domingo, 12 de maio de 2013

Bahia - ABIN e Polícia Federal investigam possível ataque de bioterrorismo, diz secretário.

O ataque da lagarta Helicoverpa Armigera que atinge plantações de algodão e soja em nove municípios do Oeste baiano e outros quatro estado pode ser resultado de bioterrorismo, de acordo com o secretário estadual da Agricultura (Seagri), o engenheiro agrônomo Eduardo Salles. Ele disse, por meio de nota, que a Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigam a suspeita.

Lagarta Helicoverpa Armigera ataca plantações de algodão e soja no Oeste baiano

A praga já causou prejuízo de mais de R$ 1 bilhão e compromete 228 mil hectares de algodão apenas na Bahia. Também há registro do problema no Paraná, Goiás, Piauí e Mato Grosso. 

O secretário diz que há risco do problema atingir outras regiões do Brasil. A praga quarentenária A1 não existia no país.

O secretário se reuniu nesta sexta, 10, com promotores do Ministérios Públicos do Estado (MPE) e do Trabalho (MPT), com o diretor geral e do diretor de Defesa Vegetal da Adab, Paulo Emílio Torres e Armando Sá; produtores e secretários de Agricultura, de Saúde e do Meio Ambiente dos municípios de Barreiras, São Desidério, Luís Eduardo Magalhães, Baianópolis, Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves, Correntina, Jaborandi e Cocos. Eles discutiram as regras para aplicação do produto agroquímico Benzoato de Amamectina, que já foi usado em outros países no combate à lagarta Helicoverpa.

A previsão é que o produto chegue ao município de Luís Eduardo Magalhães, onde vai ficar armazenado, nesta quarta, 15. Inicialmente, será utilizado em 10 propriedades em fase de teste. Após análise do efeito, o material será usado todos as lavouras atingidas pela praga.

Estudantes da UFMA ocupam Reitoria em protesto - Notícias de Ontem.


Ocupação da Reitoria da UFMA

Estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) ocupam, desde a noite desta terça-feira (7), a Reitoria da universidade como forma de protesto. 

Eles reivindicam a construção de residência estudantil, melhorias no Restaurante Universitário, no transporte público do campus e a contratação de mais professores. 

A organização da manifestação se deu na Assembleia Geral dos Estudantes da UFMA, que ocorreu na tarde desta terça, antes da ocupação.

“Passamos a noite aqui e só vamos sair quando o reitor Natalino Salgado nos receber e nos assegurar que nossas reivindicações forem minimamente atendidas. Acontece que, agora, muitos estão trancados aqui, dentro da reitoria. Não pode entrar água, nem comida. É um absurdo o que está acontecendo. O que estamos propondo é uma negociação simples”, declarou Geovani Castro, coordenador do Diretório Central dos Estudantes da UFMA.

Segundo o site G1, a assessoria da UFMA informou que o reitor Natalino Salgado iria a Brasília na manhã desta quarta para tentar garantir apoio para atender as reivindicações dos estudantes. 

A ocupação faz parte de uma série de protestos iniciada no dia 29 de abril, quando dezenas de estudantes de vários cursos da UFMA fecharam os portões de acesso ao Centro de Ciências Sociais (CCSO) para protestar contra a falta de professores. Na ocasião, os manifestantes aproveitaram para reclamar de problemas de estrutura de alguns prédios.

ANDES-SN

Era 16 de abril, uma terça-feira que abortou o golpe na Venezuela. Notícias de Ontem.

 

Com a prisão de oficiais comprometidos e serenidade ante as provocações o plano da CIA gorou por hora
A Venezuela viveu nesta terça-feira, 16 de abril, o dia mais tenso de sua vida constitucional desde o frustrado golpe de abril de 2002. Até as quatro da tarde, estava em marcha um plano golpista que foi temporariamente abortado pela maturidade política da militância chavista e pela firme demonstração de autoridade do presidente Nicolás Maduro, com o apoio dos vários escalões das Forças Armadas Nacionais Bolivarianos.
Desde segunda-feira, quando o chefe oposicionista de direita Henrique Capriles Radonski, derrotado nas eleições presidenciais de domingo,  ordenou protestos violentos contra a proclamação de Maduro como vencedor das eleições, com o apoio de mercenários para-militares em pelo menos 15 estados do país, sua expectativa era de criar uma situação semelhante a de 13 anos atrás, que redundou na deposição por dois dias do presidente Hugo Chávez.  

A agitação de rua levaria a uma sedição militar sob a liderança de dois generais e nove oficiais da Guarda Nacional, que operariam a partir do Comando de Apoio Aéreo de La Carlota. 
 
No entanto, uma rápida ação da Direção de Inteligência Militar deteve os potenciais sublevados ainda na noite de domingo, no mesmo momento em que Capriles Radonski declarava que não reconhecia o resultado anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral e ordenava as ações violentas de segunda-feira.

No plano internacional, o golpe teve o apoio ostensivo do governo norte-americano, que ainda não formalizou o reconhecimento da vitória de Maduro, e da Espanha, que lançou suspeitas sobre o pleito. 
 
Na manhã de terça-feira, enquanto a militância orgânica do Partido Socialista Unido da Venezuela se preparava para o contra-ataque sob o comando de Jorge Rodrigues, Maduro deu um ultimato ao governo espanhol e este reconsiderou sua  postura.

Durante toda a segunda-feira, as agitações de rua ficaram por conta dos grupos ligados a Capriles, que apostava num confronto de grandes proporções com centenas de mortes. 
 
Com a ajuda de para-militares armados, esses grupos atacaram repartições públicas, tentaram tomar a estação estatal de TV e forçar uma paralisação  das empresas por ordens dos patrões.

Maduro avisou que poderia radicalizar com a tomada das empresas por seus trabalhadores. “fábrica parada será fábrica ocupada” – advertiu a deputada chavista Blanca Eekhout, em emocionante pronunciamento na Assembléia Nacioal. 
 
Mas as organizações sociais chavistas surpreenderam e não reagiram à violência espalhada, apesar das sete mortes registradas, 62 feridos e de mais de mil pessoas atendidas nos hospitais das cidades  onde os grupos de direita incendiavam objetos nas ruas e atacavam inclusive sete  Centros de Diagnóstico Integral, onde trabalham médicos e enfermeiros cubanos dentro de um convênio que já produziu grandes mudanças positivas nos índices de saúde dos venezuelanos.  

Clique na foto e veja imagens da violência na Venezuela 
Esses ataques, que  tiveram requintes de violência e destruição, foram registrados nos Estados de Táchira, Miranda, Anzoátegui, Carabobo e Zulia. 
 
O pretexto usado era de que havia propaganda de Maduro nesses centros médicos.

Os sete mortos foram atacados em pontos diferentes do país quando ainda celebravam a vitória de Maduro.  Alguns foram atingidos por balas disparadas pelos para-militares  contratados pelo “Comando Simon Bolívar”, o comitê eleitoral do candidato da direita. 
 
O relato documentado dos crimes, com os nomes das vítimas e as condições em que foram executadas, foi  apresentado no final da tarde de terça-feira pelos ministros do Exterior, Elias Jaua, e Comunicação e Informação, Ernesto Villegas.

A resposta firme contra a tentativa de golpe

Na Assembléia Nacional, o seu presidente, deputado Diosdado Cabello, responsabilizou Capriles Radonski pela violência desencadeada. Coronel da reserva e parceiro de Hugo Chávez desde a insurreição militar de 1992, Cabello escreveu em sua conta no twitter:
“Capriles fascista, eu vou pessoalmente cuidar para que você pague por todos os danos que está causando ao nosso país e ao nosso povo ".

Deputada Blanca Eekhout: a resposta
Na sessão da tarde de terça-feira, a deputada Blanca Eekhout, segunda-vice presidente da Assembléia, depois de emocionado discurso, leu uma resolução aprovada pelos colegas apoiando as investigações do Ministério Público e acusando formalmente Capriles pela onda de violência de segunda-feira.

Com o passar do dia, o líder direitista foi se vendo isolado, apesar do apoio reiterado do governo norte-americano. 
 
Ele contava com uma grande marcha hoje à sede do Conselho Nacional Eleitoral, onde fica a memória de todo o processo eleitoral,  numa movimentação que poderia degenerar na invasão de suas instalações e destruição dos seus documentos.

Depois de reunir-se com o comando das Forças Armadas, o presidente Nicolás Maduro anunciou, ao meio dia,  a proibição dessa marcha que teria conseqüências incontroláveis.

O recuo dos golpistas isolados.

Até as quatro da tarde, Capriles e seu staff se mostravam dispostos a desafiar a proibição.  Mas a repercussão negativa das ações violentas de segunda-feira, as  dúvidas sobre qual atitude tomaria a militância chavista organizada e a detenção dos 11 oficiais que puxariam o golpe militar o deixaram confuso.

Às cinco da tarde, convocou uma entrevista coletiva, com a presença de jornalistas estrangeiros, e anunciou seu recuo, alegando que fora informado por amigos da inteligência militar que os chavistas infiltrariam provocadores dentro da marcha.  
 
Não era bem isso: ele queria transformar o centro de Caracas numa praça de guerra, más já começava a ver-se ameaçado até de perder o cargo de governador do Estado de Miranda, diante de acusações documentadas de incitação à sublevações.

Ao final da coletiva, mudou totalmente seu discurso inicial, conclamando seus partidários com ênfase a não saírem de casa hoje: “quero dizer aos venezuelanos e ao governo que todos nós aqui estamos prontos para abrir um diálogo para que esta crise possa ser resolvida nas próximas horas".

Informado que a recontagem prevista de 54% das urnas havia sido encerrada sem registrar um único erro, tentou se explicar: “Não se trata de reconhecer ou não os resultados eleitorais de domingo. Estou simplesmente pedindo a recontagem de todos os votos”. Acusado pelo Ministério Público de não haver apresentado nenhum documento que justificasse a incitação à desordem, ele disse que hoje fará chegar ao CNE petição neste sentido.

A ameaça golpista ainda persiste

Apesar do anúncio do próprio presidente Nicolás Maduro de que todos os focos de violência haviam sido neutralizados, com a prisão de mais de 150 pessoas envolvidas diretamente nos ataques de rua, ainda acho cedo para dizer que a intentona golpista foi totalmente debelada.

Esta foi a maior operação já comandada pela CIA, através de algumas ONGs financiadas pelos Estados Unidos, e teve relativo êxito: primeiro, com a morte do líder Hugo Chávez, à semelhança do que aconteceu com o líder palestino Yasser Arafat. Depois com a votação do oposicionista, que derramou muito dinheiro na compra de votos em redutos chavistas, enquanto prometia manter todos os programas sociais do governo.  

Neste caso, houve um deslocamento de 1 milhão de votos dados em outubro a Chávez para Capriles, o personagem sob medida para o golpe: 41 anos,  bilionário, audacioso, carismático, celibatário (foi da TFP da Venezuela) é um fanático da direita bem treinado: já no golpe de 2002, quando era deputado, teve atuação de destaque, inclusive na invasão à Embaixada de Cuba.

Na liderança dos países exportadores de petróleo, a Venezuela tem hoje a maior reserva do mundo e adota um programa de diversificação econômica que tem sido muito interessante para empresas brasileiras e argentinas. Ao contrário do que imaginava a direita e seus monitores da CIA, Maduro, um ex-motorista de ônibus, demonstrou nessas últimas 48 horas que vai ser um osso duro de roer, com a mesma têmpera do coronel Hugo Chávez e uma militância orgânica maior.

Já dia 19, depois de amanhã, estará prestando juramento como novo presidente da República Bolivariana da Venezuela. E isso ainda não foi engolido pelos que conceberam o sofisticado golpe “tecnológico” que tirou a vida do  Comandante Chávez aos 58 anos e quase trouxe a direita de volta ao poder em Caracas.
 




Brasil - Construir ferrovias é mais importante que rodovias para o país, defende presidente da EPL.

Sabrina Craide - Repórter da Agência Brasil.
Brasília – A construção de ferrovias é mais importante para o país do que a duplicação ou ampliação da malha rodoviária. A avaliação é do presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo. Para ele, o país está invertendo a sua logística, pois faz o transporte de longa distância por meio das rodovias e utiliza as ferrovias apenas para curtas distâncias.

“E qualquer análise que se faça diz exatamente o contrário: a ferrovia é mais competitiva na longa distância e a rodovia é mais competitiva na curta distância. Nós temos um custo logístico muito alto em função dessa inversão, estamos transportando da forma errada, e a rodovia é estruturalmente mais cara do que as outras modalidades na longa distância”, avalia.

Segundo Figueiredo, um único trem é capaz de substituir até 300 caminhões no transporte de cargas. Para ele, é preciso providenciar urgentemente a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário, porque isso vai impactar positivamente nos portos, no descongestionamento das rodovias, na travessia dos centros urbanos e na redução do custo logístico. “Temos que construir urgentemente uma malha interior que permita tirar a pressão que tem no [sistema] rodoviário hoje e transferir a carga com menores custos para o ferroviário”.

O Programa de Investimentos em Logística, lançado em agosto do ano passado pelo governo federal, prevê a duplicação de 7,5 mil quilômetros de rodovias e a construção de 10 mil quilômetros de ferrovias, com concessão à iniciativa privada.

Edição: Carolina Pimentel
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Matéria Lincada de:  http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-11/construir-ferrovias-e-mais-importante-que-rodovias-para-pais-defende-presidente-da-epl

Pernambuco - Novo incentivo para selar pacto contra a violência.

Municípios que atingirem metas para redução dos índices de criminalidade vão receber mais recursos de impostos e um selo de qualidade.

Wagner Sarmento

Pernambuco entrou no quinto mês de 2013 com 42 cidades sem registro de nenhum homicídio nesse período. Festejou também a marca simbólica de um dia sem mortes violentas em todo o Estado. E resolveu chamar, de papel passado, as prefeituras a participar da cruzada contra a violência. 
 
O governo aprovou a Lei 14.924, que institui o Selo Pacto pela Vida de Prevenção e Redução da Criminalidade nos Municípios (SPPV). A medida impõe uma série de metas a serem cumpridas pelas 184 cidades, tendo como objetivo a queda dos crimes violentos letais intencionais (CVLIs). 
 
Os municípios que estiverem em dia com os requisitos exigidos receberão um maior incentivo na distribuição da parcela do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A costura entre Estado e municípios ainda é embrionária, mas algumas cidades como o Recife, Jaboatão dos Guararapes e Ipojuca, na Região Metropolitana, largam na frente, adiantou o secretário de Defesa Social, Wilson Damázio. Segundo ele, o governo já mantém diálogos com essas prefeituras.

Outro município que se adianta é Limoeiro, Agreste. A cidade, de 56 mil habitantes, deixou a má fama para trás e chegou perto de completar seis meses sem assassinatos. Hoje, o cenário na antiga terra do medo é de ruas iluminadas, crianças brincando nas ruas, donas de casa conversando na calçada, num cenário tipicamente interiorano.

"Na nossa linha de redução dos CVLIs, o município é um componente fundamental. Até pouco tempo atrás, as prefeituras não se viam nessa empreitada. Diziam que segurança pública era obrigação apenas do Estado e da União. Mas o município também faz parte disso. Aí, para motivar as cidades a aderir ao Pacto pela Vida, criamos esse selo", afirma Damázio.

A Lei 14.924, de 18 de março, estipula requisitos que cada prefeitura precisa adotar se quiser receber o repasse diferenciado. Entre os principais pontos estão a manutenção de pelo menos 30% dos alunos do 1º ao 9º ano do ensino fundamental matriculados, a criação do Comitê Gestor do Pacto pela Vida Municipal, a iluminação pública com lâmpadas de vapor metálico, o monitoramento eletrônico das ruas com central de câmeras, a instituição de um sistema de atendimento socioeducativo e a proibição de eventos públicos (à exceção do Carnaval) entre 2h e 6h.

Outro item contemplado na norma diz respeito ao emprego, dia e noite, da guarda municipal motorizada, conforme a população de cada cidade. Os municípios com mais de 400 mil habitantes, como é o caso do Recife, devem ter mais de 400 guardas. O efetivo da capital, hoje, é de 1.162 homens. A expectativa é que o número seja ampliado para 2.500 até 2016, último ano de gestão do prefeito Geraldo Julio, que assumiu em janeiro.

De acordo com a Secretaria de Defesa Social (SDS), o selo será concedido por meio de decreto do Executivo e renovado anualmente. Damázio explica que o momento atual é de pactuar com as prefeituras e que a parcela do ICMS para os municípios com SPPV começará a ser repassada em 2015. A secretaria contará com cerca de R$ 50 milhões para serem usados na concessão do benefício.

Outro foco do governo para atingir as metas estipuladas no Pacto é acabar com os chamados crimes de proximidade. No mês passado, a SDS lançou a Campanha Por Uma Cultura de Paz, com o slogan "Se você perde a cabeça, você perde a sua vida. Não deixe um impulso afastar você de quem você ama". Dados da secretaria revelam que 49% dos homicídios investigados no ano passado ocorreram por conflitos afetivos ou desavenças pessoais.

COMPLEXO - Na próxima terça-feira, em evento de comemoração dos seis anos do Pacto, o governador Eduardo Campos vai anunciar a construção do novo complexo de Polícia Científica, que abrigará o Instituto de Criminalística (IC), Instituto de Medicina Legal (IML) e Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB).

O prédio funcionará na Rua dos Palmares, em Santo Amaro, área central do Recife, e contará com três torres. O anúncio ocorre em meio à crise no IITB, que teve acervo de 50 milhões de documentos afetado por goteiras.
 

sábado, 11 de maio de 2013

Para além do bloqueio aos médicos cubanos.

Pedro Porfírio -
Desequilíbrio e chavões grosseiros mostram que o corporativismo mercantilista é também mais embaixo.
No terremoto de 2010, ao invés de soldados,
Cuba mandou para o Haiti uma brigada de
1200 médicos. Em 2 meses, eles já haviam 
tratado de 30 mil vítimas de cólera e
realizado 3 mil cirurgias em condições
 precaríssimas.
Quando fiz a defesa documentada do vitorioso modelo de medicina adotado em Cuba, cuja maior referência é a inquestionável gama de avanços em benefício de uma população que sobrevive com dignidade, franciscanamente, a um criminoso bloqueio econômico de mais de 40 anos,  não imaginava que ia mexer num frenético vespeiro e suscitar reações psicodélicas, muitas permeadas de palavrões e de uma agressividade que revela desequilíbrio, insegurança e imaturidade,  merecedores de tratamento especializado.

Tudo numa tentativa infantil de mudar o foco da questão – a diferença concreta entre  a profilaxia de ganhos reais exibidos pela Organização Mundial de Saúde e a indústria do tratamento robotizado, que torna o médico um autômato sem  obrigação de raciocinar, custa os olhos da cara e inviabiliza a prática da medicina sem o uso abusivo  da parafernália eletro-magnética.
Em nenhum momento há qualquer referência nos mais de 180 comentários postados às benesses de um Estado que gasta uma grana preta com jovens de boa situação, que representam a grande maioria das faculdades estatais e delas saem para o “mercado” sem
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qualquer compromisso com a sociedade que os bancou num regime absolutamente injusto de alocação dos recursos públicos para educação: só o terceiro grau abocanha 51% (R$ 18 bilhões), isso sem falar nos facilitários de programas de renúncias fiscais e subvenções, como o Prouni.

A grande preocupação dos adversários da contratação de cubanos é apontá-los como  inaptos, exigindo que se submetam a uma prova enigmática, como bem descreveu o leitor Nelson da Cunha, inspirada no modelo doentio equivocado que drena para um ralo as verbas oficiais, impondo um insólito constrangimento diplomático do tipo:
 "Precisamos dos seus médicos, mas não confiamos na aptidão dos mesmos atestada por suas universidades".
 
Esses não  são imigrantes avulsos que se mudariam de mala e cuia, mas profissionais selecionados nos termos de convênios entre nações que devem respeito mútuo, com experiência em outros países, os quais só serão chamados devido à determinação dos patrícios de preferirem o litoral onde se esbaldam em exames sofisticados, muitos desnecessários, e nas vantagens das variadas fontes de renda.
 Prova, aliás, a que não submetem os nossos recém-formados que, ao contrário dos advogados, podem saltar direto de um pardieiro mercantil, com médias baixas e conhecimento relativo para o exercício pleno e incontrolável do trato com a vida, saltos responsáveis por alarmantes taxas de sucessivos erros médicos, o que levou o Ministério da Saúde a lançar este ano o Programa Nacional de Segurança do Paciente.
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Também em nenhum dos comentários discordantes se viu uma autocrítica honesta sobre as notórias deficiências de muitos dos nossos profissionais, cuja maior protuberância é o excesso de generalistas sem especialidades. Segundo o próprio Conselho Federal, dos 388.015 médicos do país, 180.136 deles, ou 46%, não têm especialidade, o que significa uma temeridade para o conselheiro Desiré Callegari, diretor de Comunicação do CFM.
A legislação do Brasil permite que qualquer médico graduado aqui, em qualquer das 200 faculdades existentes, mesmo sem ter feito residência médica, exerça qualquer especialidade. "Esses médicos que, por algum motivo, não obtêm especialização costumam ir para áreas da medicina que necessitam de mais profissionais, como na atenção primária de saúde ou nos atendimentos de urgência ou emergência", diz Callegari: "a população acaba sendo exposta a profissionais menos experientes e qualificados nesses atendimentos. O médico exerce a sua profissão com pouca experiência em relação a diagnósticos e orientações de tratamentos, por exemplo."
Resistência também aos medicamentos genéricos
Sabia que havia qualquer coisa de deprimente e deplorável na área, fruto da atuação perniciosa do poderoso e ultra-lucrativo complexo farmacêutico (temos mais farmácias hoje do que padarias), do sistema viciado de terceirização do SUS, das práticas levianas de burla das obrigações funcionais, do complexo de interesses vorazes emanados dos planos de saúde e  de uma didática acadêmica perigosamente voltada para a robotização dos profissionais de saúde.
Mas não imaginava que o estrago já se enraizara em várias gerações, explicando por que nenhum cidadão comum se sente no gozo do direito constitucional à assistência médica. Ou por que operários da construção civil (como os que reconstruíram o
Em greve, trabalhadores da obra do
Maracanã pediam plano de saúde privado
Maracanã) fazem greves para exigir contratações de planos privados de saúde.
E por que empresas e “cooperativas” de medicina de grupo deitam e rolam, arrancando aumentos cada vez mais extorsivos principalmente nos planos-empresas, que estão livres de controles oficiais.

Ainda tenho esperança que os defensores da reserva de mercado que expõe um ralo com dinheiros públicos sejam minorias. Que minorias sejam os que estão inviabilizando os serviços de saúde para tirar proveitos pessoais indecorosos,  que sequer aceitam receitar um genérico por seus laços de dependência com laboratórios que lhes prestam todo tipo de carinho.
Imagino que a maior parte da classe médica entende que o seu legítimo direito à remuneração justa pela alta relevância de seu trabalho não passa por um jogo sujo que torna muito mais numerosa a rede de sanguessugas infiltrados em todos os labirintos da saúde ou atuando  sem recato no superfaturamento e na fraude de serviços, na indústria de exames caros, de cirurgias desnecessárias ou mesmo na avalanche de cesarianas forçadas.
A possível contratação de médicos fora do Brasil pôs a nu uma inquietação epidêmica e epidérmica, expondo as vísceras de um ambiente contaminado, a certeza de que há algo de podre a ser diagnosticado pelos médicos sérios, como o dr. Aloysio Campos da Paz, da Rede Sarah,  que teve de dar um chega pra lá nos próprios colegas e colocar-se ao lado dos pacientes para garantir a excelência do hospital que dirigia.
Governador de direita recorreu aos médicos cubanos
Junto com o destempero de recados intolerantes postados no nosso blog, o pior que aconteceu foi a tendência doentia de ideologizar e partidarizar as divergências, com expressões boçais que não podem ter partido de médicos ou estudantes de medicina, pois se assim fosse a necessidade de um choque de sensatez numa corporação envolvida diretamente com a vida e a morte seria uma operação de emergência inadiável. Corporação que não tem nada com maus hábitos fatais, como daquela médica do Paraná, especialista em abreviar a morte dos pacientes terminais.
Mal sabem esses subprodutos de um passado obscurantista que quem primeiro recorreu aos médicos cubanos foi um GOVERNADOR ASSUMIDAMENTE DE DIREITA, no
Afinado com os militares, o governador Siqueira
Campos  abstraiu divergências ideológicas
e chamou médicos cubanos para Tocantins.
passado ligado à linha dura do regime milita
r. Isso mesmo: principal artífice do Estado de Tocantins e primeiro chefe do seu Executivo, José Wilson de Siqueira Campos, que foi da Arena e do PDS, viu que só mesmo com um novo modelo de medicina pública, tal como se praticava naquela ilha, seria possível equacionar os problemas de saúde de muitos dos seus 139 municípios, dos quais 73 com menos de 5 mil habitantes.

Quando o CRM de Tocantins conseguiu a primeira liminar contra os médicos cubanos, seu filho, o senador Eduardo Siqueira Campos, do PSDB, subiu à tribuna para exigir do então governador Marcelo Miranda uma atitude corajosa em defesa daquele programa, que vinha produzindo resultados visíveis para a população do seu estado. “Há oito anos, em virtude de convênio, dezenas de médicos cubanos vêm atuando nos pequenos municípios de Tocantins, onde conseguiam prestar excelentes serviços de saúde à comunidade”.
R$ 35 mil para ter um ortopedista 
A segunda aleivosia desses ignorantes de má fé foi creditar à presidente Dilma Rousseff e ao PT, com fitos eleitorais e em face de “afinidades ideológicas”, a iniciativa de recorrer à contratação de médicos estrangeiros, especialmente os cubanos.
Foi a Frente Nacional dos Prefeitos que promoveu uma ida em massa à Brasília com o objetivo de pedir ao governo federal a imediata contratação de médicos fora do país e a redução das exigências do CFM.  Muitos alegavam que nem oferecendo salários superiores aos das grandes cidades conseguiam atrair profissionais litorâneos para seus municípios.
Houve um caso, no município maranhense de Açailândia, a 559 km de São Luiz, em que a Prefeitura levou um tempo e teve de colocar anúncios em jornais de outros Estados para contratar um ortopedista, oferecendo a bagatela de R$ 35.000 por mês.  

E olha que
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não se trata de uma cidadezinha: com a maior renda per capita do Maranhão, 104 mil habitantes e uma crescente atividade empresarial, ela conta com um hospital municipal de médio porte, além de 43 estabelecimentos de saúde, dos quais 37 ligados ao SUS. Por acaso, o Estado do Maranhão é o que registra a menor relação médico-população – 0,7 por 1000 hab.

Se um município desse porte teve que apelar, que dirá a situação de mais dois mil municípios onde moram pessoas até hoje dependentes da medicina caseira, de curandeiros ou de longos deslocamentos para avistar alguém de jaleco branco.
Mas não foram apenas os do interior que pleitearam a imediata contratação de médicos de fora para implementarem o programa saúde da família. O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, em encontro com a presidente Dilma Rousseff, defendeu  a contratação de médicos estrangeiros para atuar em hospitais da rede pública da Capital. Para ele, seria uma forma de atender às reclamações de gestores municipais de todo o País sobre a falta de profissionais interessados em trabalhar nas periferias das grandes cidades.
Brasileiros recusaram incentivos do governo
Toda a classe médica está sabendo que de há muito o governo federal vem incentivando à interiorização de profissionais.  Além do Programa Nacional de Valorização do Profissional de Atenção Básica – o Provab - , o Ministério da Saúde, em conjunto com o da Educação, incluiu no mesmo pacote o Programa Pro - Residência,  que prevê a abertura de residências médicas para formação de profissionais nas especialidades e nas regiões onde são necessários.  
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Ofereceu também  abatimento no saldo devedor do FIES,  financiamento da Caixa Econômica, com valores proporcionais ao período em que trabalharem em um dos 2.282 municípios (40,7%) oficialmente com carência de profissionais na atenção básica.
No entanto, muitas prefeituras não conseguiram implementar o Provab, programa que também oferece curso de pós-graduação em Saúde da Família, e uma bolsa mensal do governo federal no valor de R$ 8 mil durante um ano. Neste ano, o Provab recebeu 4.392 médicos nos serviços de atenção básica de saúde em 1.407 municípios. Esses números correspondem a menos de 30% da meta estabelecida.
Uma geração voltada para a medicina robótica
Parece claro que o grande problema está na didática manipulada sob influência de quem ganha excessivamente com o tratamento das doenças, em grande parte  resultantes da falta de informação adequada. Embora muitas das faculdades de medicina tenham problema até de cadáveres, o jovem sonhador, que veio de colégios caríssimos e ganha casa, comida e roupa lavada às nossas custas, é induzido a concentrar-se na medicina robótica, em que não terá de queimar a mufa e recorrer à sua sensibilidade, talento e vocação. E provavelmente não lhe passa pela cabeça a dívida que teria de saldar pela habilitação onerosa a custo zero para ele.
Como os pilotos dos jatos modernos, nossos acadêmicos embarcaram na dependência de diagnósticos por aparelhos de alta tecnologia, ao contrário que acontecia com as antigas gerações, como a do meu irmão já falecido,  cearense formado na Universidade da Bahia, que salvou muitas vidas quando tais geringonças  não existiam.
Para alguns, provavelmente uma minoria, a farra do recurso à “medicina nuclear” tem outras motivações nada científicas, assim como no abuso de cirurgias, prática que já levou as autoridades norte-americanas a promoverem um choque contra os exageros, já nos anos setenta.
É muito deprimente que alguns médicos brasileiros tenham perdido a noção da realidade, por conta da manipulação inconsciente em que se envolvem. É claro que os avanços tecnológicos não podem ser recusados, mas o conhecimento do paciente em toda a intimidade, como acontece no sistema do médico de família é muito mais eficaz, principalmente quando a ele se tem acesso antes de contrair doenças evitáveis pela orientação preventiva.
Muitos médicos brasileiros, porém, se sentem ameaçados e não querem nem ouvir falar em cuidados profiláticos e em políticas mais permanentes, como o saneamento  básico e a educação alimentar, que reduziriam ao mínimo as filas nos consultórios, clínicas e hospitais. Pelos mesmos motivos esses profissionais se recusam a receitar genéricos, induzindo pacientes a acreditarem que não são medicamentos confiáveis.


Veja no que dá a febre de exames como a ressonância
Gestão da saúde nas mãos de médicos de alto a baixo
Independente de preferências ideológicas é preciso reconhecer que, embora tenha o maior orçamento do país em relação a outras áreas, inclusive educação, a saúde pública brasileira é extremamente precária.  Somando os orçamentos da União, estaduais e municipais, chegamos a R$ 150 bilhões em 2012 e a população continua apontando o sistema de saúde como o maior vilão do serviço público.
É preciso lembrar que toda a rede pública está em mãos de médicos, do Ministério da Saúde ao diretor do posto local. Não é honesto abstrair essa informação básica. Médicos costumam fazer lobbys, procurar políticos e apoios classistas para assumirem as direções e os orçamentos das unidades de saúde, cortejadas por inescrupulosas máfias de fornecedores e prestadores de serviços.
Muitos sequer têm conhecimento de administração hospitalar,  mas não medem expedientes para ter uma nesga do poder na área.  Quando um profissional alega que  falta tudo numa unidade de saúde, e falta mesmo em muitos lugares, ele tende a culpar os governos, que podem também ser responsabilizados. Mas e o seu colega que trocou o paciente por uma chefia? E o material que some como um fato consumado e corporativamente abafado?
Compras superfaturadas, relacionamentos promíscuos com fornecedores e tolerância com colegas que não aparecem (lembram do caso recente no Hospital Salgado Filho, do Rio de Janeiro?) são praticados por colegas sob o constrangimento do corporativismo: o diretor de hoje pode ser o subordinado de amanhã e vice-versa.
Tudo isso se junta na barricada contra o modelo preventivo, que é desprezado mesmo  nas unidades públicas criadas com esse fim, como acontece nas clínicas de saúde da família  implantadas pelo prefeito Eduardo Paes, no Rio de Janeiro. Aí, além das barreiras corporativistas, pesa também a falta de informação da população, que não faz diferença entre uma clínica dessas e uma UPA de pronto socorro.
Temos, portanto, um impasse de natureza conceitual. No Brasil onde todos querem se dar bem da noite para o dia, é cada vez mais difícil reformular as políticas de saúde, sem que haja um movimento de fora para dentro do sistema, pensando  primeiro na população,  sem que isso signifique postar-se contra a corporação.
É sobre a necessidade de mudar que escreverei meu próximo artigo.
PEDRO PORFÍRIO  é jornalista, escritor e teatrólogo. Tornou-se repórter muito jovem e exerceu várias funções públicas, como Secretário Municipal de Desenvolvimento Social por duas vezes, bem como mandatos de vereador no Rio de Janeiro em 4 legislaturas.
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Por que os médicos cubanos assustam? http://maranauta.blogspot.com.br/2013/05/por-que-os-medicos-cubanos-assustam.html

 Médico Pedro Saraiva opina sobre a vinda dos 6.000 médicos cubanos. http://maranauta.blogspot.com.br/2013/05/pedro-saraiva-sobre-vinda-dos-6000.html

Bangladesh - ultrapassa 1.100 vítimas mortas em desmoronamento de predio.

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Foto - EPA

Ao fim de 18 dias de buscas, o número de vítimas do desmoronamento do prédio de oito andares em Savar, Bangladesh, já ultrapassa as 1.100, afirmou agora a polícia local.

“Vamos continuar trabalhando até encontrarmos todas as pessoas presas sob os escombros”, dizem os bombeiros.

Na sexta-feira foi encontrada uma mulher sobrevivente que foi imediatamente retirada e transportada para hospital. 

No total, ela permaneceu 17 dias presa debaixo do prédio desmoronado.

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Bangladesh - Já passam de 910 vítimas fatais em desabamento de prédio. Foto de casal morto abraçado choca o País. http://maranauta.blogspot.com.br/2013/05/bangladesh-ja-passam-de-910-vitimas.html