terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Brasil. A chegada dos novos tempos.

Coluna Econômica

Há uma frase fundamental de Abraham Lincoln: “Nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”.

Vale para o Brasil de hoje, para a política e para a economia.

Democracia é o ambiente mais favorável às políticas de inclusão, ao acesso dos diversos grupos aos benefícios da cidadania. São processos lentos, porém irreversíveis. E foi assim com o Brasil, depois de um século 20 amplamente dominado por regimes autoritários ou modelos políticos anacrônicos e excludentes.

A transição custou caro ao país. Perdeu-se o rumo nos anos 80, a economia foi vítima de uma inflação renitente, nos anos 90 a carência de informações permitiu uma gigantesca transferência de recursos da economia real e das políticas sociais para juros.

Mas, aos trancos e barrancos, foi-se firmando o rumo para a estabilidade política e para a consolidação de novos valores democráticos. A política brasileira caminha para se encontrar no centro.

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No plano das eleições presidenciais, por exemplo, o jogo encaminha-se para três personagens forjados na democracia: Dilma Rousseff, pleiteando a reeleição; Aécio Neves, como candidato do PSDB; e Eduardo Campos, como candidato do PSB.

Dos três, o único a radicalizar o discurso tem sido Aécio, muito mais por pressão da mídia do eixo Rio-São Paulo – e dos maus conselhos de FHC – do que por vocação própria. Quando cair em si e voltar a ser Aécio, poderá aspirar a recuperar o espaço perdido para Eduardo Campos.

Os três candidatos empunham bandeiras de gestão e praticam uma política de alianças e coalizão partidária.

O candidato que representava o obscurantismo mais atroz – José Serra – já faz parte de um passado que, espera-se, não volte mais.

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Seja no estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Ceará, Sergipe e na União, governantes de todos os partidos já aderem a um conjunto de novos valores políticos altamente democráticos:

1. O primado da gestão para controle dos atos de Estado. Esse modelo será aprofundado com a Lei da Transparência.

2. Políticas sociais inclusivas. Recorde-se que, no choque de gestão de Minas, a ponta mais vulnerável era a questão social. O mesmo ocorria em São Paulo. A consagração de políticas como o Bolsa Família mostrou que o atendimento das demandas dos mais pobres é ponto central de legitimação das políticas públicas.

3. As parcerias Eduardo Campos-Lula, em Pernambuco, Anastasia-Dilma, em Minas, Alckmin-Haddad-Dilma, em São Paulo, enterram o clima de ódio que marcou a política brasileira pós-redemocratização, polarizada entre o PSDB e o PT paulistas, os dois principais agentes da política nacional.

4. Cooperação federativa. Hoje em dia há uma boa estruturação de associações de secretários estaduais das diversas áreas, associação de municípios, conferências nacionais, permitindo troca de experiências e aprofundamento do modelo federativo.

Anos atrás, o PT era conhecido por sua intransigência, incapacidade de montar alianças ou abrir mão de poder nos locais em que governava. Na presidência, Lula – e, agora, Dilma – montaram um governo mais amplo do que o partido, consolidando um espaço socialdemocrata que ficou vago quando FHC afastou o partido das ruas.

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No PSDB, governantes totalmente infensos a qualquer política de alianças e de distribuição de poder, ouvindo a sociedade civil – como Geraldo Alckmin – começam a rever posição.


A nova mídia - 1
Ponto central dessas mudanças é o crescimento da Internet e dos diversos polos de irradiação de opinião. A democracia se acelera quando os diversos grupos de interesse têm acesso aos mesmos meios de disseminação das suas bandeiras. No pós-redemocratização, o jogo político foi dominado pela presença avassaladora das mídias paulista e carioca pautando as políticas públicas e definindo um conjunto restrito de atores.

A nova mídia – 2
Nesse jogo, apenas o mercado financeiro tinha voz permanente. Nem industriais, nem ruralistas, muito menos movimentos sociais, estados fora do eixo, tinham voz. Temas centrais de modernização – como inovação, gestão, políticas de segurança – passaram ao largo das grandes discussões midiáticas. E criaram-se imagens totalmente dissociadas da realidade, como a de um José Serra gestor competente.

A nova mídia – 3
A Internet passa a ser a mesma plataforma por onde transitam tanto as informações dos grandes grupos como dos blogs mais distantes. Mas um bom argumento tem condições de se espalhar através de redes sociais, permitindo o surgimento de novos veículos fazendo o contraponto. Muitos se assustam com o caos atual da Internet, com milhares de informações circulando, grupos se digladiando.

A nova mídia – 4
Os cientistas sociais sustentam que o excesso de manifestações políticas, longe de prenunciar o caos, na verdade amplia a democracia, ao permitir um debate mais rico e com mais personagens. O mesmo acontecerá com a Internet. A grande quantidade de informações permite o aparecimento de novos veículos, cujo diferencial será o de agregar as informações existentes e fomentar a participação dos leitores.

A nova mídia – 5
Hoje em dia, um fato só se torna notícia depois que um jornalista entrevista um personagem e escreve ao seu modo. Nesse modelo de produção, o jornal (e o jornalista) são não apenas os intermediários, mas os donos da informação. Eles podem selecionar quais informações dar, quais as que jogará fora, quais aqueles que irá valorizar. No novo tempo, as informações serão construídas colaborativamente.

A nova mídia – 6
Grupos especializados montarão suas redes, para discussões amplas; governos, empresas, ONGs, associações, se prepararão para gerar suas próprias notícias. Não haverá mais a necessidade de se ouvir uma fonte e colocar uma declaração em aspas – muitas vezes fora do contexto – para levantar a opinião de uma empresa sobre determinado tema. A posição estará em notícias publicadas em seus próprios sites.

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Carnaval Carioca. Integrante é retirada da concentração com violência por seguranças da Beija-Flor .

O sonho de desfilar na escola de coração terminou num triste pesadelo para a advogada Roberta Arcoverde, de 29 anos. 

Moradora da cidade de Maringá, no Paraná, ela veio pela primeira vez ao Rio para desfilar pela Beija-Flor, mas não conseguiu realizar o sonho. 

Na concentração, ela foi retirada por dois seguranças da escola e jogada com força contra a grade de proteção da Avenida Presidente Vargas.

A cena revoltou outros integrantes da escola e torcedores que viram a brutalidade dos seguranças. O motivo seria que ela estaria sem a sapatilha da fantasia. 

Impedida de desfilar, ela desabafou em meio às lágrimas, dizendo que a fantasia foi entregue incompleta."Não era somente eu que estava sem a sapatilha. 

Tinham outros integrantes na mesma situação porque eles entregaram faltando.

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Tragédia em Santos. Carro alegórico de escola de samba pega fogo e pelo menos quatro pessoas morreram.

Carro alegórico pegou fogo na saída do sambódromo Dráusio da Cruz, em Santos (litoral de São Paulo)
Carro alegórico pegou fogo na saída do sambódromo Dráusio da Cruz, em Santos (litoral de São Paulo)
Pelo menos quatro pessoas morreram e seis ficaram feridas, na madrugada desta terça-feira (12), depois que um carro alegórico da escola de samba Sangue Jovem, de Santos (litoral de São Paulo), pegou fogo. 
 
O incidente aconteceu por volta da 1h15, quando a agremiação estava finalizando o desfile de Carnaval e já se encontrava na dispersão do sambódromo Dráusio da Cruz, no bairro da Areia Branca. 
 
Segundo o Corpo de Bombeiros, o carro alegórico encostou na fiação elétrica da avenida Nossa Senhora de Fátima (uma via próxima à passarela do samba),  e um curto-circuito provocou o incêndio. Informações dão conta de que duas vítimas foram atingidas em terra, enquanto empurravam o veículo; uma terceira pessoa morreu em cima do carro. A quarta vítima chegou a ser socorrida para um pronto-socorro da região, mas morreu no local. Um dos feridos está em estado grave. 
 
Segundo o UOL apurou com integrantes da agremiação, as vítimas não eram componentes da escola, mas pessoas contratadas para ajudar a transportar o carro alegórico no momento em que ele deixava o sambódromo, no final do desfile.
    Alex Almeida/UOL
    Bombeiros retiram boneco de Pelé do carro alegórico "O Rei da Bola", que pegou fogo na madrugada desta terça-feira (12), no sambódromo Dráusio da Cruz, em Santos (litoral de São Paulo)
Nas palavras do prefeito, Paulo Alexandre Barbosa, "não há mais clima para continuar" o Carnaval. "É uma notícia muito triste. Vamos prestar todo o conforto às famílias das vítimas", disse, classificando o episódio como uma "tragédia". 
 
Tanto a região do sambódromo quanto outras áreas da cidade estão sem luz. A escola de samba Sangue Jovem foi a segunda a entrar na avenida, por volta da 0h. Outras três agremiações deveriam desfilar entre a noite de segunda-feira (11) e a madrugada desta terça. 
 
Com o enredo "Hoje a Sangue Jovem exalta mãe África e os três guerreiros da paz", que homenageia a cultura africana, e quatro carros alegóricos, a escola disputava o título do Carnaval deste ano pelo Grupo Especial. 
 
Intitulado "O Rei da Bola", o carro alegórico que pegou fogo homenageava Pelé. Nelson Mandela e Martin Luther King também foram citados no desfile, em outras alegorias. Fundada em 2000, a escola de samba Sangue Jovem é composta por integrantes da torcida organizada do Santos Futebol Clube. 
 
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Coreia do Norte anunciou que realizou com sucesso mais um teste nuclear.

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Foto: EPA


A Coreia do Norte na terça-feira anunciou oficialmente que realizou um teste subterrâneo bem-sucedido de um dispositivo nuclear compacto de grande força destrutiva, informa a mídia ocidental citando a Agência de notícias central da Coreia.

A agência observa que durante os testes foi garantida a segurança adequada, e que eles correram como planejado. "Os testes nucleares foram realizados como parte das medidas para proteger nossa segurança nacional e soberania contra a hostilidade temerária dos EUA que violaram o direito da nossa república de lançar satélites pacíficos," disse a agência. 


Ministério do Exterior russo condena teste nuclear da Coreia do Norte.

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Foto: © Voz da Rússia

 

Pyongyang, realizando testes nucleares, ignorou mais uma vez as regras do direito internacional e as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, lê-se em um comunicado publicado no site oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

"Tal comportamento, incompatível com os critérios comuns da convivência mundial, certamente, merece uma condenação e a resposta adequada por parte da comunidade internacional", – informa o comunicado.

O Ministério do Exterior russo conclamou Pyongyang a abandonar seu programa nuclear provocativo. Além disso, o departamento espera que o atual passo de Pyongyang não seja usado como um motivo para aumentar a atividade militar ao redor da Península Coreana.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carnaval na Praça Deodoro. Diogo Nogueira faz show com muito tempero cubano.


Diogo Nogueira
Cantor Diogo Nogueira
O sambista Diogo Nogueira é atração mais aguardada nesta segunda-feira (11), na Praça Deodoro, no Carnaval em São Luís.  

O cantor traz, do Rio de Janeiro, um show com muito tempero cubano.

 A programação do Carnaval em São Luís, que tem a realização do Governo do Estado do Maranhão começou dia 3 de Fevereiro com o grupo Monobloco, dia 9 a cantora Alcione agitou o público com seus sucessos e no domingo, dia 10, a Banda Timbalada trouxe um pouco do axé baiano à Praça Deodoro.

Show - Diogo Nogueira apresenta a turnê “Diogo Nogueira ao Vivo em Cuba” que já passou por várias Cidades brasileiras desde o mês agosto de 2012. Com um “tempero cubano”, o show apresenta as músicas como “Madalena”, de Ivan Lins, “Que maravilha”, de Toquinho e Jorge Ben Jor, “Tanta saudade”, de Chico Buarque e Djavan, e “El cuarto de tula”, do CD e filme “Buena Vista Social Club”. Ele também interpreta “Verdade Chinesa”, primeiro single do projeto, e “Ex-amor”, de Martinho da Vila.

Em 2012, Nogueira lançou o disco gravado ao vivo em Cuba. O álbum não apresentou músicas inéditas, mas teve repercussão por causa de sua tiragem de 100 mil exemplares (CDs e DVDs), uma demonstração de seu potencial de vendas (os números são mais altos do que os do último álbum de Zeca Pagodinho, por exemplo).

Sucesso - Desde 2007 que ele está acostumado a abrir caminhos, sempre colecionando façanhas, “Contando ninguém acredita” é uma expressão que se aplica aos vários dos feitos de Diogo Nogueira. Mas está tudo bem documentado e comprovado: o golaço que fez depois de substituir ninguém menos que Lionel Messi, em jogo beneficente organizado por Deco, em 2010, no interior de São Paulo; as incríveis 400 mil unidades vendidas, entre CDs (três discos de ouro) e DVDs (um de platina; outro certificado como platina dupla), dos títulos que começou a lançar em 2007; as sete músicas incluídas em trilhas de novelas e minisséries globais, o Grammy Latino por “Tô Fazendo a Minha Parte” (Melhor Álbum de Samba), as quatro vitórias consecutivas no concurso de sambas-enredo da Portela, o sucesso do programa “Samba na Gamboa” (exibido pela TV Brasil, já na terceira temporada), que tantos encontros especiais vêm proporcionando.

Estrutura -  Resgatando a tradição do Centro Histórico de São Luís, o evento está sendo realizado na maior tranquilidade com muita segurança e uma gigantesca estrutura. O palco das apresentações tem 120 metros quadros, além disso, o grande público também acompanha os shows em dois telões de LED com qualidade em HD.

Os convidados também poderão contar com dezenas de banheiros químicos espalhados em pontos estratégicos em toda Deodoro, também uma cabine de videomonitoramento, na qual a polícia observa não só a praça, mas também seu entorno, garantindo e melhorando a segurança de todos. 

São mais 12 câmeras espalhadas e além delas é possível contar com um efetivo de 159 homens da PM garantindo e melhorando ainda mais a segurança do local. São policiais a pé, a cavalo, em viaturas e motocicletas. Fora os que ficam nas barreiras para revistarem e não deixar ninguém passar com material que possa prejudicar qualquer pessoa.

Programação - Na segunda-feira (11), as atrações serão Pepê Junior e Erasmo Dibell, Diogo Nogueira e Bicho Terra. 

Para fechar o Carnaval, na terça-feira gorda (12), a festa será animada por Mano Borges, Jorge Ben Jor, Pepê Junior e Gerude. 

Sempre a partir das 18h. Atenção, pois a entrada é FRANCA.

Com informações do Imirante

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Bahia. Mulher toca fogo no marido e tenta suicidio.

 
Gilmara Pereira dos Santos
Gilmara Pereira dos Santos, residente na Avenida Ubaitaba, 2226, em Ilhéus, tentou assassinar o marido ateando fogo no corpo dele. 
 
Cláudio Cezar Gonçalves de Oliveira teve 90% do corpo queimado e continua internado em estado grave, no HRLVF. 
 
Após tentar matar o marido, Gilmada Pereira, tentou se matar desferindo uma facada na própria barriga e também está internada, em estado grave, com uma perfuração no abdomen. 
 
Ela passou por uma intervenção cirúrgica, mas foi autuada em flagrante pelo delegado Irineu Alves Andrade.  
 
Gilmara Pereira, após obter alta médica, será transferida para o Presídio Ariston Cardoso. http://correiodoestadobahia.blogspot.com.br/
 
 

Brasil. A igualdade é fundamental para a democracia.

Por Marco Antonio L. Da Carta Capital.

A peculiaridade brasileira, por Mino Carta

Solidão. Às vezes a presidenta que pretende erradicar a miséria parece isolada. Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Solidão. Às vezes a presidenta que pretende erradicar a miséria parece isolada. Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo.
Nos seus derradeiros momentos como senador, Fernando Henrique Cardoso andava pelos corredores do Congresso acompanhado por Norberto Bobbio. Digo, carregava um ensaio do pensador italiano, a analisar um assunto veementemente provocado pela queda do Muro de Berlim: ainda vale falar de direita e esquerda?

A direita mundo afora decretava o fim das ideologias, -enquanto a esquerda mostrava-se reticente. Bobbio entrou em cena e afirmou: nada disso, a dicotomia não se apaga, seria como pretender negar o bem e o mal, a luz e a sombra, a verdade e a mentira. E a verdade, no caso, é outra.

A tese de Bobbio pode ser resumida na seguinte ideia: é automática e naturalmente de esquerda quem se preocupa com os destinos dos desvalidos do mundo e se empenha pela igualdade. Recordam? Liberdade, igualdade, fraternidade. A liberdade por si só não basta à democracia, a igualdade é fundamental. Quanto à fraternidade talvez seja admissível substituí-la pela solidariedade.

A julgar pelo desvelo de ponta de dedos com que FHC carregava o livrinho (ia escrever, sobraçava, mas a obra é de porte modesto) me entreguei à suposição de que o futuro presidente da República rendia-se de bom grado aos argumentos do autor, a confirmar crenças pregressas. No entanto, pouco tempo após, soletraria: esqueçam o que eu disse.

À sombra de FHC presidente, o PSDB tornou-se um partido de direita. Em lugar de abrandá-las, acentuou as disparidades ao aderir à religião neoliberal e sujeitar-se às vontades e interesses do Tio Sam. Sem contar a bandalheira da privataria, a compra dos votos a favor da reeleição e o “mensalão” tucano.

Ao entrevistar o presidente Lula no fim de 2005, pergunto se ele é de esquerda, responde nunca ter sido. “Você sabe disso”, diz, ao recordar os velhos tempos em que nos conhecemos, já faz 36 anos. Jogo na mesa a carta de Norberto Bobbio, observo: “Você sempre lutou a favor da igualdade”.

Deste ponto de vista, há toda uma orientação esquerdista nas políticas sociais implementadas pelo governo Lula e hoje fortalecidas por Dilma Rousseff. E é de esquerda em mais de um aspecto a política econômica do governo atual, mais ousada do que a do anterior ao se desvencilhar das injunções neoliberais.

Nada irrita e assusta mais a direita brasileira do que qualquer tentativa de demolir de vez a senzala. É o que me permito explicar ao correspondente de um jornal americano, perplexo diante dos comportamentos da mídia nativa, sempre alinhada de um lado só. Digo: ela é o instrumento da casa-grande. O estupor do colega do Hemisfério Norte não arrefece: “Mas os governos Lula e Dilma produziram bons resultados para todos, senhores incluídos…”

Defronto-me, de súbito, com a dificuldade de aclarar uma situação incompreensível aos olhos do semelhante civilizado, capaz de usar, para medi-la, o metro próprio da contemporaneidade do mundo. E aos meus condoídos botões segredo: difícil, difícil mesmo, talvez impossível, trazer à luz da atualidade este cenário tão peculiar, de um país que viveu três séculos e meio de escravidão e que, de certa forma, ainda não digeriu o seu passado.

O jornalista americano arregala os olhos: “Mas como é possível que Dilma Rousseff tenha índices de aprovação elevadíssimos e sofra ao mesmo tempo o ataque maciço da mídia?” A presidenta, respondo, pretende erradicar a miséria…

Logo percebo que a peculiaridade verde-amarela envolve o próprio governo. 

Há momentos em que Dilma parece isolada. Solitária. Ela é obrigada à aliança com o PMDB para garantir a maioria em um Congresso inconfiável e a postura do próprio PT é, no mínimo, dúbia. 

Falta ao Brasil desta hora um verdadeiro partido social-democrático, esquerdista no sentido de Norberto Bobbio.

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