Na China houve aumento de 808% no período, reflexo de investimentos em tecnologia e educação.
Chrystiane Silva
Nos últimos 30 anos, a produtividade dos colaboradores da indústria
de transformação caiu 15%. Esse indicador é calculado pelas horas
trabalhadas e pelo número de funcionários do setor. No mesmo período, a
produtividade dos chineses aumentou 808%. Os dados fazem parte de estudo
produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
A China é a principal potência mundial e é natural que a
produtividade dos seus trabalhadores seja maior. Mas o Brasil também
ficou
atrás do desempenho de vizinhos como o Chile, que apresentou aumento de
82,11%, e da Argentina, que cresceu 16,98% nos últimos 30 anos. O que há
de errado com o desempenho do Brasil?
Crescimento sustentado. O aumento da produtividade é uma condição fundamental para o crescimento sustentado. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho pífio da produtividade no país estão as deficiências de educação e infraestrutura.
Cada vez mais, as indústrias usam equipamentos tecnológicos sofisticados e exigem uma boa formação educacional dos seus trabalhadores, mas apenas 20% dos funcionários do setor terminaram a universidade. Além disso, o Brasil ainda temumabaixa integração com a economia global.
O indicador que mede a abertura comercial é a proporção do comércio
exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Quanto mais alto,
melhor para a economia do país. Nos últimos três anos, ele ficou em 11%
em média. Na Argentina, o mesmo indicador ficou em 20%.
Apesar
de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem uma baixa absorção
de tecnologia e inovação em muitos setores, sem contar com as dificuldades burocráticas para abrir empresas. “O país precisaria
crescer 4% ao ano para acomodar os aumentos salariais e competir com os
produtos importados.
O Brasil está se dando ao luxo de ter os maiores custos de produção
do mundo, matando a indústria”, diz Júlio Gomes de Almeida, economista
do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Solução demorada.Para um país que precisa crescer, a baixa produtividade é um fator preocupante. “É um obstáculo que cria barreiras à competitividade externa. É preciso pensar em umaestratégia consistente de desenvolvimento industrial”, diz Gabriel Coelho Squeff, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) e autor do estudo sobre produtividade na indústria entre 1980 e 2009.
No curto prazo, com a instabilidade internacional devido à crise
mundial, que se manifesta pela queda no comércio internacional e pela
aversão ao risco por parte dos empresários e dos consumidores, vai ser
preciso ter mais dinamismo na relação entre a produção e os
trabalhadores para reativar o crescimento.
“A estrutura produtiva também precisa ser diversificada, mas não há
indícios de que essas trajetórias sejam revertidas no curto prazo”, diz
Squeff. Para crescer de maneira sustentada, o país vai precisar seguir o
exemplo das nações que investiram em educação e hoje registram
crescimento econômico como China e Coreia do Sul.
FONTE: Brasil Econômico
http://www.forte.jor.br/
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