública. O que ainda não estava claro era a forma de disputa das licitações.

Vencerá cada leilão quem oferecer, à Valec, a menor tarifa de trem por quilômetro percorrido. Esse sistema de disputa se assemelha ao das rodovias, no qual o governo fixa uma tarifa máxima de pedágio e os concorrentes apresentam propostas com um deságio sobre esse valor. 
 
Quanto maior o deságio, menos a Valec terá que desembolsar para a compra da capacidade de transporte das ferrovias. Com isso, diminui a despesa que tem no primeiro momento da concessão, antes de obter receitas com a revenda do direito de passagem.

O ex-presidente da Valec José Eduardo Castello Branco, que pediu demissão em setembro, já havia estimado em até R$ 4 bilhões por ano a despesa da estatal na compra de 100% da capacidade de transporte das novas linhas. Segundo ele, a despesa seria maior no início das concessões, já que depois a estatal irá recuperando o investimento com a revenda às empresas interessadas em transportar mercadorias ou passageiros.

No novo desenho do governo, a concessão do trecho Açailândia-Vila da Conde terá seu edital definitivo em abril, caso seja aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O leilão seria realizado no fim do primeiro semestre. Não há previsão de mudar o prazo dos contratos - de 30 anos - nem de alterar substancialmente as condições de financiamento, como ocorreu com as rodovias, mas outros ajustes ainda poderão ser feitos.

Três lotes de pequena extensão em São Paulo - o trecho norte e o trecho sul do Ferroanel, além do acesso ferroviário a Santos - talvez não saiam mais como concessões isoladas. O governo avalia a possibilidade de "turbinar" outros lotes com esses corredores. O trecho sul do Ferroanel, por exemplo, poderá entrar na mesma concessão da ferrovia entre São Paulo e Rio Grande (RS).

Fonte: Valor Econômico


Esta Matéria foi publicada originalmente em: