Um assalto ao Posto Paloma, na entrada
da Vila Cascavel/São Raimundo, por volta das 19h30 deste domingo(16), resultou
a morte de um frentista. A vítima foi identificada como Carlos Eduardo do
Nascimento de Jesus, conhecido como Índio, de 29 anos. Ele residia na Rua 02,
quadra 01, no Conjunto São Raimundo. A frentista Flávia Regina Pereira também
foi alvejada com um tiro e levada em estado grave ao Socorrão II, na área da
Cidade Operária.
Pelas informações de policiais
militares, o latrocínio foi praticado por dois elementos que, depois de
conseguirem pegar o dinheiro que estava com os frentistas, atingiram Carlos
Eduardo com um tiro no tórax. O frentista, depois de atingido, ainda tentou
correr para a Loja de Conveniência, mas terminou morrendo.
Os assaltantes fugiram em direção ao
Conjunto São Raimundo. Várias viaturas da PM foram acionadas para tentar
localizá-los.
Dezenas de moradores da área da Cascavel
e São Raimundo foram até o local de mais esse latrocínio. Muitos lamentavam a
onda de violência que toma conta daquela região da cidade.
Neste momento, peritos do ICRIM estão
fazendo a perícia no local.
O presidente do Sindicato dos
Frentistas, Kelps da Costa Oliveiras, esteve no local do latrocínio para
acompanhar de perto os trabalhos da perícia.
Ele informou ao blog que, em
conversa com a família da vítima, o frentista estava trabalhando há três meses
no Posto Paloma, sem carteira assinada. “Todos sabem que, mesmo em período de
experiência, todo trabalhador tem que estar com carteira assinada.
A partir
desta madrugada, estaremos deflagrando um movimento grevista para reivindicar
melhores salários e condições de trabalho.
Os patrões não contratam segurança e
deixam os trabalhados expostos ao perigo permanente”, diz Kelps. Ele acrescenta que muitos frentistas,
depois do expediente, são obrigados a ficar vigiando postos.
Eduardo Nascimento de Jesus foi
alvejado e morto a tiros na noite deste domingo (16), quando se
encontrava trabalhando no Posto Paloma, localizado no bairro do São
Raimundo.
O frentista trabalhava no posto há três meses, e segundo testemunhas,
ele foi morto pelo ladrão após ter entregado o dinheiro, o crime foi
praticado apenas por um elemento armado.
VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS EM SÃO LUÍS:
Além de Eduardo também foi morto no final de semana, também foram assassinados:
Rafael Aparecido Araújo Melo, 28 anos, vitima de arma de fogo, o crime aconteceu no
Coroadinho;
Wanderson Santos Oliveira, 24 anos, vitima de arma de fogo,
bairro da Vila Embratel;
VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS EM SÃO JOSÉ DE RIBAMAR:
Marcos Paulo Caldas Barbosa, 24 anos, vitima de
arma branca, em São José de Ribamar.
VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS EM PAÇO DO LUMIAR:
Ozéias dos Santos Ferreira, 49
anos, arma branca, bairro do Maiobão, Paço do Lumiar.
VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS EM PEDRINHAS: Genilson
Ferreira Castro, 31 anos, o crime aconteceu na Penitenciária de
Pedrinhas.
O deputado Evandro Milhomen (PCdoB-AP),
vice-presidente da Comissão de Cultura da Câmara e relator do projeto
que institui o programa de proteção e promoção das culturas populares,
afirmou que ainda esse semestre apresentará seu parecer propondo levar
para “dentro das escolas” o saber popular e a cultura do povo.
A proposta é integrar ao Plano Nacional de Cultura a criação
de políticas de transmissão dos saberes e fazeres populares e
tradicionais.
Na audiência pública para discutir o tema, realizada na
ultima terça-feira (11), o deputado disse que a contribuição dos participantes
da audiência e o documento entregue pelo Mestra Doci (Maria dos Anjos
Mendes Gomes), representante Nacional dos Griôs e Mestres, valorizarão
muito mais seu relatório.
O projeto de Lei, apresentado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ),
no qual foi apensado o de mesmo teor do deputado Edson Santos (PT-RJ),
quer criar marcos legais de proteção e difusão dos conhecimentos e
expressões culturais tradicionais e valorização efetiva dos autores das
expressões da diversidade brasileira, sobretudo aquelas correspondentes
ao patrimônio imaterial.
A proposta é integrar ao Plano Nacional de Cultura a criação de
políticas de transmissão dos saberes e fazeres populares e tradicionais,
por meio de mecanismos como o reconhecimento formal dos mestres
populares, leis específicas, bolsas de auxílio, integração com o sistema
de ensino formal, criação de instituições públicas de educação e
cultura que valorizem esses saberes e fazeres, criação de oficinas e
escolas itinerantes, estudos e sistematização de pedagogias e
dinamização e circulação dos seus saberes no contexto onde atuam.
A valorização dos mestres e mestras dos saberes e fazeres das culturas
populares deve ser buscada incessantemente e normatizada por meio deste
Programa proposto sob a forma de Projeto de Lei, explica Jandira, que
presidiu a audiência pública na condição de presidente da Comissão de
Cultura da Câmara.
O secretário-executivo da Rede das Culturas Populares e Tradicionais,
Marcelo Manzatti, destacou os avanços obtidos nessa área nos últimos
anos. “Nos últimos dez anos, muitas medidas contribuíram para reconhecer
as comunidades tradicionais e o saber disseminado por elas, seja entre a
comunidade indígena, quilombola e mesmo cigana”, lembrou.
E o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Marcelo
Ferreira, disse que a tradição oral do conhecimento é a “afirmação da
cultura e do saber popular.” Para ele, não deve existir disputa de
modelos de transmissão da cultura oral e escrita, mas sim “a
coexistência pacífica entre os dois modelos”. Bolsa de estudo
“Essa foi uma audiência pública qualificada, que reforçou a necessidade
de valorizar a cultura por meio da certificação dos mestres da cultura
popular”, destacou Edson Santos, que enfatizou ainda o apoio obtido
durante a reunião à proposta do pagamento de bolsas para os
disseminadores desse conhecimento.
“Eles poderão obter Bolsas do CNPq, de até quatro anos, que poderá ser
de doutorado e mestrado para os mestres mais antigos, e até de iniciação
científica para os mais novos”, explicou.
Segundo a representante do Ministério da Cultura e Diretora do
Departamento Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (Iphan), Célia Corsino, se a bolsa seguir o modelo do CNPq,
poderá variar de R$1.500 e R$2.000 mensais. “O governo também poderá
inserir os mestres no programa ‘Mais Cultura’ nas escolas do governo
federal”, opinou.
Da Redação em Brasília
A presidente Dilma Rousseff vai anunciar nesta semana o 20° pacote de
medidas de estímulo à economia de seu governo.
O pacote da vez será o
novo Código de Mineração que deve na visão do governo, impulsionar os
investimentos das mineradoras no Brasil já a partir do segundo semestre.
O anúncio do novo código está previsto para amanhã, no Palácio do
Planalto. O governo vai enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional.
A
ideia é evitar o expediente das medidas provisórias, e, com isso, obter
uma tramitação suave.
Ao sinalizar para os parlamentares que o pacote
não exige a mesma pressa para ser aprovado que os demais 19 tiveram, o
governo aposta numa nova estratégia.
Dois empresários que se reuniram
nos últimos meses com o ministro da Fazenda, Guído Mantega, e também
com técnicos do Palácio do Planalto, contaram ao Estado que o "excessivo"
do govemo Dilma Rousseff na economia foi positivo ao atenuar os efeitos
da crise mundial no Brasil.
Mas, ambos, que optaram pelo anonimato,
afirmaram que o outro lado da moeda foi a retração de parte dos
investimentos.
O prefeito de São Paulo não percebeu a continuidade da estratégia de
Alckmin: mandar a PM cruzar os braços contra os arrastões na Virada
Cultural e ordenar a violenta repressão aos estudantes e manifestantes
pela redução das tarifas.
O objetivo do governador era criar um clima de pânico na cidade com duas
finalidades:
1) dar a sensação que Haddad representa a insegurança e o
caos na cidade;
2) dividir com Haddad a crise do sistema de segurança
pública promovida pelos tucanos em 20 anos de gestão.
Os deputados e a direção estadual do PT, perdidos em uma política cada
vez mais parecida com o clientelismo do tucanato, não foram às ruas para
coibir a violência da polícia.
A cúpula do Ministério Público paulista, dominada pela completa simpatia
à política desastrada do governador, nada fez para exigir que a
Constituição fosse respeitada.
O MP paulista se omite diante das
declarações do Secretário da Segurança que irá impedir a livre
manifestação de pessoas que são contrárias ao aumento das passagens de
ônibus.
As cenas de agressão inequívocas praticadas por policiais, não
sensibilizaram os fiscais da lei. Nenhum policial foi processado até
agora pelos membros do Ministério Público.
O Ouvidor Geral da Polícia, criada pelo governador Mário Covas, não se
pronunciou até o momento, nem exigiu que a Corregedoria da PM
investigasse os abusos praticados pela polícia e fartamente relatados
nas redes sociais e pela imprensa.
O grande desgastado nestas manifestações parece ter sido o Prefeito de
São Paulo e o Ministro da Justiça.
Os tucanos há muito tempo já romperam
com os preceitos democráticos. O eleitorado de Alckimin elegeu o
Coronel Telhada. Alckimin fala e age para uma parte do eleitorado
paulistano que apoiou até o fim o regime militar.
Pessoas que não se
importaram quando Erasmo Dias jogou napalm, fósforo branco, na invasão
da PUC, em 1977. Quanto mais ele reprimir os jovens, mais se consolidará
sua liderança retrógrada. O Ministro da Justiça errou a acenar para os
retrógrados que não se conformam com a existência de direitos de
cidadania.
Todos sabemos o quanto é grave aceitarmos a política de Geraldo Alckimin
de imputar a jovens estudantes o crime de formação de quadrilha. Quem
diverge da política de Alckmin não pode ser considerado criminoso.
Quem
organiza passeatas não pode ser enquadrado no Art.284-A do Código Penal:
"Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização
paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de
praticar qualquer dos crimes previstos neste Código".
Espero que até amanhã, o senso de dever democrático reapareça em algumas
autoridades e que o senhor governador seja impedido de se divertir
mandando sua polícia agredir jovens cidadãos que se manifestam pelos
seus direitos.
Espero que o Prefeito exija que a Polícia desocupe a
praça da manifestação, pois quem dirige a cidade e diz como se organiza o
trânsito não é a Secretaria de Segurança, mas a Prefeitura e a CET.
O sindicato dos médicos do Pará denuncia que pelo
menos 25 bebês morreram nos últimos 15 dias nas dependências da Santa
Casa de Misericórdia.
O sindicato aponta a superlotação na unidade de
saúde como responsável pelos óbitos e denunciou o caso ao Ministério
Público estadual; "Há uma superlotação que acaba resultando em má
qualidade de atendimento"; a Secretaria de Estado de Saúde Pública e a
Fundação Santa Casa de Misericórdia reconhecem os óbitos mas descartam
que as causas sejam decorrentes de negligência, falhas estruturais ou
causadas por um surto de infecção hospitalar.
16 de Junho de 2013 às 19:29.
AM247 - O sindicato dos médicos do Pará denuncia
que pelo menos 25 bebês morreram nos últimos 15 dias nas dependências
da Santa Casa de Misericórdia. O sindicato aponta a superlotação na
unidade de saúde como responsável pelos óbitos e denunciou o caso ao
Ministério Público estadual.
"Há uma superlotação que acaba resultando
em má qualidade de atendimento", disse o diretor administrativo do
sindicato, João Gouvea. Uma outra investigação do Ministério Público
sobre mortes de bebês no mesmo hospital está em andamento desde o ano
passado. O Ministério Público do Pará já investiga mortes ocorridas no
ano passado.
"As crianças estão amontoadas. Os leitos ficam muito próximos e,
dessa forma, aumentam os casos de infecção hospitalar", disse Gouvea à
Folha de São Paulo. Segundo ele, além da superlotação na Unidade de
Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, também faltam funcionários e
equipamentos.
Os óbitos denunciados pelo sindicato foram confirmados
pela Secretaria de Estado de Saúde Pública e pela Fundação Santa Casa de
Misericórdia, mas ambas descartam que as causas sejam decorrentes de
negligência, falhas estruturais ou causadas por um surto de infecção
hospitalar.
A Santa Casa de Misericórdia do Pará, fica localizada em Belém e
recebe pacientes de todo o interior do Estado. A unidade realiza
mensalmente cerca de 600 partos, dos quais 86% são considerados de alto
risco. O hospital possui 67 leitos de UTI Neonatal.
Secretário de Segurança do Estado de São Paulo,
Fernando Grella convida manifestantes para reunião às 10h desta
segunda-feira, cinco horas antes do protesto agendado para o dia; "Não
queremos ver mais o que aconteceu na semana passada.
Queremos que as
pessoas se manifestem, mas queremos também que a população consiga
chegar em casa", disse Grella; "Sabemos que a imensa maioria dos
manifestantes quer se manifestar em paz", completou, garantindo que,
desta vez, quem estiver portando vinagre não será detido.
16 de Junho de 2013 às 16:37
SP247 - Pela primeira vez desde o início dos
protestos contra o aumento das passagens em São Paulo, o governo de
Geraldo Alckmin convidou lideranças dos manifestantes para conversar.
Em
entrevista coletiva concedida na tarde deste domingo, o secretário de
Segurança Pública do Estado de São Paulo, Fernando Grella, fez um
convite para reunião às 10h desta segunda-feira 17.
Uma nova
manifestação já está agendada para as 17h do mesmo dia, no Largo da
Batata, e conseguiu reunir mais de 180 mil confirmações pelo Facebook.
A ideia da conversa é tentar evitar novas cenas de violência, como as
da última quinta-feira. "Não queremos ver mais o que aconteceu na
semana passada.
Queremos que as pessoas se manifestem, mas queremos
também que a população consiga chegar em casa", disse o secretário,
completando: "Sabemos que a imensa maioria dos manifestantes quer se
manifestar em paz".
Para Grella, o uso da tropa de choque não deve ser necessária na
próxima manifestação, já que, segundo ele, o ato será pacífico.
Detalhe
importante: quem estiver portando vinagre não será detido, garantiu o
secretário de segurança, que também não aposta no uso de bombas e de
balas de borracha durante o protesto da segunda-feira.
Apesar
de ter nascido com par de cromossomos XY, definidores genéticos do sexo
masculino, Danann Tyler, 10, se expressa como menina desde os 2 anos.
A
história da criança, que se encaminha para o feminino, sob
acompanhamento médico e psicológico, retrata um capítulo ainda movediço
das questões de gênero.
"Cindy, como alguém pode olhar para esse rosto e
achar que eu poderia ser menino?" Danann Tyler se olhava no espelho e
mexia nos cabelos durante a sessão com sua terapeuta, Cindy Paxton, em
Redlands, cidadezinha vizinha a San Bernardino, na Califórnia.
Especializada em crianças e adolescentes transgênero, Paxton atende
Danann desde os seis anos. Hoje ela tem dez e é tratada em casa e na
escola como a menina que diz ser. Nem sempre, porém, as coisas foram
assim.
Danann
nasceu menino, biológica e geneticamente. Isso significa que ela possui
um cromossomo X e um Y, que define desde a fase embrionária os machos
da espécie humana (as fêmeas são XX), e órgãos sexuais masculinos,
interna e externamente. Mas, desde que começou a se expressar, aos dois
anos, identifica-se como menina.
Quem a vê de legging e camiseta de paetês saltitando pela casa
confortável onde mora, na região californiana de Orange County, falando
sobre musicais da Broadway ou abraçando o interlocutor com um afeto
espontâneo que meninos da mesma idade não costumam demonstrar, não
escapa da pergunta feita por Danann diante do espelho. Como alguém pode
olhar para aquele rosto e achar que possa ser de um menino?
Afinal, em poucas horas ao seu lado se constata que tudo, em Danann, é
feminino, ou ligado àquilo que a sociedade identifica como feminino. E,
não raramente, ao extremo: o tom dramático, o gosto por teatro e
musicais, o talento vocal treinado em montagens locais amadoras das
peças que adora, as roupas cor-de-rosa, os sapatinhos de salto, os
brinquedos, os livros, os desenhos, a forma de andar, de falar, de
pensar e de se expressar.
Paxton, uma doutora pela Universidade da Califórnia que leciona na
unidade local da mesma instituição e atende crianças e adolescentes há
mais de 15 anos, lembra que, historicamente, a maioria dos meninos que
gostam de se travestir ou de brincar com brinquedos de meninas crescem e
se tornam homens gays. "Mas uma pequena porcentagem, e não sabemos qual
é esse numero com precisão, cresce como Danann", diz. "Suspeito que ela
vá sempre se identificar como mulher, embora não dê para garantir. Ela
se mostra coerente."
Danann diz que sempre teve certeza de que era menina. Por seis anos, essa certeza foi solitária.
Do momento em que a criança começou a se expressar até seguirem a
orientação da terapeuta e de médicos decidirem pela transição --passar a
vesti-la e tratá-la como garota, sem intervenção cirúrgica--, seus
pais, a instrutora de ioga Sarah, 40, e o policial Bill, 43, se viram
envoltos em dúvidas.
O mais natural, os especialistas explicam, é os pais acreditarem que
aquela insistência em vestir-se e apresentar-se e comportar-se como
alguém do sexo oposto seja uma fase.
E, sem evidências físicas ou
genéticas de que haja algo diferente com seus filhos, entender o que
está acontecendo com a criança torna-se ainda mais difícil.
"Até o aparecimento da internet, os pais de crianças transgênero tinham
certeza de que eram os únicos no planeta a enfrentar o dilema da
variação de identidade de gênero diante do sexo genotípica, fenotípica e
bioquimicamente coerente do filho", escreve Norman Spock,
endocrinologista do Hospital Pediátrico de Boston e professor da
Universidade Harvard, no prefácio de "The Transgender Child" (a criança
transgênero, Cleis Press, 2008).
Não há estatísticas confiáveis sobre quantas crianças nos Estados Unidos
(e menos ainda no mundo) sejam transgênero. Na literatura
especializada, médicos, psicólogos e sociólogos evitam palpites,
ressaltando que, como não se permitem pesquisas populacionais a esse
respeito (por exemplo, não há pergunta sobre filhos transgênero no
Censo), muitos casos permanecem encobertos.
As tentativas de fazer a transição, como no caso de Danann, são
relativamente recentes: nos EUA, ocorrem há cerca de uma década. A
amostragem de adultos e jovens submetidos ao processo --que em crianças e
adolescentes de até 16 anos não envolve procedimentos cirúrgicos e se
baseia na questão da identidade-- não é suficiente para um estudo mais
elaborado.
Um levantamento de 2011, feito pela escola de direito da Universidade da
Califórnia em Los Angeles (UCLA) e muito citado, estima que 0,3% da
população adulta dos EUA, ou cerca de 700 mil indivíduos naquele ano,
seja transgênero. Os números se apoiam em pesquisas nos Estados de
Massachusetts e Califórnia e em dados reunidos por instituições ligadas à
comunidade LGTB (lésbicas, gays, transexuais e bissexuais).
Em "The Transgender Child", as autoras Stephanie Brill e Rachel Pepper
citam especialistas que calculam o percentual de crianças transgênero no
país em 0,2% --mas alertam que o dado possa estar subestimado. A
projeção mais consensual diz que três em cada quatro dessas crianças
sejam meninas transexuais (nascidas meninos).
Como Danann, observa Cindy
Paxton, elas costumam manifestar muito mais cedo o desconforto com o
próprio corpo do que os meninos trans, os quais muitas vezes passam a
infância como molecas e a adolescência como mulheres lésbicas até
concluírem ser homens transexuais.
PERSPECTIVA Nos últimos cinco anos, porém, os casos de crianças
transgênero têm se tornado mais proeminentes. "Talk shows", programas de
reportagens com grande audiência e o noticiário cotidiano deram
visibilidade à questão e acabam ajudando pais como Sarah e Bill a
ganharem perspectiva e compreenderem que seu caso está longe de ser um
fato isolado e intransponível.
Neste ano, o caso da garotinha transgênero Coy Mathis, 6, mereceu longos
minutos na TV americana e manchetes em jornais e sites quando seus pais
passaram a educá-la em casa porque a escola onde estudava, no Colorado,
proibiu-a de usar o banheiro feminino por considerá-la um menino.
Há duas semanas, Mark e Pam Crawford, da Carolina do Sul, abriram um
processo contra o Estado porque seu filho adotivo, nascido com órgãos
reprodutivos femininos e masculinos, teve o pênis e os testículos
removidos aos 16 meses, sob anuência dos assistentes sociais
responsáveis. Hoje, aos oito anos, a criança --adotada pelo casal após o
procedimento cirúrgico-- se manifesta como menino, e não como menina.
"Dos poucos arrependimentos que tenho, o que mais me incomoda é não ter
sabido como lidar [com Danann] mais cedo", diz Sarah Tyler, que mantém
um grupo de apoio, o ShiftHappens ("a transição acontece", um trocadilho
com a expressão americana "shit happens", algo como "às vezes, dá
merda"), criado com uma amiga cuja filha adolescente, nascida homem, se
matou.
Sarah e a amiga se conheceram em um seminário que a Igreja Unida em
Cristo, frequentada pela mãe de Danann, organizou para informar os fiéis
sobre o tema e para acolher os Tyler. De quatro pessoas no início, o
grupo que se reúne uma vez ao mês em Orange County hoje tem 38,
incluindo pais ou irmãos de uma mesma criança ou adolescente.
Sarah repassa com frequência a imensa solidão de descobrir aos poucos
que seu filho ou filha tem uma incongruência de gênero --termo com que o
novo DSM-5 substituiu o criticado "transtorno de identidade de gênero"
usado nas versões anteriores do manual de estatística e diagnósticos da
psiquiatria. Hoje o que sua filha tem não é considerado uma doença
psiquiátrica, embora, como explica Cindy Paxton, o diagnóstico de
transtorno muitas vezes seja exigido pelos seguros médicos americanos
para cobrirem as despesas.
"Naquela época", lamenta a instrutora de ioga, não tinha nada sobre o
assunto na internet. "Nunca tive amigos transgênero. Tenho amigos gays,
mais gays do que lésbicas. Mas não transgênero. Muito menos crianças."
Foi, então que, sem saber como as coisas foram dar naquela cena, ela viu
Danann tentar se mutilar aos quatro anos. Sarah conta que o flagrou --a
mãe ainda mistura os pronomes ao falar do passado-- com uma tesoura
infantil nas mãos, o pênis sangrando. "Tentando resolver sozinho o
problema'", relembra. "Tirei a tesoura, ele não relutou. Liguei para a
emergência. Não sabia o que fazer."
O corte era superficial, mas a situação ia se tornando progressivamente
assustadora para os Tyler. Meses mais tarde, no episódio que culminaria
com a consulta a Cindy Paxton e a conclusão, logo de cara, de que a
criança era transgênero, Danann tentaria se matar.
Naquela altura, Danann já gostava de se fantasiar de personagens
femininos e, na festa de Dia das Bruxas daquele ano, havia escolhido ser
uma Southern Belle --as moças sulistas do século 19 e início do 20, das
quais a personagem Scarlett O'Hara é o ícone maior. O pai achou que
eram babados demais. A fase dos vestidos, disse Bill, precisava acabar.
Não era o que Danann achava. A criança saiu arrastada pela mãe da loja
de fantasias. Gritou, mordeu, chorou. No caminho de volta, batia com
força a cabeça no vidro do carro. "Ela dizia que queria morrer, e eu
pensava a qual hospital deveríamos levá-la", lembra Sarah.
Quando a mãe estacionou diante da casa, a criança saltou repentinamente e
correu para o meio da rua. Um motorista freou, e, apavorado, pediu
desculpas. Danann revidou com tapas e a pergunta: "Por que você freou?
Eu quero morrer!".
ROMARIA Depois disso, a romaria por psicólogos e psiquiatras se tornou
intensa. Transtorno de deficit de atenção e hiperatividade,
bipolaridade: os diagnósticos eram tão variados quanto imprecisos.
Até
que, no Hospital Infantil de Orange County, um painel de psiquiatras,
pediatras e endocrinologistas levantou a hipótese de Danann ser
transgênero. "Meu marido queria saber o que diabos isso significava",
diz Sarah, que, de sua parte, sentiu-se aliviada por descartar outro dos
diagnósticos aventados, o de esquizofrenia.
A suspeita foi confirmada depois pela psicóloga Cindy Paxton, mas para
Bill Tyler (e de certa forma, para Sarah) a compreensão do que a filha
vivia só viria mesmo com um documentário de TV apresentado pela veterana
Barbara Walters, "My Secret Self" ("meu eu secreto") e levado ao ar em
2007.
No programa, a personagem central é Jazz Jennings, uma menina dois anos
mais velha que Danann, também transgênero e também segura de sua
identidade. Jazz, hoje adolescente, tem página no Facebook, sua própria
ONG para crianças transgênero (TransKids Purple Rainbow, algo como "o
arco-íris roxo das crianças transgênero"), e é convidada assídua de
"talk shows" vespertinos.
"Foi uma revelação", conta Sarah. "Essa garotinha tinha muita coisa
igual à Danann, até a queda por sereias [psicólogos atribuem a
predileção ao fato de as sereias serem femininas da cintura para cima e
indiferenciadas da cintura para baixo]. Ficou óbvio que tínhamos de
fazer a transição."
No quarto de Danann não há sereias, ao menos não visíveis. Há uma pilha
de livros sobre teatro e musicais. Em uma caixinha, ela guarda seus CDs
preferidos. "Esse, do Fantasma da Ópera', você já ouviu? Eu adoro,
adoro. É lindo."
Quase tudo no cômodo remonta a musicais e filmes clássicos. "Quero
trabalhar na Broadway" é a resposta imediata que Danann dá à pergunta
que toda criança ouve inúmeras vezes na infância.
Ela diz ter escolhido o que vai ser quando crescer aos cinco anos, ao
ver "O Fantasma da Ópera". No dia da visita da Folha, ensaiava para uma
montagem amadora de "Annie", clássico sobre uma garotinha órfã dos anos
30. A história teve uma versão no cinema em 1982, 21 anos antes de
Danann nascer. "Também gosto de desenhar. E de ler. Sou bem artística."
E de moda? "Eu gosto", diz, explicando aspectos dos figurinos das peças;
conhece de cor os detalhes de diferentes montagens do musical "Wicked",
baseado em "O Mágico de Oz", de L. Frank Baum; mostra vídeos de
maquiagem da peça e, num palco em miniatura, como uma casinha de
bonecas, faz marcações para os atores.
A curiosidade com que Danann enche o interlocutor de perguntas e o vigor
com que fala de seus interesses cessa quando o assunto é sua vida de
antes da transição. "A escola e as pessoas eram chatas".
Após levarem-na à psicóloga, os pais decidiram tirá-la da escola
particular de orientação luterana onde Danann estudava e onde, segundo a
família, sofria bullying por querer usar peças de roupa mais femininas
("tops sob a camiseta, pulseirinhas; não vestidos", detalha Sarah). Na
escola nova, um colégio público da região, ela se apresenta como menina
sob consentimento da direção. Ali, ela tem amigos e, se lhe perguntamos
se está feliz, consente com a cabeça, sorrindo, antes de desconversar.
De todos os pertences que tomam seu quarto, o preferido é o pôster com
dedicatória de Ricki Lake, uma humorista que tem um "talk show" matutino
e com quem, conta a mãe, a menina mantém contato. Danann e Sarah foram
duas vezes ao programa. "Eu adoro a Ricki", confirma a criança.
Ela também esteve no programa vespertino do jornalista Anderson Cooper,
no ano passado. A aparição rendeu críticas e mensagens agressivas para
Sarah, acusando-a de "fazer" aquilo com o filho.
DIVAZINHA A professora de ioga diz que nunca quis ter uma menina.
"Queria ser a rainha da minha casa, sozinha. E hoje tenho essa divazinha
aí", brinca. "Mas é claro que nenhum pai pode fazer isso com um filho.
Você não faz uma pessoa mudar de gênero, não dá. Isso é ela. É Danann."
De nome, aliás, ela não precisará trocar. O que os pais escolheram antes
de ela nascer, de origem gaélica, em consonância com a ascendência
irlandesa da família, é unissex. Remete ao "Tuatha dé Danann", povo da
divindade Danu, espécie de mãe dos deuses e da terra na mitologia celta.
O nome, conta Sarah, "pode ser traduzido também como criança de Deus'
ou criança das fadas', conforme a versão". "Combina mais com ela do que
eu poderia imaginar."
Sarah e Bill têm outro filho, William James, dois anos mais velho que
Danann. Mais reservado, o adolescente conhecido como Jamie quando
pequeno passou a pedir para ser chamado de James, nome mais másculo,
quando a irmã fez a transição. Hoje ele se apresenta como Will e parece
entediado com a atenção dispensada a Danann. "Mas ele a defende, e os
dois se dão bem", avalia a mãe.
Com o resto da família, a relação não é tão natural. A mãe e a avó de
Sarah, que a criaram, aceitaram a transição de pronto. Seu pai e sua avó
paterna nunca entenderam o processo, e a família rompeu. Os pais de
Bill mantêm contato, mas evitam encontrar a neta.
Danann está sendo monitorada pela endocrinologista pediátrica Susan
Clark, do Hospital Infantil de Orange County, para detectar o início da
puberdade.
Por decisão da família, dos médicos e sobretudo da própria criança,
Clark vai usar inibidores hormonais para "frear" o desenvolvimento das
características sexuais secundárias --voz grossa, pelos, pomo-de-adão. É
como apertar um botão de pausa, para atenuar o dimorfismo sexual (a
diferença de características físicas básicas, como altura) e permitir
que, aos 15 ou 16 anos, Danann possa decidir se quer continuar a
transição ou manter o sexo com o qual nasceu.
REVERSÍVEL "Tudo feito nessa idade tem de ser reversível; isso é
fundamental", enfatiza a psicóloga Paxton. O processo, diz, só pode ser
iniciado depois do diagnóstico, e o diagnóstico implica descartar todas
as possibilidades de transtornos psiquiátricos. "A criança, por exemplo,
não pode ter delírios; tem de ter conexão com a realidade." A terapeuta
explica que a conclusão apontada deve ser de que se trata de uma
criança típica, cuja única incongruência é estar no corpo errado.
Depois dos supressores, que Danann tomará por toda a vida caso se
mantenha na sua decisão, ela poderá, já adolescente, receber hormônios
femininos --estrógeno, essencialmente-- para desenvolver seios e outras
características das mulheres.
Não se fala ainda na eventual cirurgia de
mudança de sexo --ou de confirmação de sexo, no jargão dos ativistas
(eles também preferem os termos "disforia de gênero" e "variância de
gênero" em vez de "incongruência", embora a WPath, maior associação
médica de saúde transexual, tenha visto a recente mudança no DSM como um
progresso).
Em mais de quatro horas de conversa, apenas uma vez --ao falar das
contas da casa-- Sarah mencionou um "fundo de cirurgia de Danann",
encadeando-o com um "fundo para a faculdade".
Nos EUA, a legislação quanto à questão cirúrgica e o custo das operações
variam conforme o Estado; há casos de adolescentes de 16 anos que
passaram pelo processo. Os valores sobem segundo o grau de intervenção;
mas, em geral, a retirada do pênis, com a criação de uma vagina
revestida com partes do órgão masculino e mais algumas cirurgias
plásticas complementares, é estimada em US$ 50 mil (R$ 107 mil),
parcialmente cobertos por alguns seguros-saúde.
Em março, a administração do Medicaid --o programa de assistência médica
para a população mais pobre mantido pelo governo federal
norte-americano-- chegou a anunciar que abriria um debate público sobre a
cobertura da cirurgia, mas recuou após 24 horas, preferindo examinar a
questão em um procedimento interno sem participação popular.
No Brasil, o SUS cobre a operação, que há dois meses passou a poder ser
realizada a partir dos 18 anos, em vez de 21 --o tratamento hormonal
pode ser iniciado aos 16.
Sarah especula sobre como será, no futuro, a aparência de Danann, sua aceitação e sua integração à sociedade.
Apesar de haver uma tradição de respeito e admiração por pessoas como
Danann em algumas comunidades indígenas dos EUA --à semelhança do que
acontece na Tailândia, onde transexuais são vistos como uma alma elevada
que alia ambos os sexos (e onde as cirurgias de mudanças de sexo são
oferecidas em panfletos distribuídos nas ruas)--, a sociedade americana
ainda as vê, em geral, como estranhas, mesmo na comunidade ativista gay e
lésbica.
A própria Sarah perdeu o emprego em uma proeminente academia
de ioga após levar os filhos ao trabalho, em um dia sem babá, e uma das
alunas incomodar-se com a criança transexual.
Casos em que a pessoa transgênero é proibida de usar o banheiro
destinado ao sexo com o qual se identifica têm proliferado, mas a
expectativa dos envolvidos é que a exposição leve à informação e à
aceitação. Danann não tem tido esse problema, mas foi expulsa do grupo
de bandeirantes após descobrirem que ela nascera menino.
Nos momentos em que visualiza o futuro de Danann com mais otimismo,
Sarah cita o exemplo de Christine McGinn. Hoje cirurgiã plástica
especializada em mudança de sexo, McGinn, nascida homem, foi membro da
Marinha americana e cirurgião de bordo em duas missões da Nasa. "A dra.
McGinn, você precisa ver, é linda. Nós a conhecemos na gravação do
documentário Trans', e ela disse que, se Danann quiser, fará todo o
possível por ela [em termos de cirurgia] no futuro."
Entre seus planos para a Broadway, suas certezas espantosamente maduras
para a idade e o que conseguiu até agora, Danann não se enxerga de outra
forma, no futuro, que não como mulher.
Sua sexualidade ainda não se manifestou, e não é possível saber, ainda,
qual a sua orientação. Paxton e outros estudiosos explicam que o vasto
espectro da orientação sexual nem sempre está ligado à identidade de
gênero (no passado, chegou-se a descrever os transexuais como
homofóbicos radicais: pessoas que sentiam atração sexual e afetiva pelo
mesmo sexo, mas não aceitavam esse sentimento e, por isso, achavam que
seu sexo biológico estava "errado").
Neste momento, Danann não se interessa por meninos. Para ela, garotos
"são muito chatos". Por causa do ativismo, tem duas amiguinhas trans, de
sete e nove anos. Sarah, porém, diz que transexualismo nunca é um
assunto mencionado entre elas. "Quando se encontram, são apenas
menininhas brincando."
[Trecho do Filme: Minha vida em cor de rosa, abordando situação semelhante.]