sexta-feira, 20 de março de 2015

Brasil - Negros terão reserva de 20% das vagas nos concursos do STF e CNJ.

Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, assinou nesta quarta-feira (18) regulamentação da Lei 12.990 de 9 de junho de 2014 que institui a reserva de vagas para negros em concursos.
Negros terão reserva de 20% das vagas nos concursos do STF e CNJ
A resolução que destina aos candidatos negros 20% das vagas ofertadas para cargos efetivos no STF e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em concursos públicos foi assinada nesta quarta-feira (18) pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski. 

A resolução regulamenta a Lei 12.990, de 9 de junho de 2014, que institui a reserva de vagas para negros no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União.

A ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, esteve presente no evento, juntamente com o secretário-executivo, Giovanni Harvey e a secretária de comunidades tradicionais, Givânia Silva. 

Na solenidade, Lewandowski ressaltou que na magistratura brasileira figuram apenas 1,4% de negros, de acordo com último censo realizado pelo IBGE. O ministro afirmou que o Conselho Nacional de Justiça vai deliberar sobre o assunto, para que a política afirmativa de reserva de vagas em concursos públicos alcance todo o Judiciário. 

Durante a cerimônia, Ricardo Lewandowski afirmou ainda que a assinatura não é um favor, mas uma das formas que o STF tem para fazer cumprir o princípio da igualdade. “É papel do estado promover a integração racial de forma completa, recuperando uma dívida multissecular com aqueles que foram trazidos à força de outro continente”, afirmou o ministro.

21 de março de 1960 - Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.


No dia 21 de março de 1960 o mundo viu dezenas de mulheres e crianças sucumbirem a tiros por policiais durante o regime do apartheid, no bairro Shaperville, em Johannesburg , capital da África do Sul. 

O fato ocorreu durante os protestos pacíficos contra a Lei do Passe, que obrigava a população negra a andar com cartões de identificação que estabeleciam os limites entre os locais de acesso permitido e as zonas proibidas.

Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Este fato ficou conhecido como o “Massacre de Shaperville”. 
Em memória ao episódio a Organização das Nações Unidas – ONU – instituiu o dia 21 de março como o “Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial”.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Conheça a Lei nº 13.105 de 2015 - Novo Código de Processo Civil.

Mensagem de vetoVigência
Código de Processo Civil.
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
PARTE GERAL
LIVRO I
DAS NORMAS PROCESSUAIS CIVIS
TÍTULO ÚNICO
DAS NORMAS FUNDAMENTAIS E DA APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS
CAPÍTULO I
DAS NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL
Art. 1o O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código.
Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
§ 1o É permitida a arbitragem, na forma da lei.
§ 2o O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos.
§ 3o A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial.
Art. 4o As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.
Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé.
Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
Art. 8o Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.
Art. 9o Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.
Parágrafo único.  O disposto no caput não se aplica:
I - à tutela provisória de urgência;
II - às hipóteses de tutela da evidência previstas no art. 311, incisos II e III;
III - à decisão prevista no art. 701.
Art. 10.  O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício.
Art. 11.  Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.
Parágrafo único.  Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do Ministério Público.
Art. 12.  Os juízes e os tribunais deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão.
§ 1o A lista de processos aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição para consulta pública em cartório e na rede mundial de computadores.
§ 2o Estão excluídos da regra do caput:
I - as sentenças proferidas em audiência, homologatórias de acordo ou de improcedência liminar do pedido;
II - o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese jurídica firmada em julgamento de casos repetitivos;
III - o julgamento de recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas repetitivas;
IV - as decisões proferidas com base nos arts. 485 e 932;
V - o julgamento de embargos de declaração;
VI - o julgamento de agravo interno;
VII - as preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça;
VIII - os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que tenham competência penal;
IX - a causa que exija urgência no julgamento, assim reconhecida por decisão fundamentada.
§ 3o Após elaboração de lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das conclusões entre as preferências legais.
§ 4o Após a inclusão do processo na lista de que trata o § 1o, o requerimento formulado pela parte não altera a ordem cronológica para a decisão, exceto quando implicar a reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em diligência.
§ 5o Decidido o requerimento previsto no § 4o, o processo retornará à mesma posição em que anteriormente se encontrava na lista.
§ 6o Ocupará o primeiro lugar na lista prevista no § 1o ou, conforme o caso, no § 3o, o processo que:
I - tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização de diligência ou de complementação da instrução;

II - se enquadrar na hipótese do art. 1.040, inciso II.
Leia o Texto do novo Código de Processo Civil integralmente aqui:  http:// www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm

terça-feira, 17 de março de 2015

O deputado Zé Inácio (PT) deu inicio aos trabalhos da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e das Minorias da qual é o Presidente.

Foto - Deputado Zé Inácio  PT.

Deu inicio nesta terça-feira (17), a primeira reunião da Comissão. O deputado Zé Inácio (PT) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e das Minorias abriu a primeira reunião que contou com a presença dos deputados, Eduardo Braide (PMN), Marco Aurélio (PC do B), Paulo Neto (PSDC) e Rafael Leitoa (PDT). O vice-presidente da Comissão é o deputado Wellington do Curso (PPS). 

Durante a reunião foi definido uma agenda das reuniões da Comissão, assim como também as primeiras pautas a serem discutidas. 

De acordo com o deputado Zé Inácio (PT), a Comissão tem como objetivo discutir assuntos pertinentes aos direitos e garantias fundamentais; defesa dos direitos individuais e coletivos; defesa dos direitos sociais; economia popular e repressão ao abuso do poder econômico; relações de consumo e medidas de defesa do consumidor: transporte, armazenamento e distribuição de alimentos; assuntos relacionados à criança e adolescente; política da criança e adolescente; assuntos relacionados ao idoso; política estadual do idoso. 

Política de proteção ao portador de necessidades especiais respeito aos direitos da mulher e da família, promover e acompanhar as atividades que visem a defesa dos direitos da mulher, a eliminação das discriminações, bem como assegurar a sua plena participação da vida sócio-econômica, política e cultural do Estado; “Estaremos abertos a defender os direitos da população e a buscar soluções para alguns entraves já existentes no que desrespeito a esses direitos”, esclarece do deputado. 

Foto - Deputado Zé Inácio  PT.
A Pauta - Durante a reunião ficou definido uma pauta que será discutida pelos membros da Comissão. Faz parte dessa pauta a CPI da Telefonia, que tem como finalidade o elevado preço das tarifas cobradas elas operadoras OI, Claro, Tim e Vivo no Estado. 

Além de apurar denuncias sobre a falta de investimentos para melhoria o sistema de telefonia no estado e o não cumprimento das metas estabelecidas pela Agencia Nacional de Telecomunicações. 

A outra pauta a ser discutido pela Comissão, de indicação do deputado Marco Aurélio, é a audiência pública sobre as filas nos bancos. 

A audiência ficou marcada para o dia 26 deste mês, no auditório do Plenarinho às 15h.

Rio Grande do Norte decreta situação de calamidade no sistema prisional.

Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil Edição: Marcos Chagas
O governo do Rio Grande do Norte decretou hoje (17) situação de calamidade pública no sistema prisional do estado devido a uma onda de rebeliões em várias unidades, que ocorrem há uma semana. 
Em decreto publicado no Diário Oficial local, o governador Robinson Faria determinou a criação de uma força-tarefa para o planejamento e a execução de medidas urgentes, como a construção e restauração dos presídios parcialmente destruídos nos motins, além de reformas, adequações e ampliações desses locais.
Maranhão transfere detentos para presídios federais
Rebelados destruíram mil vagas nos presídiosWilson Dias/Agência Brasil
De acordo com o governo potiguar, os rebelados destruíram mil vagas nos presídios de Alcaçuz (450), de Parnamirim (250) e na Cadeia Pública de Natal (300). Os números fazem parte de um relatório de situação e diagnóstico elaborado pela Secretaria de Segurança Pública.
O decreto informa que a força-tarefa poderá contratar emergencialmente empresas para a reforma dos presídios e nomear agentes penitenciários aprovados no último concurso público. A cada 30 dias, o grupo deverá apresentar um “relatório circunstanciado” dos trabalhos ao governo do estado.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte destacou que cinco ônibus e uma viatura da Polícia Militar foram incendiados ontem (16), em Natal, em ação atribuída a criminosos ligados aos presos rebelados. Nesta terça-feira, a frota de coletivos circula com número reduzido em Natal, por temor de novos ataques. Algumas escolas particulares suspenderam as aulas.
Em nota divulgada na noite dessa segunda-feira, o governo do estado pediu tranquilidade aos cidadãos e que a população evite compartilhar “boatos e informações inverídicas” nas redes sociais.
Cerimônia comemorativa aos dez anos de existência da Força Nacional de Segurança Pública, no Ministério da Justiça (Valter Campanato/Agência Brasil)
Força Nacional de Segurança Pública atuará nas prisões e nas ruas de NatalValter Campanato/Agência Brasil























No documento, o governo potiguar informou ter mobilizado o efetivo policial necessário para enfrentar a crise, que contará com o reforço, a partir de hoje, de 200 soldados da Força Nacional de Segurança Pública. A tropa federal, com o apoio de dois helicópteros, atuará nas áreas prisionais e também nas ruas da capital.
Entre as ações adotadas para tentar conter a crise no sistema prisional deve ser criada uma comissão especial de licitação, instituída na Secretaria da Justiça e da Cidadania, para fiscalizar o desenvolvimento das medidas.

domingo, 15 de março de 2015

Tragédia em Santa Catarina - Confirmadas 49 Mortes em Acidente com Ônibus.

Foto - Brasil 247.
Veículo fretado levava pelo menos 56 pessoas para evento religioso no Paraná quando motorista perdeu o controle em uma curva da SC-418 e despencou numa ribanceira de 400 metros; trecho é o mais perigoso da malha viária catarinense; dos corpos que estão no IML de Joinville, muitos ainda aguardam identificação; sete sobreviventes foram transferidos para hospitais da região.

15 DE MARÇO DE 2015 ÀS 08:53.

247 - O Instituto Médico Legal (IML) de Joinville confirmou que recebeu 49 corpos provenientes de um acidente de ônibus na Serra Dona Francisca, no Norte de Santa Catarina, ocorrido no incío da noite do sábado (14). O veículo caiu em uma ribanceira de aproximadamente 400 metros em Joinville no km 89 da SC-418. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Joinville, o grupo saiu de União da Vitória e atravessava Santa Catarina para ir até um evento religioso em Guaratuba, também no Paraná.
No início da manhã deste domingo, foram retomadas as buscas por mais vítimas do acidente. Conforme a Secretaria, existe a possibilidade de que haja corpos embaixo do ônibus e na mata.
Às 13h, os peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP) farão levantamento do local do acidente. Depois de liberado o local, o ônibus poderá ser retirado e encaminhado ao pátio da Polícia Rodoviária Estadual, em Campo Alegre, onde ficará retido para perícia.
Esta já é considerada a maior tragédia rodoviária registrada em Santa Catarina em número de mortes, superando o acidente com um ônibus argentino, em 2000, que matou 42 pessoas.
Até 6h deste domingo, havia 54 nomes identificados e cinco pessoas com nomenclatura ainda não identificada.
O motorista do ônibus, com placas de União da Vitória, no Paraná, teria perdido o controle do veículo em uma curva. O local do acidente fica próximo a um mirante na região turística conhecida como Serra Dona Francisca.
Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Joinville, o grupo saiu de União da Vitória e atravessava Santa Catarina para ir até um evento religioso em Guaratuba, também no Paraná. ResgateEquipes trabalham desde o fim da tarde de sábado (14) no resgate de feridos.
Pelo menos 15 viaturas e ambulâncias foram mobilizadas no local, mas as equipes enfrentaram dificuldades por conta da escuridão e pela falta de sinal de rádio e celular no local. O grupo de Bombeiros Voluntários de Joinville se reuniu para organizar uma operação de resgate que deve atravessar a madrugada. O trânsito permaneceu interditado nos dois sentidos para os trabalhos de resgate até o fim da noite.
Lista de mortes divulgada pelo IML
Anderson Celis Junior
André Luiz Carvalho
Assinara A de Oliveira
Camile Araújo Sieves
Carlos Alberto de Almeida
Cérgio Antonio da Costa (motorista)
Conrado Schier Filho
Darci Crespo Linhares
Deornirce Margarete Fontana Lima
Hildo L. de Souza
Janaina Darcley Ribeiro de Lima
Lariana Regina Vieira
Luiz Cesar Araújo
Maria Anisia Kutianski Agostini
Marise Antunes da Conceição Schier
Marli Terezinha Ribeiro
Mateus Costa
Melissa Jane Da Silva
Renan R. Chrisostemo
Roseli Chrisostemo
Sandra Jiliane Costa
Sônia Regina Vieira
Terezinha D. Carvalho
Thiago Roberto Barbosa
Wesley Araujo Sieves
Lista de passageiros confirmados que aguardam identificação.
Alan P Schneider
Dalton Ribeiro
Dionilei M. Lima
Eloisa dos Santos de Almeida
Flávio Ribeiro
Glória Podstaya
Gustavo Felipe Serafim Aquino
Idelzina A. P. Aguiar
João Antônio M. Soares
Juliane Siqueira
Ketelin V. de Souza Ramos
Lenice Aparecida Miranda
Lucélia Soares
Maria D. Souza
Mariza Pinto
Osvaldir Silves
Rejane de Fátima Araújo
Renan Araújo
Ricardo Araújo
Selma Carolina Schneider
Tereza Fernandes Sins
Leonilda Alves dos Santos
Passageiros movidos para hospitais
Danrlei Crespo Linhares (São José)
Elton Jhon de Almeida (São José)
Lucas K. Vieira (São José)
Rosangela Crespo Linhares (São José)
Alexo de Lima Zenere (Dona Helena)
Alana Pires (Dona Helena)
Elis Cristina Mazur (Dona Helena)

SwissLeaks: lista de correntistas do HSBC revela donos de jornais brasileiros.

Da Agência Brasil Edição: Lílian Beraldo
Matéria publicada hoje (14) no jornal O Globo informa que na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas no HSBC da Suíça aparecem donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas. A Receita Federal está de olho na relação de nomes e já informou que continua trabalhando com o objetivo de aumentar as medidas de cooperação internacional necessárias para obter de autoridades europeias a lista oficial e integral dos contribuintes brasileiros suspeitos de ter contas na subsidiária do banco HSBC na Suíça.

O caso que está sendo chamado de SwissLeaks, em alusão ao WikiLeaks, que publica em sua página na internet dados de governos e organizações que considera de interesse dos cidadãos. A lista do HSBC foi divulgada pelo International Consortium of Investigative Journalism (Consórcio Internacional de Jornalismo Investigativo) e pode indicar fraude fiscal.

A matéria é baseada em levantamento feito pelo próprio jornal, em parceria com o portal UOL, pertencente ao Grupo Folha, com base em documentos oficiais que foram vazados pelo ex-funcionário do banco, Hervé Falciani.  A investigação jornalística é comandada pelo ICIJ, sigla em inglês para Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos

De acordo com o jornal, há ao menos 22 empresários do setor e sete jornalistas brasileiros entre os correntistas do HSBC suíço. 

Na lista, divulgada pelo jornal, constam os nomes de proprietários do Grupo Folha. Tiveram conta conjunta naquela instituição os empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho já falecidos. Luiz Frias, atual presidente da Folha e do UOL, aparece como beneficiário da mesma conta, criada em 1990, e encerrada em 1998.

Integrantes da família Saad, dona da Rede Bandeirantes, também tinham contas no HSBC na época em que os arquivos foram vazados. Constam entre os correntistas os nomes do fundador da Bandeirantes, João Jorge Saad e da empresária Maria Helena Saad Barros, também falecidos, e de Ricardo Saad e Silvia Saad Jafet, filho e sobrinha de João Jorge.

Outro nome que aparece na lista obtida pelo jornal é de Lily de Carvalho, viúva de dois jornalistas e donos de jornais, Horácio de Carvalho, ex-proprietário do Diário Carioca, e Roberto Marinho, dono das Organizações Globo. Os dois estão mortos. Lily de Carvalho morreu em 2011.

Na lista do jornal consta ainda Luiz Fernando Ferreira Levy (1911-2002), que foi proprietário do extinto jornal Gazeta Mercantil, e integrantes do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Marese do Diário do Nordeste. Constam na lista do HSBC, Lenise Queiroz Rocha, Yolanda Vidal Queiroz e Paula Frota Queiroz. Edson Queiroz Filho, que morreu em 2008, também surge como beneficiário de uma das contas.

O jornal revela ainda que na lista estão Dorival Masci de Abreu (morto em 2004), que era proprietário das rádios ScallaTupiKiss, entre outras, e João Lydio Seiler Bettega, dono das rádios Curitiba e Ouro Verde FM, no Paraná.

O levantamento de O Globo e do UOL indica ainda Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, da TV e da rádio Tribuna (no Espírito Santo e em Pernambuco) e Anna Bentes, que foi casada com Adolpho Bloch (1908-1995), fundador do antigo Grupo Manchete.

O apresentador Ratinho (Carlos Roberto Massa), dono da Rede Massa (afiliada ao SBT no Paraná), foi outro que teve conta no HSBC da Suíça. A lista inclui ainda Aloysio de Andrade Faria, do Grupo Alfa (Rede Transamérica) e sete jornalistas: Arnaldo Bloch (O Globo), José Roberto Guzzo (Editora Abril), Mona Dorf (apresentadora da rádio Jovem Pan), Arnaldo Dines, Alexandre Dines, Debora Dines e Liana Dines. 

Finaliza a lista divulgada pelo O Globo, o radialista Fernando Luiz Vieira de Mello (1929-2001), ex-rádio Jovem Pan. Alberto Dines, pai de quatro dos jornalistas citados, informou que três dos seus filhos moram há anos no exterior e não são obrigados a declarar ao Fisco brasileiro. 

Procurados, os empresários de mídia e jornalistas que aparecem na lista do HSBC negaram a existência das contas numeradas na Suíça ou qualquer irregularidade. O Grupo Folha e a família de Octavio Frias de Oliveira informaram “não ter registro da referida conta bancária e manifestam sua convicção de que, se ela existiu, era regular e conforme à lei”. O Grupo Bandeirantes, de João Jorge Saad, informou, por meio de sua assessoria, que “não vai comentar o assunto”.

Sobre a conta de Lily de Carvalho, viúva dos jornalistas Horácio de Carvalho e Roberto Marinho, o Grupo Globo não comenta. Pelo Grupo Edson Queiroz, da TV Verdes Mares, Lenise Queiroz Rocha afirmou desconhecer a existência da conta. Luiz Fernando Ferreira Levy, ex-presidente da Gazeta Mercantil, disse que não tinha conta.

A família de Dorival Masci de Abreu, que era proprietário da rede CBS de rádios, disse, por meio de assessoria, que não se manifestará.

Julieta, mulher de João Lydio Seiler Bettega, da Curitiba e Ouro Verde FMs, afirmou que o casal nunca teve conta na Suíça e que é correntista do banco em Curitiba. Fernando João Pereira dos Santos, do Grupo João Santos, foi procurado por e-mail enviado para sua diretoria dele, mas não respondeu.

Anna Bentes, mulher de Adolpho Bloch, não foi encontrada. O Grupo Massa, de Ratinho, afirmou que todos os bens e valores de Carlos Roberto Massa e Solange Martinez Massa foram devidamente declarados. O Grupo Alfa, de Aloysio de Andrade Faria, afirmou que não tinha “nada a declarar”.

O jornalista Arnaldo Bloch afirmou que nunca teve conta no HSBC, no Brasil ou no exterior. Já o jornalista José Roberto Guzzo disse que “nunca teve conta no HSBC da Suíça em qualquer outra época”. Mona Dorf, da Jovem Pan, foi procurada, por meio de sua assessoria, mas não respondeu. 

O jornalista Fernando Vieira de Mello afirmou que nem ele nem o pai foram titulares de conta no HSBC suíço.