segunda-feira, 26 de março de 2012

A "ética" dos corruptos.

Autor(es): Renato Janine Ribeiro
Valor Econômico - 26/03/2012
 
É ético um jornalista usar câmaras secretas para comprovar um crime que, depois, ele irá denunciar? Não discuto, aqui, a legalidade de sua ação, porque não tenho a formação jurídica necessária para me pronunciar sobre as leis e jurisprudência cabíveis no caso.

Mas a questão adquire relevância diante do fato que movimentou a sociedade brasileira na semana que passou: a revelação, em imagens incontestáveis, de uma rede de corrupção atuando justamente nos hospitais - o que torna particularmente desumano o crime, porque está sendo cometido contra pessoas especialmente vulneráveis.

Isso, além de ser uma área em que cronicamente falta dinheiro, até porque os custos com a saúde costumam subir mais que a inflação, em parte devido aos grandes avanços que a medicina tem conhecido.

O que é flagrante é a falta de ética das pessoas que vimos no "Fantástico" e no "Jornal Nacional". Os corruptos (vou chamá-los assim, embora tecnicamente não o sejam, porque não são servidores públicos) não mostraram nenhum pudor. Imaginando-se a salvo, foram francos. 

Duas afirmações me chocaram em especial.

Primeira, quando uma senhora diz que está praticando "a ética do mercado". Mas o que ela faz não é nada ético. A não ser, claro, que use "ética" num sentido apenas descritivo, como quando se diz que a "ética do bandido" é matar quem o alcagueta, ou que a "ética do machista" é assassinar a esposa suspeita de adultério. Contudo, um dos ganhos dos últimos anos tem sido a redução desse emprego da palavra "ética", só descritivo. 

Cada vez mais, entendemos a ética como prescritiva, normativa, como exigente - não como a mera descrição de condutas praticadas em alguma área da ação humana. Uma expressão de Claudio Abramo, frequentemente citada pelos profissionais da imprensa, é significativa: "A ética do jornalista é a mesma do marceneiro, de qualquer pessoa".

Educando os filhos para também serem corruptos.

Na verdade, até esperei, depois dessa frase sobre "a ética do mercado", que "o mercado" reagisse de alguma forma. Se ela dissesse que essa é a ética dos médicos, as associações não iriam protestar? É claro que "o mercado" não é um sujeito. Aliás, sua riqueza e eficácia estão, justamente, em ele não ser um sujeito único, mas uma rede em que se cruzam e medem inúmeros sujeitos. 

No entanto, aqui se coloca uma questão crucial, sempre presente quando se trata do capitalismo. Brecht tem a frase famosa: "O que é roubar um banco, em comparação com fundar um banco?" O capitalismo sempre esteve assombrado pela diferença entre o lucro obtido legítima e legalmente, e o que é extorsão, usura, roubo. Na Idade Média, a igreja cristã condenava a usura, dificultando as operações de financiamento. Por outro lado, com o capitalismo já consolidado, no final do século XIX um grupo de grandes empresários norte-americanos era chamado de "robber barons", barões ladrões, tal a sua desonestidade.

Contudo, o mesmo capitalismo cresce graças a uma ética extremamente forte, que Max Weber, num livro clássico, aproximou do protestantismo. Na verdade, a distinção entre o lucro e a extorsão é crucial para o capitalismo. Um dos desafios para ele funcionar, e em especial para se tornar popular, é convencer a sociedade de que seu compromisso ético - com a construção da riqueza pelo trabalho e o esforço - supera seus deslizes, os quais serão rigorosamente punidos. Ou seja, "o mercado" precisa reagir. O debate sobre esse caso não pode ficar circunscrito à área política. "O mercado" foi injuriado, tem de responder.

O outro ponto assustador foi quando um dos personagens gravados disse que sempre ensinava a seus filhos a virtude da solidariedade. Disse isso com outras palavras, mas ele considerava digno de educar seus filhos na formação de quadrilha. Aqui, estamos diretamente na ética do crime. Mas, se na frase da senhora sobre o mercado podíamos ver alguma ironia ou resignação ("a vida como ela é"), na frase desse senhor se ouvia algo mais grave: a educação dos filhos, a construção do futuro segundo a ótica do criminoso. 

Uma coisa é resignar-se ao mundo como está e operar dentro dele. Outra, pior, é entender que ele não vai melhorar e, portanto, a melhor educação que se deve dar aos pequenos é ensiná-los a serem bandidos. Aqui, a tarefa afeta, em especial, os educadores profissionais, como os professores, e a multidão de educadores leigos, que são os pais e todos os que cuidam de crianças. Mas, antes mesmo disso, ela passa por uma pergunta cândida: podemos melhorar, em termos de sociedade, no que se refere ao respeito da lei e dos outros? É possível convencermo-nos, e convencermos os outros, de que seguir os preceitos éticos é absolutamente necessário? Ou viveremos nas exceções? E isso diz respeito a todos nós.

Ocorreu-me, uma vez, que no Brasil a lei tem papel mais indicativo do que prescritivo. Explico: todos concordamos que se deve parar no sinal verde - e a grande maioria o faz. Mas a pressa, o fato de não estar vindo um carro pela outra via, a demora no sinal "justificam" eventualmente passar no sinal vermelho. A lei deixa de ser lei para se tornar uma referência, apenas; ou, pior, algo que espero que os outros respeitem absolutamente, mas que infringirei quando me achar "justificado" a fazê-lo. 

Guiando desse jeito, vários pais mataram os próprios filhos - e isso continua acontecendo. Não precisaremos fortalecer, enquanto sociedade, a convicção de que para um bom convívio é preciso repudiar fortemente essas duas frases que, na sua euforia, os dois personagens pronunciaram sem saberem que estavam sendo gravados? Enquanto isso, obrigado aos repórteres que denunciaram esse crime.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.

FONTE: http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/3/26/a-etica-dos-corruptos

UFMA. Semana dos Calouros de Ciências Sociais.

UFMA - CIÊNCIAS SOCIAIS.
1 - Será realizada de 27 a 30 de março de 2012 a a semana do Calouro no CCH da UFMA, abaixo a programação. 

2 - Será realizado também um Café Sociologico, no dia 30 de março conforme convite abaixo:

1 - PROGRAMAÇÃO SEMANA DO CALOURO 2012.1
 Dia 27/03 (3ª feira)
Horário
Programação
14:30 - 15:30

Mesa de Abertura
Coordenador do Curso Prof.Dr. Juarez Lopes de Carvalho Filho  
Chefe de Departamento Prof.Dr. José Benevides Queiroz
16:00 – 18:00
Mesa Redonda
O Profissional Sociólogo.
Andréa Rabelo Almeida

 Dia 28/03 (4ª feira)
Horário
Programação
14:00 - 15:30

MESA REDONDA:
“Falam os veteranos”
  • Entrevistada: Profa. Dra. Madian Frazão Pereira
  • Entrevistadora: Kellen Krystynny Carneiro Barros
15:30 - 17:30

Tour na UFMA
  
Dia 29/03 (5ª feira)
Horário
Programação
15:30 -17:00
    Mesa Redonda
CONVERSA COM OS BOLSISTAS
Representantes:  PIBIC  / PET/PIBID/PIM

18:00

Aula Inaugural PPGCSoc:
 Da filologia à antropologia: percursos de um profissional itinerante.
Prof. Dr. Hippolyte Brice (UFS)

Ø  Lançamento do N. 16 da revista Pós Ciências Sociais
DOSSIÊ: Religiões Afro-americanas

 
Dia 30/03 (6ª feira)
Horário
Programação
16:30





A partir das 19:00



CAFÉ SOCIOLÓGICO
O combate ao trabalho escravo e a luta pelo respeito aos direitos humanos no Maranhão
Advogado Antônio José Ferreira Lima Filho – Coordenador de Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia


ATIVIDADE CULTURAL
Ponche


                                                         REALIZAÇÃO: C.A.C.S Florestan Fernandes.            APOIO: DESOC UFMA.


2 - CAFÉ SOCIOLÓGICO:


Combate a corrupção. Recompensa aos denunciantes.

Proposta em tramitação no Senado destina 10% do valor recuperado pelo governo ao cidadão que ajudar a desvendar esquema de corrupção. Comissão de Ética da Presidência da República faz ressalvas e teme que o projeto onere ainda mais a máquina pública

Josie Jeronimo.

Em clima de faroeste, o Congresso discute propostas que transformam o combate à corrupção em uma espécie de corrida de caça ao tesouro, concedendo incentivos financeiros a denunciantes de esquemas e cobrando das empresas multas por gestão permissiva ao desvio de recursos.

O carro-chefe dos projetos que recompensam delatores por denúncias de atos ilícitos é uma proposta do líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que garante ao denunciante recompensa de 10% do valor desviado que voltar para os cofres públicos.

O projeto propõe a alteração do artigo 5º do Código de Processo Penal, formalizando recompensa a "qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal" e comunicar à autoridade policial. A proposta é polêmica e encontrou resistência até mesmo na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Em reunião do colegiado, o órgão mostrou-se preocupado com a possibilidade de o projeto criar uma corrida de "caçadores de recompensa". A comissão ponderou que o incentivo "estimula o clima de denuncismo", conduz o problema do combate à corrupção a critérios meramente pragmáticos e pode onerar ainda mais a máquina pública.

O autor do projeto, por sua vez, alega que a medida é mais do que um incentivo financeiro, pois, na maioria dos casos, os delatores de esquemas de corrupção só recebem o amparo do Estado por um curto período de tempo e depois da exposição não conseguem restabelecer rotina de trabalho. "Essa experiência existe em países da Ásia, como as Filipinas. O objetivo não é só o incentivo. O cidadão quando se apresenta e faz uma denúncia dificilmente consegue trabalhar em algum lugar. O Estado banca até determinado período. Não é só um estímulo", afirma Pinheiro.

Má gestão

O líder do PT adianta que o projeto não deve tramitar sozinho na CCJ. O Senado vai reunir textos de outras propostas que também tratam de incentivos às denúncias de esquemas de corrupção para montar um projeto mais amplo. De acordo com Walter Pinheiro, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) mostrou interesse em relatar as propostas.

O compêndio "anticorrupção" do Senado contemplará premissas do Projeto de Lei nº 6826, de 2010, encaminhado ao Congresso ainda durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que responsabiliza também as empresas por atividades ilícitas. A proposta é relatada pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP) e vai ser votada na Comissão Especial dos Atos contra a Administração Pública da Câmara no próximo mês.

No substitutivo de Zarattini, o relator destaca a intenção do governo em criar regras que façam a corrupção ou má gestão doer no bolso. Pela proposta, as pessoas jurídicas serão responsabilizadas pelos atos praticados por qualquer agente ou órgão que as represente e as punições administrativas previstas são multas que variam entre R$ 6 mil e R$ 6 milhões, calculadas de acordo com o faturamento bruto da empresa enquadrada em situação irregular ao prestar serviço para órgão público. O deputado Édio Lopes (PMDB-RR) apresentou emendas sugerindo que as multas previstas no projeto sejam reduzidas e que as empresas acusadas de atos ilícitos não sejam obrigadas a reparar integralmente o dano causado quando o conflito for apenas da esfera administrativa, e não criminal.

"“ O cidadão quando se apresenta e faz uma denúncia dificilmente consegue trabalhar em algum lugar “"

Walter Pinheiro (PT-BA),
senador

FONTE:http://www.exercito.gov.br/web/imprensa/resenha

Pedófilos camuflados na rede. Abusadores usam cada vez mais a internet para trocar material pornográfico e até fazer propostas de compra de fotos.

Renato Alves  

Nunca se prendeu tanto pedófilo no Distrito Federal. Foram 21 desde novembro. A maioria por violentar fisicamente crianças e adolescentes. Mas de uma forma mais silenciosa e impune, criminosos têm feito um número maior de vítimas. Eles usam a internet para atrair, expor e constranger meninos e meninas. A Polícia Civil do DF registra diversas maneiras de atuação desse tipo de bandido, que mira pequenos brasilienses. Elas vão da troca de material pornográfico a investidas por meio das redes sociais e até propostas de compras de fotos de garotas nuas para exibição em sites especializados.

Diferentemente dos crimes cometidos pela maior parte dos pedófilos presos recentemente, a pedofilia na internet tem provas de sobra, mas os autores quase sempre permanecem livres. No universo virtual, os bandidos se escondem em sites hospedados fora do país, atrás de nomes e pseudônimos falsos. Por outro lado, costumam exibir a milhões de pessoas fotos e  vídeos de crianças nuas. No momento, uma das prioridades da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) é identificar e colocar atrás das grades o dono de um blog com imagens de pelo menos 20 meninas brasilienses.

A polícia começou a investigar o endereço eletrônico em janeiro, a partir do depoimento de três adolescentes. Elas contaram ter sido assediadas por um desconhecido, por meio de mensagens deixadas em uma rede social da qual elas faziam parte. Todas afirmaram ter recebido uma proposta de se tornarem famosas com a divulgação de suas fotografias. Mas o agenciador exigiu poses sensuais das meninas, totalmente nuas. Ele prometeu pagar R$ 25 por foto, enviada a um e-mail. Agentes acessaram o blog e encontraram diversas imagens de meninas com menos de 18 anos. Identificaram 20 moradores do DF.

Ao tomar conhecimento que vinha sendo investigado, o pedófilo retirou o domínio virtual do ar, mas, antes, escreveu uma mensagem desafiadora. Afirmou que ficaria impune porque a polícia não teria como provar os seus crimes. Agora, a DPCA conta com a ajuda da Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (Dicat) da Polícia Civil para identificar e prender o dono do blog. "Não sabemos se o autor mora no DF nem de qual computador recebe e envia as fotos. Por isso, precisamos da ajuda da Dicat. Mas será uma questão de tempo chegar até ele", afirma a delegada Valéria Martirena, chefe da DPCA.

Perfil indefinido. Martirena está à frente da delegacia especializada desde novembro. É a segunda vez que assume a unidade. Na primeira, ficou no comando de 2000 a 2005. Nenhum delegado do DF tratou de tanto caso de pedofilia quanto ela. "As denúncias pela internet têm aumentado, mas ainda são menores do que as domésticas. Elas que ocorrem em um ambiente que a vítima teoricamente estaria segura, como a casa e até a igreja. No entanto, a pedofilia na rede faz mais vítimas porque um criminoso pode expor um maior número e o seu crime se propagar e se perpetuar", observa.

Diferentemente do que se acreditava por um período, o pedófilo não tem um perfil definido. "Muitos pregavam que se tratava de senhores de idade e com dinheiro para atrair as suas vítimas. Mas nós temos prendido de jovens trabalhadores braçais a médicos e religiosos", ressalta a delegada. O caso mais recente de um criminoso que agia na internet descoberto e preso pela DPCA foi o de um pedreiro de Ceilândia. Agentes cumpriram o mandado de prisão preventiva em 13 de dezembro. O homem é acusado de integrar uma rede de pedofilia.

Ele não chegou a cometer abusos físicos, mas trocava e-mails com outros integrantes da rede e passava fotos de crianças e adolescentes mantendo relações sexuais ou em posições sensuais, caracterizando o crime, de acordo com a investigação. O pedreiro vinha sendo investigado desde 2008, mas os policiais tinham problemas em identificá-lo porque ele usava uma identidade falsa na internet.

A punição aos criminosos também é dificultada pela falta de comunicação entre as polícias. Um médico do Hospital de Base do DF preso por pedofilia em novembro de 2001 acabou livre por falta de provas. Policiais federais flagraram o gastroenterologista, dentro da maior unidade de saúde do DF, a repassar pela internet imagens de crianças fazendo sexo com adultos. Ele era acusado de pertencer a uma rede internacional de pedofilia, com conexões em cerca de cinco países. "Mas a PF não sabia que o investigávamos há mais tempo. À época, não havia uma lei que punia pedofilia na internet, por isso, pretendíamos flagrá-lo fazendo fotos ou até abusando sexualmente de uma criança. Ele vinha sendo acompanhado por meio de escutas telefônicas", conta a delegada Martirena.

Imagens guardadas. Na maioria das vezes, a polícia conta com denúncias anônimas para iniciar uma investigação de pedofilia na internet. Mas a mais recente apuração bem-sucedida em todo o DF teve início por acaso. Em meados de janeiro, um pedestre encontrou um pen drive em uma rua de São Sebastião. Por curiosidade, o homem conectou o aparelho a um computador. Ao abrir os arquivos, veio a surpresa. O acessório tecnológico armazenava mais de mil imagens de crianças e adolescentes nuas, além de 18 vídeos em que um desconhecido violentava uma criança de 6 anos e duas adolescentes de 15 e 16 anos.

O homem entregou o pendrive na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), que não teve dificuldade em identificador o criminoso. O abusador que aparece nas imagens é Alberto Mirando Sobrinho, 38 anos, preso na cidade em 11 de fevereiro. Ele confessou os crimes e informou que os abusos com as meninas mostradas nos vídeos começaram em 2004. Na casa dele, os investigadores encontraram outros aparelhos de armazenamento de imagens, além de vídeos, CDs e objetos comprados em sex shop.

Os agentes também identificaram as duas adolescentes estupradas. Em depoimento, Alberto entregou outro suposto integrante da rede de pedofilia, o comerciante Nilton Hélio de Jesus, 40 anos. Na loja dele, na Asa Norte, policiais apreenderam 11 discos rígidos de computadores, duas máquinas fotográficas, um celular, um pendrive e vários CDs.

Já na casa de Nilton, foram apreendidos um laptop e uma máquina fotográfica. O comerciante se entregou à polícia na última segunda-feira. Agora, peritos avaliam todo o material, na tentativa de descobrir outras possíveis vítimas. Os homem detidos serão indiciados por estupro de vulnerável, cuja pena varia de 8 a 15 anos de prisão.

A polícia dinamarquesa liderou a ação por ser considerada mais experiente na análise das redes de compartilhamento usadas para a troca do material pornográfico. Somente na Dinamarca, foram indiciados 19 homens entre 24 e 55 anos.

Memória

Mega operação na Europa

Uma operação desencadeada em 16 de dezembro de 2011 pela Agência de Polícia da Europa desmontou a maior rede de pedofilia já descoberta na internet, com cerca de 70 mil integrantes e conexões em 30 países. Os agentes prenderam, em um só dia, 112 dos 269 suspeitos identificados em 22 nações europeias.

Batizada de Ícaro, a operação tinha como alvo "pessoas que trocavam as formas mais extremas de material de vídeo, mostrando fundamentalmente bebês e crianças pequenas submetidas a abusos sexuais", indicou a Europol em um comunicado. Os investigadores identificaram 230 crianças abusadas.

O que diz a lei

Até agosto de 2009, o Código Penal previa o crime de estupro no artigo 213 e o atentado violento ao pudor no 214, além de pena de seis a 10 anos de reclusão para cada um deles. Houve uma mudança na lei e as duas condutas passaram para um único artigo e com a mesma pena. Diz o texto que "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso".

FONTE:http://www.exercito.gov.br/web/imprensa/resenha

Seap incentiva municípios a terem concessão de Rádios Comunitárias


O Plano Nacional de Outorgas para Radiodifusão estabelece que até dezembro deste ano, 431 municípios brasileiros poderão se habilitar para obter concessões de Rádios Comunitárias. Deste total, quinze serão destinadas ao Maranhão. A meta do Ministério das Comunicações é criar condições para que, em médio e longo prazo, 85% dos Municípios brasileiros tenham rádios comunitárias.

Segundo o Secretário de Estado de Assuntos Políticos, Hildo Rocha “essa iniciativa do Governo Federal é louvável porque irá proporcionar às autoridades e à sociedade civil organizada mais um meio de comunicação que servirá para democratizar as informações acerca das ações do poder público municipal, irá contribuir para o aprimoramento dos debates e será de grande utilidade na prestação de serviços às comunidades beneficiadas”.

Rocha ressaltou que, “segundo a Lei 9.612, que regulamenta os Serviços de Radiodifusão Comunitária, essas emissoras têm por finalidade:  dar oportunidade à difusão de idéias, a elementos de cultura, tradições e hábitos sociais da comunidade; oferecer mecanismos à formação e integração da comunidade, estimulando o lazer, a cultura e o convívio social e ainda prestar serviços de utilidade pública, integrando-se aos serviços de defesa civil, sempre que necessário”.

Até o final do ano onze editais serão publicados. O primeiro, cuja lista contempla Buriticupu, São Domingos do Maranhão e Vitorino Freire, sairá já na primeira quinzena de abril.

Os demais municípios maranhenses selecionado para as licitações são: Bom Jardim, Bom Jesus das Selvas, Matões, Olho d´Água das Cunhãs e Timbiras, no grupo 3, previsto para a primeira quinzena de junho; João Lisboa e Trizidela do Vale, no grupo 6, programado para a segunda quinzena de agosto; Bacabeira, Buritirana, Itaipava do Grajaú, São João do Carú e Satubinha, no lote 11 cuja licitação será aberta na primeira quinzena de novembro de 2011.

Municípios que podem se habilitar para ter Rádios Comunitárias.
-      Bacabeira
-      Bom Jardim
-      Bom Jesus das Selvas
-      Buriticupu
-      Buritirana
-      Itaipava do Grajaú
-      João Lisboa
-      Matões
-      Olho d’Água das Cunhãs
-      São Domingos do Maranhão
-      São João do Caru
-      Satubinha
-      Timbiras
-      Trizidela do Vale
-      Vitorino Freire


Fonte:http://www.agorasantaines.com.br/noticias/maranhao/seap-incentiva-municipios-a-terem-concessao-de-radios-comunitarias/46

Brics criam novo modelo de ajuda a países pobres, diz relatório



Empresas brasileiras (como a Vale, na foto) já têm operações em Moçambique (foto: Agência Vale).

Os países que formam o grupo Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – aumentaram sua participação em ajuda a nações pobres em um ritmo dez vezes maior que o do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido ,França, Itália e Canadá) entre 2005 e 2010, e estão criando novos modelos para a cooperação internacional, segundo dados de um relatório divulgado nesta segunda-feira, em Nova Déli, na Índia.

Apesar de os países desenvolvidos ainda serem responsáveis por um volume muito maior em termos de cooperação internacional, o estudo divulgado às vésperas da Quarta Cúpula dos Brics (28 e 29 de março, em Nova Déli) afirma que o tamanho e a abrangência dos esforços dos Brics em termos de ajuda externa têm acompanhado o rápido crescimento de suas economias.
"Durante a crise financeira, a maior parte dos países Brics conseguiu manter seu crescimento econômico e aumentar a cooperação internacional, enquanto alguns doadores tradicionais reduziram ou ficaram no mesmo patamar de gastos em termos de ajuda externa", disse à BBC Brasil David Gold, diretor-executivo da Global Health Strategies initiatives (GHSi), organização internacional responsável pelo relatório.

Impacto na saúde global

O documento conclui que os Brics vêm inovando e utilizando novos recursos para melhorar a situação de saúde nos países mais pobres do mundo.

"Os Brics estão estabelecendo novos modelos para cooperação que desafiam a forma como vemos a ajuda externa. De forma geral, eles não se veem como doadores tradicionais. Em vez disso, eles enfatizam a cooperação Sul-Sul e programas que deixem um legado de qualificação e de transferência de tecnologia, além de usar lições de sua própria experiência em relação à saúde", afirmou Gold.

Como exemplo, o documento cita a decisão do Brasil – que foi um dos pioneiros nos tratamentos de HIV/AIDS – de construir, em Moçambique, uma fábrica de drogas antirretrovirais.

Segundo Gold, os fabricantes de vacinas e medicamentos genéricos da Índia também tiveram papel fundamental na redução dos preços que os países mais pobres pagam por estes produtos.

"A assistência financeira e os medicamentos da China fizeram uma enorme diferença em termos de controle da malária na África, enquanto a Rússia foi um dos doadores iniciais do programa da Aliança GAVI (entidade internacional dedicada à imunização) que visa fornecer vacinas pneumocócicas a preços reduzidos para países em desenvolvimento", disse Gold.

"A África do Sul, que tem uma das taxas mundiais mais altas de tuberculose resistente a antibióticos, está sendo pioneira na introdução de um novo tipo de diagnóstico molecular da doença."

O relatório estima que os gastos do Brasil com ajuda externa tenham ficado entre US$ 400 milhões e US$ 1,2 bilhão em 2010 (já que o país não divulga números anuais).

A Rússia teria desembolsado cerca de US$ 500 milhões no mesmo ano, enquanto a Índia teria gastado US$ 680 milhões, a China, US$ 3,9 bilhões, e a África do Sul, US$ 150 milhões.

Fonte de recursos e inovação.

Apesar de reconhecer que os Brics ainda enfrentam seus próprios desafios em relação a seus sistemas de saúde, o documento afirma que as cinco nações tiveram avanços recentes e implementaram programas inovadores na área.

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul também já estão coordenando esforços em setores como agricultura, ciência e tecnologia, além de investirem pesado em pesquisa e desenvolvimento, o que poderia, segundo Gold, ter um impacto direto em países pobres.
Um dos temas em discussão na Quarta Cúpula dos Brics nesta semana é a proposta indiana de se criar um Banco de Desenvolvimento do grupo, dedicado a investir em projetos de infraestrutura e desenvolvimento em nações pobres.

"No longo prazo, os Brics representam uma potencial fonte de novos recursos e inovação para o desenvolvimento e a saúde globais", disse Gold.

LEIA MAIS:  Banco Mundial: "PIB DO BRASIL É MAIOR QUE OS DA FRANÇA E REINO UNIDO. http://maranauta.blogspot.com.br/2014/05/banco-mundial-pib-do-brasil-e-maior-que.html

domingo, 25 de março de 2012

Poesia, só de sacanagem. Ética.

Integra do poema de Elisa Lucinda:
Título: Só de Sacanagem

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, Esse apontador não é seu, minha filhinha”.

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.

Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo,

com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,

então agora eu vou sacanear:

mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem!

Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba” e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.

Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.

Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.

Eu repito, ouviram? IMORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo

mas, se a gente quiser,

vai dar para mudar o final!



Elisa Lucinda, 12 de agosto de 2005.


Fonte: http://www.avozdocidadao.com.br/detailAgendaCidadania.asp?ID=184