Relatórios verificaram o tratamento inadequado dos efluentes na ETE Jaracaty, que causou poluição em rios e praias de São Luís.
Segundo noticia divulgada hoje, o Ministério Público Federal (MPF) no Maranhão conseguiu, na Justiça Federal, que a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) faça o tratamento adequado dos efluentes da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Jaracaty, em obediência às condições, padrões e exigências ambientais, segundo a regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Desde 2011, relatórios técnicos sobre vistoria realizada no entorno da ETE Jaracaty, produzidos em conjunto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semman), evidenciaram que havia lançamento de esgoto in natura em corpos hídricos, em decorrência de tubulação rompida ou a própria falta de tratamento completo dos efluentes.
A Semman, em 2012, realizou um novo relatório que concluiu que o funcionamento da ETE estava inadequado. A partir das análises laboratoriais, ficou claro que a o sistema não reduzia de forma satisfatória a contaminação bacteriana, não removia adequadamente nutrientes tóxicos e possuía possível falha na etapa secundária de tratamento.
De acordo com o MPF, as vistorias demonstram que a omissão da Caema em fazer funcionar de forma adequada a estação de esgoto teve como consequência o lançamento de esgoto in natura, que constitui uma das maiores causas da poluição do Rio Anil e das praias costeiras de São Luís.
Diante disso, a Justiça Federal determinou que a Caema assegure tratamento adequado dos efluentes da ETE Jaracaty em obediência às condições, padrões e exigências ambientais, estabelecidos na Resolução Conama n.357/2005. A Caema deve também realizar o monitoramento da qualidade de efluentes da ETE e, ainda, pagar indenização por danos insuscetíveis de recuperação in natura.
O número do processo para consulta na Justiça Federal é 0028595.16.2011.4.01.3700
Assessoria de Comunicação - Procuradoria da República no Maranhão. Tel: (98) 3213-7161. E-mail: prma-ascom@mpf.mp.br - Twitter: @MPF_MA.
No último dia 18/08, sábado, São Luís foi palco de mais um suicídio,
segundo relatos nas redes sociais a vítima tinha 42
anos, deixou esposa e dois filhos menores.
Apesar de iniciarmos esta matéria noticiando mais
uma tragédia, nosso objetivo é falar de vida, é trazermos uma boa nova. Informamos que o número 188, ligação totalmente gratuita, já está funcionando no Maranhão. Oficialmente o serviço já
opera na Cidade de Bacabal e em breve funcionará também em nossa Capital, qualquer
pessoa precisando desabafar, querendo ser ouvida ou desejando conversar
pra fugir da solidão, ligue 188 e será atendida prontamente, este número
188, atende 24 horas por dia, sete dias por semana, a chamada é
gratuita, a pessoa tem respeitada a sua privacidade, mantendo seu anonimato.
No Maranhão um grupo de voluntários, representantes da sociedade civil, comunidade acadêmica e de órgãos governamentais, vem trabalhando há
mais de um ano visando criar mecanismos de apoio aos familiares das vitimas de
suicídio e a prevenção da prática deste gesto extremo (suicídio).
Promotora Lana Cristina acompanhada da servidora do CAOp DH Sr. Luciana.
Este trabalho é coordenado pelo Centro de Apoio
Operacional de Direitos Humanos – CAOP-DH, tendo a frente inicialmente a
Procuradora Sandra Elouf e atualmente é conduzido pela promotora de justiça
Lana Cristina Barros Pessoa.
Na assembleia legislativa faz parte do projeto a Comissão de direitos humanos que tem como presidente o deputado Wellington do
Curso, que em 21 de agosto de 2017, deu entrada no Projeto de lei n° 223/2017 “Dispondo
sobreinclusão a inclusão no Calendário Oficial
do Estado do Maranhão, da Semana Estadual de Prevenção ao Suicídio” a ser
realizada anualmente na semana que compreender o “dia 10 de setembro dia mundial
de prevenção ao suicídio” estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
No dia 14 de setembro de 2017 o deputado Wellington protocolou uma indicação
solicitando ao governador Flávio Dino e ao Secretário de Saúde Dr. Carlos Lula
que implantasse o “Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio”.
Foto - Parte do grupo de voluntários empenhados em elaborar o Plano Estadual de Prevenção ao Suicídio.
Já neste ano de 2018 a
secretaria estadual de saúde realizou o primeiro seminário estadual de prevenção
ao suicídio. E as reuniões para colher subsídios para elaboração do referido
plano de prevenção ao suicídio, vem ocorrendo com certa regularidade e a
participação de alguns participantes merece ser destacado, cito a representante
da Polícia Militar Tenente Coronel Cristina que é Psicóloga e desde o inicio
deste trabalho sua participação é constante neste projeto, recentemente temos a
participação do Tenente Jonatan Coutinho, do Corpo de Bombeiros Militar, que atuou
na criação da NAVISLU (Núcleo de Apoio à Vida de São Luís – MA), sendo a
entidade mantenedora do Centro de Valorização da Vida em São Luís, que funciona
numa sala nas dependências do Corpo de Bombeiros no Parque do Bom Menino, na
região central de São Luís. São dezenas de pessoas que atuam neste projeto se
for aqui citar todos poderia ficar cansativo, ou cometer a injustiça de esquecer
alguém, razão de parar com os dois nomes citados.
Endereços
de locais onde qualquer pessoa, necessitando de atendimento
psicológico, pode encontrar ajuda profissional gratuita
Notícia divulgada ontem pela Rede Voltaire, informa que os Estados Unidos acabam de entregar aos Curdos do Norte da Síria um enorme carregamento de armas (cerca de 250 caminhões).
É impossível dizer neste momento, contra quem Washington pensa utilizar estas armas.
Estão os Estados Unidos relançando a guerra contra a Síria ou preparando-se para instrumentalizar os Curdos contra a Turquia?
Ao menos 26 detentos foram mortos durante rebelião na Penitenciária de Alcaçuz em janeiro (Arquivo/Agência Brasil).
Publicado
em 19/08/2018.
Por Flávia Albuquerque -
Repórter da Agência Brasil São Paulo.
Quatro presos do regime fechado foram encontrados
mortos na madrugada de hoje (19) na Penitenciária Estadual Rogério Coutinho
Madruga, em Nísia Floresta, no Rio Grande do Norte. Iuri Yorran Dantas Azevedo
(24), Rodrigo Alexandre Farias Araujo (26), Thiago Lucas Oliveira Silva (24) e
Ytalo Nunes de Sousa (25) foram encontrados mortos pelos agentes penitenciários
de plantão, de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da
Justiça e da Cidadania (Sejuc).
Por meio de nota, a Sejuc informou que o governo do
Rio Grande do Norte segue firme no trabalho de aperfeiçoamento do sistema
prisional, mantendo os detentos presos e longe do convívio com a sociedade, sem
fugas e sem acesso a celulares. “As facções criminosas não se comunicam mais
com o exterior da cadeia, o que tem provocado brigas internas”, diz a nota.
A nota diz ainda que a direção do presídio acionou
a Delegacia Especializada em Homicídios e o Instituto Técnico-Científico de
Perícia (Itep). As circunstâncias das mortes serão investigadas pela Polícia
Civil e só o laudo do Itep poderá determinar a real causa das mortes.
Em janeiro do ano passado aconteceu na
Penitenciária de Alcaçuz, como é conhecido o presídio, um massacre que deixou
26 mortos, depois de 14 dias seguidos de rebelião, resultando na destruição quase
completa da unidade. Após o final da rebelião, o governo dividiu a
penitenciária em duas partes com um muro de concreto para separ as facções
rivais.
Numa reunião realizada na manhã da ultima quinta-feira, (16), no Salão de Atos da Câmara Municipal de São Luís, os vereadores foram convidados a participarem da campanha “Idoso consciente, voto inteligente”, que será realizada no próximo domingo, (19).
O evento partiu de um convite formulado ao Legislativo Ludovicense pelo promotor titular de Defesa do idoso, Augusto Cutrim.
Estiveram presentes, além do promotor do Idoso, a promotora das Fundações, Doraci Moreira e os vereadores Antonio Garcêz (PTC), Cézar Bombeiro (PSD), Paulo Victor (PROS), Pavão Filho (PDT) e Ricardo Diniz (PRTB).
O promotor Augusto Cutrim informou que a campanha tem por objetivo estimular esse segmento populacional a participar das decisões do País, principalmente políticas, numa forma de contribuir para a diminuição do índice de abstenção.
A movimentação de domingo terá início às 8 horas, com uma concentração em frente ao Tribunal de Justiça e uma caminhada até a Praça Benedito Leite, onde será disponibilizada uma programação aos presentes, devendo se encerrar as 11 horas.
Aproveitando a oportunidade, o promotor Augusto Cutrim teceu algumas considerações sobre a situação em que vive a população de idosos no País, sendo que para essas eleições, estimou-se em 30 milhões de idosos aptos a votarem no Brasil, 850 mil no Maranhão e cerca de 150 mil em São Luís. Ele lamentou também as condições a que estão submetidas as pessoas idosas, e entre outros exemplos citou que alguns candidatos chegam a tratar o idoso com indiferença em seus discursos, alegando que contribuem para o déficit com a previdência e outras mazelas.
Os vereadores fizeram uso da palavras com comentários onde todos concordaram com as argumentações do promotor. E acrescentaram fatos como Paulo Victor defendendo a união entre poderes para tratar da questão, enquanto Cézar Bombeiro citou a realidade a que muitas famílias submetem seus idosos, e Ricardo Diniz elogiou a iniciativa e evidenciou o engajamento de todos numa luta pela cidadania.
Já Antonio Garcêz destacou a falta de compreensão de alguns segmentos da sociedade para com a causa, e Pavão Filho voltou a tratar sobre o tratamento que certos políticos dispensam aos idosos, apontando também para a necessidade do apoio da família e que “essa campanha irá ter um efeito muito maior que esse da participação na política, pois contribuirá para o despertar de outras responsabilidades.
Esse artigo faz parte de uma série, com um novo texto tratando da temática das drogas publicado a cada 15 dias no site da Pastoral Carcerária. Para ler o primeiro texto, clique aqui. Para ler sobre as drogas depressoras da atividade mental, clique aqui. Para ler sobre drogas estimulantes da atividade mental, clique aqui. E para ler sobre drogas perturbadoras da atividade mental, clique aqui.
Há alguns anos se fala em paróquias, dioceses e até mesmo em nível regional sobre a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas festas dos padroeiros ou outras festividades nas Igrejas.
O tema por si só é bastante polêmico, provocando acirradas discussões, concordâncias e discordâncias. Do ponto de vista da saúde pública, vender ou não vender bebidas alcoólicas em um único dia no território das paróquias não vai mudar muito a vida das pessoas.
Sabe-se que a questão do álcool é bem mais profunda e abrangente. Se a pessoa bebe com frequência, não será a proibição na festa da Igreja que o manterá livre do álcool.
Porém, é claro que a festa da Igreja pode ser o primeiro contato que levará a pessoa ao vício. Olhando do ponto de vista moral, é contraditório pregarmos e lutarmos contra as drogas e as vendermos nas nossas festas. É preciso aprofundar o debate sobre o consumo do álcool.
No texto a seguir pretendo dar uma pequena contribuição sobre o álcool e sua ação no organismo e na vida das pessoas sob o olhar da saúde pública. Este texto servirá apenas como reflexão para as pessoas e comunidades terem uma base de como o álcool age em nós e sobre a necessidade de evitá-lo.
O álcool é a droga lícita mais consumida no Brasil. Estudos demonstram a ocorrência significativa de mortes e doenças associadas ao uso de álcool. O alcoolismo é o responsável pela terceira causa de mortalidade e morbidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a OMS, a cada ano cerca de dois bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas. Isso corresponde a 40% da população mundial acima de 15 anos de idade. Ainda segundo a Organização, cerca de dois milhões de pessoas morrem por ano em decorrência das consequências negativas do uso do álcool. Essas conseqüências são intoxicações agudas, cirrose hepática, violência e acidentes de trânsito.
Muitas pessoas que bebem o fazem de forma moderada, mas algumas pessoas consomem álcool de uma forma muito mais “pesada”, e isso tem se tornado cada vez mais frequente, tanto em homens como em mulheres.
Assim sendo, os problemas decorrentes desse padrão de beber se tornam mais comuns, mesmo em pessoas que não apresentam o diagnóstico de dependência alcoólica. A literatura científica apresenta como principais padrões de consumo de álcool o uso moderado e o abuso ou dependência de álcool.
No que diz respeito ao uso moderado de bebidas alcoólicas, confunde-se com o “beber socialmente”, que significa beber dentro de padrões aceitos pela sociedade. O beber moderado também é visto de maneira errônea como sendo uma forma que não traz consequências adversas ao consumidor.
Segundo a OMS para se evitar problemas com o álcool, o consumo aceitável é de até 15 doses por semana para os homens e 10 doses por semana para as mulheres.
Uma dose equivale, aproximadamente, a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 40 ml de uma bebida destilada. Cada uma dessas contém 10 a 15 g de etanol. Segundo o National Institute of Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA) o “beber moderado” seria o consumo com limites em que prejuízos não são esperados tanto para a pessoa quanto para a sociedade.
Os homens não devem ultrapassar o consumo de duas doses diárias de álcool e as mulheres, de uma dose diária. Tanto os homens quanto as mulheres não devem beber mais de duas vezes por semana.
Quanto ao beber pesado episódico, é definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas, em uma única ocasião por homens e quatro ou mais doses por mulheres, pelo menos uma vez nas últimas duas semanas.
O beber pesado está associado a diversas situações e danos à saúde e à sociedade, tais como danos à saúde física, comportamento sexual de risco, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, intoxicação alcoólica, quedas e fraturas, violência (incluindo brigas, violência doméstica e homicídios), acidentes de trânsito, problemas psicossociais, comportamento antissocial e dificuldades escolares, tanto em jovens como na população em geral.
O beber pesado também está associado a um aumento da mortalidade em todas as causas de doenças cardíacas e está relacionado a um risco maior para transtornos psiquiátricos, câncer e doenças gastrointestinais.
De acordo como o National Councilon Alcoholismand Drug Dependence, alcoolismo é uma doença primária, crônica, com fatores genéticos, psicossociais e ambientais que influenciam seu desenvolvimento e manifestações.
A maioria dos clínicos utilizam os critérios diagnósticos para abuso e dependência do álcool, a fim de tornar o diagnóstico mais objetivo e estruturado, facilitando assim o direcionamento do tratamento.
Com relação à dependência, observa-se que ocorre em homens e mulheres de todas as etnias e classes socioeconômicas. O diagnóstico prediz um curso de problemas recorrentes, tendo como consequência o encurtamento da vida por uma década ou mais.
Se a pessoa apresentar problemas repetidos decorrentes do uso do álcool em uma das quatro áreas relacionadas ao viver, que são na esfera social, interpessoal, legal e problemas ocupacionais ou persistência do uso em situações perigosas (exemplo: beber e dirigir), ela pode receber o diagnóstico de abuso de álcool.
A OMS também recomenda que em alguns casos o álcool não é recomendo nem mesmo em pequenas quantidades. Essas situações seriam: gestantes ou mulheres que estejam tentando engravidar, antes de dirigir, ou operar máquinas ou outra tarefa que exija atenção, pessoas com histórias de doenças crônicas incompatíveis com o álcool, tais como diabetes, hipertensão, dentre outras, pessoas que estejam em fase de recuperação ou tratamento de uso de álcool e menores de 18 anos.
Quanto aos termos, existe uma diferenciação que ajuda no entendimento da problemática, principalmente no que diz respeito aos termos “alcoólatra” e “alcoolista”. Esses termos são usados, quase que indistintamente pelos estudiosos e pelo povo em geral para definir a “dependência do álcool”.
O termo “alcoólatra” foi utilizado, no decorrer dos anos para designar aquelas pessoas que bebiam abusivamente. Esse termo é inadequado pelo fato de confundir o dependente do álcool com alguém que idolatra o álcool.
Ao idolatrar o álcool, essa pessoa acaba quase que “escolhendo” ou “optando” continuar fazendo uso do álcool mesmo sabendo das consequências que ele gera para o bebedor e para seus familiares.
Esse termo é mais estigmatizante, rotulando o bebedor como alguém que está fadado a uma condição de depreciação, fraqueza e falta de escolhas, pois privilegia o álcool acima de todas as coisas.
Essa condição não é verdadeira, pois quando a dependência está instalada, muitas vezes, a pessoa bebe mais para minimizar os efeitos da abstinência, e não para ter prazer.
Com relação ao termo “alcoolista”, alguns pesquisadores dizem ser uma alternativa menos estigmatizante, pois coloca a pessoa como alguém que tem “afinidade” pelo álcool e não é seduzido por ele.
Esse termo, ao ser utilizado em substituição ao termo “alcoólatra” acaba não responsabilizando unicamente o bebedor pelos problemas decorrentes do uso do álcool, mas sim reconhecer que o álcool é uma substância lícita, socialmente aceita e disponível; todavia, quando utilizada em grandes quantidades e frequências, expõe o bebedor a muitos riscos.
Assim sendo, o termo mais correto para designar a pessoa que tem problemas devido ao uso e abuso do álcool, seria o de “dependente de álcool”. A dependência é uma condição clínica. Ela é diagnosticada e tem tratamento, por isso é um problema de saúde pública.
Com relação aos níveis máximos de concentração de álcool no sangue, eles ocorrem após meia hora do consumo. Esse tempo pode variar na população: o organismo metaboliza e excreta, aproximadamente, uma dose por hora.
Se a pessoa beber quatro doses de bebidas alcoólicas em uma festa, ela teria que esperar quatro horas para dirigir. Isso para que todo o álcool saia de seu organismo.
É importante ressaltar que café preto e banho gelado ou mesmo outro líquido como refrigerantes não resolvem esse tipo de situação, nem diminuem a embriaguez.
Pessoas que usam grandes quantidades de álcool de forma crônica podem desenvolver diversas complicações em diversos órgãos, como inflamações no esôfago, estomago, gordura no fígado, hepatite, cirrose, pancreatite, deficiências de vitaminas, demências e câncer.
As consequências relacionadas ao uso do álcool são as mais diversas. No caso de gestantes, um dos problemas mais sérios é a Síndrome Alcoólica Fetal. Mulheres grávidas que beberam em excesso durante a gestação podem gerar crianças com sérios danos neurológicos e comportamentais.
Essas crianças podem ter deficiência de crescimento intrauterino, microcefalia, deformações físicas, na cabeça, nas extremidades, no coração e nos órgãos genitais.
A criança recém-nascida, filha de uma alcoolista pesada mama pouco, é irritável, hiperexcitada e hipersensível, tem tremores e fraqueza muscular, tem alteração do padrão de sono, transpira muito e pode ter apnéia.
Durante a gestação, o feto já é um consumidor, pois a placenta não filtra o álcool do sistema circulatório da mãe para a criança.
Outra consequência negativa do uso de álcool é a violência. Estudos demonstram a relação entre o uso de álcool e violência. Um estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde na Argentina, no Brasil e no México mostrou que cerca de 80% de pacientes que deram entrada em setores de emergência como vítimas de violência (intencionais ou não intencionais) eram do sexo masculino e tinham menos de 30 anos de idade.
Segundo o Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), cerca de 52% dos casos de violência doméstica no Brasil estavam relacionados ao uso de álcool pelo autor do ato de violência.
O consumo abusivo de álcool facilita bastante situações de violência, aumentando assim o risco de uma pessoa vir a cometer ou ser vítima de comportamentos violentos.
É importante ressaltar que existe uma série de fatores que levam a atos violentos, não sendo o álcool a causa única e direta da violência.
O álcool é um problema de saúde pública, e por isso requer políticas publicas que enfrentem essa questão. São necessários programas robustos de saúde pública para que se possam planejar intervenções, destinando melhor os recursos humanos e materiais a serviços preventivos e curativos.
O grande desafio da saúde pública na área de álcool e outras drogas é o de implementar políticas que promovam e fortaleçam ações de prevenção. Para tal, é de extrema importância a monitoração do beber pesado episódico e do abuso/dependência de álcool por meio de estudos epidemiológicos.
Ações como restrição de acesso a bebidas alcoólicas por menores, campanhas diversas, restrição de propagandas, controle de beber e dirigir, impostos, proibição de venda de bebidas alcoólicas nas festas religiosas, dentre outras, são altamente efetivas.
Todo o texto aqui apresentado tem como referência o Manual do Curso de Extensão Universitária Prevenção do uso de drogas – Capacitação para Conselheiros e Lideranças Comunitárias – 5ª Edição de autoria de Camila Magalhães Silveira, e também o Manual de Capacitação em Atenção à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade, da Universidade Federal de Santa Catarina.
Dados do Ipea foram apresentados em audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Somente este ano, o número 180 recebeu
mais de 73 mil denúncias de violência contra a mulher. Representante do
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Antônio Lima Júnior destacou
que o risco de mortes violentas para mulheres entre 15 e 29 anos é duas vezes
maior para as mulheres negras.
"Os
indicadores de trabalho, renda, moradia, todos esses indicadores negativos
tendem a expor as mulheres negras a um maior processo de vulnerabilização
social”, informou o pesquisador.
Os
números foram apresentados durante audiência pública realizada pela Comissão de
Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara nesta quarta-feira (8) para debater
respostas ao feminicídio de mulheres negras. O evento faz parte das atividades
marcadas para lembrar os 12 anos de vigência da Lei Maria da Penha, que
estabeleceu mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a
mulher.
Lima
Júnior informou que um conjunto de fatores atuam para aumentar o risco de morte
incluindo as respostas que o Estado tem dado à vulnerabilização desse grupo. “O
encarceramento, a passagem pelo sistema sócio-educativo na juventude, todas
essas vulnerabilizações concorrem para intensificar que a morte seja um evento
provável em condições precoces para as mulheres negras", explicou.
Lei
Maria da Penha - A
Coordenadora Nacional do Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos
Direitos da Mulher, Soraia Mendes, reconheceu os avanços da Lei Maria da Penha,
mas lamenta que as mulheres negras não estejam sendo beneficiadas.
"Nós
sabemos que as mulheres são demovidas nos sistemas de justiça criminal de fazer
a denúncia. A começar pela primeira porta que é a delegacia de polícia. Mas, as
mulheres negras sequer chegam às delegacias de polícia porque é um espaço de um
Estado que sempre lhe causou violência. Para que procurar uma delegacia de
polícia se na delegacia de polícia não se vai encontrar um espaço de
acolhimento? As mulheres negras desconfiam e desconfiam com razão",
declarou.
Foto - Soraia Mendes.
Omissão - A
representante na audiência da Associação Artemis contra a Violência Doméstica e
Obstétrica, Ilka Teodoro, afirmou que o Estado também é cúmplice da morte de
mulheres negras quando se omite. Ela destacou que no ano passado nasceram 162
mil bebês de mães que tinham entre 10 e 14 anos, apesar da Constituição Federal
determinar que qualquer ato sexual com pessoas com menos de 14 anos é estupro
de vulnerável.
A deputada Zenaide Maia (PHS-RN)
lamentou que o Estado brasileiro esteja sendo omisso em relação à morte de
mulheres negras em todo o país. "Nós sabemos que estão matando
principalmente os pretos e pobres. A discriminação com as mulheres é muito
maior com as mulheres negras e o que falta é vontade política para resolver o
probelma".
A representante do Ministério da Saúde,
Cheila de Lima, reconheceu que apesar dos esforços realizados pelo ministério
para mapear a violência contra mulher negra, o país avançou pouco no combate
efetivo.
Reportagem
– Karla Alessandra Direitos Humanos Câmara.