quinta-feira, 31 de outubro de 2013

São Paulo - Folha pede punição a Rodrigo de Grandis

Edição247-JOSE ANTONIO TEIXEIRA / Reprodução / Divulgação:
Foto - Brasil 247.
Editorial duro, do jornal de Otávio Frias Filho, desdenha da justificativa do arquivo na "pasta errada" do pedido de cooperação com suíços que investigavam propinas ao PSDB.

"Nenhuma investigação foi feita, entretanto. E o motivo alegado para a omissão é de molde a desafiar a credulidade até mesmo dos mais ingênuos. É que o pedido vindo da Suíça foi arquivado numa pasta errada. Assim declara o responsável pelas investigações no Brasil, o procurador Rodrigo de Grandis", diz o texto. "Que não fique por isso mesmo, para que o trem tucano não prossiga até a muito conhecida estação chamada Impunidade".

31 de Outubro de 2013 às 07:02

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Imperatriz - MA. - Operação Mercenários: Policias Civil e Militar, com apoio do GTA, realiza Operação Mercenário e prende policiais militares e garageiro.

 ATUALIZAÇÃO: Presos na 'Operação Mercenários' são suspeitos de outros crimes.
Safira Pinho/Imirante Imperatriz -Delegado Regional Assis Ramos.
IMPERATRIZ - Os presos na "Operação Mercenários" são suspeitos de cometer mais de 10 homicídios e também outros crimes.

“Foram constatadas com provas testemunhais e documentais, que estas pessoas não praticavam só crime por encomenda.

Tinha o jogo do Bixo, rinha e o crime de tráfico de armas”, afirmou o delegado regional, Assis Ramos.

O delegado também não descarta a possibilidade dos suspeitos estarem envolvidos na morte do professor Iron Vasconcelos, assassinado no dia 10 de julho.

“Eles eram pagos para cometer estes crimes. Existe uma suspeita que foram contratados para matar o professor Iron Vasconcellos, é uma linha de investigação pela semelhança. Ele foi morto da mesmo forma que eles mataram outras pessoas”, explicou o delegado.

A "Operação Mercenários" está sendo executada aproximadamente três anos e visa combater os crimes por encomenda e de pistolagem na região.

Prisão.
Foram presos, na tarde de ontem (30), o comerciante identificado por Francisco Ferreira, conhecido como ‘Chico Papada’, dois policiais militares, Luís Cláudio Azevedo, de Açailândia, e o sargento Carlos Henrique Azevedo Sales, de Imperatriz. Ainda estão foragidos três policias militares do Estado do Pará e o empresário de Imperatriz, Arnoldo Pereira da Silva.

“Infelizmente não conseguimos cumprir todos os mandatos de prisão, porque houve um problema no Pará. Aqui em Imperatriz o empresário Arnoldo do Mercadinho conseguiu escapar da nossa ação. Mas as operações vão continuar, vamos representar pela prisão preventiva deles, inclusive dos que conseguiram fugir", garantiu Assis Ramos.

Os suspeitos podem responder pelos crimes de formação de quadrilha, agiotagem, homicídio por encomenda e os policiais podem ser excluídos da corporação.
Link desta Matéria:  http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-10-31/rio-operacao-capa-preta-2-cumpre-23-mandados-de-prisao-contra-milicianos


CONTINUE LENDO AQUI:  Rio de Janeiro: Operação Capa Preta 2: Cumpre 23 mandados de prisão contra milicianos (Policiais Militares e Fuzileiros Navais). http://maranauta.blogspot.com.br/2013/10/rio-de-janeiro-operacao-capa-preta-2.html
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Matéria do Blog Notícias da Foto. 

A Operação visava cumprir sete mandados de prisão temporária expedidos pelo Juiz Adolfo Pires da Fonseca, apenas três mandados foram cumpridos, sendo um em Açailândia e dois em Imperatriz, dois policiais militares do Maranhão foram presos, um de Imperatriz e outro de Açailândia,  um empresario do ramo de vendas de veículos, proprietário de uma revenda de carros do Mercadinho foi preso.

O delegado Assis Ramos que comandou a operação disse que estes mandados de prisão foi em cumprimento a um trabalho de investigação que teve inicio a mais de dois anos, pelas investigações segundo Assis este grupo é suspeito de participação em agenciamento de vários crimes e execuções de dezenas de pessoas em Imperatriz, Açailândia e Dom Elizeu.

FOTO PINHEIRO- PISTOLA APRENDIDA COM PM DE AÇAILÂNDIA, E REVOLVER E JOIAS COM EMPRESARIO
Os quatro mandados que não foram cumpridos são de três policiais militares do Pará, Francisco de Assis Bezerra Soares, Itelvan Cardoso Machado e João Bosco Moura Pedrosa, do proprietário de rinha de galo em Imperatriz Arnald Pereira da Silva, os policiais militares do Maranhão presos foram: Luis Claudio de Araujo, Carlos Henrique Azevedo Sales, o empresario Francisco Ferreira Costa, conhecido por Chico Papada.

FOTO PINHEIRO
Foram apreendidos uma pistola Ponto 40 com dois carregadores e um revolver 38 niquelado e varias joias, o delegado Assis Ramos de vai solicitar a Justiça os quatros mandado de prisão temporária sejam transformados em mandado de prisão preventiva, segundo eles os três policiais militares do Pará estariam de serviços nesta quarta feira e estranhamente eles não compareceram ao trabalho no dia de hoje.     

Egito prende líder da Irmandade Muçulmana

Da Agência Brasil * 

Brasília – As autoridades do Egito detiveram hoje (30) o líder da Irmandade Muçulmana, Essam Al Erian, informou a agência de notícias do país, Mena. Al Erian, chefe do Partido da Liberdade e da Justiça, foi detido em seu apartamento, no distrito de Novo Cairo, na capital do país, onde estava escondido. Ele não resistiu à prisão.

Irmandade Muçulmana
O líder foi transferido ao complexo prisional de Tora, no sul da capital, onde muitos membros da Irmandade Muçulmana estão detidos. Al Erian é acusado de incitar a violência e a morte de manifestantes nos protestos do dia 30 de junho, que deixaram nove mortos e mais de 90 feridos.

Por meio de seu telefone celular, o líder enviou mensagens a membros e apoiadores da irmandade imediatamente após ser preso, assegurando que os seguidores não devem entrar em pânico e que eles se "reencontrarão em breve", disse.

Mais de 2 mil membros da irmandade foram presos desde a saída do poder do ex-presidente Mohamed Mursi, no início de julho deste ano. Os apoiadores do regime de Mursi criticam o governo militar e caracterizam o movimento do Exército como sendo um golpe de Estado.

Eles negam que Mursi queria instalar um governo islâmico, argumentando que ele buscava um país democrático. O julgamento do ex-presidente e de outros 14 membros da Irmandade, inclusive de Essam Al Erian, está marcado para o dia 4 de novembro, na próxima semana.

* Com informações da agência de notícias da China, Xinhua

Edição: Beto Coura
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MCV - viatura blindada em testes no Japão.

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http://www.forte.jor.br/2013/10/24/imagens-viatura-blindada-em-testes-no-japao/
O MCV é uma viatura blindada de oito rodas, armada com canhão de 105mm, e atualmente em fase de testes pelas Forças Terrestres de Autodefesa do Japão. 

Desenvolvida para prestar apoio direto a tropas de infantaria, além de a mobilidade na estrada e a facilidade de transporte reforçarem a capacidade de deslocamento das forças terrestres do país. O veículo tem previsão de entrada em serviço na segunda metade de 2014.

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http://www.forte.jor.br/2013/10/24/imagens-viatura-blindada-em-testes-no-japao/
NOTA DA EDITORA: você pode ver um vídeo demonstrativo da viatura blindada clicando aqui.

FONTE: Militaryphotos.net

LInk desta Matéria: http://www.forte.jor.br/2013/10/24/imagens-viatura-blindada-em-testes-no-japao/

Desvio de minério de Carajás - Notícias de ontem...

O DNPM (Departamento Nacional da Produção Mineral) investigava, em 2003, as transferências de minério de ferro efetuadas pela Companhia Vale do Rio Doce do porto da Ponta da Madeira, no Maranhão, para o porto de Tubarão, no Espírito Santo, e os possíveis destinos que podem ter tido a partir daí.

Apesar de denúncias feitas sobre o constante desvio, para o consumo interno, do minério de Carajás que chega ao litoral maranhense com o destino declarado do mercado internacional, beneficiando-se de toda a política federal de desoneração de impostos concedida às exportações, até agora os técnicos do departamento só conseguiram comprovar um volume muito pequeno de minério irregular: pouco  mais de 6 milhões de toneladas ao longo de 10 anos, entre 1991 e 2002.

Quando as inspeções foram iniciadas, a expectativa era de que a quantidade de minério manipulado pela empresa seria muito maior. A própria CVRD apontava quantidades bem superiores em seus relatórios anuais de lavra. A apuração dos dados prosseguiu em São Luís, devendo se estender até Tubarão, o outro grande porto de embarque da Vale, no Sistema Sul. A pesquisa estava sendo efetuada com base nas notas fiscais de venda, devolução e transferência de minério emitidas pela empresa.

As primeiras denúncias concretas sobre o desvio do minério de ferro de Carajás começaram a ser feitas há algum tempo, mas só se tornaram mais incisivas depois que a Vale colocou em operação a usina de pelotização, uma das maiores do país, ao lado do porto da Ponta da Madeira, em São Luiz.

Embora a fábrica conte com uma unidade de moagem de minério, a Vale continuou a enviar o sinter-feed, que é o minério mais fino, para ser moído no porto de Tubarão, em Vitória, onde funcionam oito fábricas semelhantes à de São Luís. Outra parte do minério era vendida ou transformada em pelotas.

A manutenção desse fluxo começou a intrigar. Normalmente, o sinter-feed saía da Ponta da Madeira com nota fiscal de transferência com valor de custo de aproximadamente 2,5 dólares a tonelada. Em Tubarão, o minério agregava valor em função do beneficiamento da pelotização, passando a ser comercializado entre 30 a 32 dólares por tonelada, tanto na fábrica da própria CVRD quanto das sete outras unidades independentes. Além de servir à agregação em pelotas, o minério é moído e depois vendido.

Ao fazer o levantamento dessas vendas, os técnicos do DNPM investigam se a ex-estatal está deixando de pagar os royalties devidos, estimados em algo em torno de 200 milhões de reais.

(Artigo de 2003)

Mais Médicos: 162 médicos chegaram ao Maranhão.

Desembarcaram na tarde desta terça-feira (29), no Aeroporto Hugo da Cunha Machado, em São Luís, 81 dos 162 médicos estrangeiros da segunda etapa do programa federal Mais Médicos, que vão atender a população em municípios maranhenses.
 
Nesta quarta-feira (30), à tarde, chegará mais um grupo de 81 médicos.

Adicionar legenda
Antes de se dirigirem aos municípios, estes profissionais participarão da Semana de Acolhimento realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), com o objetivo de explicar a atual situação da saúde no Maranhão.

O treinamento começa nesta quarta-feira, às 9h, no hotel Praia Mar (Ponta d’Areia) e prossegue até a sexta-feira.

Os médicos chegaram a São Luís em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) e são, em sua maioria, de Cuba. Eles atenderão em 69 cidades maranhenses. Os 162 profissionais se juntarão a outros 37 médicos que já estão atendendo 12 municípios do estado.

Com a segunda etapa, sobe para 199 o número de profissionais do programa Mais Médicos atendendo no Maranhão.

Um dos médicos que integram a segunda etapa do programa é o cubano Jamon Alfredo. 

Com 20 anos de experiência, ele disse estar preparado para enfrentar a realidade local.

Após o treinamento oferecido pela SES, os médicos seguirão para os 69 municípios nos quais serão lotados.

Os médicos desta etapa do programa começarão a atender na próxima semana em cidades como Alcântara, Anajatuba, Buriti Bravo, Arari, entre outros.

Na primeira etapa do programa Mais Médicos, o Maranhão recebeu 37 profissionais provenientes de países como Cuba, Venezuela e México, que foram encaminhados para 12 municípios, a exemplo de Altamira do Maranhão, Arame, Buriticupu, Chapadinha, Coroatá, Monção, Santa Helena, São José de Ribamar e Serrano do Maranhão.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Sociologia - Livro A Marcha para o Oeste, narra a saga dos Irmãos Villas Bôas.



Foto do Livro.

Este é um dos melhores livros publicados nos últimos anos. Trata-se de um registro fiel ou quase das peripécias dos irmãos Villas Bôas durante o tempo em que realizaram trabalho de campo para a Fundação Brasil Central. Uma narrativa épica que revela em detalhes como uma das regiões mais importantes do Brasil na atualidade foi desbravada.

Até a página 166 os principais personagens da narrativa são os sertanejos que, superando todas as dificuldades fazem a expedição avançar. Eles trabalharam com obstinação e agindo de maneira surpreendentemente adequada às vicissitudes impostas pela natureza, pelos índios xavantes e até mesmo pela incompetência administrativa que deixou a vanguarda sem comida várias vezes.

O outro personagem da narrativa nesta primeira parte do livro é a natureza, que forneceu não só obstáculos (rios, alagados, chuvaradas, etc...) e insetos nocivos e pestilentos, mas também auxílio indispensável (animais, frutas, peixes, aves, mel e material para a construção dos abrigos temporários).

A expressão natural dos sertanejos que participaram da expedição foi registrada com riqueza de detalhes. As cantorias, ladainhas, casos, crendices, repentes e outras modas improvisadas de viola foram transcritas pelos autores. As histórias verdadeiras ou quase, contadas pelos peões que ajudaram a levar adiante a expedição  Roncador-Xingu, foram reproduzidas com fidelidade.

O livro é um verdadeiro manancial de informações sobre a terra incógnita e sobre o homem comum brasileiro que fez o Brasil avançar para as profundezas do nosso território. Há algumas referências literárias (Monteiro Lobato, Rui Barbosa) e científicas (Humboldt), mas o que predomina na obra são as citações que dizem respeito à cultura dos sertanejos da expedição. Nesta primeira parte do livro os índios somente aparecem como elementos ocultos, que tentam desencorajar a expedição infernizando as noites dos expedicionários ou tentando interrompê-la colocando fogo na mata, nas picadas ou nos acampamentos.

Até a página 166 o livro pode ser comparado a obra “Os Sertões”. Mas há uma diferença fundamental entre estes dois livros. Ao contrário de Euclides da Cunha, os irmãos Villas Bôas conviveram intensamente com os sertanejos e registraram sua peculiar forma de expressão. O autor de “Os Sertões” registrou os fatos da guerra de Canudos pela lente dos seus preconceitos, dos quais foi se libertando lentamente à medida que sua narrativa avançava.

A segunda parte do livro, que vai da página 167 até o final tem por objeto a natureza indômita e exuberante do Brasil Central, bem como os índios e seus costumes. Nesta segunda parte da obra, os Villas Bôas registraram os primeiros contatos que fizeram com várias tribos que habitavam as regiões percorridas pela expedição Roncador Xingu. Algumas destas tribos eram totalmente desconhecidas dos brasileiros, outras eram conhecidas apenas em razão de contatos eventuais e violentos.

A obra faz um inventario mais ou menos detalhado dos usos e costumes de várias etnias indígenas contatadas pela expedição. As línguas utilizadas por várias destas tribos eram então desconhecidas ou pouco estudadas, fato que dificultou bastante a comunicação entre a expedição e os nativos. Durante estes contatos, os Villas Bôas recolheram uma quantidade imensa de artefatos que foram levados ao Museu do Índio no Rio de Janeiro (o mesmo que um certo governador tentou destruir recentemente).

O relacionamento entre os membros da expedição e os indígenas foi, na maioria das vezes, muito pacífico de parte a parte, mas a expedição chegou a correr riscos em algumas oportunidades. É nesta parte do livro que foram registradas as animosidades que existiam entre tribos rivais e o trabalho da expedição para amenizá-las. Também é nesta parte do livro que foram registrados, do ponto de vista dos Villas Bôas, o trabalho dos cientistas brasileiros e dos jornalistas que acompanharam a expedição Roncador-Xingu com o intuito de estudar os índios e seu habitat.

Lamentavelmente a expedição acarretou uma imensa mortandade de animais silvestres, muitos dos quais tiveram que ser abatidos para servir de alimento. O Brasil Central foi desbravado à custa do sangue de uma infinidade de veados, caititus, queixadas, tatus, pacas, macacos, capivaras e onças. A quantidade de onças que foram mortas pelos Villas Bôas e pelos seus auxiliares é assustadora. Muitas delas, por falta de outro alimento, foram comidas apesar da carne de onça não ser muito saborosa.

Em duas oportunidades o livro narra com requinte de detalhes estes encontros que resultaram nas mortes das onças, numa delas os autores lamentam o fato como que adotando o ponto de vista do infeliz felino. Também é bastante poético o caso do burro de tropa que virou comida de onça porque entrou pelo mato adentro correndo ao encontro do animal feroz que rugia num grotão próximo de uma pista de pouso.

O livro é uma mina de ouro para quem estiver interessado na história da aviação no  Brasil. A obra narra as dificuldades encontradas pelos Villas Bôas para localizar e escolher locais adequados para os campos de aviação que permitiriam à expedição ser abastecida pelos aviões. Registra de maneira precisa o trabalhoso processo de desmatamento e preparação das pistas, bem como a abertura de novas rotas aéreas. Os acidentes mais ou menos graves com as aeronaves utilizadas pela Fundação Brasil Central também foram narrados.

A história do jornalismo no Brasil também entrou nesta obra de diversas formas. A expedição Roncador-Xingu foi acompanhada por jornalistas em algumas oportunidades. Durante muito tempo os Villas Bôas foram as únicas fontes jornalísticas da expedição, fornecendo aos jornalistas pelo rádio informações sobre a mesma para que as novidades fossem contadas ao 'respeitável público' brasileiro. A obra também reproduz alguns textos jornalísticos que os próprios Villas Bôas escreveram e que foram publicados em jornais na época.

O livro narra muitas coisas marcantes ocorridas durante os contatos que os Villas Bôas travaram com os índios. Citarei aqui apenas três. 

O primeiro diz respeito à alegria e surpresa dos índios, que tinham uma dificuldade imensa para fazer fogo, ao ver um membro da expedição acender uma fogueira usando uma caixa de fósforos. O que para nós era e ainda é algo bastante banal se transforma em algo espetacular para quem nunca havia tido contato com aquilo. 

A segunda foi a forma como os índios reagiram a uma eclipse do sol: os homens atirando flechas acesas para o céu tentando acendê-lo novamente, as mulheres e crianças se escondendo chorosas daquele evento pouco compreendido pelos indígenas. 

O terceiro refere-se ao caráter humanitário da economia indígena: "... moitará é uma prática importante da cultura xinguana. É um comércio todo ele na base da troca. E o valor dos objetos negociados é calculado pelo tempo de trabalho despendido em cada um. Cada tribo tem sua especialização em determinada atividade." (p. 332)

Um pouco mais adiante, depois de terem detalhado o que cada tribo fabricava e comercializava no moitará, os Villas Bôas relatam um impressionante exemplo de "economia solidária" e de civilização. O exemplo é tão bom, belo e justo, que deveria servir de exemplo para nós, que nos dizemos civilizados e que no entanto praticamos variedades cada vez mais irracionais e destrutivas de um capitalismo descrito pela esquerda como "selvagem" (muito embora a expressão "capitalismo selvagem" seja uma contradição em termos se levarmos em conta o exemplo de "economia solidária" e altamente civilizada dada pelos selvagens). Relatam os Villas Boas que: "Ontem assistimos aqui no pátio do posto a uma troca simbólica entre duas aldeias - kamaiurá e trumai.

Andavam os trumai numa série crise de alimentação. Nas suas roças, ainda novas, não havia uma só raiz de mandioca.

Na troca-comércio os dois grupos se colocaram um em frente ao outro, e entre eles ficou um terreirinho de um a dois metros quadrados, previamente varrido. 

O chefe trumai, nessa ocasião, expôs aos presentes a situação de sua aldeia com respeito à alimentação. Dito isto, colocou no centro do terreirinho, à guisa de troca, uma bolinha de massa de pequi (tamanho de um grão de milho) e pediu em troca massa de mandioca. 

Tamacu, o cacique kamaiurá, incontinente a recolheu, dela tirou uma partícula minúscula e a levou à boca, oferecendo-a em seguida aos de sua aldeia. Diversos chefes de casa avançaram e imitaram o cacique. Momentos depois, as mulheres daqueles que provaram do pequi colocaram no mesmo lugar - no terreirinho - imensas cestas de pães secos de mandioca. Algumas centenas de quilos.

Sem menos esperar, assistimos a uma belíssima demonstração de solidariedade, e há que levar em conta ainda que esses índios durante anos foram figadais inimigos." (A MARCHA PARA O OESTE, Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas, Companhia das Letras, 2012, p. 333/334).

Citei este episódio com detalhes porque ele nos faz pensar. Pouco desta civilidade e solidariedade indígenas são encontradas hoje em dia no Brasil. Sob o comando dos governos Lula/Dilma o Estado brasileiro tentou recriar e modernizar experiências como as relatadas pelos irmãos Villas Bôas com os programas Bolsa Família (renda para quem não a tem) e o Prouni (educação universitária pública para quem não a teria). Os dois programas,  entretanto, tem sofrido intensa oposição de alguns setores que se consideram "mais civilizados" da sociedade brasileira. 

As palavras "civilidade" e "civilização", como podemos ver são bastante ambíguas. Ambas podem ser encontradas entre indígenas ágrafos e muito pobres quando da expedição Roncador-Xingu (trumai e kamaiurá). Entre as camadas mais cultas e ricas da sociedade brasileira ainda hoje predominam a mais abjeta barbárie. Falta-lhes a humildade para aprender com os indígenas brasileiros a capacidade de respeitar os outros seres humanos, inclusive aqueles que são ou que foram considerados inimigos.

A MARCHA PARA O OESTE é um livro maravilhoso, mas tem um defeito muito grande. Ele não tem um índice detalhado que permita ao leitor ir direto às páginas em que pessoas, coisas, animais, acidentes de terreno, episódios, etc... foram referidos pelos autores. Em se tratando de um livro volumoso e que cobre uma gama imensa de assuntos um bom índice seria indispensável, especialmente para quem tiver que utilizá-lo para pesquisar assuntos específicos. Esperamos que para a próxima edição esta falha seja corrigida.