segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Karnal. A Corrupção no Brasil.


Assista este vídeo com bastante atenção. Avalie seu conteúdo com seriedade e depois, se olhe no espelho e responda, franca e honestamente, a seguinte pergunta: eu sou uma pessoa honesta e proba? 

Tenho o direito e moral para criticar a corrupção praticada por quem quer que seja? Faço, de fato, parte do grupo de brasileiro e brasileiras, que deseja e trabalha para extirpar a corrupção do nosso país, seja no âmbito público ou privado? 

Não precisa responder aqui, mas, se sua reposta for "sim", para estas interrogações, ou mesmo se for "não", mas tiver disposição para repensar e mudar seu comportamento e atitudes, saiba que estamos e estaremos sempre juntos nessa luta. É só você querer e amanhã assim será!...

Doações são fruto de corrupção, diz criador da Ficha Limpa.

Matéria copiada do blog do 


São Paulo – O intricado sistema de desvios de recursos da Petrobras para supostamente irrigar campanhas políticas revelado pela Operação Lava Jato é, na verdade, um padrão perpetuado em outros esquemas de corrupçãoespalhados pelo Brasil.

Esta é a constatação que o juiz da comarca de João Lisboa (MA), Márlon Reis, chegou após entrevistar mais de 100 políticos e pessoas ligadas a campanhas eleitorais.

“O próprio contrato [da obra] já nasce levando-se em conta a condição de que parte do dinheiro, que na origem é público, volte para a campanha”, afirma Reis em entrevista a EXAME.com. Fato que, segundo ele, coloca até as doações legais sob suspeita.

Conhecido por ser um dos idealizadores da Lei da Ficha Limpa, Reis defende o fim do financiamento privado de campanhas. “Precisamos tirar o dinheiro das eleições", diz. Para ele, a proposta – que é apoiada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha - de incluir as doações empresariais na Constituição "trata-se de um golpe". 

Reis foi o primeiro juiz no Brasil a exigir a divulgação dos nomes de doadores de campanha antes da realização do pleito. A norma, depois, foi assimilada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Especializado em Sociologia Jurídica e Instituições Políticas pela Universidade de Zaragoza, na Espanha, o juiz é um dos fundadores do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. No ano passado, lançou o livro "O Nobre Deputado" (Editora Leya) que compila os resultados de suas investigações sobre corrupção no Brasil. 

O teor do discurso do magistrado, contudo, não agradou o então presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves, que encaminhou uma representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra Reis com um pedido de punição disciplinar. O processo foi arquivado. 

Veja trechos da entrevista que ele concedeu a EXAME.com por telefone. 

EXAME.com: O que as investigações da Operação Lava Jato revelam sobre como nasce e se perpetua um político corrupto?

Marlon Reis: Entrevistei várias pessoas do cenário político e todas, unanimemente, disseram que o financiamento [de campanha] é uma antecipação de algo que tem que voltar multiplicado para os financiadores. Esta é uma das formas.

A outra é inversa: o dinheiro público é transferido para os financiadores através de contratos ilícitos e superfaturados. Depois, uma parte deste dinheiro volta para a campanha. A Operação Lava Jato mostra exatamente este padrão.

Muitos [entrevistados] afirmaram que o dinheiro que é apresentado como doação empresarial é, muitas vezes, dinheiro público que chega às campanhas apenas intermediado pelas empresas na forma de contratos fraudulentos.

O senhor está querendo dizer que até as doações legais podem estar ligadas à corrupção?

Exatamente. Não é à toa que os maiores doadores [das eleições] são empresas que mantém contratos com o poder público. Isso coloca a doação legal sob suspeita. O próprio contrato já nasce levando-se em conta a condição de que parte do dinheiro, que na origem é público, volte para a campanha.

O que torna isso possível?

Os contratos são feitos com empresas que participam do jogo político através de licitações dirigidas ou de ações governamentais que inviabilizam a participação de outras empresas. Dessa forma, se reduz drasticamente o número de pessoas que participam do processo de movimentação de recursos.

O desvio acontece de duas formas. Ou pelo superfaturamento da obra – em que pagam pelo serviço mais do que deveria ser cobrado com o objetivo de destinar o percentual excedente aos políticos envolvidos - ou então realiza-se a construção de maneira inferior ao que foi contratado para permitir a economia de dinheiro que vai irrigar as campanhas eleitorais.

Em seu livro o senhor afirma que o pagamento das campanhas também é feito por meio de agiotagem. Isso torna o sistema mais perverso?

Isso é regra para as eleições para prefeito e está se generalizando pelo país. É alarmante porque os agiotas têm disponível a quantidade de dinheiro que o candidato quiser, não há limite. É certeza da vitória.

O pagamento é cruel porque depois haverá o pacto da administração pública durante todo o mandato. É comum até que os agiotas indiquem os nomes da comissão permanente de licitação e do secretário de finanças ou tesoureiro do município para faturar durante os quatro anos.

E tem outra coisa: eles não querem o pagamento principal, aceitam apenas juros extorquidos de 10 a 20% ao mês que são pagos durante todos os quatro anos de mandato. Isso é perverso.

Como o atual sistema político favorece este cenário?

Em primeiro lugar com o modelo de financiamento de campanhas que obriga o candidato a buscar cada vez mais dinheiro.

Por que é preciso captar cada vez mais dinheiro?

O apoio político, via de regra, é obtido a partir de pagamentos. Paga-se para lideranças locais direcionarem os votos de pessoas sem cultura política do ponto de vista eleitoral. Por um certo preço se combina quantos votos aquela liderança trará.

Eles chamam isso de [pagamento] de estrutura de campanha. Mas a prova de que é um suborno é que eles [os líderes locais] fazem isso com quem dá mais dinheiro. Se o candidato não tiver, o líder vai apoiar outro que tenha. De tal forma que, na verdade, se trata de um leilão que cresce assustadoramente a cada eleição. Por isso, se desvia tanto [dinheiro] no Brasil.

Quem são esses líderes locais?

São vereadores, prefeitos, ex-prefeitos, presidentes de associação ou sindicatos e até lideranças religiosas. Eles atuam o tempo todo como patronos - ajudando as pessoas a resolver problemas pessoais e burocráticos.

Eles estabelecem uma relação de vínculo coronelista que traz a certeza de que os votos virão depois. Os cabos eleitorais são conhecidos no meio político. Os candidatos sabem onde eles estão, quem são e quanto custam. Isso não é oculto no meio político, é escancarado e bem normal.

É um novo tipo de coronelismo?

É o mesmo coronelismo que teimou em chegar até o século 21. Precisamos tirar o dinheiro das eleições justamente para mudar a lógica. A lógica hoje é pagou, levou. O sistema eleitoral atual é uma parteira de escândalos. Se não quebrarmos isso não tem como combatermos a corrupção.

Como o senhor avalia a proposta de reforma política que é defendida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha? 

Trata-se de um golpe. É um golpe que objetiva fulminar a Constituição de 1988 em pontos que ela mais acertou. Enquanto a Operação Lava Jato escancara o quanto perniciosa é a relação entre empresas que contratam com o governo e campanhas, essas pessoas querem constitucionalizar esta relação que é por natureza corrupta.

Na sua opinião, qual é a reforma política que o Brasil precisa?

Primeiro, nós precisamos de eleições baratas, transparentes, e em que qualquer pessoa possa participar dispondo ou não de recursos pessoais ou de um grande doador.

Por isso, defendemos um financiamento misto, em parte público e em parte proveniente de pequenas doações feitas por pessoas físicas até o limite de 700 reais com divulgação em tempo real pela internet. Que se escancare as contas dos políticos para qualquer um poder comparar o que está acontecendo na campanha com o que está sendo declarado perante a Justiça Eleitoral.

Do ponto de vista do sistema eleitoral, nós lutamos pela manutenção do sistema proporcional, mas com alterações. Sugerimos um modelo de dois turnos. No primeiro, se vota no partido e no segundo, se vota no candidato para preencher as vagas conquistadas pelo partido. Com isso, nós vamos enfatizar o programa dos partidos e não haverá a possibilidade de candidato arrastar votos para outro.

Qual é o impacto de todas essas distorções – como compra de apoio político e desvios de dinheiro - para a democracia?

O voto de opinião está diminuindo no Brasil e está ganhando força este voto mercenário. A Câmara dos Deputados eleita no ano passado teve uma visível queda de qualidade na sua composição. Eu arriscaria dizer que temos a pior composição da Câmara da História.

Representantes eleitos com voto de opinião são uma minoria. A grande maioria é de pessoas bancadas pelas grandes corporações – inclusive por essas que estão sendo alvo de investigação que foram as maiores financiadoras das eleições de 2014.

O senhor fala isso baseado no fato de que as eleições 2014 foram as mais caras da história?

Exatamente. Os eleitos são os que arcaram mais.

No ano passado, o senhor disse uma coisa até mais branda do que agora em uma entrevista e foi processado pela Câmara dos Deputados. Em que pé está este caso?

No começo de dezembro do ano passado, esta representação contra mim na Câmara dos Deputados foi arquivada por que o Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão entendeu que eu exerci o meu direito à liberdade de expressão.

O Parlamento deveria ter investigado o que eu estava dizendo. Em lugar disso, o [então] presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves decidiu tentar me perseguir.

A Lei da Ficha Limpa já foi aplicada em duas eleições até agora. Qual é saldo?

O saldo é totalmente positivo. Uma questão preocupante para mim diz respeito à qualidade dos votos dos Tribunais de Contas. Hoje, eles têm muito mais poder por causa da Lei da Ficha Limpa, mas precisam ser aprimorados.

Eles são compostos hegemonicamente por políticos que foram derrotados e que ganham o cargo como prêmio de consolação. Isso é evidente e aviltante. O Tribunal de Contas também não tem controle interno. Não faz sentido um órgão sem controle em se tratando de uma democracia.

O que deu errado no caso do deputado Paulo Maluf que, apesar de condenado por improbidade administrativa, pode assumir novo mandato? 

O que deu errado foi a composição do TSE. O mesmo TSE que havia dito que ele era inelegível, depois, em outro julgamento, mudando apenas um membro da Corte, entendeu que ele passava a ser elegível, o que mostra que a questão é puramente valorativa. Não é uma falha que possa ser imputada à lei, e sim à maneira como as pessoas querem aplicá-la.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Vereador NATO divulga o Texto da Lei que obriga a realização de Audiências Públicas antes do aumento nas tarifas ou preços de serviços públicos em São Luís.

Foto - Vereador NATO.
O vereador José Raimundo Alves, o Nato (PRP), pediu o uso da palavra na Câmara Municipal de São Luís (CMSL) na sessão da ultima quarta-feira dia 11 de fevereiro, para alertar da tribuna da Casa sobre a existência de uma lei de sua autoria. 

Trata-se da LEI PROMULGADA Nº 363 de 02 de julho de 2014, que torna obrigatória a realização de Audiências Públicas pelo Poder Executivo antes da concessão de aumento nas tarifas ou preços praticados pelas empresas prestadoras de serviços públicos no Município de São Luís e dá outras providências. “Dando ênfase de que a lei é feita para ser cumprida, o Vereador disse estar trabalhando pela informação do povo, no sentido de que este saiba sobre os seus direitos”.

O Vereador citou que recentemente a prefeitura concedeu reajuste no preço das tarifas de táxi, ignorando que o referido diploma legal já estava em vigência, ele ainda disse não estar criticando o ato do Executivo, mas observou que “se existe uma lei é para ser cumprida”.


Para que a população tome conhecimento da referida LEI PROMULGADA Nº 363 de 02 de julho de 2014 publicamos integralmente o texto a mesma abaixo.


                    LEI PROMULGADA Nº 363 de 02 de julho de 2014.

O Presidente da Câmara de Municipal de São Luís, Capital do Estado do Maranhão, promulga nos termos do § 7º do Artigo 70 da Lei Orgânica do Município de São Luís, à seguinte Lei, resultante do Projeto de Lei nº 102/2013, de autoria do Vereador José Raimundo Alves Sena – NATO, aprovado pela Câmara Municipal de São Luís.

Torna obrigatória a realização de Audiências Públicas pelo Poder Executivo antes da concessão de aumento nas tarifas ou preços praticados pelas empresas prestadoras de serviços públicos no Município de São Luís e dá outras providências.

Art. 1º. As empresas prestadoras de serviços públicos municipais, por regime de concessão ou não, de água, saneamento, transporte, comunicações, energia, limpeza urbana, saúde e qualquer outro serviço público privatizado ou não, são obrigadas a realizar juntamente com a Prefeitura Municipal de São Luís, previamente a qualquer aumento de tarifas ou preços, audiências públicas com os usuários destes serviços para expor e fundamentar detalhadamente as razões que justificariam o referido aumento.

§ 1º As audiências públicas referidas no caput deste artigo deverão ser convocadas oportunamente pela Prefeitura Municipal de são Luís, juntamente com as empresas prestadoras de serviços públicos através de editais divulgados nos meios de comunicação.

§ 2º Os editais de convocação das audiências públicas referidas no parágrafo anterior devem ser divulgados com uma antecedência mínima de quinze dias e reiterados ao longo de um período de pelo menos três dias até a véspera da realização da audiência, de maneira a assegurar aos usuários dos serviços na área de atuação da empresa o conhecimento antecipado da data, horário, local e objeto da audiência pública.

§ 3º As empresas prestadoras de serviços públicos municipais conforme artigo 1º, quando seja o caso, deverão também anunciar oportunamente nas contas enviadas aos usuários de seus serviços sua intenção de solicitar qualquer aumento das tarifas cobradas e a data fixada para a realização da correspondente audiência pública.

§ 4º A Câmara de Vereadores e a Promotoria de Defesa do Consumidor deverão ser previamente comunicadas quando da realização das referidas audiências públicas.      

Art. 2º As empresas prestadoras de serviços públicos são obrigadas a fornecer aos usuários, por ocasião da realização das audiências públicas referidas no artigo 1º desta Lei, todas as informações quantitativas e qualitativas relativas à explicação e justificação do aumento proposto das tarifas ou preços praticados.

Parágrafo único. Na hipótese que os usuários considerem insuficientes as informações apresentadas conjuntamente pela Prefeitura e as empresas, estas deverão fornecer aos mesmos, em um prazo máximo de quinze dias contados a partir da data da realização da audiência pública correspondente, todas as informações complementares solicitadas para o atendimento do disposto no caput deste artigo.

Art. 3º Os conselhos municipais ou agências reguladoras do município de São Luís responsáveis pela supervisão, fiscalização e controle dos serviços públicos somente poderão aumentar ou autorizar o aumento das tarifas ou preços correspondentes após a comprovação do cumprimento do disposto nos artigos 1º e 2º desta Lei.

Art. 4º As despesas decorrentes desta Lei correrão por conta de dotação orçamentária própria.

Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 6º - Revogam-se as disposições em contrário.


Plenário “Simão Estácio da Silveira” do Palácio Pedro “Neiva de Santana”, em São Luís - MA, 02 de julho de 2014.

Aprovado em Primeira Votação em 15/10/2013.

Aprovado em Segunda Votação em 23/10/2013.

Aprovado em Redação Final em 05/11/2013.


Antonio Isaias Pereira Filho (Pereirinha).
PRESIDENTE.

Esta Lei foi publicada no Diário Oficial do Município. Ano XXXIV- São Luís, de 10 de julho de 2014. Nº 131- 12 Páginas.

Este texto não substitui o publicado no DOM de 10.07.2014.

Grave Acidente na Rodovia BR 226 Próximo a Grajaú Deixou Três Mortos.

Foto - Silvan Alves.

Três pessoas perderam a vida em um acidente na Rodovia BR-226 na área residencial do município de Grajaú. 

As mortes ocorreram quando um veiculo Pajero forçou a ultrapassagem e bateu de frente com uma carreta cegonha, com o choque violento morreram instantaneamente os ocupantes da caminhonete Lucas Resplande de Carvalho, 23 anos e Manuel Evaldo Benevides, 52 anos. 

Lamentavelmente o motorista condutor do caminhão, identificado como Marcelo de Oliveira, também morreu no local da tragédia.

Leis demais, Direito de menos. Artigo escrito em 2010.

Transcrevo aqui neste domingo de Carnaval um Artigo que tenho guardado há tempos, de autoria do Dr. Egon Bockmann Moreira, espero que gostem da leitura.

22/01/2010 - Leis demais, Direito de menos.



Divulga-se a “produtividade” de legisladores com base no número de projetos de lei, não na sua utilidade. Em suma, vigora preocupação relativa à quantidade, não à qualidade.

No dia 14 de janeiro, a Presidência da República promulgou 11 leis. Dessas, no mínimo duas são, por assim dizer, peculiares. A primeira é exemplo da mão visível do Estado metendo-se onde não precisa: “Dispõe sobre o exercício da profissão de Repentista” (Lei 12.198/2010). Já a segunda, com o perdão pela analogia, antes lembra o forte romance Meridiano de sangue, de Cormac McCarthy, do que propriamente as necessidades nacionais: trata-se da Lei 12.199/2010, que “Institui o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento”. Não, não há qualquer engano: no dia 28 de agosto, os brasileiros devem comemorar esse dia (o verbo é este mesmo: “comemorar”). Já na lei seguinte, a 12.200/2010, tudo volta ao normal: ela cria cargos “destinados ao Gabinete de Segurança Institucional e ao Ministério da Justiça” (só 14 novos cargos de confiança, nada mais).

Todos esses diplomas seguiram a tramitação normal das leis brasileiras: proposta, análise e pareceres, debates, votação e aprovação na Câmara e no Senado, antes do encaminhamento à Presidência. Consumiram tempo dos legisladores (e de seus assessores) e muito dinheiro dos contribuintes. Com todo respeito aos Repentistas e solidariedade aos escalpelados, fato é que a legislação sobre tais assuntos é significativo sintoma do que se passa no Brasil: leis demais, Direito de menos.

Bem verdade que o debate a propósito da profusão legislativa brasileira já é antigo. Antigo e infértil. Discute-se se o cidadão precisa de leis que o façam cumprir a Constituição (vide a briga sobre o nepotismo – se era necessária lei para proibi-lo ou se o princípio constitucional da moralidade seria suficiente). Fala-se de leis mais graves, a adjetivar crimes (“hediondos”), para conter a criminalidade. Insiste-se em leis para dar nomes a ruas, praças, prédios, passarelas, salas, cadeiras etc. 

Divulga-se a “produtividade” de legisladores com base no número de projetos de lei, não na sua utilidade. Em suma, vigora preocupação relativa à quantidade, não à qualidade. E se a corrida da fama legislativa diz respeito ao volume, então somos brindados diariamente com textos normativos inócuos, que não dizem respeito aos grandes interesses nacionais.

Mas, afinal de contas, para que existe o dever de comparecer às urnas? Por que os brasileiros são obrigados a votar e eleger? O mandato diz respeito a assuntos como comemorações nacionais para prevenir escalpelamentos? Ou consagrar nomes de ruas? Mas, se nada disso atende ao interesse público, por que tantas leis? O que transparece é o vício da celebração de leis fáceis, que não exijam debates e tomadas de posição – enfim, descomprometidas com os temas maiores da Nação. 

Vige a regra do quanto mais, melhor. Então, surgem essas pororocas legislativas – que refletem a preocupação com o texto legal e não com o significado essencial do mandato outorgado pelos cidadãos a seus representantes. 

Legisla-se para produzir textos de lei. Leis em excesso, que custam caro e só dificultam a criação do Direito.

Egon Bockmann Moreira, advogado, doutor em Direito, é professor da Faculdade de Direito da UFPR.

Gazeta do Povo – 21-01-2010.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Vitória da saúde e debate de ações para a educação marcam a semana de Juscelino Filho na Câmara.

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Deputado Juscelino Filho - PRP.

O tema Orçamento Impositivo foi o grande assunto da Câmara dos Deputados nesta semana.  Reunião com lideranças partidárias, com o ministro da Educação, Cid Gomes, Reforma Política e outros temas também marcaram a semana de Juscelino Filho (PRP/MA) em Brasília.

Na sessão do plenário de segunda-feira (09), o tema Orçamento Impositivo foi debatido e adiado para a sessão do dia seguinte. Aprovado por votação em segundo turno na sessão de terça-feira (10), os parlamentares votaram para modificar a maneira com que o orçamento é enviado para suas bases. Para o líder do Partido Progressista Brasileiro (PRP), deputado Juscelino Filho, este é um momento histórico do parlamento: “É um momento histórico e de vitória, que retrata independência. 

Cada parlamentar poderá destinar recursos às suas bases de acordo com a necessidade de cada região e com a certeza da liberação, sem negociação ou pressão do Poder Executivo. 

Isso fará com que cada um desempenhe seu papel independente no parlamento, votando as matérias de acordo com suas convicções.”, afirmou. O parlamentar explicou como funcionará após a promulgação da presidente Dilma Rousseff: “Hoje, no modelo de orçamento público brasileiro, o Poder Executivo encaminha uma proposta Lei Orçamentária Anual (LOA) ao Legislativo. 

Ao longo da análise da LOA, os parlamentares têm direito a indicar suas emendas, que são sugestões de investimentos. A lei atual, no entanto, não obriga que o governo atenda esses pedidos. 

A proposta que aprovamos, impositiva, estabelece a execução obrigatória das emendas parlamentares ao orçamento até o limite de 1,2% da receita corrente líquida (RCL) realizada no ano anterior. Para 2015, isso significaria R$ 9,69 bilhões em emendas. Metade dos valores, contudo deve ser destinado a programas na área de saúde.”, esclareceu o parlamentar.

Na terça-feira, o deputado também participou da reunião semanal de líderes dos partidos com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), para definirem as próximas pautas e ações da Casa. No encontro, além de diretrizes para a Reforma Política, foram pautados os encontros semanais com ministros, para sessão de debate e prestações de contas de trabalhos realizados. Inicialmente, essas reuniões serão todas as quintas-feiras.

A formação do corpo docente foi o tema principal da reunião com o ministro Cid Gomes, líder da pasta da Educação, na quarta-feira (11). Para Juscelino, o assunto precisa ser revisto: “Precisamos repensar o modelo de formação dos professores e investir na área. Precisamos dar a atenção que os professores merecem e com qualidade. Investir em infraestrutura também é princípio básico”, afirmou. Gomes ainda sugeriu encontros quinzenais com os parlamentares, para manter o diálogo. 

No mesmo dia no Projeto de Lei 4246/12, chamado de Lei dos Caminhoneiros, foi aprovada uma mudança que retoma o texto original aprovado, mantendo a isenção de pedágio para eixos suspensos de caminhões. Vitória da classe.

Na quinta-feira (12) e sexta-feira (13), Juscelino visitou suas bases na capital maranhense.

Texto e foto: Thayane Carvalho - Assessora de Comunicação do Gabinete.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Brasilia - Câmara dos Deputados. Projeto regulamenta operação de drones e demais veículos aéreos não tripulados.

Entre outras regras, o texto prevê a suspensão de uso do veículo aéreo em caso de desrespeito à privacidade do cidadão.
TV Câmara
Dep. Otávio Leite (PSDB-RJ)
Otavio Leite: Ministério da Defesa terá responsabilidade total sobre o tema.
Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 16/15, do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que estabelece regras sobre o licenciamento e operação de veículos aéreos não tripulados e aeronaves remotamente pilotadas, bem como os aparelhos intitulados drones.
A proposta trata de veículo aéreo projetado para operar sem piloto a bordo, que possua uma carga útil embarcada e que não seja utilizado para fins meramente recreativos. A definição abrange aviões, helicópteros e dirigíveis controláveis nos três eixos, excluindo-se balões tradicionais e aeromodelos.
O objetivo do projeto, diz Otavio Leite, é deixar claro que este tema deve ficar sob plena responsabilidade da autoridade pública militar brasileira: o Ministério da Defesa, por meio do Comando da Aeronáutica, em especial o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Hoje, o uso é regulado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pelo Decea, que expediu uma instrução intitulada Veículos Aéreos Não Tripulados (AIC-N 21/10), concebida no âmbito dos sistemas de aeronaves remotamente pilotadas.
O projeto, no entanto, permite ao Decea delegar à Anac prerrogativas subsidiárias e complementares em relação ao tema.
De acordo com o deputado, embora os normativos atuais regulem aspectos específicos quanto à utilização desses veículos, especialmente sobre restrições de voo, o PL 16/15 visa estabelecer regras mínimas básicas que constituirão marco legal da atividade no Brasil.
Otavio Leite lembra que as Forças Armadas já utilizam veículos aéreos não tripulados, especialmente no âmbito do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e que a Polícia Federal pretende utilizá-los no combate ao crime.
Critérios de licenciamento
Segundo o projeto, o uso de veículo aéreo não tripulado e de aeronave remotamente pilotada é privativo das Forças Armadas, dos órgãos de segurança pública e de inteligência, e de outros órgãos ou entidades públicas de pesquisa. Casos excepcionais serão admitidos desde que sigam as regras previstas no projeto.

Pela proposta, o Decea deverá avaliar os seguintes critérios no processo de licenciamento:
  • a finalidade de uso incorporada à Estratégia Nacional de Defesa, em especial na vigilância e monitoramento das fronteiras;
  • o respeito à inviolabilidade do direito à privacidade dos cidadãos e de propriedade, inclusive quanto à captura de imagens, quando de cunho familiar;
  • a pesquisa e o desenvolvimento científico, desde que chancelados por órgão acadêmico nacional ou apoiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação;
  • a finalidade de uso para operações de segurança pública, desde que não se coloque em risco a população;
  • a aferição prévia da aptidão do profissional habilitado para pilotar veículo aéreo não tripulado e aeronave remotamente pilotada.
Será pressuposto para licença de voo a definição explícita do local da estação remota de pilotagem.
Também será admitido o uso de veículo aéreo não tripulado, mediante autorização do Comando da Aeronáutica, nas atividades cartográficas, meteorológicas, de vigilância patrimonial, de prospecção mineral e em outras atividades econômicas de interesse público, como monitoramento ambiental de plantações, monitoramento de linhas de gás e de transmissão, e monitoramento de trânsito.
Já a comercialização de veículo aéreo não tripulado, de aeronave remotamente pilotada e de drones para fins de entretenimento e lazer deverá obedecer regras fixadas pelo Comando da Aeronáutica e pela Agência Nacional de Avião Civil, respeitados os critérios previstos no projeto.
Uso indevido
O Comando da Aeronáutica poderá negar autorização ou determinar a suspensão de atividade ou pesquisa em andamento com utilização de veículo aéreo não tripulado ou aeronave remotamente pilotada cuja ação possa ensejar vulnerabilidade à soberania nacional e à livre concorrência ou que afete, indevidamente, a privacidade das pessoas.

Nesse caso, o infrator estará sujeito a pena de 1 a 5 anos de reclusão. Já o licenciamento fraudulento e a autorização para o uso em desconformidade com as regras importará ao agente público a expulsão de sua respectiva corporação, independentemente das consequências penais.
Tramitação
A proposta será analisada por uma comissão especial e, depois, submetida ao Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Ralph Machado
Edição – Pierre Triboli

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