sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Guerra econômica ao Irã é guerra à integração eurasiática.



– As sanções ao Irão deveriam ser interpretadas como uma peça num tabuleiro de xadrez muito mais vasto.

por Pepe Escobar [*].

A histeria reinou suprema depois da primeira rodada de sanções dos EUA contra o Irã ter sido restabelecida na semana passada. Os cenários de guerra abundam e ainda assim o aspecto chave da guerra econômica desencadeada pela administração Trump foi passado por alto: o Irã é uma peça importante num tabuleiro de xadrez muito mais vasto. 

A ofensiva de sanções dos EUA, lançada após a retirada unilateral de Washington do acordo nuclear com o Irã, deveria ser interpretada como uma aposta antecipada no Novo Grande Jogo em cujo centro está a Nova Estrada da Seda da China – sem dúvida o mais importante projeto de infraestrutura do século XXI – para a integração geral euroasiática. 

As manobras da administração Trump são um testemunho de como a Nova Estrada da Seda, ou Belt and Road Initiative (BRI), ameaça o establishment dos EUA. 

Integração euroasiática em ascensão.

A integração euroasiática está na ordem-do-dia em Astana, onde Rússia, Irã e Turquia decidem o destino da Síria, em coordenação com Damasco. 

A profundidade estratégica do Irã na Síria do pós-guerra não vai simplesmente esvanecer-se. O desafio da reconstrução da Síria será em grande medida atendido pelos aliados de Bashar al-Assad: China, Rússia e Irã. 

Refletindo a Antiga Estrada da Seda, a Síria será reconfigurada como um nó importante da BRI, chave para a integração euroasiática. 

Em paralelo, a parceria estratégica Rússia - China – desde a intersecção entre a BRI e a Eurasia Economic Union (EAEU) até a expansão da Shanghai Cooperation Organization (SCO) e a consolidação do BRICS Plus – tem apostas imensas na estabilidade do Irã. 

A complexa interconexão do Irã tanto com a Rússia (via a EAEU e o International North-South Transportation Corridor) e a China (via BRI e fornecimentos de petróleo/gas) é ainda mais estreita do que no caso da Síria nos últimos sete anos de guerra civil. 

O Irã é absolutamente essencial para a Rússia-China, pois esta parceria permite qualquer "ataque cirúrgico" – como verificado na Síria – ou pior, no caso de uma guerra quente iniciada por Washington. 
Pode-se argumentar que, com sua recente abertura ao presidente Putin, o presidente Trump está a tentar negociar alguma espécie de congelamento na configuração atual – um [acordo] Sykes-Picot reencenado no século XXI. 

Mas isso implica que a tomada de decisão de Trump não esteja a ser ditada ou cooptada pela cabala neocon dos EUA que pressionou pela guerra de 2003 no Iraque. 

Coreia do Norte 2? 

Se a situação se tornar vulcânica quando as sanções petrolíferas dos EUA contra o Irã começarem, no princípio de Novembro, uma reencenação real do recente cenário norte-coreano seria previsível. Washington enviou simultaneamente três grupos de batalha com porta-aviões para aterrorizar a Coreia do Norte. Isso fracassou – e Trump acabou por ter de conversar com Kim Jong-un. 

Apesar do registo dos EUA por todo o mundo – ameaças intermináveis de invasão da Venezuela, com o único resultado tangível de um fracassado ataque amador com drones amadores; 17 anos de guerra infindável no Afeganistão, com os Taliban ainda tão imóveis quanto os picos do Hindu Kush; os "4 + 1" – Rússia, Síria, Irã, Iraque, mais o Hezbollah a vencerem a odiosa guerra por procuração na Síria – os neocons dos EUA gritam e berram acerca do ataque ao Irã. 

Tal como com a Coreia do Norte, a Rússia e a China transmitiram sinais inequívocos de que o Irã está na sua estritamente coordenada esfera de influência euroasiática e que qualquer ataque ao Irã será considerado como um ataque a toda a esfera euroasiática.

As coisas mais estranhas aconteceram, mas é difícil ver quaisquer atores racionais em Washington, Tel Aviv e Riad desejosos de terem Beijing e Moscou – simultaneamente – como inimigos letais. 

Por todo o Sudeste asiático não há duvidas de que a política dos responsáveis da administração Trump – e, de facto, de toda a Beltway – é a mudança de regime no Irã. Assim, a partir de agora, no limiar da guerra quente, as novas regras do jogo indicam a ciberguerra agravada. 

Do ponto de vista de Washington, em termos de retorno sobre o investimento, isso é um negócio razoável. A ciberguerra mantém a parceria Rússia-China longe do envolvimento direto enquanto, em teoria, escava mais profundamente o colapso econômico do Irã, fortemente anunciado como iminente por responsáveis da administração Trump. 

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês não podia ser mais explícito acerca do esforço estadunidense para impor novamente sanções globais ao Irã. "A cooperação comercial da China com o Irã é aberta e transparente, razoável, justa e legal, não viola qualquer das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", disse ele.

Isso reflete o ministro russo dos Negócios Estrangeiros quanto às sanções: "Isto é um exemplo gráfico da contínua violação de Washington da Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, atropelando as normas do direito internacional". 

O presidente Trump, pelo seu lado, também tem sido explícito: qualquer país que viole as sanções contra o Irã não fará negócios com os EUA. 

Boa sorte com o apoio da Turquia ou do Qatar – completamente dependente do Irã para alimentação, utilização do espaço aéreo civil e compartilhamento da exploração de gás natural em South Pars. Sem mencionar a Rússia-China garantindo as costas de Teerã em todas as frentes. 

Como não fazer negócios com a China.

O dado está lançado. A China não só continuará como também aumentará suas compras de petróleo e gás iranianos. 

A indústria automobilística chinesa – atualmente com 10% do mercado iraniano – simplesmente irá substituir a França quando esta abandonar o Irã. Empresas chinesas já são responsáveis por 50% das peças automobilísticas importadas pelo Irã. 

A Rússia pelo seu lado prometeu investir até US$50 bilhões no petróleo e gás natural iranianos. Moscou está muito consciente do próximo possível passo da administração Trump: impor sanções a companhias russas que invistam no Irã. 

Washington simplesmente não pode "não fazer negócios" com a China. Toda a indústria de defesa dos EUA está dependente de materiais como as terras raras da China. Desde a década de 1980, as multinacionais dos EUA estabeleceram na China suas cadeias produtivas para exportação, com o encorajamento direto do governo estadunidense. 
A UE, por sua vez, aplicou um Estatuto de Bloqueio – nunca antes utilizado, embora já existisse há duas décadas – a fim de proteger as empresas europeias, chegando ao ponto de impor multas às empresas que saírem do Irã simplesmente devido ao medo. 

Em teoria, isso mostra alguma coragem. No entanto, como disseram diplomatas da UE em Bruxelas ao Asia Times, há uma grande condicional: os sátrapas / vassalos dos EUA abundam por toda a UE. Assim, algumas empresas baseadas na UE, como no caso da Total e da Renault, simplesmente Irão embora. 

Enquanto isso, aquilo que o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, disse acerca dos unilateralismo dos EUA – o mundo "está doente e cansado" disto – mantém-se a ecoar por todo o Sul Global. 

A mãe de todos os furacões financeiros.

Estreito de Ormuz.

Aqueles que clamam pela guerra com o Irã possivelmente não podem entender que o cenário de pesadelo de um encerramento do trânsito de energia no Estreito de Ormuz / Golfo Pérsico – o ponto de estrangulamento por onde passam 22 milhões de barris por dia – representaria, em última análise, a morte do petrodólar. 


O Estreito de Ormuz pode ser considerado como o calcanhar de Aquiles do poder económico ocidental/EUA; um encerramento detonaria a mãe de todos os furacões no mercado de derivativos de quadrilhões de dólares.

A menos que a China não compre a energia iraniana, as sanções dos EUA – como ferramenta geoeconômica – são basicamente sem significado.

Não certamente, é claro, para o "povo iraniano" tão estimado pela Beltway, uma vez que mais sofrimento financeiro já está a instalar-se, a par de um sentimento de coesão nacional face a, mais uma vez, uma ameaça externa. 

A China e a Rússia já se comprometeram a continuar a implementar o JFPOA, juntamente com a UE-3. Afinal de contas, este é um tratado multilateral endossado pela ONU. 

Beijing já informou Washington em termos inequívocos de que continuará a fazer negócios com o Irã. Então a bola está agora na quadra de Washington. Caberá à administração Trump decidir se sancionará a China por sua relutância em parar de comercializar com o Irã.

Não é exatamente um movimento sábio ameaçar a China – especialmente com Beijing numa ascensão histórica irresistível. Nehru ameaçou a China e perdeu um grande bocado do Arunachal Pradesh para o presidente Mao. Brezhnev ameaçou a China e enfrentou a ira do EPL nas margens do Rio Ussuri. 

A China é capaz em um minuto de cortar os EUA das suas exportações de terras raras, criando-lhe uma catástrofe de segurança nacional. Nessa altura uma guerra comercial entrará em território realmente incandescente. 

14/Agosto/2018.

[*] Jornalista.

O original encontra-se em www.atimes.com/article/economic-war-on-iran-is-war-on-eurasia-integration/ 


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .



Ação nas redes sociais alerta sobre as condutas proibidas a agentes públicos no período eleitoral.

Reprodução de arte onde se lê a pergunta: "o que o agente público não pode fazer no local de trabalho?" e mostra também impressora imprimindo cartazes onde se lê: 'Vote em mim'.

Posts nos perfis oficiais do MPF vão esclarecer o que pode e o que não pode ser feito por pessoas que trabalham em órgãos públicos.

Você sabia que usar bens públicos em campanhas eleitorais é conduta vedada pela Lei das Eleições? Essa e outras proibições buscam coibir o uso da máquina pública para promover candidaturas. A conduta irregular pode afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos, configurando abuso de poder. Com o objetivo de alertar o cidadão sobre as condutas permitidas e proibidas a quem trabalha em órgãos públicos durante o período eleitoral, o Ministério Público Federal (MPF) divulga, a partir desta quinta-feira (16), material informativo nos perfis oficiais do Facebook e do Instagram.

As peças vão alertar, por exemplo, que a Lei 9.504/97 – mais conhecida como Lei das Eleições – proíbe a cessão ou utilização de bens, materiais ou serviços públicos para fins eleitorais. Isso vale para computadores, impressoras, papel, material de escritório, telefone, celular funcional, rede wi-fi, salas ou auditórios do órgão, veículos, móveis ou qualquer outro bem público. Nada disso pode ser usado em benefício de candidatos, partidos ou coligações. Também é proibido fazer campanha dentro da repartição, seja distribuindo santinhos ou  realizando atividades em prol de candidatos. Essas normas não têm limitação temporal, ou seja, valem para todos os anos, incluindo o de eleições.

As regras para agentes públicos estão previstas, principalmente, nos artigos 73 a 78 da Lei das Eleições e valem para todos aqueles que trabalham em órgãos públicos, incluindo agentes políticos, membros do Judiciário e do Ministério Público, servidores, terceirizados e estagiários. A legislação permite ao agente público participar de eventos eleitorais, desde que fora do horário do trabalho, em período de férias ou licença, e, de preferência, sem fazer referência à sua função no órgão. No entanto, veda o comparecimento de candidatos à inauguração de obras públicas, três meses antes das eleições.

Durante todo o ano eleitoral, também é proibido distribuir bens, valores ou serviços de caráter social custeados pelo Poder Público. É o caso de distribuição de uniformes, cestas básicas, material escolar, de escritório, medicamentos, materiais de construção, doações de terrenos a pessoas ou empresas privadas. As exceções a essa regra são situações de calamidade pública, estado de emergência, programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior.

Nas esferas da administração pública cujos cargos estejam em disputa na eleição, a norma também proíbe, nos três meses antes do pleito, a realização de propaganda institucional de atos, programas, obras, serviços e campanhas, além da divulgação de nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal. Essa proibição não inclui a publicidade de atos oficiais ou meramente administrativos, além de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado.

O eventual descumprimento dessas regras pode acarretar uma série de sanções, como suspensão imediata da conduta irregular e pagamento de multa. O candidato beneficiado, agente público ou não, também está sujeito à cassação do registro ou do diploma, caso seja eleito.

Secretaria de Comunicação Social - Procuradoria-Geral da República - (61) 3105-6406 / 6415 - pgr-imprensa@mpf.mp.br - facebook.com/MPFederal - twitter.com/mpf_pgr.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Faleceu nesta madrugada a vereadora Tacianne Tavares de Godofredo Viana/MA.

A imagem pode conter: Tacianne Tavares, sorrindo, close-up
Foto Facebook.
Tomei conhecimento através das redes sociais, do falecimento prematuro de uma amiga, pessoa que eu muito admirava, me refiro à amiga Tacianne Tavares Silva, ela era Assistente Social e tinha apenas 34 anos de idade, sendo natural do Município de Godofredo Viana/MA. 

A imagem pode conter: Tacianne Tavares, em pé, atividades ao ar livre e natureza
Foto Facebook.

Conheci Taciane quando ainda estudava em São Luís, mulher batalhadora, que se dedicava de corpo e alma no auxilio ao próximo, nas ultimas eleições municipais de 2016, se lançou candidata à Vereadora de Godofredo Viana/MA, pelo PRP com o Número 44444, obtendo 278 votos, sendo a quarta candidatura mais bem votada do município, realizando um feito político admirável. 

Pessoa de gestos simples e sorriso franco, morreu de câncer esta noite em nossa Capital de São Luís/MA. Aqui como amigo, deixo meus sinceros votos de pêsames e condolências a seus familiares e amigos. 

Que nosso Deus lhe conceda a graça do descano eterno, vá em paz.

Francisco Barros.

Creche da Camboa em estado de abandono, afirma vereador.

Resultado de imagem para interdição creche escola Maria de Jesus Carvalho.

Após receber denúncias de que a Creche-Escola Maria de Jesus Carvalho, localizada no bairro da Camboa, estaria interditada pela Vigilância Sanitária desde o dia 10 de julho, o vereador Estevão Aragão (PSDB) foi in loco vistoriar a unidade.

Na visita, o parlamentar confirmou o que já havia sido constatado no relatório do órgão: cisterna comprometida, provocando alto risco de contaminação da água, tornando-a indevida para o consumo humano, e prédio com estrutura precária, sem condições para as crianças assistirem às aulas ou desempenharem qualquer tipo de atividade pedagógica.

“A escola deveria estar cheia de vida com crianças estudando e brincando, mas o que vimos foi um cenário triste e inseguro. Essa é só mais uma das creches não reformadas, que foram prometidas pelo prefeito Edivaldo Holanda Júnior desde 2012”, avaliou o vereador.

No documento, a Vigilância detalha que a cisterna está com as cerâmicas da parede danificadas e contém raízes no seu interior. Diz ainda que as lajotas do pátio estão soltas e a instalação elétrica, recém-trocada, continua apresentando curto circuito.

Foi estipulado um prazo de 20 dias para a resolução do problema, porém, até o momento, nenhuma solução foi apresentada.

Texto: Da Assessoria do Vereador.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Maranhão. Cacique Jorginho Guajajara é assassinado em Arame.

Foto - Facebook.
Crime estaria relacionado ao acirramento do conflito dos índios com madeireiros que invadem impunemente a Terra Indígena Araribóia.
Mais uma liderança indígena é morta no Brasil. O cacique Jorginho Guajajara, da Terra Indígena Araribóia, na Amazônia maranhense, foi assassinado no último fim de semana. 
Segundo lideranças Guajajara ouvidas pela reportagem do Intituto Socioambiental (ISA), seu corpo foi encontrado na manhã do domingo (12/8) na entrada do município de Arame (MA), cuja sede faz limite com a TI. Jorge era cacique da aldeia Cocalinho I, do povo Guajajara.
De acordo com lideranças Guajajara, nenhuma providência foi tomada por órgãos públicos até agora. “Até agora nenhum órgão se manifestou”, afirma Vitorino Guajajara, da região de Lago Branco, na TI.
Segundo Marçal Guajajara, o cacique foi morto por não-indígenas. O conflito na região é acirrado, com invasões constantes de madeireiros na Terra Indígena. 
Segundo Vitorino, existe uma espécie de toque de recolher na cidade e nenhum índio deve circular em Arame depois das 22 horas. 
O cacique Jorge estava no município depois desse horário. “Se for lá depois das 22h, acontece isso”, relata Vitorino. “Os madeireiros se juntam aos caçadores para agredir nossos parentes”, relata.
A região amazônica do Maranhão é alvo de intenso desmatamento e degradação florestal, inclusive dentro de terras indígenas. 
Segundo dados do Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de 2017, 70% do bioma já foi desmatado no Estado (veja mapa abaixo). Apenas na TI Araribóia, foram 24.698 hectares desmatados até 2017. 
No município de Arame, ainda de acordo com os dados do Prodes 2017, a situação não é diferente: dos últimos 25% de floresta restante, a maior parte está em terras indígenas. Além da TI Araribóia, os Guajajara ainda possuem uma segunda área que incide sobre o território do município, a TI Geralda/Toco Preto, de 19 mil hectares.

Guardiões da Floresta.

Para combater a invasão de seus territórios e a degradação de suas florestas, os Guajajara têm se organizado em grupos de proteção territorial chamados de "guardiões da floresta", que também fazem a vigilância contra madereiros e caçadores. O grupo ainda busca proteger, dos invasores, índios Awá Guajá isolados que vivem na região.
Xulwi Guajajara é líder do grupo de guardiões da Aldeia Zutiu, na TI Araribóia. Segundo ele, há um grupo de madeireiros foragidos da Justiça vivendo na TI, e que realizam assaltos na região. Isso tem acirrado o conflito e as ameaças contra os guardiões, que estão buscando apoio das autoridades locais e federais.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Luto sem fim: Brasil tem mais de 80 mil pessoas desaparecidas.

Mortos e desaparecidos polítocos | Foto: Elza Fiúza/ABr
Mortos e desaparecidos políticos durante a Ditadura Militar.  Foto: Elza Fiúza/ABr
Luciano Velleda
Da RBA

O Brasil encerrou o ano passado tendo 82.684 boletins de ocorrência registrando o desaparecimento de pessoas, segundo revelou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, divulgado na quinta-feira (9). O estado de São Paulo lidera com folga a dramática estatística, com 25.200 pessoas desaparecidas, seguido por Minas Gerais, com 8.878, e Santa Catarina, com 7.752 desaparecimentos.
O estudo anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública jogou luz no Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, criado em 17 de dezembro de 2009, conforme a Lei 12.127, e lançado em 26 de fevereiro de 2010 junto com o site www.desaparecidos.gov.br. Desde o início deste ano, o site foi tirado do ar pelo governo federal. Apesar de nunca ter funcionado como deveria, o canal tinha cerca de 370 crianças e adolescentes desaparecidos cadastrados e, de alguma forma, era um espaço oficial que alimentava a esperança de reencontro dos familiares.
“Ele (o site) vem inativo desde quando surgiu, em 2010. Nunca funcionou adequadamente, sempre dependeu das famílias fazerem o cadastramento. As mães que tinham que mandar fotos, cópia do boletim de ocorrência e as informações sobre o desaparecimento”, explica Ariel de Castro Alves, advogado e coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe). “O governo federal sempre justificou, tanto nas gestões anteriores como na atual, que os estados não encaminhavam os boletins de ocorrência.”
A falta de integração entre os estados e o governo federal sempre foi a principal razão pelo mau funcionamento de um cadastro nacional que poderia cumprir uma importante função. Na prática, os estados nunca colaboraram com o envio das informações para alimentar e atualizar o sistema. Segundo Castro Alves, a maioria dos estados, como São Paulo, por exemplo, sequer tem cadastros estaduais de crianças e adolescentes desaparecidos. Para ele, os cadastros estaduais e o nacional deveriam ter atualização diária a partir dos boletins de ocorrência (BOs) de crianças e adolescentes desaparecidos registrados nas delegacias de polícia de todo país.
Apesar da pouca eficiência, o coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe avalia que o fim do site é um descaso com os familiares. “O cadastro funcionava precariamente, mas gerava uma expectativa porque era oficial e podia ser acessado de qualquer parte do país. É um desrespeito. As famílias não foram comunicadas de que o cadastro sairia do ar e elas tinham expectativa. Então é mais uma frustração, mais um abandono dessas famílias, um total desrespeito.”

Falta de prioridade

Com a aprovação do Sistema Único de Segurança Público (Susp), Ariel Alves tem esperança que a situação melhore porque, a partir de agora, os estados terão a obrigação de encaminhar os boletins de ocorrência e as informações criminais. “Isto pode, a médio e longo prazo, colaborar para resolver essa falta do banco de dados unificado. O estado de São Paulo nunca teve essa prioridade e também nunca atuou em nada, de modo integrado, com o governo federal, principalmente em temas de direitos humanos. Nem nos governos anteriores, nem no atual.”
Atualmente, São Paulo tem uma única delegacia de pessoas desaparecidas, vinculada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Localizada na capital, tem a missão de atender o estado todo.
Desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a necessidade de haver órgãos especializados na polícia e no Judiciário para atender crianças e adolescentes. Em alguns estados existem delegacias especializadas, mas não em São Paulo. E mesmo nos estados onde tais delegacias foram criadas, elas costumam estar localizadas apenas na capital. “Mas em São Paulo nem na capital tem”, critica Alves.
Para piorar a situação, os casos de desaparecimento não costumam ser investigados, seja de crianças ou de adulto, afirma o advogado. “A polícia diz que, em si, o desaparecimento não é um crime, é um fenômeno social a criança não estar sob os cuidados da família. Agora, por trás do desaparecimento pode haver rapto, sequestro, cárcere privado, assassinato, então por isto é necessário que em todos os casos sejam instaurados inquéritos. Na prática, quem hoje investiga são as próprias mães.”
O coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe enfatiza ser comum a polícia sugerir aos pais esperar por 24 ou 48 horas antes de registrar o desaparecimento, uma prática que, afirma, é ilegal. “Os primeiros momentos são os mais importantes para buscar, esclarecer, investigar e localizar. E a lei também prevê que após fazer o boletim de ocorrência, além de iniciar as buscas, a polícia tem que informar as rodoviárias, os aeroportos, a polícia rodoviária, e isso também não acontece.”
A situação de ter um filho desaparecido, diz Ariel Alves, é um luto permanente, com enorme desgaste emocional e psicológico. “Muitas mães desenvolvem doenças, um câncer, um problema cardíaco. Elas não contam com nenhum tipo de apoio, é um descaso.”

Brasil, setor elétrico impulsiona expansão do setor de gás.

Reuters/Petar Kujundzic/Arquivo
A seca impulsionou as usinas termoelétricas; a alta no volume de gás foi de 18,2% nos primeiros seis meses de 2018.

247 - A seca no nordeste impulsionou as usinas termoelétricas. A alta no volume de gás foi de 18,2% nos primeiros seis meses de 2018 (se comparado ao mesmo período de 2017). O Nordeste respondeu por quase metade do aumento. O consumo total do gás, que inclui aplicações industriais e uso doméstico, teve um aumento médio de 6% no mesmo período.
"Com o prolongamento da seca, a bandeira vermelha (adicional cobrado na conta de luz para custear o acionamento das térmicas) deverá durar até novembro, de acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Hoje, o acionamento das usinas elétricas é o principal responsável pela expansão do setor de gás natural, afirma Pedro Franklin, diretor da Comerc Gas (empresa de gestão de consumo de gás).
(...)
As distribuidoras de gás endossam a defesa de um leilão para contratar novas usinas térmicas no Nordeste --proposta que está atualmente em estudo pelo governo federal, com a possibilidade de sair ainda neste ano.