quarta-feira, 13 de junho de 2012

Faleceu o Prefeito do Municipio de Pedro do Rosário, filiado ao PT, vitima de ataque cardiaco nesta madrugada.

O prefeito do município de Pedro do Rosário, José Arnold Silva Borges, faleceu na madrugada desta quarta-feira (13) vítima de um ataque cardíaco.

O prefeito teria começado a sentir pontadas no peito na tarde de ontem, durante a inauguração de uma escola na cidade.

Ele foi encontrado no banheiro de sua residência e trazido para São Luís. Arnold ainda chegou vivo ao hospital, mas não resistiu e morreu às 2h da manhã.

Segundo informações, ele já tinha uma consulta agendada com o médico cardiologista na capital.

Durante a inauguração da escola, o prefeito disse que já poderia morrer tranqüilo, pois tinha certeza de que já havia cumprido todas as promessas que fez à população do município.

O corpo de Arnold Borges está sendo velado em Pedro do Rosário e será enterrado amanhã.

Nota de pesar

A Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem), por meio de seu presidente, prefeito Junior Marreca, lamenta a morte do prefeito de Pedro do Rosário, José Arnold Silva Borges.

 Ele faleceu na madrugada desta quarta-feira (13), vítima de um ataque fulminante do coração.

A Famem e todos os seus filiados solidarizam-se com a família enlutada neste momento de dor, rogando a Deus força para enfrentar tamanha tragédia familiar.

Do GI Portal.
Enviado por Eri Santos Castro.
FONTE: http://erisantoscastro.blogspot.com.br/2012/06/prefeito-filiado-ao-pt-morre-nesta.html 

Operação Detonando: A história da trama que resultou na morte de Décio Sá.

Fábio Brasil foi morto a tiros no meio da rua, em março.
A polícia acredita que tem tudo a ver com posts de Décio Sá sobre o assassinato de um agiota em Teresina a execução do jornalista no dia 23 de abril, num bar na Avenida Litorânea.

Os homens da SSP prenderam hoje os empresários Glaucio Alencar e seu, pai, conhecido como Miranda. Eles são os supostos mandantes, trabalham com venda de merenda  escolar para prefeituras e são suspeitos de envolvimento com agiotagem em todo o Maranhão.

A teia para a elucidação do crime começou a ser desenrolada quando os investigadores ligaram duas postagens do Blog do Décio –  Homem que devia agiotas no Maranhão é executado em Teresina e Morte de Fábio Brasil ainda vai dar muito o que falar - ao assassinato do jornalista.

Ocorre o seguinte: Fábio Brasil, conhecido agiota de Teresina, teria contratado um pistoleiro para matar Glaucio Alencar por R$ 200 mil. Sem dinheiro para pagar pelo “contrato”, “Fabinho” foi descoberto quando o próprio pistoleiro revelou a Glaucio a trama e ofereceu seus serviços pelo mesmo preço.

A amigos, Glaucio negou que tenha aceitado a proposta. Mas o fato é que duas semanas após esse evento, Fabio Brasil foi morto a tiros. Valdênio José da Silva – preso logo no início das investigações e morto a tiros anteontem (11) já havia confessado participação no crime do Piauí.

Décio Sá soube do assassinato e fez a primeira postagem. Depois, por meio de um amigo em comum com o agiota, soube de toda a trama e fez a segunda (veja nos links acima).

Na mesma época, num encontro num restaurante, Glaucio estava à mesa com alguns jornalistas e blogueiros quando surgiu o assunto do crime. Décio disparou: “Eu estou sabendo que foste tu quem mandou matar o Fábio Brasil”.

Todos emudeceram. Glaucio, então, chamou Décio para um conversa reservada e outra ocasião e disse que não foi ele quem mandou matar o agitoa piauiense, mas um cidadão chamado Junior Bolinha – empresário do ramo de veículos, espécie de sócio do suposto agiota e também preso na operação “Detonando”.

Bolinha – que já havia perdido uma concessão da Coca Cola em Santa Inês  por conta de uma denúncia publicada no Blog do Décio em 2009 - de alguma forma soube que o jornalista tinha essa informação e sentiu-se novamente ameaçado pelas postagens.

Segundo Glaucio, Bolinha teria agido por conta própria para mandar matar o jornalista.

Em tempo: Fábio, subcomandante do Batalhão de Choque da PM, também já foi preso. Ele teria emprestado a pistola .40 utilizada no crime.

Matéria publicada originalmente no blog: http://gilbertoleda.com.br/

Elucidado o assassinato de Décio Sá. Assassino e Mandantes Presos.

A Polícia Civil cumpre, neste momento, oito mandados de prisão e quatorze de busca e apreensão na operação “Detonando”, que acaba de elucidar o assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá, morto a tiros dia 23 de abril.
Na operação estão sendo empregados doze delegados e setenta policiais civis e homens do GTA, com objetivo de prender o executor e os apontados como mandantes do assassinato.

Uma coletiva de imprensa será concedida às 11h desta quarta-feira (13), no Palácio dos Leões, para mais detalhes sobre a ação policial.

Segundo as primeira informações colhidas pelo blog, pelo menos dois empresários já estão presos. O assassino do jornalista já estava preso há cinco dias e “derrubou o serviço” – como se  diz na linguagem policial –  em troca do benefício da delação premiada.
Tudo leva a crer que a morte do traficante Valdênio José da Silva, 38, um dos suspeitos de participar da morte de Décio Sá, tem a ver com a elucidação do crime.

Mais informações ao longo do dia.

FONTE:http://gilbertoleda.com.br
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Detonando: polícia elucida o assassinato de Décio Sá

Ex-ministro Orlando Silva (PC do B) é inocentado na Comissão de Ética da Presidência.

http://e.imguol.com/o-ex-ministro-do-esporte-orlando-silva.jpg
A Comissão de Ética da Presidência da República arquivou o processo contra o ex-ministro do Esporte Orlando Silva.

De acordo com o presidente da Comissão de Ética, Sepúlveda Pertence, a denúncia foi arquivada “por absoluta falta de provas”.


Em outubro de 2011, a revista Veja fechou uma parceria editorial com o PM milionário João Dias para acusar o ex-ministro de receber dinheiro no estacionamento do ministério.

A denúncia foi sendo desmontada. Ninguém confirmou o fato. Os acusadores estão sendo processados pelo ex-ministro.

O Ministério do Esporte cobrava de João Dias a devolução de cerca de R$ 4 milhões aos cofres públicos.


João Dias, com interesses contrariados, fez igual a Carlinhos Cachoeira. Recorreu à parceria com a revista Veja, para criar confusão, derrubar Orlando Silva, e tentar escapar daquela cobrança.


Da mesma forma que a revista Veja blindava Carlinhos Cachoeira, não o denunciando, também
oferecia uma estranha blindagem sobre João Dias desde 2008.

sua-gestao-as-denuncias-que-sofreu-e-seu-futuro-politico-1328198635168_1920x1080.jpgOrlando Silva sofreu uma perseguição implacável na forma de campanha difamatória pela velha imprensa, sem qualquer prova contra ele. Pelo contrário, ele havia tomado providências sobre as irregularidades praticadas por terceiros. Ele acabou renunciando ao cargo por mero desgaste político gerado, tanto no Ministério como em seu partido.


Mais uma injustiça na conta da revista Veja. 

FONTE:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2012/06/injustica-da-veja-orlando-silva.html. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Ruanda, Etiópia ou Haiti é aqui.

Foto: Jornal Correio da Bahia.

por Davi Carneiro, do blog Vou sair pra ver o céu, via twitter.

A senhora estava agachada, completamente nua, à beira do asfalto. Toda sua fortuna jazia espalhada pelo chão: algumas tampas de garrafa, um copo de plástico verde e o minúsculo pedaço de sabão que usava para se banhar. 

No momento da foto, estava de cócoras. E lavava seus trapos em uma poça de água barrenta, fruto das chuvas na cidade. Tem a pobreza escrita na curva de suas costas, em suas costelas desnutridas, na finura de seus braços. Sombra, sim. Mas só da alma porque o corpo quase que não tinha. E a pobreza no Brasil tem a face negra, feminina, nordestina.

Há imagens que nos confrontam com a total ausência de tudo. Que mostram a realidade crua, nua, extremamente próxima, familiar. 

Assim foi a fotografia publicada hoje, dia 05 de junho, pelo jornal Correio da Bahia. As tocantes palavras do colunista Welter Arduini: a acompanham:

“A poça, agora, é sua palaciana banheira imaginária: o asfalto que serve de borda para represar a água barrenta é como reluzente mármore negro; o celestial céu azul que paira sobre sua cabeça é um teto de cristal e a sua frente tem uma imensa janela invadida pelo mar de Patamares (…)”. “(…) O que choca não é sua esquelética e assustadora magreza, mas imaginar o que não foi feito por ela, para deixá-la, assim. Finda a tarefa, se vestiu e juntou suas coisas, mecanicamente”, escreveu o colunista. “Não é Ruanda, Etiópia ou Haiti. Desgraçadamente, é aqui.”

Salvador. A capital baiana. A Roma Negra. A cidade com o maior número de afrodescendentes fora da África.

Salvador. Foi aqui onde há poucas semanas uma repórter humilhou um jovem acusado de estupro. O vídeo ganhou repercussão nacional. Ela: loira, bonita e bem vestida. Ele: negro, sujo, e algemado. Tinha a cara de menino. E a pobreza estampada na sequência de dentes quebrados. Uma “entrevista”; um açoite público. Um microfone; um chicote. Uma delegacia; um navio negreiro.

O que há de comum entre a idosa da foto do Correio e o menino açoitado de dias atrás?

São imagens que produzem impactos semelhantes ao de uma bomba nuclear. Te consomem. Te arrastam. Te implodem. E dizem muito sobre nos mesmos. Sobre a sociedade em que vivemos.

São baianos. Pobres. Negros. Fruto da violência e das consequências dramáticas de mais de 300 anos de escravidão.  São filhos  dos chicotes da discriminação; da ineficiência do poder público; de infâncias roubadas; do comodismo civil.  Confrontados com a falta de tudo, os homens abstêm-se dos sonhos, desprendendo-se da esperança e do desejo de se tornarem outros.

Volto as palavras de Arduini. O colunista parou ao lado da senhora faminta e lhe fez três perguntas. As respostas vieram quase monossilábicas.

“Quem é a senhora, quantos anos tem e de onde veio: ‘Maria…mas me conheço ‘de’ Nêga’. Acha que tem (quase ou pouco mais de) 60 anos. Não lava sua roupa ou se banha no mar ‘por que lá, nunca vou’. Veio do interior. Deixou filhos e família pelo mundo. ‘Por desgosto’. Quando perguntei ‘onde estão?’. Respondeu com um olhar carregado de tristeza e distante. Sua fragilidade é de doer. Me disse algo que não entendi, virou de costas e se pôs a andar”.

Quantos mais açoites públicos ou imagens com a força de um Hiroshima serão necessários  para combater a nossa pouca caridade e amor pelo próximo?

Serão necessários mais 300 anos de escravidão para acabar com a nossa falta de atitude política e civil, que na maioria das vezes se resumem a compartilhamentos e comentários chorosos?

Perguntas que ficam no ar … assim como o cheiro da hipocrisia que acostumamos a tragar todas as manhãs.
Abaixo o famigerado video (que já foi super exposto, super divulgado, mas sempre tem alguém que ainda não viu). O mais completo tratado das relações de poder não chegaram tão longe:



Davi Carneiro é jornalista, viajante, baiano, escritor de narrativas de viagens, blogueiro e aluno do Master de Periodismo de Viajes da UAB em Barcelona. Tem 27 anos e já esteve em 17 países.

Leia também:

FONTE:http://www.viomundo.com.br/denuncias/davi-carneiro-ruanda-etiopia-ou-haiti-e-aqui.html

Projeto para lançar satélite da Base de Alcantara no Maranhão trava.

Parceria Brasil-Ucrânia não consegue pagar construtoras desde dezembro País já investiu R$ 400 milhões na empreitada; plano de participar do mercado comercial de lançamentos é incerto




Claudio Angelo
A empresa binacional criada em 2007 por Brasil e Ucrânia para lançar satélites comerciais da base de Alcântara (MA) está caindo sem nunca ter decolado.

Desde dezembro, a ACS (Alcântara Cyclone Space) não paga as empreiteiras que executam as obras do sítio de lançamento do foguete ucraniano Cyclone-4.

A empresa tem R$ 40 milhões em caixa e uma dívida de R$ 50 milhões com os construtores. Seu plano de negócios, que nem chegou a ser aprovado pelo conselho de administração, prevê que ela ficará deficitária por 20 anos.

E, mesmo assim, só vinga se conseguir fechar um acordo polêmico de proteção tecnológica que lhe dê acesso ao maior mercado de satélites privados, o dos EUA.

“Pode ser que, por questão de recursos, o projeto tenha de dar uma parada para se rearrumar”, diz o diretor brasileiro da ACS, brigadeiro Reginaldo dos Santos.

AMEAÇA DE PARAR
Segundo o diretor ucraniano, Oleksandr Serdyuk, o consórcio formado por Camargo Corrêa e Odebrecht já cortou pela metade o número de operários nas obras em Alcântara. E disse que vai parar a construção se os pagamentos de R$ 30 milhões por mês não forem retomados.

“Não vamos conseguir fazer o primeiro lançamento em 2013, como solicitado pelos governos”, declarou Serdyuk.

Para que os planos de lançamento sejam mantidos, a ACS está pedindo mais R$ 802 milhões, metade vindo do governo brasileiro. Isso além de R$ 135 milhões que o Brasil já havia se comprometido a depositar neste ano e que foram cortados no ajuste fiscal feito pelo governo.

À presidente Dilma Rousseff, portanto, caberá decidir até setembro -mês em que a ACS não terá dinheiro para mais nenhum contrato- se joga fora os US$ 197 milhões que o país já investiu na empresa ou se injeta mais R$ 536 milhões no projeto.

Serdyuk e Santos ressaltam o caráter estratégico do projeto. “O Brasil, em três anos e por US$ 500 milhões, está recebendo um centro de lançamento e acesso ao espaço”, afirma Serdyuk. “Acho que não custa o preço de um estádio de futebol no Brasil.”

“Não é um negócio em que se coloque a parte financeira em evidência”, diz Santos.

PARA O ALTO E AVANTE
A perspectiva de ganhar dinheiro com lançamentos privados, porém, foi o mote usado pelo então ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral (PSB-CE) para convencer o presidente Lula a bancar o projeto da ACS.

Em 2007, quando a empresa foi fundada, a previsão de capital era de US$ 105 milhões, e o primeiro lançamento estava previsto para 2010.

Especialistas já então alertavam que os custos eram irreais e o mercado, incerto. Amaral falava em seis ou sete lançamentos por ano, mas ninguém de fora da empresa jamais havia visto o plano de negócios da ACS.

Santos disse que a revisão do plano, que está sendo preparada, fala em cinco lançamentos por ano, no máximo. “O plano ficou economicamente muito marginal.”

O brigadeiro afirmou, ainda, que a dívida com as empreiteiras brasileiras é “amigável” e que os contratos com as empresas ucranianas estão sendo cumpridos.

Ele atribui a escalada nos custos e a demora ao fato de a ACS ser um projeto de desenvolvimento. “Não é um pacote fechado.”

As contas da empresa até hoje são mantidas fora do escrutínio público. Por se tratar de uma binacional, o TCU (Tribunal de Contas da União) não pode auditá-la. “Não estou preocupado com o TCU. Tem de passar por mim primeiro”, disse Santos.

FONTE: Folha de São Paulo

ARTIGO: A greve nas universidades federais Governo deveria diferenciar instituições 'de alta qualidade' das 'dedicadas ao ensino de massas'?

UFMA. Greve dos Professores eu Apoio. 
Simon Schwartzman
A greve das universidades federais não é um evento isolado, mas parte de um processo que, infelizmente, tem tudo para acabar mal. Para entender, é importante lembrar que, diferentemente da maioria dos outros países da América Latina, o Brasil nunca teve grandes universidades nacionais abertas para todos que concluem o ensino médio, e optou, desde o início, por universidades seletivas, abrindo espaço para o crescimento cada vez maior do ensino superior privado, que, com seus cursos noturnos, de baixo custo e sem vestibulares difíceis, acabou atendendo à grande demanda por ensino superior de pessoas mais pobres e sem condições passar nos vestibulares e estudar de dia, que o setor público não atendia. Hoje, apesar do esforço do governo federal em aumentar a matrícula em suas universidades, 75% dos estudantes estão do setor privado. 

Com um setor público pequeno e seletivo, as universidades brasileiras conseguiram criar um corpo de professores de tempo integral e dedicação exclusiva, desenvolver a pós-graduação e criar muitos cursos de qualidade, coisas que quase nenhum outro país da região conseguiu. Mas, como parte do serviço público, elas possuem um sistema homogêneo de contratos de trabalho, regras e promoção de professores e programas de ensino que não tomam em conta o fato de que elas são, na verdade, muito diferentes entre si – algumas têm programas de qualidade de graduação e pós-graduação em áreas dispendiosas como Engenharia e Medicina e fazem pesquisas relevantes, enquanto outras simplesmente copiam os modelos organizacionais, as regras de funcionamento e os custos das primeiras, com muito pouco de sua cultura institucional e conteúdos. 

Com a generalização dos contratos de tempo integral e a estabilidade dos professores, os custos subiram, sem mecanismos para controlar a qualidade e o uso adequado de recursos, que variam imensamente de um lugar para outro, independentemente de resultados.

Na década de 90, com Paulo Renato Souza como ministro da Educação, houve algumas tentativas de colocar esta situação sob controle, introduzindo um sistema de avaliação de resultados (o Provão), vinculando parte do salário dos professores ao número de aulas dadas, e tentando introduzir legislação dando às universidades autonomia não somente para gastar, mas também para assumir a responsabilidade pelo uso eficiente dos recursos públicos através de orçamentos globais, e tentando fazer valer a prerrogativa do governo federal de escolher reitores a partir das listas tríplices selecionadas pelas universidades. 

Estas políticas encontraram grande resistência, os orçamentos globais nunca foram instituídos, o “Provão” na prática só afetou alguns segmentos do setor privado, e o conflito entre as universidades e o governo no episódio da nomeação do reitor da UFRJ, em um tempo em que os salários não aumentavam, mobilizou grande parte dos professores, alunos e administradores das universidades federais contra o Ministério da Educação e o governo Fernando Henrique Cardoso.

Nos primeiros anos do governo Lula as relações das universidades federais com o governo passaram por um período de lua de mel: tudo era concedido, e nada era cobrado. A gratificação de docência foi incorporada aos salários, que passaram a crescer graças à melhora da economia e do aumento geral dos gastos públicos; o “Provão” foi substituído por um pretensioso sistema de avaliação, o Sinaes, que demorou em se organizar e continuou sem afetar as instituições federais; e a nomeação dos reitores eleitos internamente pelas universidades se transformou em regra. 

Para atender à demanda crescente por educação superior, o governo comprou vagas no setor privado com o ProUni, em troca de isenção de impostos, aumentando cada vez mais a proporção de estudantes no setor privado. Ao mesmo tempo, o governo iniciava uma política de expansão do acesso às instituições federais, primeiro com a introdução de cotas raciais e sociais, depois com a criação de novas instituições e a abertura de novas sedes das universidades existentes, e finalmente com o programa Reuni que, em troca de mais recursos, exigiu que as universidades federais praticamente duplicassem o número de vagas abrindo novos cursos, sobretudo noturnos, e aumentassem o número de aulas dadas por professor. 

Ao mesmo tempo, os antigos centros federais de educação tecnológica, os Cefets, foram transformados em Institutos Federais de Tecnologia e equiparados às universidades em termos de custos e prerrogativas. Segundo dados do Inep, o gasto por aluno do governo federal passou de R$ 9 mil ao ano em 2001 para R$ 18 mil em 2010, acompanhando a inflação. Como o número de alunos do sistema federal duplicou nestes dez anos, devendo estar hoje em cerca de um milhão, os custos do sistema aumentaram na mesma proporção em termos reais, embora o número de formados tenha aumentado pouco. Só o programa Reuni custou R$ 4 bilhões, metade para investimentos e outra metade que passou a se incorporar ao orçamento das universidades federais.

Esta política de expansão acelerada não obedeceu a nenhum plano ou avaliação cuidadosa sobre prioridades, abrindo instituições aonde não havia demanda, admitindo alunos antes de existirem os edifícios e instalações adequadas, forçando as universidades a criar cursos noturnos e contratar mais professores mesmo quando não havia candidatos qualificados, e sobretudo sem preparar as universidades para lidar com alunos que chegavam do ensino médio cada vez menos preparados. Ao mesmo tempo, a necessidade de contenção de gastos do governo Dilma tornou impossível atender às expectativas de aumento salarial dos professores, gerando um clima generalizado de insatisfação revelado pela greve.

É possível que a greve leve a algumas concessões salariais por parte do governo federal, como costuma acontecer, mas o efeito mais visível deste tipo de movimento é o de prejudicar os estudantes e professores mais comprometidos com o estudo e pesquisa, levando à desmoralização das instituições, sem que as questões de fundo sejam tocadas. 

A principal questão de fundo é a impossibilidade de o setor público continuar se expandindo e aumentando seus custos sem modificar profundamente seus objetivos e formas de atuação, diferenciando as instituições dedicadas à pesquisa, à pós-graduação e ao ensino superior de alta qualidade, que são necessariamente mais caras e centradas em sistema de mérito, das instituições dedicadas ao ensino de massas em carreiras menos exigentes, que é onde o setor privado atua com custos muito menores e qualidade pelo menos equivalente. Esta é uma tese que provoca enorme reação nas instituições federais e os sindicatos docentes, que querem sempre continuar iguais e niveladas por cima em seus direitos, embora esta nivelação não exista em relação aos resultados. Mas a conta, simplesmente, não fecha.

Uma diferenciação efetiva exigiria limitar os contratos de trabalho de tempo integral e dedicação exclusiva às instituições que consigam demonstrar excelência em pesquisa, pós-graduação e formação profissional; introduzir novas tecnologias de ensino de massas e à distancia, aumentando fortemente o número de alunos por professor; e criar mecanismos efetivos que estimulem as instituições a definir seus objetivos, trabalhar para eles, e receber recursos na proporção de seus resultados. Um exemplo do que poderia ser feito é o processo de Bologna que está ocorrendo na Europa, que cria um primeiro estágio de educação de superior de massas de três anos, com muitas opções, e depois as instituições se especializam em oferecer cursos avançados de tipo profissional e científico conforme sua vocação e competência. 

É necessário, também, criar condições e estimular as instituições federais a buscar recursos próprios, inclusive cobrando anuidades dos alunos que podem pagar. Esta diferenciação exigiria que as universidades federais fossem muito mais autônomas e responsáveis pelos seus resultados do que são hoje, sobretudo na gestão de seus recursos humanos e financeiros, o que se torna impraticável quando os salários dos professores são negociados diretamente entre os sindicatos e o Ministério da Educação e as tentativas de diferenciar benefícios e financiamento em função do desempenho são sistematicamente combatidas.

Se nada disto for feito, o mais provável é que as universidades federais continuem a se esgarçar, com greves sucessivas e piora nas condições de trabalho dos professores e de estudo para os alunos, abrindo espaço para que o setor privado ocupe cada vez mais o segmento de educação superior de qualidade, como ocorreu no passado com o ensino médio.

* SIMON SCHWARTZMAN É SOCIÓLOGO E PESQUISADOR DO INSTITUTO DE ESTUDOS DO TRABALHO E SOCIEDADE. FOI PRESIDENTE DO IBGE (1994-1998)