sábado, 1 de dezembro de 2012

RUSSIA. Estado-Maior pede a ministro da Defesa para criar centro de operações especiais.

Aleksêi Mikhailov, Izvéstia
De acordo com o projeto, o COE (Comando de Operações Especiais) deve incorporar o grupo de comandos Senej, do Ministério do Interior, uma brigada de forças especiais de um dos Comandos Militares de área, um esquadrão de helicópteros da cidade de Torjok, na região de Tver, e um esquadrão de aviões de carga IL-76 baseado no aeródromo de Migalovo, nos arredores da cidade de Tver, a 180 km de Moscou. 
Estado-Maior pede a ministro da Defesa para criar centro de operações especiais
Foto: mil.ru
Um grupo de altos oficiais do Estado-Maior e do Departamento Geral de Informações Militares (GRU, na sigla em russo) pediu ao novo ministro da Defesa da Rússia, Sergei Choigu, para decidir, o mais rápido possível, sobre a criação de um COE (Comando de Operações Especiais) no país. Uma alta fonte do ministério disse ao jornal Izvéstia que os autores do projeto pediram uma audiência com o novo ministro.

"Em outubro passado, o então ministro Anatóli Serdiukov rejeitou esse projeto por considerá-lo desnecessário", disse a fonte.

De acordo com o projeto, o COE deve incorporar o grupo de comandos Senej, do Ministério do Interior, uma brigada de forças especiais de um dos Comandos Militares de área, um esquadrão de helicópteros da cidade de Torjok, na região de Tver, e um esquadrão de aviões de carga IL-76 baseado no aeródromo de Migalovo, nos arredores da cidade de Tver, a 180 km de Moscou.

"O objetivo de criar esse centro foi fixado já em 2008", disse a fonte.

O COE terá a seu cargo o cumprimento de missões tão complicadas como, por exemplo, a libertação de reféns em território hostil, evacuação de cidadãos russos de regiões de conflito e combate a unidades paramilitares ilegais. Em uma guerra em grande escala, os comandos serão usados para destruir a liderança política e militar do inimigo, suas instalações estratégicas, centros de comunicação, lançadores de mísseis nucleares etc.

O projeto se baseia na experiência de França, Reino Unido, Alemanha e EUA. A principal unidade operacional do COE será o grupo de comandos Senej, enquanto a brigada de forças especiais e aeronaves irão executar missões de apoio, transporte e desembarque. Segundo a fonte ouvida pelo Izvéstia, de fato, o COE já existe. O esquadrão de helicópteros de Torjok participa há já quatro anos de todos os exercícios militares que envolvem o grupo de comandos Senej. O mesmo pode ser dito sobre aviões de carga que levam unidades especiais para locais de missão de combate.

"Ainda não há nada decidido sobre qual das unidades especiais do Exército será convocada: ou uma brigada de forças especiais de Tambov ou uma das duas brigadas do Comando Militar do Sul. A brigada de Tambov fica mais perto, enquanto os ‘sulistas’ têm uma experiência de combate mais rica. Todas essas unidades estão completas, possuem grupos de proteção química, assim como equipes de engenharia, logística e comunicações", adiantou o oficial.

"A união de várias unidades especiais sob um único comando permitirá melhorar a coordenação de operações e melhor organizar seu treinamento", completou.

Segundo integrantes das forças especiais do Exército, o COE deve incorporar todas as unidades de forças especiais e não grupos de comandos isolados.

"Além do grupo Senej, temos ainda sete brigadas de forças especiais do Exército, quatro brigadas de reconhecimento da Marinha, um regimento especial de infantaria paraquedista, grupos de operações psicológicas e outras unidades especiais. O que fazer com eles? No Reino Unido e na França, um COE agrupa todas as unidades especiais", disse um oficial de uma das brigadas de forças especiais em entrevista ao Izvéstia.

O cientista militar Anatóli Matveichuk apoia os planos do Estado-Maior.

"Os comandos resolvem não só problemas puramente militares, mas também problemas políticos e econômicos. Por isso, devem ser uma estrutura completamente autônoma. Não vale a pena unir todas as forças especiais de uma só vez sob um único comando. Isso pode ser feito aos poucos à medida que o COE for acumulando experiência prática", disse o cientista.

Na sua opinião, o COE deve ser subordinado diretamente ao comandante supremo e não ao ministro da Defesa ou ao Estado-Maior.

A Íntegra do artigo em russo está disponível em: http://izvestia.ru/news/540120 ixzz2DPoez8Vj

Fonte:http://gazetarussa.com.br/articles/2012/11/29/estado-maior_pede_a_ministro_da_defesa_para_criar_centro_de_operacoe_16665.html

ALUMAR - Bandidos atuam contra funcionários dentro da Empresa.

Os trabalhadores da Alumar e das empresas contratadas estão sofrendo, nas últimas semanas, constantes ataques de bandidos armados e encapuzados, dentro das dependências da empresa. 

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos (Sindmetal), José Maria Araújo, informa que solicitou reunião com a Alumar a Secretaria Estadual de Segurança para buscar solução para o caso. 

Segundo ele, devido à grande extensão da empresa e da proximidade com áreas desabitadas, os marginais acessam o local de produção através dos matagais, levando a constantes ocorrências de roubos e assaltos aos funcionários que estão em serviço, de forma que a segurança privada tornou-se vulnerável e também estão sendo alvo de assaltos e agressões. “Estamos cobrando a responsabilidade do Estado e da Alumar para a segurança dos trabalhadores, antes que algo pior aconteça”, alerta. 

Fonte: Sindmetal e http://www.meionorte.com/ricardomarques/bandidos-atuam-contra-funcionarios-dentro-da-alumar-232303.html

Navio-Patrulha Oceânico “APA” é incorporado à Armada da Marinha do Brasil.


http://www.defesaaereanaval.com.br/?p=12450

MARINHA DO BRASIL
DIRETORIA-GERAL DO MATERIAL DA MARINHA
ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
       
No dia 30 de novembro, às 11h, em cerimônia presidida pelo Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante-de-Esquadra Fernando Eduardo Studart Wiemer, nas dependências da Base Naval de Portsmouth, no Reino Unido, foi Incorporado à Armada da Marinha do Brasil do Navio-Patrulha Oceânico (NPaOc) “Apa”.

O navio, construído pela empresa BAE Systems Maritime – Naval Ships, recebe o nome “Apa”, em alusão a um importante rio brasileiro, assim como os demais navios da Classe – o “Amazonas”, incorporado à Armada em 29 de junho deste ano, e o “Araguari”, previsto para ser entregue à Marinha do Brasil no primeiro semestre de 2013. O NPaOc “Apa” teve sua construção iniciada em 10 de setembro de 2008, com o batimento de quilha em 16 de fevereiro de 2009. Foi lançado ao mar em 19 de novembro de 2009 e sua construção foi finalizada em julho de 2010.

As principais características do Navio são:

Comprimento Total:                           90,5 metros
Comprimento entre Perpendiculares:  83 metros
Boca Máxima:                                    13,5 metros
Calado de Navegação:                        4,5 metros
Deslocamento Carregado:               2.170 toneladas
Velocidade Máxima com 2 MCP:          25 nós
Raio de Ação a 12 Nós:                    5.500 milhas náuticas
Autonomia:                                             35 dias
Capacidade de Tropa Embarcada:        51 militares
Capacidade de Transporte de Carga:    06 Conteineres de 15 toneladas
Armamento:                01 canhão de 30mm e 02 metralhadoras de 25mm
Sistema de Propulsão:                         2 Motores MAN 16V28/33D  7.350 HP
Geração de Energia:                            3 Geradores CATERPILLAR de 550 kW
                                                             1 Gerador CATERPILLAR de 200kW           
Tripulação:                                          12 Oficiais, 21 SO/SG e  48 CB/MN


O Navio-Patrulha Oceânico “Apa” foi projetado e construído para atender às necessidades de fiscalização de extensas áreas marítimas. Devido à sua grande autonomia e capacidade de operar com aeronave orgânica (helicóptero) e duas lanchas, contribuirá com os demais navios da Marinha do Brasil na proteção e fiscalização de nossa Amazônia Azul.

Após a incorporação à Marinha, o “Apa” será preparado para navegar em direção ao Brasil, o que está previsto para ocorrer a partir da segunda quinzena de fevereiro de 2013. Em uma viagem de dois meses, o navio partirá de Portsmouth, no Reino Unido e passará por Portugal, Espanha (Gran Canárias), Mauritânia, Senegal, Angola, Namíbia, Rio Grande (RS-Brasil), Itajaí (SC-Brasil) e tem como porto final, na primeira quinzena de maio, o Rio de Janeiro (RJ-Brasil).

Fonte: http://www.defesanet.com.br/prosuper/noticia/8831/NPaOC-APA---Incorporado-a-Armada 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Operação Vera Cruz desarticula quadrilha de tráfico de drogas no Paraná.


Operação Vera Cruz desarticula quadrilha de tráfico de drogas no Paraná

Cascavel/PR - A Polícia Federal, com o apoio o do Ministério Público Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Secretaria Nacional Anti Drogas do Paraguai, deflagrou hoje (30/11) a Operação Vera Cruz, com o intuito em desmantelar uma organização criminosa especializada no tráfico internacional de drogas, principalmente crack e cocaína.

Estão sendo cumpridos 22 mandados de prisão e 60 mandados de busca e apreensão.

A organização criminosa negociava a venda de drogas para outros estados do Brasil, especialmente Santa Catarina, Bahia, Pará, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo.

O transporte da droga era realizado por meio de veículos no Paraguai e depois enviados para a venda no Brasil. 

A quadrilha utilizava veículos de luxo, onde a droga era escondida na carroceria.

Durante as investigações que já duram mais de dois anos, foi apreendida mais de uma tonelada de cocaina/crack e aproximadamente três toneladas de maconha. 

O patrimônio dos envolvidos foi bloqueado pelo pela Justiça.

A droga destinada ao Rio de janeiro e São Paulo abastecia facções criminosas, como o Comando Vermelho e possivelmente o PCC.




Comunicação Social da PF em Cascavel
Tel.: (45) 3224-5152

O BRASIL E A PEC DA INDÚSTRIA NACIONAL.

(Carta Maior) -  O deputado Assis Melo, do PCdoB do Rio Grande do Sul, conseguiu aprovar, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, proposta de emenda constitucional  que restaura o artigo 170, da Constituição Federal de 1988.
 
É o dispositivo que define o que é empresa brasileira e o que é empresa nacional, distinguindo ambas das empresas estrangeiras e multinacionais.

Nem todos se lembram, hoje, da Comissão de Estudos Constitucionais que, sob a presidência do professor Afonso Arinos, elaborou proposta de anteprojeto da Constituição de 1988. Poucos – e sou um dos privilegiados – têm em seu poder o texto entregue solenemente ao Presidente Sarney, em 1986. Nele se encontram os dispositivos mais importantes que os constituintes acolheriam no documento a que Ulysses Guimarães deu o nome de Constituição Cidadã
 
Como membro daquele grupo - e pelo dever de ofício, por ter sido seu secretário executivo -  registro que a defesa do interesse nacional prevaleceu, e de longe, nas discussões e na redação final do anteprojeto. E entre os mandamentos que propúnhamos, houve um contra o qual ninguém se opôs, ainda que houvesse entre nós conservadores notórios e empresários associados a empreendedores estrangeiros. 
 
Trata-se do artigo 323, de nossa proposta, assim como foi redigido, por Barbosa Lima Sobrinho e aprovado por todos: “Só se considerará empresa nacional, para todos os fins de direito, aquela cujo controle de capital pertença a brasileiros e que, constituída e com sede no País, nele tenha o centro de suas decisões”.
 
Os constituintes partiram da sugestão de Barbosa Lima Sobrinho e aprovaram os seguintes dispositivos, no texto original, de 5 de outubro de 1988: 
 
“Art. 171. São consideradas:
 
        I -  empresa brasileira a constituída sob as leis brasileiras e que tenha sua sede e administração no País;
 
        II -  empresa brasileira de capital nacional aquela cujo controle efetivo esteja em caráter permanente sob a titularidade direta ou indireta de pessoas físicas domiciliadas e residentes no País ou de entidades de direito público interno, entendendo-se por controle efetivo da empresa a titularidade da maioria de seu capital votante e o exercício, de fato e de direito, do poder decisório para gerir suas atividades.
 
    § 1º A lei poderá, em relação à empresa brasileira de capital nacional:
 
        I -  conceder proteção e benefícios especiais temporários para desenvolver atividades consideradas estratégicas para a defesa nacional ou imprescindíveis ao desenvolvimento do País;
 
        II -  estabelecer, sempre que considerar um setor imprescindível ao desenvolvimento tecnológico nacional, entre outras condições e requisitos:
 
            a)  a exigência de que o controle referido no inciso II do caput se estenda às atividades tecnológicas da empresa, assim entendido o exercício, de fato e de direito, do poder decisório para desenvolver ou absorver tecnologia;
 
            b)  percentuais de participação, no capital, de pessoas físicas domiciliadas e residentes no País ou entidades de direito público interno.
 
    § 2º Na aquisição de bens e serviços, o poder público dará tratamento preferencial, nos termos da lei, à empresa brasileira de capital nacional”.

Em obediência ao Consenso de Washington, uma das primeiras iniciativas do governo entreguista e antinacional de Fernando Henrique Cardoso foi a de promover, em agosto de 1995 – oito meses depois da posse – a supressão do artigo 170, acima transcrito, e que definia o que se poderia considerar empresa brasileira e empresa nacional. 
 
Com isso, qualquer empresa que se organizasse no Brasil, como tantas o fizeram, e continuam a fazer, como subsidiária de sua matriz estrangeira tem o mesmo tratamento das empresas realmente nacionais. 
 
O então presidente abria caminho, com essa emenda, para o crime maior, o da privatização das empresas públicas. Com criminoso cinismo, as empresas estrangeiras que adquiriram o controle das empresas estatais brasileiras foram financiadas com o dinheiro do FAT (Fundo de Amparo aos Trabalhadores) administrado pelo BNDES. A primeira providência dessas empresas foi o da “reengenharia” administrativa, com a demissão de milhares de trabalhadores. Eles haviam financiado, com o FAT, a sua própria miséria.
 
Com o desastre que o neoliberalismo provocou no mundo e atinge agora os países centrais que supunham ganhar com a globalização, o Congresso tem a sua oportunidade de se redimir da vergonhosa capitulação de há 17 anos.
 
O momento é favorável a que a emenda do deputado Assis Melo tenha trâmite rápido no Congresso, para que não ocorra, de novo aqui o que está ocorrendo com os povos europeus. 
 
É também um teste para a maioria parlamentar e para o próprio governo. Se a emenda do parlamentar gaúcho  for rejeitada, o grande vencedor virá a ser  o agente ostensivo, no Brasil,  da ordem neoliberal – Fernando Henrique Cardoso.
 

Justiça tira do ar blog usado pelo PCC.

30.nov.2012 - Estadao.com.br
A Polícia Civil conseguiu na Justiça a retirada do ar de um blog do Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão foi tomada pela juíza Flávia Castellar Olivé-rio, do Departamento,de Inquéritos Policiais (Dipo), do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A existência do blog primeiro-comandodacapital foi detectada pela polícia no começo de novembro. Nele, pessoas que se identificavam como integrantes dafacção criminosa ("Representamos a facção PCC") publicavam textos de apoio às ações dos bandidos ("O crime é o crime. E, se mexe com"nóisVnóis"corresponde!"). Em uma das seções do blog, havia o estatuto da facção çom o conjunto de regras que devem ser cumpridas pelos bandidos batizados - os que resolvem fazer parte da organização.

Um dos documentos faz uma advertência às autoridades: "Conhecemos nossa força e a força de nossos inimigos". O texto termina com o lema da facção: "Paz, Justiça e Liberdade".

Detectado pelo Comando da Polícia Militar, o blog foi alvo de uma corre spondência entre o ex-comandante-geral Roberval França e o ex-dèlégado-geral Marcos Carneiro Lima. A PM informou à Polícia Civil sobre o blog. Coube ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) a investigação.

No dia 13, o delegado Hélio Bressan, do Deic, representou à Justiça para que o blog fosse retirado do ar. O delegado também pediu que o conteúdo fosse armazenado pelo provedor e a quebra do sigilo cadastral do autor do blog, "bem como do endereço IP utilizado para a conexão por ocasião da criação do blog".

Em sua decisão, a juíza diz que o conteúdo do blog demonstra que, "em tese", ele era usado para "a prática de incitação e apologia ao crime". Para ela, a quebra do sigilo dos dados cadastrais deve ser feita porque "não se pode admitir tais condutas sob a proteção do anonimato, com a utilização de pseudônimos, razão pela qual também não se justifica a manutenção da página na internet".

 MARCELO GODOY

A garota que provocou uma revolução na imprensa inglesa.

Paulo Nogueira, 29 de novembro de 2012
A cobertura da tragédia de Milly, estuprada e morta aos 13, revoltou a opinião pública.

Milly, morta aos 13 anos
Milly Dowler, a garota que provocou uma revolução na mídia na Inglaterra, teria 23 anos hoje.

Em março de 2002, aos 13 anos, ela saiu de sua escola em Surrey, no sul da Inglaterra, para casa, no começo da tarde.

Por volta de 15 horas, ligou de seu celular para o pai, para avisar que em meia hora chegaria em casa. Nunca chegou.

Seis meses depois, em meio a uma intensa comoção entre os ingleses, seu corpo foi encontrado nu e em decomposição num matagal perto de sua casa.

Milly, que os que a conheceram descreveram unanimemente como uma garota linda, vivaz, generosa e sonhadora, como costumam ser as meninas de 13 anos amadas, fora abordada, estuprada e assassinada.

O caso foi logo resolvido. Um assassino em série com fixação por jovens colegiais foi acusado, julgado e condenado. Está na prisão, e dificilmente vai recuperar a liberdade, dada a ameaça que representa. O assassino teve dez filhos de cinco mulheres, e algumas delas disseram que ele pedia que se vestissem de colegiais.

O golpe na mídia viria nove anos depois da morte de Milly, quando o jornal The Guardian revelou que o tabloide News of the World, do grupo Murdoch, invadira criminosamente a caixa postal do celular de Milly em busca de novas informações sobre o caso, antes que seu corpo fosse descoberto. A polícia cogitou inicialmente que a própria Milly mexera na caixa postal, e isso deu esperanças à família – os pais e uma irmã um pouco mais velha – de que ela estivesse viva.

Para que se tenha uma ideia da repercussão do furo do Guardian, na mesma semana o NoW foi fechado por Murdoch. Era o jornal em circulação mais velho no Reino Unido, com 168 anos de existência.

Numa tentativa de mitigar a revolta da opinião pública, Murdoch publicou em todos os seus jornais um pedido de desculpas histórico, talvez sincero, mas que não comoveu ninguém.

Ele deixou a sede de seu império de mídia em Nova York e se deslocou para Londres para administrar a crise. Encontrou-se pessoalmente com os pais de Milly, aos quais autorizou que fosse dada uma indenização extrajudicial de 2 milhões de libras.

Entregou, com clara relutância, a cabeça de sua favorita, a ruiva Rebekah Brooks, então a Rainha dos Tabloides, depois de passar por dois deles como editora, o NoW e o Sun. Rebekah dirigia o NoW quando a caixa postal de Milly foi invadida.

Nada do que Murdoch fez aplacou a raiva da opinião pública. Sob frenética pressão, o premiê David Cameron designou um juiz, Brian Leveson, para liderar uma investigação independente sobre a mídia britânica.

Murdoch não escapou de depor
Passados dezesseis meses, ao longo dos quais Leveson sabatinou sob as câmaras de televisão todos os personagens relevantes para a discussão sobre a mídia, de Cameron a Murdoch, de Rebekah aos pais de Millie, foi divulgado hoje o aguardadíssimo relato com as recomendações do juiz.

Alguns destaques de Leveson, extraídos de um relatório de 2.000 páginas:

1) Ele “rejeitou totalmente” a idéia, defendida pelas empresas de mídia, de que excessos de jornalistas e publicações são “aberrações que não refletem a cultura, a ética e as práticas da imprensa como um todo”.

2) Ele afirmou que parte da imprensa, ao agir como se não houvesse “código nenhum”, teve um efeito “devastador” sobre a vida de pessoas comuns apanhadas por tragédias. O sofrimento dessas pessoas foi “ampliado consideravelmente pelo comportamento da imprensa para o qual, muitas vezes, a melhor definição é ultrajante”.

3) A mídia vem dando, segundo Leveson, “absurda prioridade ao sensacionalismo”, e num regime de “ imprudente desrespeito pela precisão”.

4) Existe na imprensa, de acordo com Leveson, a tendência de “diminuir ou desprezar” as reclamações de quem se considera vítima de tratamento injusto. Algumas vezes, a imprensa parte para “ataques em volume alto, de caráter extremamente pessoal, contra quem ousou desafiá-la”.

A recomendação de Leveson é que seja criado um órgão regulador independente para a mídia – independente da indústria, do governo e dos políticos. É mais ou menos o que acontece na Dinamarca – um exemplo amplamente citado nos últimos tempos, em que uma imprensa livre e aguerrida é acompanhada por um órgão regulador independente cuja missão é defender o interesse público.

Apresentado o relatório e feitas as sugestões, começa agora o debate que dará, provavelmente, numa mídia bem melhor do que a que foi objeto de avaliação do juiz Brian Leveson dez anos depois da morte da pequena Milly.