terça-feira, 27 de março de 2012

TEMPOS MODERNOS. As redes sociais estão deixando o jornalismo nu. Por Cleyton Carlos Torres em 20/03/2012 na edição 686.

No impresso, ainda há quem afirme que a capa do jornal é para quem o compra; já seu interior é para quem o lê. 

E o digital? A “capa” dos jornais digitais já parece não ter tanta importância. A home principal de grandes veículos e portais talvez perca um pouco de sentido em um mundo tão conectado, com ligações nos mais diferentes ambientes. Ao mesmo tempo em que estamos em um único lugar, estamos em todos.

O site de uma das maiores revistas do país, a Veja, tem a rede social de microblogs como um dos seus principais originadores de tráfego. Mais de 33 grandes jornais internacionais possuem parceria com o Facebook. Querem estar dentro dessa rede quando Zuckerberg se tornar a maior mídia do planeta. A BBC, em números recentes, demonstrou que menos da metade dos 8 milhões de usuários que acessam o portal chegam ao site através da home principal.

Em um ecossistema em rede deve-se destacar a importância dos filtros de conteúdo, aquelas empresas ou profissionais que terão o trabalho de curar informações oriundas dos mais diferentes cantos da web e repassá-las de forma amigável ao usuários final. Isso vale também para o jornalismo de dados, transformando o big data em informação consumível. Porém o que se deve ter em mente é a forma que tudo isso será processada.

Filtrar conteúdo não necessariamente implica em centralizar o conteúdo. Com plataformas cada vez mais interconectadas, um pilar estrutural perde sua função básica. Não só espaço, mas as páginas principais dos jornais estão perdendo função. A BBC reformulou sua página no Facebook, oferecendo ao usuário a chance de selecionar o que querem receber na sua timeline. Seria essa a nova home dos portais? Com a poluição informacional com que a rede anda, talvez o conteúdo se perca em tantos “destaques”.

Segmentação e customização
Ainda em fase beta, a nova página na rede de Mark Zuckerberg traz a distinção entre editorias e jornalistas. Dão “rosto” ao conteúdo. O usuário pode escolher entre diversos assuntos e, de quebra, receber informações dos profissionais do portal. Seria essa a nova relação de jornalismo e redes sociais? Isso nos remete aos jornais que criaram aplicativos para o Facebook com o intuito de aproveitar o tempo que os usuários lá gastam. É uma forma de não “perder” um possível público.

Qual é o limite para essa integração? Aliás, tal limite existe? Com tantas interconexões simultâneas dos mais diversos cenários, não corre o jornalismo o risco de perder sua identidade como fonte confiável de conteúdo? A partir do momento em que as informações passam a circular em ambientes aleatórios, não corremos o risco de que os usuários não saibam mais onde procurar? A home dos portais e jornais se perde ao ter que ser acessada diretamente. Queremos o conteúdo, literalmente, na palma da mão.

Segmentação e customização são pontos essenciais para o jornalismo digital que quer sobressair no atual momento 2.0 vivente. Porém, confesso que não havia pensado pelo lado das páginas principais, agora nem tão principais assim. Destrincharemos editorias e jornalistas em suas mais íntimas funções. Chegará o momento de esquecermos a instituição por trás da informação e só lembraremos o local aonde a vimos? O jornalismo está ficando nu e, quem sabe, esqueçamos um dia o charme de sua vestimenta.

***
[Cleyton Carlos Torres é jornalista, pós-graduado em assessoria de imprensa, gestão da comunicação e marketing e pós-graduado em política e sociedade no Brasil contemporâneo]

FONTE:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed686_as_redes_sociais_estao_deixando_o_jornalismo_nu

segunda-feira, 26 de março de 2012

Assassinato. Liderança do MST é morta a tiros no agreste de Pernambuco

O trabalhador rural sem-terra Antonio Tiningo, coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no acampamento da fazenda Ramada, em Jataúba, agreste pernambucano, foi morto na última sexta-feira (23).

Segundo Edilson Batista, liderança do MST em Pernambuco, Tiningo foi assassinado a tiros por “pistoleiros” em uma estrada de terra quando se dirigia da fazenda ocupada para outro acampamento na região. A polícia está na região apurando a morte.

A fazenda, com 600 hectares, foi ocupada por cerca de 50 famílias sem-terra há três anos por ser improdutiva, afirma Batista. Em 2011, a propriedade foi vendida a um fazendeiro considerado “violento”, em comparação com o dono anterior, que, segundo o militante do MST, “era tranquilo.”

De acordo com Batista, no final de 2011, o novo dono organizou pistoleiros e retirou à força os sem-terra acampados. Semanas depois, a propriedade foi reocupada pelas famílias, o que teria irritado o proprietário. “Desde então, ele e os seguranças vivem fazendo ameaças”, diz o líder sem-terra.

Uma brigada ligada à direção estadual do MST já está no acampamento para fazer a segurança das famílias, segundo Batista. “Eles já espalharam que vão matar mais duas lideranças do acampamento”, diz.

O movimento quer que um delegado especializado em conflitos agrários atue no caso e que o ouvidor agrário nacional, o desembargador Gercino José da Silva Filho, vá para a região acompanhar o caso.

A reportagem ligou para o delegado agrário de Jataúba, mas ele não atendeu ao telefonema. A assessoria de imprensa da Polícia Civil também foi procurada, mas não atendeu às ligações. O proprietário da fazenda não foi localizado.

Morte em Minas

O secretário de Estado de Defesa Social (Seds) de Minas Gerais, o procurador de Justiça Rômulo Ferraz, determinou "prioridade absoluta" para a apuração da morte dos três integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) na manhã do último sábado (24), que está a cargo da Delegacia de Homicídios de Uberlândia. Foram enviados para a cidade um delegado, três investigadores e um escrivão do Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Belo Horizonte para ajudar nos trabalhos em Uberlândia.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2012/03/26/lideranca-do-mst-e-morta-a-tiros-no-agreste-de-pernambuco.htm

Um espião na Esplanada.

O ex-auditor Pedro Anceles, elogiado pelo secretário da Receita Federal, influenciava decisões tomadas no coração do governo enquanto defendia interesses do setor privado.

LEONARDO SOUZA E HUDSON CORRÊA.

Na história da espionagem são raros os episódios em que um agente duplo é flagrado em plena atividade e sua identidade é revelada ao público. São tão raros que seus nomes ficam conhecidos. É o caso do britânico Kim Philby, que fugiu para Moscou em 1963, depois de anos passando informações secretas à União Soviética. Ou de Aldrich Ames, o analista da CIA (a Agência Central de Inteligência americana) condenado em 1994, também por espionar para soviéticos, depois para os russos. Em tempos recentes, o exemplo mais chocante foi Robert Hanssen, o ex-funcionário do FBI (a Polícia Federal americana) que, durante 22 anos, passou informações confidenciais à União Soviética e à Rússia.

No Brasil, qualquer comparação com Philby, Ames ou Hanssen seria um exagero. Mas também é possível encontrar agentes duplos no Estado brasileiro. A atuação desses "espiões" costuma ser de outra natureza. Eles vendem informações estratégicas de órgãos públicos ou usam sua influência em benefício da iniciativa privada – e, com isso, fazem dinheiro. Duas semanas atrás, ÉPOCA revelou um desses casos. Trata-se do ex-auditor fiscal Pedro dos Santos Anceles, defenestrado em novembro passado pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda, por improbidade administrativa. 

Foram várias as irregularidades cometidas por Anceles e descobertas pela Corregedoria da Receita Federal. Entre outras práticas, ele faltava ao trabalho para prestar consultoria à iniciativa privada e simulava palestras para repassar a seus clientes conhecimentos que deveriam ficar restritos ao Fisco. De acordo com novos documentos obtidos por ÉPOCA, Anceles não agiu somente no Fisco. Sua atuação se estendeu pela Casa Civil, da então ministra Dilma Rousseff, pelo gabinete do ministro Mantega e até por um grupo de trabalho criado por ordem do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Anceles participou da elaboração de diversas medidas provisórias e projetos de lei, além de normas fiscais. As novas revelações fazem parte do inquérito em que a Corregedoria da Receita investigou o caso de Anceles, a que ÉPOCA teve acesso com exclusividade. De acordo com os documentos, Anceles teve liberdade para atuar, no período em que estava na esfera de comando do atual secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto.

A principal testemunha de defesa de Anceles na investigação foi ninguém menos que o próprio Barreto, de quem Anceles se disse "amigo" próximo e que ele classificou como "uma pessoa bem acessível". Quando Anceles praticou a maior parte das irregularidades, entre 2006 e 2008, Barreto era seu superior hierárquico direto, como secretário adjunto da Receita. Quando prestou depoimento, em março de 2010, Barreto presidia o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda. Ele voltou ao Fisco em janeiro de 2011, no posto máximo do órgão.

No depoimento que prestou à Corregedoria, Barreto usou diversas expressões elogiosas para defender Anceles perante os investigadores. "A postura profissional e ética do sr. Pedro, enquanto funcionário e colaborador, tinha alto reconhecimento dentro da organização da Receita Federal", afirmou Barreto. Entre 2003 e 2008, Anceles estava lotado na Delegacia de Julgamento da Receita em Santa Maria, Rio Grande do Sul. À comissão de inquérito, Barreto disse que, durante o período em que supervisionou as Delegacias de Julgamento, de 2002 a 2008, "diria que a DRJ de Santa Maria (comandada por Anceles) sempre foi muito produtiva e atuante, sendo os julgamentos lá realizados de alta qualidade".

O depoimento de Barreto não traz apenas louvores a seu antigo subordinado. Ele põe em dúvida algumas afirmações do próprio Barreto sobre o caso Anceles. Na edição 720, do último dia 5, ÉPOCA revelou que Anceles operou dentro do Fisco para influenciar na redação de uma medida provisória que mudou a tributação sobre o café, beneficiando, entre outros grupos, cooperativas do setor. Barreto negou que Anceles tivesse participado das discussões sobre a MP. À Corregedoria, porém, ele disse que era justamente na área de tributação de cooperativas e temas relacionados à atividade rural em que Anceles mais atuava. 

Eis o que afirmou Barreto, segundo o inquérito: "Perguntado sobre em que áreas o servidor Pedro Anceles atuava (...), respondeu que em várias áreas, mas principalmente na área de cooperativismo e tributação de cooperativas e de atividade rural de pessoa física. Que o sr. Pedro Anceles também era muito consultado informalmente pela Cosit (Coordenação-Geral de Tributação) devido ao respeito profissional que possuía". A Cosit, citada por Barreto, é o "cérebro" da Receita, por onde passam todas as mudanças na legislação fiscal do país.

Muitas das palestras que Anceles ministrava a empresas privadas ocorreram durante o horário de expediente na Receita. À Corregedoria, ele disse que não considerava suas ausências como falta ao serviço, pois, "embora informal, comunicava via telefone a sua compensação". Na opinião da Corregedoria, essa "compensação" constituía apenas uma farsa, uma vez que Anceles não poderia assinar nenhum documento nas férias, período em que dizia trabalhar no lugar das faltas. A comunicação das ausências era, segundo o inquérito, feita a Barreto. Em seu depoimento em defesa de Anceles, Barreto disse saber "que (Anceles) ministrava palestras, algumas no interesse da administração" e afirmou que "se o sr. Pedro exercia estas atividades naquele período, não prejudicava as atividades de delegado".

Um episódio revela como Barreto estava errado. Nessas atividades paralelas, Anceles foi, nas palavras da Corregedoria, "desleal" com a Receita. Ele recebeu R$ 20 mil da empresa CVI Refrigerantes Ltda. para comparecer ao evento "Serviço de análise e interpretação da legislação do PIS e da Cofins", realizado em Santa Maria, nos sábados do mês de abril de 2007. Anceles não tinha autorização para participar do evento. Os slides de sua apresentação revelam que ele estava lá para "aclarar" e apresentar ao contribuinte os "atalhos" e as "ferramentas" para uma "melhor" estratégia de "cálculo dos tributos". Tradução: para ensinar a pagar menos impostos. 

A função de um auditor fiscal é justamente a oposta: lutar contra a elisão fiscal, contra a sonegação – e garantir que os contribuintes recolham devidamente seus impostos. Por intermédio de sua assessoria, Barreto afirmou a ÉPOCA "que não sabia das atividades paralelas" de Anceles quando prestou seu depoimento à Corregedoria. "Não houve qualquer proteção ao ex-servidor", disse. Ele afirmou ainda que "desconhece a eventual utilização inadequada de qualquer informação" do Fisco por Anceles.

Quando chefiava a Delegacia de Santa Maria, no período em que era subordinado direto de Barreto, Anceles viajou pelo menos dez vezes para Brasília para integrar grupos de trabalho encarregados de elaborar legislação tributária. Anceles participou da elaboração de dois projetos de lei enviados pela Presidência da República ao Congresso Nacional em 2008, que ainda estão em discussão na Casa e propõem, basicamente, isenção tributária a cooperativas. De acordo com o depoimento de Barreto, Anceles "atuava ajudando a Cosit na elaboração de atos normativos infralegais e de projetos de leis e medidas provisórias".

Outros dois auditores, também ouvidos pela Corregedoria a pedido de Anceles, foram além. O responsável por formular pareceres da Cosit, Nelson Pessuto, contou que trabalhou em duas ocasiões com Anceles em Brasília. Na primeira, na elaboração de uma Instrução Normativa que dispõe sobre cooperativas. No segundo caso, em 2008, num grupo de trabalho coordenado pelo próprio Barreto e, segundo Pessuto, criado a pedido do então presidente Lula para elaborar projetos de lei para a Casa Civil sobre tributação de cooperativas. Pessuto, de acordo com o inquérito, afirmou que "o grupo de trabalho, no qual o sr. Pedro (Anceles) era um integrante, foi convocado oficialmente pelo ministro Mantega para uma reunião sobre o assunto numa sala de reuniões anexa ao gabinete do ministro. Que o sr. Pedro foi designado para falar em nome da Fazenda, pois era pessoa altamente preparada sobre o assunto". O outro depoente, o atual subsecretário de Tributação, Sandro de Vargas Serpa, disse que esse grupo passou a trabalhar para a Casa Civil e que o "sr. Pedro continuou colaborando nos trabalhos". Naquele ano de 2008, a então ministra-chefe da Casa Civil era a hoje presidente Dilma Rousseff.

Procurada por ÉPOCA, a Presidência da República informou que funcionários "de todos os ministérios e de órgãos do governo participam, com frequência, de inúmeras reuniões temáticas de suas áreas com assessores da Casa Civil". O Ministério da Fazenda afirmou que "é rotineira a participação de funcionários da Receita Federal em grupos de trabalho de nível técnico que envolvam discussões sobre tributação". Em relação a Anceles, a Fazenda disse que "uma vez constatados e averiguados pela Receita problemas por parte do então servidor, o mesmo foi demitido, o que mostra que não houve qualquer conivência (do secretário Barreto)". 

Barreto afirmou por meio de sua assessoria que é usual funcionários da Receita Federal participarem de reuniões de trabalho sobre matérias tributárias. "Tais reuniões teriam ocorrido antes de comprovadas as irregularidades que culminaram na demissão", disse Barreto. Ele informou ainda que teria de "fazer um levantamento para saber quem convocou (Anceles para participar de reuniões em Brasília) e quem autorizou as despesas". As reuniões mencionadas por Barreto podem ter ocorrido antes de comprovadas as irregularidades, mas as suspeitas de atividades subterrâneas já recaíam sobre Anceles desde 2007 e eram conhecidas pela cúpula do Fisco.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal no Rio Grande do Sul também mapeavam os passos de Anceles. Suas atividades paralelas vieram à tona quando a PF deflagrou, em novembro de 2007, a Operação Rodin, contra um esquema de desvio de R$ 44 milhões no Detran gaúcho. Ao fazer apreensões de documentos em empresas envolvidas no rombo, a PF descobriu numa delas um recibo de pagamento de R$ 40 mil de uma empresa de auditoria e consultoria tributária, a Rio Del Sur, para Anceles. A Rio Del Sur também tinha negócios na área de telefonia, tendo contratado os serviços de Anceles para prestar consultoria tributária no setor de telecomunicações. Anceles disse que devolveu os R$ 40 mil recebidos em abril de 2006 porque acabou não prestando o serviço. A devolução, no entanto, só ocorreu exatos dois anos depois de recebido o dinheiro e quatro meses após a operação da PF.

A Receita também participou da Operação Rodin e tinha informações detalhadas sobre os alvos da ação policial. Um contingente de 46 auditores e analistas do Fisco ajudaram 252 policiais nas buscas e apreensões de documentos e computadores. A partir da ação da PF, o Ministério Público Federal (MPF) passou a acompanhar as andanças de Anceles pelo mundo da consultoria privada. O trabalho da Corregedoria da Receita começou a partir de uma denúncia encaminhada pela Controladoria-Geral da União. 

As duas frentes correram em paralelo até os procuradores da República tomarem um susto com a decisão inicial da Corregedoria do Fisco sobre o caso. Mesmo diante das evidências das irregularidades cometidas por Anceles, a comissão de inquérito da Corregedoria propôs, num primeiro momento, apenas uma suspensão de 90 dias como punição. Em correspondência sigilosa enviada à Corregedoria em agosto do ano passado, os procuradores da República em Santa Maria afirmaram que o caso era de demissão sumária. "O servidor se ausentava habitualmente durante o horário de expediente, sem autorização e sem sofrer desconto em sua remuneração, o que demonstra prejuízo ao serviço público e à administração", disse a Procuradoria. Tal afirmação contradiz a versão de Barreto de que o trabalho paralelo de Anceles não afetava seu desempenho.

Com base nessa correspondência e no trabalho da Corregedoria, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional elaborou um parecer propondo ao ministro Mantega que demitisse Anceles. Em novembro passado, Mantega assinou portaria com a exclusão de Anceles dos quadros do Fisco. Anceles entrou com uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para anular sua demissão. O STJ negou o pedido de liminar duas semanas atrás, mas o julgamento continua. O advogado Maurizio Colomba afirmou que Anceles não cometeu falhas ou ilegalidades, como tráfico de influência ou repassar a contribuintes informações sigilosas. Segundo Colomba, o MPF interveio indevidamente na investigação da Corregedoria, ao pedir a demissão de Anceles, sem ter competência para isso.

Numa das páginas do trabalho da Corregedoria, os membros da comissão de inquérito chamam Anceles de "anfíbio", termo usado para designar auditores fiscais que ora trabalham para o Fisco, ora defendem interesses da iniciativa privada contra a Receita. Anfíbio ou agente duplo como Philby, Ames ou Hanssen, Anceles acabou desmascarado e caiu em desgraça. Pena que a descoberta de casos como esses continue rara.

registrado em:  
 
FONTE:http://www.dpf.gov.br/agencia/pf-na-midia/revista/2012/marco/um-espiao-na-esplanada 

P.F. Operação Monte Carlo. Leandro Fortes: Todas as informações foram tiradas do relatório da PF

por Leandro Fortes, no Facebook

Estou compartilhando essa informação porque ela passou a circular pelo noticiário de internet, inclusive na Agência Estado, mas o único que se dignou a me ouvir foi Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada.
Para início de conversa, jamais me referi a depoimento algum do advogado Ruy Cruvinel à PF, nem muito menos acordei, um dia, e decidi que iria inventar essa personagem de nome exótico e transformá-la no algoz do senador Demóstenes Torres, essa figura impoluta do DEM de Goiás.

TODAS as informações que estão na minha matéria foram retiradas das mais de mil páginas do relatório da Polícia Federal referente à Operação Monte Carlo, de 29 de fevereiro. Nela, foi preso o delegado da PF Deuselino Valadares, acusado de passar informações sigilosas sobre operações policiais para a quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Pois bem, este mesmo delegado Deuselino, também feliz proprietário de um Nextel registrado em Miami, foi coptado pela quadrilha porque, em 2006, levantou as primeiras informações sobre a estrutura da quadrilha, justamente, a partir do advogado Ruy Cruvinel. Ele produziu três relatórios, com nomes, quantidades de máquinas caça-níqueis, bingos e valores. Nos relatórios, ele relata que Cruvinel tentou suborná-lo com 200 mil reais e convencê-lo a montar um negócio paralelo ao de Cachoeira. Nestes relatórios é que Deuselino estipula em 30% a parte de Demóstenes no esquema de Cachoeira. Repito: trata-se de autos de um inquérito policial produzido pela Superintendência da PF de Brasília. Documentos oficiais, registrados em cartório judicial e em papel timbrado.

O fato é que o mau hábito de boa parte dos jornalistas brasileiros de, nos últimos anos, publicar matérias sem lastro de provas materiais gerou, por sua vez, essa possibilidade de as fontes redarguirem sem nenhum escrúpulo a uma informação jornalística baseada na verdade factual. O fazem por orientação de advogados, na esperança de intimidar o denunciante, mandar recados para eventuais comparsa de crimes e, no limite, prestar conta para familiares, vizinhos e colegas de trabalho.

Em breve, provavelmente pelo site da CartaCapital, irei disponibilizar a íntegra desses documentos para que, ao invés de se submeterem a esse joguinho calhorda de notas à imprensa e notinhas maldosas em sites e blogs ressentidos, os leitores possam tirar as próprias conclusões e se informar de forma honesta e transparente.

*****
A nota a que refere Leandro Fortes é esta assinada pelo advogado Ruy Cruvinel Neto:
Manifesto minha indignação em relação as mentiras divulgadas na matéria da Revista Carta Capital.

Nunca fui preso nem tive cassino, muito menos “estourado” em operação policial. E não fiz nenhuma declaração acusando o Senador Demostenes Torres de qualquer ligação e muito menos participação em atividade ilícita com quem quer que seja. Não conheço o Senador Demostenes Torres e nunca estive pessoalmente com ele.

Desafio quem quer que seja a apresentar algum documento comprovando que fui preso ou prestei declarações acusando o Senador Demostenes Torres de participação em atividade ilícita exercida pelo sr. Carlos Augusto Ramos,  mais conhecido como Carlinhos Cachoeira, ou por quem que seja.

Goiânia, 24 de março de 2012.
  


Fonte: http://www.viomundo.com.br/denuncias/leandro-fortes-todas-as-informacoes-da-minha-materia-foram-retiradas-do-relatorio-da-pf.html

Maranhão. Prefeito invade Sindicato dos Servidores Municipais de Coelho Neto e agride sindicalista.

A ação protagonizada pelo atual prefeito de Coelho Neto-MA no início da noite de ontem (24) na sede do Sindicato dos Servidores Municipais chocou a população do município.
Tudo começou quando algumas pessoas que fazem parte da atual administração, entre elas a secretária de saúde, senhora Rosângela Curado, resolveram organizar e liderar uma “manifestação” de pessoas contratadas sem concurso público que se deslocou pela Avenida Santana com o propósito de ir à frente do sindicato onde haveria uma Assembleia Geral daquele sindicato em comemoração aos seus 23 anos de luta em defesa dos servidores municipais coelho-netenses. 
O motivo dessa “manifestação” seria  pelo fato de o sindicato pressionar o governo municipal a dá posse aos aprovados no último Concurso Público Municipal que já foi prorrogado uma vez e que perde a validade no mês de maio.

O grupo de “manifestantes” a principio foi contido pela polícia militar evitando assim a invasão do sindicato, mas logo depois quando os sócios do sindicato se preparavam para iniciar a Assembleia foram surpreendidos pelo próprio prefeito da cidade que furou o cerco da polícia que estava cerca de 200 metros levando consigo todos os manifestantes e com chutes ele mesmo derrubou o portão do sindicato invadindo e agredindo algumas pessoas. 
Uma senhora contratada pelo sindicato para filmar o evento foi a primeira vítima do prefeito enfurecido que a agarrou pelo pescoço, a derrubou no chão, e com extrema violência tomou-lhe a filmadora. Uma brutalidade inenarrável.
Havia crianças no local e no desespero mães se trancaram com seus filhos nos banheiros da instituição. Câmeras fotográficas e alguns aparelhos celulares foram tomados com violência a mando do próprio prefeito que transtornado se preocupava em eliminar todos os registros de sua ação grotesca contra pais e mães de família. 
Pessoas simples e ordeiras. O dirigente sindical Lima Júnior foi uma das vítimas do grupo liderado pelo prefeito e ficou bastante machucado. A imagem fala por si.
O evento do sindicato foi comunicado com antecedência às autoridades policiais do município e o documento enviado tanto à polícia Civil quanto à polícia Militar já alertava a respeito dessa manifestação liderada por pessoas da atual administração e que isso poderia representar risco de violência e tentativa de invasão, mas infelizmente isso não foi o suficiente para evitar esse triste ocorrido.
O fato foi imediatamente comunicado ao vice-governador do Maranhão e cerca de 50 minutos depois chegou à cidade uma viatura do GOE e mais viaturas da Polícia Militar da Cidade de Caxias e Duque Bacelar. Os advogados do Sindicato Dr. Walkmar Neto e Dr. Tiago foram acionados de imediato pela Direção da instituição. Dr. Walkmar Neto mora na cidade de Caxias-MA, mas chegou junto com as viaturas policiais.
Sob orientação jurídica e com a garantia de sua integridade física as pessoas agredidas foram à Delegacia de Polícia registrar B.O e ao “Hospital Municipal” fazer exame de corpo de delito.
A ida ao hospital foi acompanhada por uma viatura do GOE de Caxias-MA, visto que havia rumores de que o prefeito lá estaria aguardando a chegada dos sindicalistas.
O que se viu na noite de ontem (24) na cidade de Coelho Neto foi uma verdadeira afronta ao estado de direito. Prefeito invadir sindicato é algo jamais visto na história do Maranhão. 

Mas em Coelho Neto atualmente parece que tudo pode. 

Estranhamente, parece que tudo pode. Até quando seremos obrigados a suportar essa ditadura?   
FONTES: 
http://www.blogdojoaodesousa.com 
 http://www.janioarlei.com/

Santa Catarina. Homem morre após disparo de arma de choque pela PM.

 
JEAN-PHILIP STRUCK
DE CURITIBA

Um homem de 33 anos morreu na madrugada de domingo (25) em Florianópolis após ser imobilizado com um choque elétrico de uma pistola modelo Taser disparada por um policial militar. 

O caso aconteceu no bairro Ingleses, região norte da capital catarinense. Segundo a Polícia Militar, policiais de uma guarnição próxima foram até o apartamento do homem, por volta de 2h30, atender uma ocorrência de violência doméstica. O homem foi identificado como Carlos Barbosa Meldola, um gerente de uma empresa de transportes. 

A PM afirma que foi chamada pela mulher de Meldola, uma administradora de empresas de 31 anos. Na ocorrência, a PM registrou que a mulher relatou que o marido estava descontrolado, destruindo o apartamento e sofrendo de alucinações após ter consumido uma grande quantidade de cocaína no sábado (24). 

A polícia afirma que o Taser foi disparado por um PM quando o homem ameaçou se jogar pela janela do apartamento, que fica no terceiro andar. 

"A arma foi disparada numa tentativa de salvar a vida dele", diz o tenente-coronel Fernando da Silva Cajueiro, responsável pela comunicação social da PM catarinense. 

Após o disparo da carga que pode chegar a 50 mil volts, Meldola se escorou numa parede e os policias perceberam que ele aparentava não apresentar sinais vitais. Segundo a PM, os policiais tentaram reanimar o homem, mas logo perceberam que ele estava morto. 

Ainda segundo a PM, um inquérito policial militar vai ser aberto para investigar o caso. 

A Polícia Civil também abriu uma investigação. O delegado Antonio Claudio Seixas Joca, responsável pelo caso, afirma que solicitou a apreensão a pistola de choque, que deve passar por uma perícia. O delegado também afirma que deve ouvir ao longo da semana a mulher da vítima e os PMs que atenderam a ocorrência. 

A polícia também espera a conclusão de um laudo do Instituto Médico Legal de Florianópolis que deve detalhar as causas da morte. 

O corpo de Meldola foi enterrado na manhã desta segunda-feira em Curitiba. 

Em 18 de março, o estudante brasileiro Roberto Laudísio Curti, 21, foi morto em Sydney, na Austrália, depois que policiais efetuaram uma série de disparos com o aparelho similar utilizado pela polícia catarinense. 

Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1067292-homem-morre-em-sc-apos-disparo-de-arma-de-choque-pela-pm.shtml

Brasil, em 30 anos, produtividade da indústria nacional caiu 15%.

Na China houve aumento de 808% no período, reflexo de investimentos em tecnologia e educação.

Chrystiane Silva
Nos últimos meses, a indústria brasileira tem amargado péssimos resultados. Praticamente estagnado, o setor sofre com os altos custos para produzir, com a concorrência dos produtos importados e também com a baixa produtividade dos trabalhadores.

Nos últimos 30 anos, a produtividade dos colaboradores da indústria de transformação caiu 15%. Esse indicador é calculado pelas horas trabalhadas e pelo número de funcionários do setor. No mesmo período, a produtividade dos chineses aumentou 808%. Os dados fazem parte de estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A China é a principal potência mundial e é natural que a produtividade dos seus trabalhadores seja maior. Mas o Brasil também ficou atrás do desempenho de vizinhos como o Chile, que apresentou aumento de 82,11%, e da Argentina, que cresceu 16,98% nos últimos 30 anos. O que há de errado com o desempenho do Brasil?

Crescimento sustentado.  O aumento da produtividade é uma condição fundamental para o crescimento sustentado. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho pífio da produtividade no país estão as deficiências de educação e infraestrutura. 

Cada vez mais, as indústrias usam equipamentos tecnológicos sofisticados e exigem uma boa formação educacional dos seus trabalhadores, mas apenas 20% dos funcionários do setor terminaram a universidade. Além disso, o Brasil ainda temumabaixa integração com a economia global.

O indicador que mede a abertura comercial é a proporção do comércio exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Quanto mais alto, melhor para a economia do país. Nos últimos três anos, ele ficou em 11% em média. Na Argentina, o mesmo indicador ficou em 20%. 

Apesar de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem uma baixa absorção de tecnologia e inovação em muitos setores, sem contar com as dificuldades burocráticas para abrir empresas. “O país precisaria crescer 4% ao ano para acomodar os aumentos salariais e competir com os produtos importados.

O Brasil está se dando ao luxo de ter os maiores custos de produção do mundo, matando a indústria”, diz Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Solução demorada.Para um país que precisa crescer, a baixa produtividade é um fator preocupante. “É um obstáculo que cria barreiras à competitividade externa. É preciso pensar em umaestratégia consistente de desenvolvimento industrial”, diz Gabriel Coelho Squeff, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) e autor do estudo sobre produtividade na indústria entre 1980 e 2009.

No curto prazo, com a instabilidade internacional devido à crise mundial, que se manifesta pela queda no comércio internacional e pela aversão ao risco por parte dos empresários e dos consumidores, vai ser preciso ter mais dinamismo na relação entre a produção e os trabalhadores para reativar o crescimento.

“A estrutura produtiva também precisa ser diversificada, mas não há indícios de que essas trajetórias sejam revertidas no curto prazo”, diz Squeff. Para crescer de maneira sustentada, o país vai precisar seguir o exemplo das nações que investiram em educação e hoje registram crescimento econômico como China e Coreia do Sul.

FONTE: Brasil Econômico
http://www.forte.jor.br/